sábado, 13 de junho de 2009

PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO

CONSPECTO HISTÓRICO DA PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL

" De 1500 a 1583, aportaram no Brasil nove grupos esporádicos de missionários tantoportugueses como espanhóis e italianos. Exercendo o apostolado entre Pernambuco e Santa Catarina, não lograram estabelecer‑se, embora, até 1549. representassem a única Ordem Religiosa da extensa colônia. Nem a fundação da Primeira Custódia partiu, em princípio, dos frades menores portugueses, pois a iniciativa se deve a Jorge de Albuquerque, governador de Pernambuco, é a Dóna Maria da Rosa, terceira franciscana regular de Olinda, os quais pediram a Felipe 11 a vinda dos frades menores, depois de indeferido idêntico requerimento pela Província de Santo Antonio de Portugal. El‑Rei insistiu no mesmo sentido com o Ministro Geral, Frei Francisco Gonzaga. Este, presidindo ao Capítulo da Província de Santo Antonio, em Lisboa, a 13 de março de 1584, e apresentando o pedido vindo de Pernambuco, encontrou resistência; assim mesmo decretou a fundação da Custódia brasileira de Santo Antonio e nomeou, na mesma data, o primeiro custódio Frei Melquior de Santa Catarina.
A 12 de abril de 1585 chegaram a Olinda os oito fundadores da Custódia, ocupando a 4 de outubro do mesmo ano, o Convento de Nossa Senhora das Neves, que D. Maria da Rosa lhes doara. A atividade principal dos franciscanos desenvolveu‑se na catequese dos índios das seguintes missões: Olinda (duas), itamaracá, Itapissuma Ponta de Pedras, Siri, Tracunhaém, Una ou Iguna, em Pernambuco; Porto de Pedras, em Algoas; Almagra, Guirajibe, Joane, Mangue. Praia, Santo Agostinho, Jacoca, Assunção, Piragibe, e outros três centros missionários na Paraíba cujos nomes não são conhecidos e com os quais estavam anexas outras 16 ou 18 aldeias.
Por volta de 1619, o Prefeito Apôstolico Antônio Teixeira Cabral confiou as missões ao clero secular. Atesta Frei Vicente do Salvador, como ex-missionário. que os franciscanos, entre 1585 a 1619, batizaram 52 mil índios.
Em 1624, vários missionários de Olinda acompanharam a Frei Cristóvão Severim de Lisboa para o Maranhão, ajudando na catequese durante alguns anos, e introduzindo os dez missionários recém‑‑chegados‑
Até 1647, a Custódia de Olinda ficou dependendo da Província mãe, cabendo a esta, até 1614, a eleição dos superiores e a solução dos assuntos de maior importância, enquanto o custódio do Brasil reunia periodicamente a chamada junta. A 14 de outubro de 1614, o custódio Frei Vicente do Salvador presidiu ao primeiro Capítulo, no Convento de Olinda, cabendo aos Capitulares as eleições para todos os cargos, exceto o do Custódio, que era eleito em Lisboa.
O Papa Inocêncio X, a 18 de abril de a 1647, conferiu autonomia à Custódia de Santo Antonio, separando‑a da Província Portuguesa, e Alexandre VII, a 24 de agosto de 1657, a elevou a categoria de Província.
Neste intervalo de tempo, a maior parte dos conventos foram fundados entre a Bahia e São Paulo, emconsequência da invasão holandesa em Pernambuco (1630 ‑1654). Além do curso filosófico ‑ teológico criado em Olinda (1596), havia outros em Salvador e no Rio de Janeiro.
O primeiro Capítulo Provincial, em 5 de novembro de 1659, reuniu os nove conventos findados entre São Paulo e o Espírito Santo, formando a nova custódia da Imaculada Conceição, a qual recebeu foros de província autônoma em 1675.
Continuaram a pertencer à Província de Santo Antonio os Conventos de Olinda (1585), Salvador (1587), Igaraçu (1588), Paraiba (1589), Ipojuca e Recife (1606), São Francisco do Conde (Sergipe do Conde 1629), Siri~ (1639), Paraguaçu (1669) Cairu (1650), São Cristóvão (Sergipe Del‑Rei 1657), Penedo e Alagoas (1660), e o hospício da Boa Viagem (Salvador 1710). O governo Colonial não consentiu na fundação de outros conventos, apesar de vários pedidos como por exemplo da parte de Natal, Aquirás, Oeiras, etc. Até na região das missões, não podia haver conventos se não hospícios para dois ou três religiosos.
Após longa interrupção, a Província reintroduziu a catequese entre os silvícolas, em 1679, fundada, no correr dos tempos, nas seguintes missões: Itapicuru de Cima, Massacará, Saí, Jacobina, Juazeiro, Rodelas, Camamu, Massarandupio, Jermnoaba, Pambu, Curral dos Bois, Aracapá, Piaqui, Cata e Salitre na Bahia; Alagoas e Palmar, em Alagoas; Una, Caripós, Zorobaté, Unhunhu, Pontal, Aricobe e Pajeú, em Pernambuco. Cariris, na Paraíba. Como última foi extinta a missão de Saí, em 1864. Faltam notícias a respeito do resultado surtido na catequese fi‑anciscana.
Os Frades Menores salientaram‑se também como missionários volantes; exerciam o sagrado ministério, durante os longos peditórios sertão a dentro, percorrendo até o Ceará e o Piaui, desobrigando os fiéis e alistando muitos à Ordem Terceira. A todos os conventos achavam‑se agregadas fraternidades terciárias, com vida religiosa acentuada.
Dutante o século XVIII, vários conventos mantiveram grátis as chamadas aulas de gramática para meninos pobres, até que o governo, em 1785, substituiu os mestres franciscanos por professores leigos. As casas de estudos filosóficos e teológicos eram as de Olinda , Recife, Salvador e, temporariamente, Paraiba. Os noviciados funcionavam em Igaraçu e Paraguagu para as vocações brasileiras e portuguesas.
Os franciscanos da custódia se haviam regido pelos estatutos e regulamentos missionários aprovados pela Província mãe. O 1° Capítulo Provincial de 1659 estabeleceu a elaboração de estatutos Provinciais próprios, os quais, ao que parece, nunca se puseram em prática devido a discórdias internas; até que, em 1705, entraram em vigor os estatutos compilados par Frei Cosme do Espírito Santo. Naquela ocasião, a Província alcançara de Inocêncio XI o privilégio de receber os visitadores escolhidos de entre os seus próprios filhos, extinguindo destarte as pertubações até então experimentadas (1688). O mesmo Papa transferiu o provincialado de Olinda para Salvador, entrando o respectivo breve em vigor em 1691, por ocasião do capítulo celebrado na Bahia Em 1941, a Cúría Geral de Roma aprovou a transferência de Salvador para Recife.
No tempo da constituição da Custódia em Província, um decreto régio estabeleceu que não houvesse mais de 200 frades na Província. Não obstante, os superiores ultrapassaram este número, de maneira que no ano de 1739 havia já 420 frades (361 sacerdotes e clérigos e mais 99 irmãos).
Dai, outro decreto régio de 25 de maiode 1740 proibiu recerber noviços até que, por morte, o número ficasse reduzido a 400. No entanto, por uma notável arte de interpretação, foi possível que, no ano 1764 se contasse quase 470 professos na Província.
Mas em 30 de janeiro de 1764, sob a responsabilidade de Pombal, foi publicado o decreto régio, segundo o qual ficou estritamente proibida a admissão de noviços durante 14 anos. Se bem que, com autoridade régia, fossem recebidos, algumas vezes, noviços em maior número. Havia a 6 de maio de 1801 apenas 158 religiosos; em virtude de novas concessões, o número, pôde ser aumentado até 1845 a 227 religiosos.
No mesmo ano de 1845, um decreto de Pedro II proibiu a admissão de noviços à Ordem sem licença especial do Governo, decreto esse interpretado a 19 de maio de 1855 no sentido de que ficava absolutamente proibido admitir noviços "até que uma concordata tivesse sido celebrada entre o Império do Brasil e a Santa Sé". Como esta condição nunca se realizasse o número de religiosos diminuia depressa.
Por decreto da Congregação dos Bispos e Religiosos de 27 de março de 1886, abolido o privilégio de isenção, os sobreviventes das Ordens foram sujeitos à autoridade dos Bispos.
Já desde 1886 o último o Ministro Provincial, Frei Antônio de São Camilo de Lelis Carvalho, havia insistido junto ao Ministro Geral em que a Província fase restaurada por confrades da Europa. Assim aconteceu que aos 12 de dezembro de 1889, fosse confiada à Província Saxônica da Santa Cruz a assim chamada Missão da Bahia.
Aos 27 de dezembro de 1892, os novos confrades da Europa chegaram ao Convento São Francisco de Salvador (Bahia), tendo sido realizada a 2 de março de 1893 a Congregação Capitular dos antigos e novos frades, quando ficou decretada e iniciada a reforma e renovação da Província de Santo Antônio.
Finalmente aos 14 de setembro de 1901, o Vigário Geral da Ordem, Padre Davi Fleming, publicou o decreto pelo qual a antiga Província ressurgiu "dos mortos": Das suas casas, 14 foram restauradas pouco a pouco e 5 entregues (Paraíba, Igaraçu, Alagoas, Paraguaçu e Boa Viagem).
Outras casas foram fundadas, a saber: Pesqueira (1902), Igreja Nova (1905), João Pessoa (São Pedro, 1911), outra na mesma cidade (Rosário 1920), Canindé (1922), Fortaleza (1929),Aracaju (1934) Itajuipe (1935), Campo Formoso (1938), Mossoró (1941), Campina Grande (1944), Maceió (1964) e João Pessoa (Cruz das Armas ‑ 1967).
Acrescentaram‑se, além das casas acima mencionadas, o Colégio de Bardel (Alemanha) em 1921, o Colégio Seráfico de Ipuarana em 1940 e as escolas apostólicas de Tianguá (1940) e de Triunfo (1944, inaugurada em 1947)).
No ano de 1951 fundou‑se a Residência de Santo Antônio, em Brotas (Salvador), ao lado da casa de Retiro de São Francisco, construída e dirigida pelos nossos confrades.
No ano de 1960, obtida a aprovação da Cúria Romana e com o consentimento da Província da Saxônia, foi fundada emMettingen (Alemanha) mais uma residência nossa com a finalidade de abrir uma Escola Vocacional para adultos.
No ano de 1951, precedida a convenção entre a nossa Província e a província da Saxônia, um decreto da Cúria Geral desmembrou do território da Província os Estados do Piauí e do Maranhão, confiando-os à Província da Saxônia.
De 1907 até 1956 a Província administrou a Prelazia de Santarém (Estado do Pará). Neste tempo ela fundou 6 casas, a saber: Santarém, (1907), Monte Alegre (1910), Alenquer (1930), o Ginásio Dom Amando (Santarém ‑ 1944), entregue à outra administração em 1951 e Oriximiná (1948).
Num Congresso do Definitório Geral em 1956, o Comissariado de Santarém foi dividido em dois Comissariados, o de Santarém, entregue à Província do Sagrado Coração de Jesus da América do Noite e o de Óbidos, com as casas de Óbidos, Alenquer e Otíximiná, entregue à nossa Província a qual ainda abriu uma casa em Belém do Pará (1965).
Também cessa Missão entre os índios Mimdumcu no rio Cururu, fundada em 1911, foi entregue ao Comissário de Santarém em 1961, continuando ali dois Missionários nossos: Frei Plácido e Frei Edmundo, na catequese daquela tribo, tendo a Província iniciada outra Missão entrre os Tiryó em 1960, na Prelazia de Óbidos, elevada a residiência a 28 de dezembmro de 1964.
Por vários motivos se fecharam as casas de João Pessoa ‑ Cruz das Armas (1973), Tianguá (1973) , Igreja Nova (1975) e João Pessoa ‑ São Pedro (1976).
Desde as Capítulo de 1979, São Francisco do Conde, com as Paróquias de Madre de Deus e Candeias, peru= ao Convento Regional de Salvador. Em 1980, o convento e a paróquia de Oriximiná foram entregues aos PP da S.V. D.; em 1982 entregaram‑se ao Bispo Diocesano de Ilhéus o convento e a paróquia de Itajuipe.
Com a criação da Vice-Província de São Benedito da Amazônia, em 1990, as casas de Óbidos e Alenquer passaram a pertencer à Vice‑Província, permanecendo porém sob nossos cuidados a Missão dos Tíryó e a Casa de apoio em Belém.
Em 1988 foi aberta a nova Casa de Noviciado em Sitio Cruz, na Diocese de Garanhums ‑ PE.
Em agosto de 2000 o Congresso Definitorial aprova a volta da Casa de Noviciado para Ipojuca.
Em 30 de abril de 2005 a Paróquia de Nossa senhora das Dores, em Triunfo, passou a ser administrada pelo clero diocesano. Os frades continuam residindo no Convento de São Boaventura, dando assistência pastoral e espiritual à Paróquia. Já no dia 31 de maio do mesmo ano a Paróquia de Nossa Senhora da Vitória, em São Cristóvão, foi entregue à Arquidiocese de Aracaju e os frades também se retiraram daquela comunidade. Nos dois casos a comunidade reagiu pedindo a permanência dos frades."

(Do Catálogo da Província de Santo Antônio)

2 comentários:

  1. Parabéns Frei Milton pelo excelente texto. Me ajudou nas minhas pesquisas sobre a atuação franciscana no Brasil Colônia. Um abraço.

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  2. Parabéns Frei Milton pelo excelente texto. Me ajudou nas minhas pesquisas sobre a atuação franciscana no Brasil Colônia. Um abraço.

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