quinta-feira, 11 de junho de 2009

IPOJUCA E O SANTUÁRIO DO SENHOR SANTO CRISTO

9. REENTRONIZAÇÃO DO SENHOR SANTO CRISTO


“Em 15 de agosto de 1935 a Capela-mor estava coberta, foi lançada a Primeira Pedra do Altar-mor e a 29 de agosto de 1937 foi concluído o Altar-mor onde repousa até hoje e por todos os tempo a imagem de Santo Cristo”.

“Na Primeira Pedra do altar-mor da reconstrução do convento consta a seguinte inscrição:
Louvado seja o Santíssimo nome de Jesus
No ano da Redenção de 1935, sendo sua Santidade Pio XI Sumo Pontífice da Igreja”.


“Dois anos de luta na reconstrução do templo. Até que no dia 29 de agosto de 1937 o Senhor Santo Cristo era reentronizado no seu altar bendito.
Para conhecermos a quantidade infinita de graças alcançadas pelos católicos através de súplicas feitas ao Senhor santo Cristo, bastará uma ligeira visita à sala dos milagres junto ao santuário. Ela nos patenteará a proteção dispensada pelo Senhor Santo Cristo de Ipojuca a todos aqueles que, com fé, lhe confiam os seus pedidos. Para melhores informações sobre o Convento franciscano e o santuário do Sr. Santo Cristo de Ipojuca procurar a obra de Fr. Venâncio Willeke “O Santuário do Senhor Santo Cristo de Ipojuca” [1]

“Desde a Festa do Senhor Santo Cristo em 01-01-1936, a imagem milagrosa ocupa o altar-mor, ficando na capela lateral [antiga Capela do Senhor Bom Jesus] a imagem do Sagrado Coração de Jesus.” [2]
Teria sido a partir de então que a igreja do Convento, como este, dedicada a Santo Antônio, passou a ser “Santuário do Senhor Santo Cristo”?
Escreve Maria de Ipojuca (Odete):
“Foram três anos de lutas renhidas, de combates acerbos. Mas, graças à colaboração de generosos benfeitores, já estão vencidos os obstáculos principais. [...] De todo o Brasil, associando-se a tão nobre obra, chegam as esmolas preciosas. Compreenderam ser o Santuário de Ipojuca, um Santuário Nacional!” [3]
Com certeza Frei Venâncio se valeu da ocasião para dar ao templo, o título que competia à Capela do Bom Jesus, no jubileu da mesma: 1663.
O título que ele deu ao livro já diz tudo: Convento de Santo Antônio e Santuário do Senhor Santo Cristo de Ipojuca.
Quais os trâmites legais que ele teria usado para isto não conhecemos. Não é simples mudar o orago de um templo quase (na época) quatro vezes centenário. Hoje, até o Convento de Santo Antônio é conhecido como Convento do Senhor Santo Cristo. Até a festa de Santo Antônio passou a segundo plano face à festa do Senhor Santo Cristo. O trezenário pasou a simples Tríduo e até a Missa festiva não é mais festiva que uma missa dominical!
Videant cônsules!

Resta dizer que, da antiga igreja, só foram poupados pelas chamas se 1935 as estalas do coro dos religiosos; “embora ficasse tostada a camada superior, pôde ser novamente aproveitada depois de limpa e envernizada”. [4]
“No recinto da igreja, a arte primitiva desapareceu por completo, devido aos estragos do fechamento temporário [o Convento ficou sem moradores no final do século XIX até à chegada dos frades restauradores da Saxônia] e do incêndio de 1935. As campas sepulcrais cederam lugar ao mosaico que Frei Eugênio colocou durante a sua segunda gestão de 1904 a 1907.” [5]

A FESTA DO SENHOR SANTO CRISTO

Escreve Frei Venâncio:
“A festa principal do Senhor Sant0o Cristo deve remontar aos primeiros anos da devoção ipojucana. [...] Sobre a solenidade máxima do santuário ipojucano, lemos a lacônica notícia: Celebra-se a festa do Sr. Sto. Cristo ao primeiro do ano, dia do nome de Jesus e deve ter tido lugar sem interrupção porque a crônica franciscana, tão parca em referir algo do santuário, não pôde deixar de noticiar o acontecimento verificado durante a gestão do guardião Frei José de Santa Maria: ´A 1º de janeiro de 1848, não pôde ser celebrada a festa tradicional, porque neste tempo tornou-se o convento quartel de tropas, houve tiroteio no mesmo convento e o Senhor Francisco do Rego Barros converteu-o também em prisão.´” [6]
Francisco do Rego Barros (Conde da Boa Vista) por duas vezes ocupou a presidência da Província de Pernambuco, segundo Pereira da Costa: “A primeira, de 2 de dezembro de 1838 a 3 de abril de 1841 [...]; a segunda, de 7 de dezembro de 1841 a 13 de abril de 1844 [...]. [7]
Sua intervenção em Ipojuca só pode ter acontecido durante a Revolução Praieira, quando ele exercia o cargo de Comandante Superior da Guarda Nacional no Recife.[8]

É sempre celebrada 1º de janeiro, com novenário aberto com o hasteamento da bandeira a 22 de dezembro.
Durante o Novenário toda a Comunidade Paroquial se mobiliza em ação missionária: visita aos doentes, às escolas, às periferias. Todas as noites há caminhada de um ponto da cidade para o Convento. Após a novena, há apresentação de danças folclóricas, pastoris de crianças e adultos, apresentações de corais, barracas...
No dia da festa:
O5h00: Alvorada festiva.
10h00: Missa Solene
16h00: Procissão e Missa de encerramento.

Serviços dos andores e altares:

Altares: Família responsável.
Andor de Santo Cristo: Devotos e devotas.
Andor de Nossa Senhora: Família responsável.
Andor de São Benedito: Devotos e devotas.

Quanto aos andores, vale lembrar a tradição sobre o de São Benedito. Escreve Fr. Venâncio:

“Fiel à tradição secular, Ipojuca festeja o santo preto a 31 de dezembro, véspera da solenidade do Sr. Santo Cristo, realizando-se dias antes a famosa festa de S. Benedito no vizinho engenho de Massangana, onde Joaquim Nabuco se apaixonou pelo ideal abolicionista.
Até o presente [1956], é a imagem de S. Benedito que abre o préstito nas grandes procissões de Ipojuca, preito de gratidão para com o humilde Irmão franciscano, cuja popularidade contribuiu de modo particular para irmanar as duas raças principais que hoje povoam o Brasil.” [9]


[1] PIO, Fernando Pio, O Convento de Santo Antônio do Recife e as Fundações franciscanas em Pernambuco, Recife, 1939, p. 69 -70.
[2] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, nota 14 ao Cap. XI, p. 88.
[3] Apud WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Resumo Histórico do Convento de Santo Antônio e do Santuario do Senhor Santo Christo de Ipojuca, edição commemorativa do Jubileu do Santuário : 1663 – 1938”, Ipojuca, Editores: Religiosos Franciscanos, Ipójuca, Pernambuco, 1938, p. 43.
[4] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, nota 14 ao Cap. XI, p. 66.
[5] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, nota 14 ao Cap. XI, p. 66.
[6] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, nota 14 ao Cap. XI, p. 40.
Conf. as notas 8 e 9 ao Cap. XII, à pg. 89 nos remetem a Jaboatão: Jab. , III, 511, 512.
[7] COSTA, F. A.. PEREIRA da, Dicionário Biográfico dePpernambucanos Célebres, p. 388.
[8] COSTA, F. A.. PEREIRA da, Dicionário Biográfico dePpernambucanos Célebres, p. 389.
[9] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 47.

Um comentário:

  1. Como entra em contato com a direção do santoario?
    De:Emilia Cavalcante

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