quarta-feira, 5 de junho de 2013

 
 
 



 
 
 
 
LANÇAMENTO DE LIVRO
 
 
DADOS BIOGRÁFICOS
DE FREI JOSÉ MILTON:



Nasceu a 19 de outubro de 1934, em Bezerros, no Agreste pernambucano.

É o primogênito entre 5 irmãos (3 homens e duas mulheres), filhos de Heriberto Coelho e Inês de Azevedo Coelho, ambos falecidos.

Cursou os primeiros anos do Primário em sua terra natal. Em 1946 ingressou no Colégio Seráfico de Santo Antônio de Ipuarana (Lagoas Seca  / PB). Em 1947 integrou a primeira turma que inaugurou a Escola Apostólica de São Boaventura, em Triunfo / PE. Tendo completado aí o curso Primário, foi mandado para o colégio de Ipuarana em 1949. Concluído nesse seminário franciscano o curso de Humanidades, ingressou no Noviciado Franciscano de Sirinhaém / PE, em 1955. Cursou Filosofia no Instituto Franciscano de Olinda e Teologia no Convento de São Francisco de Salvador / BA, onde se ordenou sacerdote aos 22 de julho de 1961. Lecionou por 9 anos no Seminário de Ipuarana. 

Com o fechamento do Colégio  Seráfico de Ipuarana, foi transferido para Salvador, onde cursou, por um ano o Curso Superior de Catequese. Em 1973, foi  transferido para Fortaleza, colaborando com Dom Aloísio Lorscheider no Regional da   CNBB – NE1.

Em 1976 foi mudado para Olinda, como Definidor,  Guardião do Convento e Vigário de Campo Grande  – Recife. Em 1979 continua como Pároco de  Nossa Senhora do Bom Parto, mas morando no Recife como Guardião do Convento Santo Antônio. 

Em 1982, deixa o cargo de Guardião mas continua como Vigário de Campo Grande. Em fevereiro de 1984 deixa Campo Grande, ficando a Paróquia a cargo de frei José Maria Limeira. Frei José Milton não estava bem de saúde, bastante esgotado devido ao trabalho estafante na defesa das populações da Ilha do Joaneiro, Chié, Vila da Saramandaia (Campo Grande) e mesmo de Santo Amaro e Ilha Santa Tresinha, luta que culminou com o Projeto Ponte do Maduro que evitou a expulsão dos seus moradores. Apesar da estafa, se sentia contente com o resultado do Interdito Proibitório que acionou o Estado abrindo esperança de um futuro melhor para aquele povo.

De fevereiro de 1985 a outubro de 1986 permanece em Ipojuca: O  Congresso Capitular de Janeiro de 1985 transferiu Frei José Milton de Azevedo Coelho, do Recife para Ipojuca, como ele havia sugerido ao Visitador Geral antes do Capítulo. Sua Provisão Canônica de Vigário Paroquial de São Miguel de de Ipojuca é de 15 de março de 1985, passada por Dom Helder Câmara e subscrita pelo Vigário Geral D. José Lamartine e pelo Secretário do Arcebispado Cônego Isnaldo Fonseca.
Em Ipojuca integra a comunidade da Casa do Noviciado com Frei Bernardo Syri e frei Hermano Wiggenhorn. Mas estão ao mesmo tempo a serviço do Povo de Deus da Paróquia de São Miguel, com suas povoações (Nossa Senhora do Ó, Porto de Galinhas, Cupe, Camela, Rurópolis, Oiteiro, Gaipió)); com as Capelas dos seus sítios (Penderama, Mercês, Água Fria, Tabatinga, Currais de São Miguel); com seus inúmeros Engenhos, entre ao quais São Paulo, São Pedro, Cachoeira, Pindoba, Califórnia,´Boa Sica, Maranhão); com as Usinas Salgado e Ipojuca)..
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No dia 23 de outubro de 1986, Frei José Milton, atacado de uma pneumonia, foi ao médico no Recife. À noite foi acometido de dores terríveis no intestino. Internado no Hospital do Tricentenário no dia 24 pela manhã, foi transferido, no mesmo dia, para o Hospital Santa Joana, do Recife, graças à compreensão de Frei Antônio Carlos que, tomando conhecimento da incúria do Hospital em caso tão grave (queriam que ficasse “sine die” em observação...!) logo o permitiu. Foi operado pela madrugada do dia 25, de emergência. Na mesma ocasião foi-lhe extraída a vesícula que também se achava em más condições. Foi convalescer em casa de sua irmã em Casa Caiada (Olinda). Foi muito visitado e agradeceu muito as orações que por ele foram feitas. No dia 06 de novembro de 1986 recebeu do M. Prov. Fr. Antônio Carlos a transferência para o Convento de Olinda, pois estava claro que Frei José Milton não estava se dando bem de saúde em Ipojuca.
Em 1991, passou a Integrar a equipe que deveria preparar as comemorações do 1º Centenário da Restauração da Ordem Franciscana no Brasil. Daí nasceram duas obras suas: Frei Casimiro, o Apóstolo dos Mocambos – da memória à profecia, que está sendo lançada, e Frei Matias Teves, ofm, um dos restauradores e presença franciscana junto aos intelectuais, ainda inédita.
Em 1993, foi encarregado pelo M. Provincial Frei Antônio Carlos de Góis Cajueiro de restaurar o madeiramento do Convento de Olinda, adaptando as instalações para o funcionamento do IFTO (Instituto Franciscano de  Teologia de Olinda), de cuja direção fazia parte,   trabalho este  que se prolongou até dezembro de 1994, com ajuda e apoio do Guardião Frei Francisco Fernando (o “Padre Mestre”)  O IFTO funcionou de 1991 a 2005.
Em 1995, pertencendo ao Convento de Olinda, foi mandado a Sirinhaém como Vigário Interino, no lugar de Frei Mário Barbosa Silva , que faleceu vítima de um desastre automobilístico a 17 de julho de 1995  . Lá celebrou a missa de 1º aniversário de sua morte.
Permaneceu como Vigário em Sirinhaém até junho de 1996, voltando a Olinda.
Em 1998 foi morar no Rio Doce em companhia de Frei Angelino Caio Feitosa, adaptando a casa anexa à Capela para servir de Casa de Oração.
Aí construiu o grande muro que cerca o terreno, aguardando que o Governo da Província decidisse o que fazer naquele terreno a ela pertencente, após resolver o problema da posse com a Prefeitura de  Olinda. Frei Angelino mudou-se para o sítio Oiteiro, em Ipojuca. Frei José Milton realizou também uma ampla restauraçãio da Capela de Santana, com a orientação do Dr. Jorge Passos, do Centro de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda ainda quando Frei Angelino residia no Rio Doce.
No ano  de 2000 foi transferido para Penedo (Al).  Em  fevereiro de 2003, foi transferido para Triunfo (PE), como Superior do Convento e Vigário da Paróquia.
Por motivo de saúde, renunciou ao cargo em 2005, sendo transferido para o Convento de Ipuarana. Em 2006, mais uma vez é transferido para o Casa de Noviciado de Ipojuca, ajudando na formação dos Noviços, sendo Cooperador da Paróquia de São Miguel e continuando a se dedicar à Pastoral da Saúde, com seu laboratório de plantas medicinais.
 Em Ipojuca, passou a fazer parte da equipe franciscana de Justiça, Paz e Ecologia que atua na pastoral da Mata Sul, na evangelizaçação, na promoção humana, na defeza do meio ambiente e da vida ameaçada pelas indústrias do projeto SUAPE.
Faz parte  do grupo de trabalho que está implantando o Arquivo Público Municipal de Ipojuca, com assessoria dos diretores do Arquivo Estadual Pernanbucano, com o fito de preservar o arcervo de documentos históricos de Ipojuca e  de conscientizar a comunidade ipojucana para não perder a memória histórica do Município, inclusive suas tradições orais.
Em fevereiro de 2012, foi transferido para o convento de Olinda.
Em 2013 ultimou o livro Frei Casimiro, o Apóstolo dos Mocambos – da memória à profecia.
Entre os trabalhos conventuais e pastorais, sempre encontrou tempo para estudar a história dos Franciscanos e da Igreja em Pernambuco, tendo realizado pesquisas no acervo da Torre do Tombo (Lisboa) e no Arquivo Secreto do Vaticano (Roma).
Frei José Milton é licenciado em Filosofia pela Universidade Católica de Pernambuco e, em Letras, pela Universidade Federal de Campina Grande (PB).


    

 

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sexta-feira, 3 de maio de 2013



FREI JOSÉ FRANCISCO DE GUADALUPE MOJICA

NOME ARTÍSTICO: FREI MOJICA


A foto com Frei Marcelo Gorken (na época professor de grego em Ipuarana), foi na chegada ao nosso colégio ou no aeroporto de Campina Grande.



Corria o ano de 1950. Eu cursava o 2º ano Ginasial, como de dizia na épova, do Colégio Seráfico de Santo Antônio de Ipuarana (em Lagoa Seca – PB) a cerca de 9 km de Campina Grande. Como seminarista franciscano eu só tinha um desejo: tornar-me um Missionário Franciscancano, como Frei Emanuel que me encaminhou para o Colégio Sertáfico, quando pregava Santas Missões na Paróquia de Bezerros, coração do Agreste pernambucano. Eu tinha 11 anos, quando papai me confiou a Frei Artur Reekers em Ipuarana. Ele e mamãe curtiram imensa saudade, dor que ofereciam a Deus pela vocação do filho. Jamais se arrependeram do passo que deram. O mesmo posso dizer de mim mesmo.

Corria o ano de 1950, repito. A alegria tomou conta do Colégio Seráfico, quando ficamos sabendo que o o grande astro de Hollywood que trocara o vida de artista pela vida franciscana, vinha visitar o nosso Seminário.

Quase de improviso, no grande salão de recreio, realizamos em sua homenagem uma Sessão Magna, com a presença dos frades, dos alunos, das Irmãs franciscanas que trabalhavam para nós, e de visitantes da comitiva de Frei José Mojica. Provavelmente não faltava o jornalista e empresário Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, natural de Umbuzeiro (PB), mas que, em menino, frequentava a casa das tias residentes no Sítio Amaragi, do nossa paróquia de Lagoa Sêca.

A saudação a Frei Mojica foi pronunciada por João Batista dos Santos, o futuro Frei Demétrio, de saudosa memória.

Mojica vinha a convite de Chateaubriand participar do show da TV Tupi-PRF3, em São Paulo.

Noticiava-se: a Televisão no Brasil tem sua pré-estréia no dia 3 de Abril de 1950 com a apresentação de Frei José Mojica, padre cantor mexicano. As imagens não passam do saguão dos Diários Associados na Rua 7 de Abril em São Paulo, onde há alguns aparelhos de TV instalados.

“O Frei José Mojica cantou acompanhado por um franciscano peruano, o pianista Pacifico Chirino e pela orquestra Tupi. Na inauguração da TV, ele fez um discurso muito bonito, declarando: "Todos os aplausos e todos os prazeres não dão a paz, nem valem o que vale uma hora de serviço ao Cristo"!



“Feliz com os resultados da experiência, o Assis Chateaubriand, dono da Rádio Tupi, da TV que estava nascendo - que tantos julgavam ser um ato de loucura, da Revista O Cruzeiro e dos Diários Associados entre outros -, publicou, na manhã seguinte, a noticia do êxito da experiência da televisão, que minha mãe leu em voz alta para eu ouvir e convidou o Frei Mojica para uma segunda apresentação da TV experimental no dia 7 de julho” .



“Chatô, como era chamado, espalhou monitores de TV nos cruzamentos das ruas 7 de Abril e Bráulio Gomes, para que a população pudesse assistir, pois as pessoas ainda não tinham aparelhos de televisão em casa.



Nessa época, eu circulava direto nesse meio por fazer parte do grupo de arte da Mary Buarque, com seu programa Pequenópolis e do Clube Papai Noel que, logo após a inauguração oficial da TV no dia 18 de setembro, passou a ser apresentado na Rádio Tupi e também na TV aos domingos pela manhã. Por isso, conhecia todo mundo.



O programa televisionado foi realizado no Museu de Arte de São Paulo, na Avenida Paulista, às 17 horas, apresentando o frei cantor, como diziam, para uma seleta platéia convidada. Eu estava lá, com meus pais, e o ouvimos declarar: "Em verdade, nunca pensei que após entrar para a vida religiosa, algum dia voltasse a apresentar-me em atividades radiofônicas, como agora". Nesse dia, eu ganhei uma bela foto dele, sempre vestido de frade, autografada e dedicada a mim com palavras de estímulo e elogios aos meus estudos musicais.



A belíssima voz do Frei José Mojica tornou-o o primeiro tenor da Ópera de Chicago, logo após ter sido apresentado pelo incomparável Caruso. Tornou-se conhecido e famoso cantando clássicos da música popular em seus filmes de galã, como Maria La-Ô e Jura-me, antes de assumir a vida religiosa.



O Frei Mojica, considerado um dos grandes artistas latinos do século, antes de entrar para a vida religiosa, não pretendia retornar à vida artística, mas os frades o autorizaram a voltar a cantar, para arrecadarem fundos para as obras da Igreja, pois ele havia sido o galã mais bem pago de Hollywood nos seus tempos de artista, quando morava com a mãe numa mansão cor-de-rosa, com quadra de tênis e piscina, conforme aparecia nos jornais da época - um luxo bastante incomum.



Apesar do sucesso que atingiu, - pois além da voz belíssima ele era muito bonito, como já disse -, nunca se ouviu falar de farras e namoradas e foi por causa de uma doença da mãe que ele prometeu abandonar tudo e sagrar-se frade” (anamariamortari@bol.com.br).

Voltando a Ipuarana, com que emoção eu toquei no 3º violino na orquestra.

Estavam ali, a nossa frente, Frei Mojica e o franciscano peruano, Frei Pacifico Chirino, seu pianista.

Que alegria ter a confirmação do que Jesus nos diz no Evangelho sobre aqueles que deixam tudo para segui-lo: “E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos ou irmãs, ou pai, ou mãe, por amor o meu nome, receberá 100 vezes tanto nesta vida e herdará a vida eterna” (Mt 19, 29).

Frei Mojica nos mostrou como em sua vida aconteceu exatamente como Jesus predissera: deixou tudo e encontrou tudo e muito mais, pois no mundo inteiro ele tem casa, pai, mãe. irmãos, amigos, pois em todo canto ele encontra presente a Ordem Frenciscana, onde é sempre bem acolhido.

Nós cantamos para Mojica:

Juventude franciscana,

Eia, avante com ardor!

Neste mundo nada engana

Nosso coração em flor.

E o estribilho:

Nossa peleja de guarda juvenil

É pela Igreja, pelo Brasil!

Eu já conhecia o Frei Mojica do cinema (assistira à “Canção do Milagre”. Depois assisti ao filme “Eu Pecador” (lera também sua autobiografia na revista “O Cruzeiro).











quinta-feira, 2 de maio de 2013

BEZERROS: CRUZEIRO DA PASSAGEM DO SÉCULO


Sabemos que na passagem do século XIX para o século XX houve em toda a Diocese de Olinda-Recife uma festa muito bem organizada promovida pelo Governo Diocesano com a participação de todas as Paróquias.

De todos os povoados e sítios foram trazidos cruzeiros que foram abençoados e voltaram em procissão para serem “plantados” às entradas de cada lugar.

Consta que em Bezerros havia um “cruzeiro do século” nas principais entradas ou saídas da cidade.


Um destes cruzeiros se erguia perto do antigo matadouro. E aconteceu que um “nova-seita” (protestante) derrubou o referido Cruzeiro, provocando a indignação dos paroquianos. O Delegado de Bezerros o obrigou a fazer outro Cruzeiro que veio do Retiro em procissão e foi solenemte colocado no lugar do demolido.

É justamente isto que vemos na fotografia.

Quem me contou o fato foi Maria da Casa-grande (a 30 de março de 1994), de saudosa memória, pois ninguém dos mais velhos sabia explicar a fotografia que encontrei numa das gavetas do quarto-do-santos. Em que época se deu isso? Talvez pelo modo de vestir do povo se possa chegar a alguma conclusão.

Fica aqui registrado para a história.

terça-feira, 30 de abril de 2013

DOCUMENTO SOBRE BENFEITORES INSIGNES


DA PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO

DO BRASIL



“Ministro da Província de Santo Antônio do Brasil

e humilde servo no Senhor.

É próprio da gratidão religiosa reconhecer a generosidade dos benfeitores quer confessando seus benefícios, quer principalmente retribuindo-lhes com dádivas espirituais; como, pois, o cargo de nossa caridade para com a pobre Ordem dos Frades Menores costuma protegê-la nas dificuldades, estimulá-la na prosperidade, ampará-la na indigência, nós, lembrados de tantos benefícios e querendo manifestar a nossa gratidão para convosco, implorando a clemência de Nossa Senhor Jesus Cristo e os méritos de nosso Seráfico Pai São Francisco, pelo presente documento, vos admitimos e recebemos entre os nossos confrades [destaque nosso], para que possais participar plenamente de todos os méritos que na Província de Santo Antônio dos Frades Menores de nosso Pai São Francisco são adquiridos, dia e noite, pelos Frades e por todos que estão sujeitos a nossa jurisdição, com sufrágios, missas, meditações, pregação, Missões e outras obras pias.

E assim rogamos ao Pai das Misericórdias, pelos méritos de nosso Pai São Francisco, se digne confirmar no céu esta nossa união a qual desejamos que seja firme.

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.”


Obs.: Copiei de um original escrito a mão que encontrei solto no Arquivo Provincial. Sem data, sem o nome do M. Provincial.

Ao que parece, trata-se de um rascunho. Deve haver em alguma pasta o texto definitivo. Sabemos que é de uma época em que Deus é tratado como Pai e não Padre.O texto original que me serviu para esta cópia, coloquei na pasta de Penedo no Arquivo Provincial.

Trata-se de importante documeno sobre o costume de conferir a alguém, homem ou mulher, a prerrogativa de ser considerado “Confrade”, com direito aos bens espirituais das Comunidades Franciscanas da Província de Santo Antônio. É bem possível que seja da década de 1950, ocasião em que se conferiu ao Dr. Anfrísio Ribeiro, de Penedo, o título de “Frade Franciscano”. O Ministro Provincial pode ter sido então Frei Vicente Senge (1º mandato, 1952).



segunda-feira, 29 de abril de 2013


IRMÃ CONFRADE - IRMÃO CONFRADE





 


Em seu livro “O Convento de Santo Antônio do Recife”, à página 116, registra Frei Bonifácio Mueller:


Na Capela de Nossa Senhora da Piedade, no ano de 1846, abriram uma sepultura “a pedido da nossa caríssima Irmã Confrade D. Francisca Tomásia da Conceição” que deu de esmola 500 $000.

Que significa “Irmã Confrade”? Sabemos que havia também “Irmão Confrade”.

A benfeitores insignes, era costume na Ordem Franciscana conferir a alguém o titulo honorífico de “Irmão Confrade”, “Irmã Confrade”.

Em Penedo, na década de 1950, sabemos que o Governo da Ordem, conferiu ao ilustre médico Dr. Anfrísio Ribeiro, esposo de Dona Noélia, o título de “Frade Franciscano”: foram-lhe entregues as chaves do Convento de Nossa Senhora dos Anjos. Em carta, cheia de humildade, expressa a gratidão pelo insigne privilégio.

 



Muitas vezes ele foi visto em profunda oração na igreja do Convento em horários em que a Casa religiosa era fechada ao público.
Na pasta de Penedo do Arquivo Provincial há várias cartas do Dr. Anfrísio sobre a saúde de Frei Bernardo Kolbeck, de Frei Mateus Maas, de Frei Herculano Sousa...
Frei Bernardo foi levado para sua casa pois Dr. Anfrísio e Dona Noélia achavam que  no Convento não havia condições de tratá-lo como convinha.




domingo, 28 de abril de 2013

PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL CONSPECTO HISTÓRICO (5)

DECADÊNCIA DAS ORDENS RELIGIOSAS NO BRASIL

Por Decreto da Congregação dos Bispos e Religiosos de 27 de março de 1886, abolido o privilégio de isenção, os sobreviventes das Ordens (não somente franciscanos) foram sujeitos à autoridade dos Bispos.

Já desde 1884, o último Ministro Provincial Frei Antônio de São Camilo de Lélis Carvalho (natural das proximidades de Prolpriá (SE), havia insistido, junto ao Ministro Geral, em que a Província fosse restaurada por confrades da Europa.

Assim aconteceu que aos 12 de dezembro de 1889, fosse confiada à Província Saxônica da Santa Cruz a assim chamada Missão da Bahia.

Aos 27 de dezembrode 1892, os novos confrades da Europa Chegaram ao Convento de São Francisco de Salvador (Bahia). Tendo sido realizada a 2 de março de 1893 a Congregação Capitular dos antigos e novos Frades, quando ficou decretada e iniciada a reforma e renovação da Província de Santo Antônio.

Finalmente, aos 14 de setembro de 1901, o Vigário Geral da Ordem Padre David Fleming publicou o Decreto peloqual a antiga Província surgiu dos mortos.

Das suas Casas, 14 foram restauradas poço a pouco; e 5 entregues (Paraíba, Igaraçu, Alagoas, Paraguaçu e Boa Viagem.

Outras Casas foram fundadas, a saber: Pesqueira (1902), Igreja nova (1905),João Pessoa (São Pedro, 1911), outra na mesma cidade: Rosário (1920), Canindé (1922), Fortaleza (1929), Aracaju (1934), Itajuípe (Ex-Pirangi, Bahia, 1935), Campo Formoso (Bahia, 1938), Mossoró (R.G.N., 1941), Campina Grande (PB, 1944), Maceió (1964) e João Pessoa (Cruz das Armas, 1967).

Acrescentaram-se, além das Casas acima mencionadas, o Colégio de Bardel (Alemanha) em 192, o Colégio Seráfico de Ipuarana (Lagoa Seca, PB) em 1940, e as Escolas Apostólicas de Tianguá (CE, 1940) e de Triunfo (PE, 1944, inaugurada em 1947).

No ano de 1951, fundou-se a residência de Santo Antônio em Brotas (Salvador, BA) ao lado da Casa de Retiro São Francisco, construída e dirigida pelos nossos confrades.

No ano de 1960, obtida a aprovação da Cúria Romana e com o consentimento da Província da Saxônia. Foi fundada em Mettingen (Alemannha) mais uma residência nossa com a finalidade de abrir uma Escola Vocacional para adultos.

No de 1951, precedida a convenção entre a nossa Província e a Província da Saxônia, desmembrou-se do território da nossa os Estados do Piauí e Maranhão, confiando-os à Província da Saxônia.

De 1907 até 1956 a Província administrou a Prelazia de Santarém (Estado do Pará). Neste tempo fundou 6 Casas, a saber: Santarém (1907), Óbidos (1909), Monte Alegre (1910), Alenquer (1930), o Ginásio Dom Amando (Santarém, 1944) entregue a poutra administração em 1951 e Oriximiná (1948).

No Congresso do Definitório Geral em 1956, o Comissariado de Santarém foi dividido em dois Comissariados: o de Santarém, entregue à Província do Sagrado Coração de Jesus da América do Norte, e o de Óbidos, com as Casas de Óbidos, Alenquer e Oriximiná, entregue a nossa Província, a qual ainda abriu uma Casa em Belém do Pará (1955).

Também nossa Missão entre os índios Mundurucu, no Rio Cururu, fundada em 1911, foi entregue ao Comissariado de

Santarém em 1961, continuandomali dois Missionários, Frei Plácido e Frei Edmundo, na catequese daquela tribo, tendo a Província iniciada outra Missão entre os Tirió em 1960, na Prelazia de Óbidos, elevda a Residência aos 28 de dezembro de 1964.

Por vários motivos se fecharam as Casas de João Pessoa- Cruz das Armas (1973), Tianguá (1973), Igreja Nova (1975) e João Pessoa-São Pedro 1976).

Desde o Capítulo de 1979, São Francisco do Conde com as Paróquias de Madre de Deus e Candeias pertence ao Convento Regional de Salvador.

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O Concílio Vaticano II promoveu uma grande reforma na Igreja. A Província Franciscana de Santo Antônio achou por bem fechar o Seminário e as Escolas Apostólolicas, renovando a sua pastoral vocacional.

Temos hoje, em cada Estado do Nordeste as equipes vocacionais, empenhadas em envolver na promoção vocacional todas as Paróquias confiadas aos Franciscanos.

Uma grande esperança de que a comemoração dos 800 Anos do Carisma Franciscano impulsione mais ainda a promoção vocacional, não somente em termos de aumento numérico, mas sobretudo em termos de qualidade.

CONCLUÍDO.








PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL

CONSPECTO HISTÓRICO (4)

DECADÊNCIA DAS ORDENS RELIGIOSAS NO BRASIL – Desde o século XVIII as Ordens Religiosas no Brasil sofriam grande repressão por parte do poder régio.

Os franciscanos da Custódia se haviam regido pelos estatutos e regulamentos missionários aprovados pela Província-mãe. O primeiro Capítulo Provincial de 1659 estabeleceu a elaboiração de estatutos provinciais próprios, os quais, ao que parece, nunca se puseram em prática devido a discórdias internas, até que, em 1705, entraram em vigor os estatutos compilados por Frei Cosme do Espírito Santo.

Etrementes, a Província alcançara de Inocêncio XI o privilégio de receber os Visitadores de entre os seus próprios filhos, extinguindo-se destarte as perturbações até então experimentadas (1688).

O mesmo Papa transferiu o Provincialado de Olinda para Salvador, entrando o respectivo Breve em vigor em 1691, ocasião do Capítulo celebrado na Bahia.

Em 1941, a Cúria Geral de Roma aprovou a transferência do Provincialado de Salvador para o Recife.
No tempo da constituição da Custódia em Província, um decreto régio estabeleceu que não houvesse mais de 200 frades na Província.
Mas em 30 de janeiro de 1764, sob a responsabilidade de Pombal, foi publicado o Decretoi Régio, sob o qual ficou estritamente proibida a admissão de Noviços durante 14 anos. Se bem que, com autoridade régia, fossem recebidos algumas vezes, Noviços em maior número, havia, a 06 de maioi de 1801 apenas 158 religiosos.
Em virtude de novas concessões, o número pôde ser aumentado, até 1845, a 227 religiosos.
No mesmo ano de 1845, um Decreto de Pedro II proibiu a admissão de Noviços à Ordem, sem licença especial do Governo. Esse decreto foi interpretado a 19 de maio de 1855 no sentido de que ficava absolutamente proibido admitir Noviços, até que uma Concordata tivesse sido celebrada entre o Império do Brasil e a Santa Sé.
Como esta condição nunca se realizasse, o número de religiosos diminuía depressa.
Mas o golpe de morte foi o Decreto de D. Pedro II em 1845 proibindo a admissão de noviços. Com isto, os Conventos foram fechando por falta de frades. Ao chegar a República, havia apenas 9 franciscanos no Brasil, 8 no Nordeste e 1 no Sul.






sexta-feira, 26 de abril de 2013

PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL

CONSPECTO HISTÓRICO (3)


Após longa interrupção, a Província reencontrou a catequse entre os selvículas, em 1679, fundando no correr dos tempos as seguintes Missões:


- Na Bahia: Itapicuru de Cima, Massacará, Saí, Jacobina, Juazeiro, Rodelas, Camanu, Massarandupio, Jeremoabo, Pambu, Curral dos Bois. Aracapá, Piagui, Catu e Salitre.

- Em Alagoas: Alagoas (Marechal Deodoro) e Palmar.

- Em Pernambuco: Una, Coripós, Zorobabé, Unhunhu, Pontal, Aricobé e Pajeú.

- Na Paraíba: Cariris.

Como última, foi extinta a Missão de Saí, em 1864.

Faltam notícias a respeito do resultado surtido na catequese franciscana.

Os Fradses Menores salientaram-se também como Missionários volantes. Exerciam o sagrado ministério durante os longos peditórios sertão adentro, percorrendo até o Ceará e o Piauí, desobrigando os fiéis e alistando muitos à Ordem Terceira. A todos os Conventos achavam-se agregadas fraternidades terciárias, com vida religiosa acentuada.

Durante o século XVIII, vários Conventos mantiveram grátis as chamadas Aulas de Gramática para meninos pobres, até que o governo, em 1785, substituiu ao Mestres franciscanos por professores leigos.

As Casas de estudos filosóficos e teológicos eram as de Olinda, Recife, Salvador e, temporariamente, Paraíba.

Os Noviciados funcionavam em Igarassu (Pernambuco) e Paraguaçu (Bahia), para vocações brasileiras e portuguesas.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL


CONSPECTO HISTÓRICO (2)


Até o ano de 1647, a Custódia ficou sujeita à Província- mãe. A eleição do Custódio e tudo o que dizia respeito às coisas mais importantes, dependiam do Capítulo da Província-mãe, enquanto o Custódio do Brasil reunia periodicamente a chamada Junta.

No dia 16 de fevereiro de 1614, presidido pelo Vigário Geral, o Capítulo Provincial determinou que os Custódios eleitos pelo Capítulo Provincial pudessem promover Capítulos em suas próprias Custódias, nos quais seriam eleitos os Definidores Custodiais e os Superiores locais.

E este primeiro Capítulo Custodial foi celebrado no dia 14 de outubro de 1614, no Convento de Olinda, presidido pelo Custódio Frei Vicente do Salvador, cabendo aos capitulares as eleições para todos os cargos, exceto o do Custódio que era eleito em Lisboa.

Não muito tempo depois, no dia 18 de abril de 1647, a Custódia foi completamente separada da Província mãe pelo Breve do Papa Inocêncio X e, a 24 de agosto de 1657, foi elevada à categoria de Província pelo breve de Alexandre VII.

Entrementes, a maior parte dos conventos fora fundada entre a Bahia e Sãoi Paulo, em consequência da invasão holandesa em Pernambuco (1630 – 1654). Além do curso filosófico-teológico criado em Olinda (1596), havia outro em Salvador e no Rio de Janeiro.

A 5 de novembro de 1659, é celebrado o Primeiro Capítulo Provincial. Nele se ecidiu que os 9 Conventos fundados na parte meridional (entre São Paulo e o Espírito Santo) fossem reunidos, de modo a constituirem a Custódia da Imaculada Conceição.

Esta, primeiramente sujeita à Província-mãe de Santo Antônio, já em 1675 recebeu foros de Província.
Continuaram a pertencer à Província de Santo Antônio os Conventos de Olinda (1585), Salvador (1587), Igaraçu (1588), Paraíba (1589), Ipojuca e Recife , São Francisco do Conde (Sergipe do Conde, 1629), Sirinhaém (1630), Paraguaçu (1649), Cairu (1650), São Cristóvãoi (Sergipe Del-Rei, 1657), Penedo e Alagoas (Marechal Deodoro) (1660), e o Hospício da Boa Viagem (Salvador, 1710).


O Governo Colonial não consentiu na fundação de outros Conventos, apesar de vários pedidos, como por exemplo, da parte de Natal, Aquirás, Oeiras etc. Até na região das Missões não podia haver Conventos, senão Hospícios para dois ou três religiosos.

(Contunua)



quarta-feira, 24 de abril de 2013

PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL


CONSPECTO HISTÓRICO

Os Frade Menores da Província dos Descalços de Santo Antônio em Portugal, fundaram em 1585 a Custódia de Santoi Antônio do Brasil. Era Ministro Geral da Ordem Frei Francisco Gonzaga. O Papa Sisto V governava a Igreja.

Foi no dia do ano Bom de 1585 que de Lisboa partiram os fundadores da nova Custódia”: “1) Frei Melquior de Santa Catarina (Prelado ou Custódio), 2) Frei Francisco de São Boaventura, 3) Frei Francisco dos Santos, 4) Frei Afonso de Santa Maria, 5) frei Manuel da Cruz, 6) Frei Antônio dos Mártires (corista) - todos estes da Província portugesa de Santo Antônio - , 7) Frei Antônio da Ilha – de outra Província.

No dia 12 de abril de 1585 chegaram a Pernambuco os 7 fundadoores. Foram recebidos na “Vila de Marim” (como se chamava Olinda) com grande alegria sobretudo pelos parentes de Jorge de Albuquerque que tanto se tinha esforçado pela vinda dos religiosos. Assim foram tratados com especial cuidado por Felipe Cavalcanti e sua esposa Dona Catarinade Albuquerque, prima do Governador Jorge.

Foi na casa deste casal que os frades foram acomodados durante os primeiros dias, até se instalarem numas casas junto à Misericórdia, faltando, porém , o necessário pra uma vida regular. Conformados com tudo, estabeleceram seu oratório e recolhemento, celebravam a missa, recitavam o Divino Ofício; afinal, fizeram o possível para seguir a vida comum.

Vale conhecer o que a 27 de setembro de 1585, a viúva de Pero Leitão, Maria da Rosa, exarava no termo de doação da casa que mandara construir sob a invocação de Nossa Senhora das Neves, aos frades da Ordem de São Francisco.

Diz que por vezes tinha escrito ao Reino, aos Padres Provinciais da dita Ordem, mandando-lhes oferecer, e pedindo-lhes quisessem mandar religiosos para a povoarem e acabarem, o que até agora não teve efeito.

E diz que ora vendo nesta terra o Padre Frei Melquior de Santa Catarina e seus companheiros com provisão de S.M. e Patente do Padre Frei Francisco Gonzaga, Ministro Geral, ela dita Maria da Rosa, dava muitas graças a Nossa Senhora, por lhe mostrar coisa que tanto desejava. Pelo que ela, de seu próprio moto e livre vontade...dava e doava à dita Ordem, de hoje para sempre, a dita casa assim como está, igreja com todos os ornamentos, e com todos os mais, prata, chãos e terras, que estão junto com a dita igreja, assim cerca como os que estão fora dela, em que está a olaria, até o salgado, para se poderem manter na cerca, assim e da maneira que o ela tem e possui, com suas entradas e saídas...”

“O primeiro campo de trabalho dos franciscanos, escreve Frei Bonifácio Mueller, enconram-no no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Duas vezes por dia, pela manhã e à tarde, faziam sua visita coletiva.É o que sempre atraía a atenção dos enfermos e a simpatia do público”.

Foi o exemplo edificante dos frades, opina Frei Bonifácio, que despertou a primeira vocação brasileira: Frei Gaspar de Santo Antônio. Podemos imaginar a alegria de Frei Melquior de Santa Catarina quando impôs, neste oratório, o hábito de irmão leigo ao primeiro brasileiro. No Convento de Ipojuca há uma lápide em que se faz memória dele. Tomaram posse do Convento de Nossa Senhora das Neves no dia 4 de outubro de 1585. Fundaram no Convento um Seminário de índios. Aí as crianças e jovens indígenas se preparavam para ser os missionários dos índios dos sertões.

Os missionários se especilizavam na língua indígena e daí partiam para outros pontos do país.

Fundaram muitos conventos que ainda hoje são preciosas relíquias do passado e inúmeras Missões entre os índios. Fundaram obras sociais, escolas e davam atenção especial aos hospitais e leprosários. Pregavam também Missões populares.

A atividade principal dos frades desenvolveu-se na catequese dos índios das seguintes Missões:

Em Pernambuco:

- Duas em Olinda, Itamaracá, Itapissuma, Ponta de Pedras,

Siri, Tracunhaém, Una (ou Iguna).

Em Alagoas:

- Porto de Pedras.

Na Paraíba:

- Amagra, Guiragibe, Joane, Mangue, Praia, Santo Agostinho, Jacoca, Assunção, Piragibe e outros três centros missionários cujos nomes não são conhecidos e com os quais estavam anexas outras 16 a 18 aldeias.

Por volta de 1616, o Prerfeito Apostólico Antônio Teixeira Cabral confiou as missões ao Clero Secular.

Atesta Frei Vicente do Salvador, como ex-missionário, quew os franciscanos, entre 1585 e 1619, batizaram 52 mil índios.

Em 1624, vários missionários de Olinda acompanharam a Frei Criatóvão Severin de Lisboa ao Maranhão, ajudando na catequese durante alguns anos, e introduzindo os dez missionários recém-chegados.
(Continua).



sexta-feira, 19 de abril de 2013

A IRMANDADE ACADÊMICA DE NOSSA SENHORA DO BOM CONSELHO DO CONVENTO DE SANTO ANTÔNIO DO RECIFE



Em seu livro “Convento Santo Antônio do Recife – 1606 / 1956”, escreve Frei Bonifácio Mueller, OFM, que depois de 1872, começo a haver desinteligência entre a Irmandade Acadêmica Nossa Senhora do Bom Conselho e os religiosos do Convento. Os frades estavam adaptando as instalações da casa para receber os novos frades que o Ministro Provincial Frei Antônio Camilo de Lellis havia pedido ao Ministro Geral da Ordem para repovoar os Conventos em grande parte abandonados.

Foi decidido que a Irmandade deixasse o seu consistório que se achava sobre a sacristia do Convento, com o quarto ou cômodo onde eram guardadas suas alfaias.

Em compensação, o Convento cedia para a Irmandade metade do antigo refeitório com porta para a rua [hoje do Imperador] pela qual entrariam os Irmãos para suas sessões, e outra porta interior que dava para o claustro do Convento. Ainda permitia que a Irmandade pudesse dispor das tribunas da capela-mor (do lado do Evangelho) no dia de sua festa, podendo nesse dia levar também senhoras, visto que não há comunicação para o claustro do Convento. Continuaria a Irmandade com o mesmo direito às suas catacumbas ou jazigos...

O documento enviado por Frei Antônio Camilo de Lellis vem assinado pelo Comissário Provincial Frei Irineu Bierbaum, emitido no Convento de São Francisco de Salvador, com data de 26 de agosto de 1894.

A maioria concordou com a proposta. Outros pensaram em procurar outra igreja ou por compra ou por contrato.

Um chegou a dizer: “Se nos dão um consistório com a porta para a rua, é com o fim talvez de nos aproximar mais do meio da rua onde nos desejam lançar”...

Quando no dia 23 de maio de 1899 tiveram conhecimento de que o Exmo. Sr. Bispo Diocesano pretendia examinar as contas, a mesa regedora deu esse parecer: “Em nosso compromisso não há artigo algum que a isso nos obrigue”...

Aos poucos predominaram as opiniõs da oposição, até que deixaram o convento no ano de 1895, instalando-se na Matriz de São José, diz Pereira da Costa. O Mons. José Augusto, Pároco da Matriz de São José e perfeito conhecedor de sua história, desconhece a presença daquela Confraria acadêmica na Matriz de São José. Opina que talvez se tratasse da igreja de São José  de Ribamar que naquela época funcionava como Matriz,  enquanto a de São José estava em construção ou reforma. 
Concluo que teria havido imprecisão de Pereira da Costa, para não dizer um erro.
Resta-nos pesquisar o assunto na igreja de São José de Ribamar.

Consulte o leitor o que sobre isto escreve Pereira da Costa (Anais Pernambucanos, Vol. VI, páginas 286 e 308).

Minha prima de saudosa memória, a Juíza Inês Guedes, conhecedora que era da Irmandade Acadêmica de Nossa Senhora do Bom Conselho, com a permissão do Guardião do Convento Santo Antônio do Recife, restabeleceu a extinta Irmandade, agora tendo como membros Juízes católicos do Recife.
Houve missa de ação de graças. Reuniam-se na sala de visitas do Convento. Isto na década de 1980, se não me falha a memória,  Pouco tempo depois Inês adoeceu e chegou ao ponto de não mais poder sair de casa.
Sem ela, creio que a Irmandade deixou de se reunir. Não sei com quem ficou o livro de atas da mesma.

Em artigo publicado em “A Tribuna” (02 de 03 de 1957), escreve Fr. Bomifácio o que colheu da História da Faculdade de Direito do Recife de Clovis Bevilaqua (página 466) e da Revista Acadêmica da mesma Faculdade (Vol. XXX, pg. 64). “Pormenores dignos de nota”, diz Frei Bonifácio. Entre eles: “Quando a Irmandade se apresentava em qualquer solenidade, era muito apreciada pelo avultado número com que se exibia, e pelo porte, garbo e correção no trajar dos seus membros”.

Frei Bonifácio cita uma opinião sobre a extinção da Irmandade:

“Pena é que a inconstância da mocidade extinguisse uma instituição que em seu tempo tanto honrava sua classe como hoje em dia a Congregação Mariana Acadêmica...”

Mais triste nos parece ainda a interpretação de outro autor, escreve o mesmo frade:

“Essa onda de religiosidade, por sua vez, se foi amortecendo: os rapazes atiraram-se com entusiasmo da próprio da idade às novas correntes espirituais que agitavam o século XIX: fizeram-se livres pensadores em Filosofia e republicanos em Política”...

E Frei Bonifácio termina com um apelo veemente:

“Fica aqui lançado um apelo ás famílias zelosas em guardar relíquias, para que, se lhes vierem às mãos um exemplar do Compromisso da Irmandade do Bom Conselho, impresso em 1859 ou 1863, placa usada pela corporação com a efígie de Nossa Senhora do Bom Conselho, ou mesmo um retrato fiel de algum acadêmico com o distintivo ao pescoço, destinem estes objetos à planejada Exposição do Tricentenário Franciscano a realizar-se no ano em curso”.

Uma SEPARATA da REVISTA DA ESCOLA DE BELAS ARTES DE PERNAMBUCO (Recife - Agosto - 1960) tem por título: II EXPOSIÇÃO DE ARTE SACRA. À págna 4 consta o CATÁLOGO. E neste, o 4º QUADRO intitula-se IMAGEM. . A "Seperata" comenta:

-“Nossa Senhora do Bom Conselho” - Imagem preciosa, orago da extinta Irmandade dos Acadêmicos da Faculdade de Direito do Recife. Até 1872 ainda existia essa Irmandade ereta no Convento Santo Antônio do Recife. Desaparecida que foi, ficou a imagem em poder dos Franciscanos que a conservam com grande veneração.”O Convento de Santo Atônio do Recife não tem conhecimento da imagem e nem de sua veneração!  

Á página 31, traz a foto da imagem.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

ESCOLÁSTICA FRANCISCANA
O MESTRE ALEXANDRE DE HALES

Uma SEPARATA da REVISTA DA ESCOLA DE BELAS ARTES DE PERNAMBUCO (Recife - Agosto - 1960) tem por título: II EXPOSIÇÃO DE ARTE SACRA. À págna  4 consta o CATÁLOGO. E neste, o  6º QUADRO intitula-se "Alexandre  de Hales, entre seus alunos". O Quadro é do Convento Santo Antônio do Recife. Mas no Convento de São Francisco de OIinda há um igual. A "Seperata"  comenta: "Digno de todo o interesse: ao centro o bem-aventurado Alexandre de Hales. ladeado pelos seus alunos São Tomás e São Boaventura, do qual mestre, afirma a inscrição, hauriam todo o seu saber através dos ensinamentos do "doctor doctorum" [doutor dos doutores] Alexandre de Hales".

O que provoca nos tomistas a visão deste quadro podemos imaginar. 

sábado, 13 de abril de 2013

CANTO DAS LAVANDEIRAS

CANTO DAS LAVANDEIRAS


Inspirado numa tradição popular que recebi de minha saudosa mãe, compuz estes versinhos de meu poema

Pastoril



Menio Jesus nasceu

Lá na gruta de Belém.

Para lavar seus paninhos

Lavandeira logo vem.



Lava, lavandeira,

Com muito carinho,

Lava com presteza

O seu cueirinho.



(Poeira Encantada)



O jovem confrade Frei Faustino dos Santos, alagoano de Piaçabuçu, acaba de chegar da viagem que fez a Campo Formoso, alto sertão da Bahia, onde passou a Semana Santa. Na comunidade do Riachão ele ouviu o



Canto das Lavandeiras:

Duas lavandeiras,

Duas beija-flor

Lavando os paninhos

De Nosso Senhor.



Quanto mais lavava,

O sangue escorria,

Sua mãe chorava,

Os judeus sorria.



Consta que os romeiros do Juazeiro do Padre Cicero

entoam um bendito bem parecido com este.











quarta-feira, 3 de abril de 2013

O PAPA FRANCISCO FALA DA SUA INFÂNCIA




                 PAPA FRANCISCO NOS FALA DE SUA INFÂNCIA






SUA DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA E A SÃO JOSÉ

1. Como beijava com ternura e devoção o escapulário de Nossa Senhora do Carmo! Até hoje o conserva no pescoço. Devoção que aprendeu no colo de sua santa mãe. Que lembrança fagueira a da hora do terço em família! O pai não falhava, contava-lhe a mãe.








A figura de São José era-lhe tão familiar como a de Nossa Senhora. Hoje, como Papa, todos podem perceber essa sua devoção.





Como ele gostaria de conhecer a imagem de “Nossa Senhora Adolescente” da Catedral de Olinda que se conserva no Museu instalado no antigo palácio Episcopal, no alto da Sé!

Sempre que olho para ela, lembro-me do que diz o Papa João XXIII na meditação do 4º Mistério Gozoso do Rosário:

“A suave imagem de Maria irradia-se e acende-se na suprema exaltação. Que bela cena a dormição de Maria, tal como a contemplam os cristãos do Oriente. Está ela estendida no sono plácido da morte, e Jesus está ao lado, e tem junto ao seu peito, como uma criança, a alma da Virgem, para indicar o prodígio da imediata ressurreição e glorificação”.

2. Só me vem à memória o belíssimo painel em azulejos de nossa igreja de Nossa Senhora das Neves de Olinda, que poderíamos chamar a “Dormição de Nossa Senhora”.








É verdade que não apresenta a encantadora cena do ícone oriental: Jesus com a alma de Maria ao peito.

Mas, por outro lado, que reprodução comovente dos apóstolos cheios de saudade, cercando o leito mortuário de Nossa Senhora, prestes a partir. Que imagem cheia de doçura daquela

a quem a Igreja invoca como Rainha dos Apóstolos e Mãe da Igreja e a quem São Francisco se dirige como a Virgem-Feita Igreja.





DETALHE:








3. NOSSA SENHORA ADOLESCENTE

DA CATEDRAL DE OLINDA

João XXII recorda que no ícone oriental Jesus tem junto ao seu peito, como uma criança, a alma da Virgem.


Isto me leva, de pronto, à imagem de Nossa Senhora Adolescente, da Catedral de Olinda, hoje no Museu Sacro do Alto da Sé, o antigo Palácio Episcopal.




Graças à ajuda de Onildo Moreno, Diretor ADJ, Poeta e Escritor, que me serviu de cicerone, pude obter as fotos que aqui reproduzo.
                                                                                                                                 







MUSEU DE ARTE SACRA DE OLINDA:










Leio na internet que também em São Paulo há uma imagem de

Virgem Maria Adolescente. Não pude avaliar se tem a formosura da nossa.

E PARA CONCLUIR:

JOSEPH RATZINGER (O PAPA EMÉRITO BENTO XVI), em seu livro - um primor de Teologia e Exegese - "A Infância de Jesus"  (Editora Planeta do Brasil, dezembro de 2012), consigna um trecho perfeitamente aplicável à pessoa do Papa Francisco:

"Desde o seu nascimento, Jesus não pertence àquele ambiente, que, aos olhos do mundo, é importante e poderoso; e contudo é precisamente esse homem irrelevante e sem poder que se revela cono verdadeiramente Poderoso, como Aquele de quem, no final das contas, tudo depende. Por conseguinte, faz parte do tornar-se cristão este sair do âmbito daquilo que todos pensam e querem, sair dos critérios predominantes, para entrar na luz da verdade sobre o nosso ser e, com essa luz, alcançar o justo caminho" (pg. 59 - 60).  



terça-feira, 2 de abril de 2013

CISTERNA DO CONVENTO FRANCISCANO DE OLINDA


A CISTERNA


Saindo do pátio em frente do Refeitório ao ar livre, pisamos no terraço que cobre a cisterna. Esta foi construída em 1624 a fim de prevenir a falta de água. Obstruída na invasão holandesa, só em 1748 foi reedificada com as dimensões que tem conservado até o presente: 15 por 20 m de Largura com 4 m de fundo.

Em dias claros, este terraço nos proporciona magníficas vidtas do mar, da cidade de Olinda, assim como do Recife até ao Cabo Santo Agostinho.

Pereira da Costa classifica esta obra como “notável trbalho artístico. Os extremos dos bancos de pedra que beiram os dois lados da cisterna formam o

retângulo que serve de Base a um relógio de sol, um dos poucos que ainda existem nesta redondeza.


O nosso tem a forma de um semicírculo com estilete no meio, para ser projetada a sombra de 6 horas da manhã às 6 horas da tarde., Isto é, do raiar da aurora o ocaso do sol. Na era do tempo solar andava certinho,, pois o tiro de canhão do porto do recife, dado diariamente ao meio dia em ponto, permitia uma conferência segura.

Em certo dia do ano de 1914, todos os rel[ogios ficaram parados durante 33 minutos, por ser adotado o tempo legal Dio Rio de janeiro, como o telógio de sol não parasse naquela ocasião, hoje em dia continua adiantada 33 minutos.



quarta-feira, 27 de março de 2013

CORREDOR DA SACRISTIA DO CONVENTO DE OLINDA

O CORREDOR DA SACRISTIA ANTIGAMENTE SE CHAMAVA VIA SACRA (CAMINHO SAGRADO), POIS CONDUZIA Á IGREJA.


ESTAS PINTURAS SÃO DAS MAIS ANTIGAS DO CONVENTO. PPOSSIVELMENTE DO FINAL DO SÉCULO XVI E COMEÇO DO SÉCULO XVII (FINAL DE 1500 E PRINCÍPIOS DE 1600).


PAPAS FRANCISCANOS

ATÉ ENTÃO CONHECIDOS


A COMEÇAR PELA ENTRADA DO CORREDO RUMO Á SACRISTIA:

I) NICOLAUS IV





1288

FREI.....


CREANIS ANNO 1288

FREIU HIENENINO

ALCULANO


DADOS DA INTERNET:

O Papa Nicolau IV, OFM, nascido Girolamo Masei de Ascoli, foi papa de 22 de fevereiro de 1288 até a sua morte. Foi o primeiro papa franciscano. WikipédiaNascimento: 30 de setembro de 1227, Itália


Falecimento: 4 de abril de 1292, Roma







II) ALEXANDRE V

DETALHE:





PONTIF. MAXIMUS

CREAL ANNO 1402

FREI PEDRO PHELANGO

FORA ESTES DADOS DO QUADRO, AINDA PODEMOS DIZER SOBRE ELE::
"O SÉCULO XIV, ESCASSO EM FIGURAS DE RELEVO NA SUA SEGUNDA METADE, FINDA, NÃO OBSTANTE, COM DOIS ESCRITORES RELEVANTES: O CATALÃO FRANCISCO EIXIMENIS (+ 1409), AUTOR DE NUMEROSAS OBRAS EM LATIM E EM LÍNGUA VULGAR...E O GREGO CRETENSE PEDRO PHILARGIS DE CÂNDIA,  FUTURO PAPA ALEXANDRE V (+ 1410), GANDE HUMANISTA, LITERATO E TEÓLOGO; ENSINOU GREGO EM OXFORD E EM ALGUNS CENTROS DA ITÁLIA" (LÁZAROM IRIART O.F.M.CAP: HISTÓRIA FRANCISCANA, 1985, VOZES, PETRÓPOLIS).



III) SEM NADA. AQUI PROVAVELMENTE ERA O PAPA SIXTO IV QUE FEZ

OPOSIÇÃO AO REI DA ESPANHA QUE SE SERVIA DA INQUISIÇÃO PARA PERSEGUIR OS INIMIGOS.





FOTO DA INTERNET:






DADOS DA INTERNET:

Ir para: navegação, pesquisa


Sisto IV, O.F.M.

212º papa





Nome de nascimento Francesco della Rovere

Nascimento Savona, Itália,

21 de Julho de 1414

Eleição 9 de Agosto de 1471

Fim do pontificado 12 de Agosto de 1484 (70 anos)

Antecessor Paulo II

Sucessor Inocêncio VIII

Listas dos papas: cronológica · alfabética

MAIS DADOS DAB INTERRNET:



O Papa Sisto IV nomeia Bartolomeo Platina prefeito da Biblioteca Vaticana (um fresco de Melozzo da Forlì.Papa Sisto IV, nascido Francesco Della Rovere OFM (Albisola, 21 de julho de 1414 — Roma, 12 de agosto de 1484), foi Papa de 9 de agosto de 1471 até à data da sua morte. Figura importante da Renascença, é principalmente lembrado por ter estabelecido a Inquisição Espanhola e ordenado a construção da Capela Sistina na qual uma equipa de artistas se reuniu para produzir uma obra-prima (o teto pintado por Michelangelo Buonarroti foi adicionado posteriormente).

Nasceu numa modesta família em Albisola, perto de Savona, na Ligúria. Juntou-se à Ordem Franciscana, e as suas qualidades intelectuais revelaram-se enquanto estudava filosofia e teologia na Universidade de Pavia. Lecionou em várias universidades de Itália. Tornado Ministro Geral da Ordem Franciscana em 1464 e nomeado Cardeal pelo Papa Paulo II.

Sisto IV era tio de Giuliano della Rovere, futuro Papa Júlio II, seu pontificado corresponde a uma época de expansão territorial dos Estados Papais. Sisto IV consentiu a Inquisição espanhola e escreveu uma bula em 1478 estabelecendo-a em Sevilha, sob pressão política do Rei Fernando I de Aragão, que ameaçou retirar o seu apoio militar na Sicília. Mesmo assim, Sisto protestou sobre o protocolo e prerrogativas jurisdicionais, e ficou insatisfeito pelos excessos da Inquisição, tomando medidas a condenar os mais flagrantes abusos em 1482. Quanto a assuntos eclesiásticos, Sisto IV instituiu a festa (8 de Dezembro) da Imaculada Conceição da Virgem Maria. Anulou em 1478 os decretos reformistas do Concílio de Constança.

Em 1481 Sisto IV fez a Bula Æterni regis, na qual, garantia a Portugal todas as terras descobertas e a serem descobertas ao sul das Ilhas Canárias na África.



IV) PAPA SIXTUS V









CREAT ANNO 1585

FREI FELIS PERETO

DADOS DA INTERNET:

Sisto V, nascido Felice Peretti, O.F.M. Conventual, foi Papa entre 24 de Abril de 1585 e a data da sua morte. WikipédiaNascimento: 13 de dezembro de 1520, Grottammare

Falecimento: 27 de agosto de 1590, Roma
MAIS DADOS DA INTERNET:

Sisto V, nascido Felice Peretti, O.F.M. Conv. (Grottammare, 13 de Dezembro de 1521 – Roma, 27 de Agosto de 1590) foi papa entre 24 de Abril de 1585 e a data da sua morte.