terça-feira, 9 de outubro de 2012

ORIENTAÇÃO TURÍSTICA

ORIENTAÇÃO TURÍSTICA


Com este título se encontra no Arquivo do Convento franciscano de Olinda um guia turístico de 20 páginas que poderíamos chamar também “arruando o Convento de Nossa Senhora das Neves”.

Vamos nos colocar em caminhada, a começar pela

FACHADA DO CONVENTO


É constante a primeira pergunta dos que avistam a fachada do convento: - De que ano é?

Bem poucos reparam a inscrição esculpida nas cornijas das duas janelas da Portaria: “Anno – 1754”. Esta data, porém, longe de nos revelar a época da fundação, apenas marca o ano em que se concluiu a reconstrução.

                                                 Vista da Sè com o Cruzeiro  do  Convento        
                                                                                                                                                              Óleo sobre tela de Silva Netto


Do convento primitivo somente resta a chamada “Capela do Capítulo” no interior do claustro. A maior parte da construção anterior foi destruída pelos invasoresm holandeses. Logo na tomada de Olinda a 16 de fevereiro de 1630, os frades tiveram tiveram que fugir para escapar à primeira fúria dos hereges. Voltando depois, encontraram seu Convento todo pilhado. O que deixaram nesta ocasião foi devorado pelas labaredas no incêndio da Vila no dia 24 de novembro de 1631, sobretudo o que havia de madeira, livros e alfaias.

Restabelecida a ordem pela Restauração de Pernambuco em 1654, os frades cogitaram na reedificação da casa e igreja mais amplas, tal qual hoje se apresentam. Traçada a planta, trataram de angariar materiais e donativos para iniciar os trabalhos em 1712, que letamente prosseguiram, pois só em 1754 terminaram. A principal razão que fez demorar a conclusão foi a divergência das opiniões a cerca da altura deste trecho. Julgavam uns que não devia exceder a altura da igreja; outros opinaram que deveria acompanhar a ala lateral na descida da ladeira. Afinal adotaram o parecer de levantar o trecho da Portaria como hoje se encontra. No entanto não carecia de base a ideia contrária, pois a igreja ficou um tanto prejudicada na sua arquitetura, assim do lado do Convento como do outro lado da Ordem Terceira, cuja porta de entrada leva a legenda de 1818.

Destaca-se, no alto do frontespício, a imagem de Nossa Senhora dentro do nicho e feita de pedra.

Entre a igreja e a Ordem Terceira avistamos uma cruz de pedra que provavelmente não entrara na planta original, por ser uma peça isolada da via-sacra, como se lê no pedestal:

“Esta 2ª estação representa o lugar onde leram a sentença a Jesus Christo e lhe puzeram a cruz as costas. Anno D. 1735”.

No Livro de Atas da Ordem Terceira lemos que, na sessão de 14 de setembro de 1862, o Pe. Comissario

fez a proposta que esta cruz de pedra, colocada fora da porta,


            Óleo sobre tela de Fr. J. Milton


fosse transferida para o centro do cemitério. Na sessão seguinte de 20 desse mês ficou resolvido que o cruzeiro ficasse no seu lugar em memória da antiguidade, e por ser um distintivo ao entrar da nossa Ordem. Vale dizer que nos meados do século passado não faltava quem considerasse esta cruz de pedra parte integrante da fachada.

O cruzeiro do convento é um monumento bem acabado, mas o que lhe diminue a importância é tanto a distância como o nível mais baixo que a igreja do Convento.

terça-feira, 9 de outubro de 2012


NICOLAU DE LYRA

FRANCISCANISMO

ESCOLÁTICOS EM DEFESA DA IMACULADA CONCEIÇÃO
Vamos nos dirigir novamente à primitiva sala de aula no térreo deste nosso Convento de Nossa Senhora das Neves de Olinda, que durante 200 anos foi escola de Filosofia dos frades da Antiga Província. A Biblioteca Pública ficou nesta sala do Convento de 1822 a 1884. "Para ninguém supor que os frades de então tivessem cedido de propósito alguma sala imprópria para os livros dos cursos jurídicos, queremos explicar que a sala em apreço era a única disponível na parte térrea, poupando aos consulentes o trabalho de subir escada. Mede a sala 13,15 m de cumprimento, quase igual às dimensões da biblioteca do Convento com 11,50 m por 9,30 m.

Nos anos anteriores, a mesma sala tinha servido de aula de Filosofia, como ainda hoje lembram os belos quadros de pintura bem conservados do teto..."

Assim consta num escrito do Arquivo Conventual.

Na década de 1950, funcionou como Capela, com o SS. Sacamento.

É que os religiosos transferiram a Capela do andar superior para a primitiva sala de aula em vista de ser mais ventilada. Aí passaram a rezar o Divino Ofício, a fazer a meditação, a celebrar a santa missa, e os demais exercícios espirituais da Comunidade.
O mesmo escrito por nós consultado, elenca os painéis do teto:.

1. Cardeal S. Boaventura, chamado Doctor Seraphicus.
2. Alexandre de Hales, Doctor Irrefragabilis, mestre de S. Boaventura.
3. Guilherme de Ockam, Doctor Invencibilis, nominalista.
4. Duns Scotus, Doctor Subtilis, especial defensor da Imaculada Conceição.
5. Raymundus Lulus, Doctor Iluminatus, da Ordem Terceira.
6. Nicolaus Lyra, Doctor Planus et Utilis, , fundador da Escola Expositiva.
7. Card. Arceb. Petrus Aureolus, Doctor Facundus.
Passemos, agora, especialmente para

NICOLAUS   DE LYRA





Mais uma vez recorro à Internet para completar meus dados sobre os filósofos franciscanos que defenderam a Imaculada Conceição.
Nicolaus de Lyra (1270-1349), ou Lirano, da Ordem dos Frades Menores, nasceu em Lyra. Foi professor de Teologia em Paris e chamado doctor planus ou doctor utillis. Ele não admitia como canônicos os livros Deuterocanônicos. Sua importância como exegeta consistiu em que ele reconheceu corretamente a distinção entre o sentido literal e o sentido místico, e o levou à prática. Esclareceu quase toda a Sagrada Escritura. Sua Postilla Litteratis exerceu grande influência. Ele foi o melhor exegeta da Idade Média tardia, e o elo de união entre a Exegese da Idade Média e dos novos tempos. Ele foi uma natureza profundamente piedosa e toda penetrada do ideal de Francisco de Assis no amor a Cristo, na humildade, no trabalho e na submissão ao magistério da Igreja. (Lexicon Für Theologie und Kirche, Fribourg: 1962). Obras: Postilla Litteralis et Moralis; Tractatus de Differentia nostrae Tramslatinis ab Hebraica Littera Veteris Testamenti; Probatio Adventus Christi; Responsio ad Quemdam Judeum; De Visione Beatifica; Oratio Seu Contemplatio ad Honorem S. Francisci; Commentariuus in sententias Petri Lombardi. Doctor Planus. Regente em Paris, insigne escriturista, autor das Postillas Perpetuas in Universam Sacram Scrituram, obra que exerceu grande influência; escreveu também vários tratados dirigidos aos hebreus (IRIARTE, Lázaro OFM. História Franciscana. Petrópolis: Vozes/CEFEPAL, 1995. (Estudos Franciscanos. p. 203). Segundo Gemelli “o pensamento franciscano assinalou sua entrada na literatura informativa e divulgativa do século XVI com o Postilla Perpetuae in Universam Sacram Scrituram e com o Repertorium Super Bibliam de Nicolau de Lyra o doutíssimo exegeta normando, docente da Sorbonne, tão conhecido, que dele se dizia: Si Lyranus non lyrasset, totus mundus delirasset...” (GEMELLI, Frei Agostinho. O Franciscanismo. Petrópolis, Vozes, 1944. 468 páginas. p. 121).Retornaremos ao assunto.





quarta-feira, 11 de julho de 2012

SANTO TOMÁS DE AQUINO

 Oleo sobre tela, provavelmente da autoria de Frei Ambrósio, que se acha num dos corredores do 1º pavimento do Convento de Nossa Senhora das Neves de Olinda. Numa placa ao lado se lê:



Santo Tomás de Aquino (Itália 1225 - 1274)
Dominicano, Teólogo, Filósofo
Festa: 28 de janeiro.
Canonizado em 1323 por Joãp XXII. Foi o mais distinto expoente da Escolástica. Ecreveu a Summa Theoógica. Foi proclamado Doutor da Igreja em 1567 e cognominado "Doctor Communis" ou "Doctor Angelicus". Em 1879, o Papa Leão XIII promulgou a Encíclica Aeterni Patris, ordenando que os escritos de Santo Tomás fossem estudo obrigatório a todos os padres e estudantes de Teologia.


sexta-feira, 6 de julho de 2012

JOÃO DUNS SCOTUS

O HISTORIADOR FRANCISCANO AGOSTINHO GEMELLI assim apresenta o expoente máximo do Pensamento da Ordem Seráfica:








"São Boaventura fala de desejo e de amor; Duns Scot, de vontade e de ação.
 Á direita, tabela que acompanha a tela de Frei Ambrósio (abaixo), que se acha no corredor do 1º andar do Convento de Olinda.


  
 Não há talvez doutor medieval mais incompreendido do que este franciscano escocês que estudou em Oxford, ensinou em Paris, foi expulso por Felipe o Belo, e morreu em Colônia na idade em que os outros filósofos começam a produzir, como se a chama do pensamento lhe houvesse consumido a juventude. Até o título de "Doutor Subtil" , com que o decoraram, tem uma aparência de ironia. Foi qualificado de rebelde e entretanto é o continuador da mais antiga tradição
  escolástica, desenvolvendo as concepções de Santo Agostinho e harminizando-as quanto possível com as de Aristótelis. Foi alcunhdo de franciscano que perdeu o sentido do amor e contudo a sua filosofia é toda fundada sobre o amor. Foi chamado de contraditor sistemático, de teólogo caviloso, de precursor do voluntarismo e do imanenteismo, de Kant do século XIII, e, em vez disso, seu realismo é puramente escolástico, alheio a toda pretemsa autonomia da natureza e do eu; e as suas teorias sobre Nossa Senhora e sobre a Encarnação recebem confirmação, séculos depois, no dogma da Imaculada Conceição e no culto a Cristo Rei (em O Franciscanimo).

UM JOVEM ESCOTISTA: FREI SÉRGIO
Que alegria saber que um confrade jovem se dedica ao escotismo, sobretudo no que concerne ao Primado Absoluto de Cristo. Vou passar para vocês o que resultou de uma conversa que tivemos em Ipojuca sobre o assunto.

Acho por bem antecipar o resumo de nossas reflexões em Ipojuca por estes dados da internet.




João Duns Scotus nasceu em Duns, na Escócia em 1265/1266. Em 1280
entrou na Ordem franciscana; estudou filosofia e teologia em Oxford, sendo ordenado
sacerdote em 1291 em Northampton (Inglaterra). Entre os anos de 1291 e 1296,
aprofundou seus estudos de teologia na Universidade de Paris. Retornando à Inglaterra,
foi professor em Cambridge (1296-1300) e em Oxford (1300-1302). Foi chamado a
Paris para ministrar aulas de teologia e ali permaneceu durante apenas dois anos (1302-
1303), sendo obrigado a abandonar a universidade por não ter subscrito o apelo de
Filipe o Belo, rei da França, contra o papa Bonifácio VIII (1303). Depois de obter o
título de magister theologiae da própria Universidade de Paris, Scotus voltou a ministrar
ali aulas de teologia entre 1305 e 1306. Em 1307, foi transferido para Colônia
(Alemanha), vindo a falecer improvisa e prematuramente no dia 8 de novembro de
1308. Cognominado “Doutor sutil”, Scotus deixou-nos uma substancial produção
literária.


QUAL A IMPORTÂNCIA DE SCOTUS?


Scotus vive em um contexto desafiador e, ao mesmo tempo,
extremamente fecundo. O século XIII, no qual também viveram Tomás de Aquino e
Boaventura, é atravessado por duas trajetórias filosófico-teológicas bem definidas:
agostiniano-boaventuriana e aristotélico-tomista. E uma única matriz polêmica a
provocá-las e animá-las: o ingresso das obras de Aristóteles na universidade de Paris.
Nesse contexto, Scotus assume uma postura crítica face aos pressupostos e às principais
posições defendidas por ambas as escolas, revelando-se como um pensador original.
Destaca-se pela fina acribia em bem discernir, o que lhe possibilitou dissipar inúmeras
confusões e esmerar-se na especulação acerca das questões filosóficas e dos mistérios
da fé. O Doutor sutil se caracteriza, ainda, por um raciocínio deveras singular capaz de,
num cerrado diálogo com seus interlocutores, desconstruir seus argumentos e forjar
conceitos e linguagem novos cada vez mais precisos e inclusivos. Com Scotus, talvez o
pensamento cristão tenha atingido o mais alto vértice da especulação.


SCOTUS É AINDA ATUAL?


Scotus é filho daquele período plasticamente descrito pelo grande
historiador Huizinga como “outono da Idade Média”. Fruto maduro daquela fecunda
estação, ele sorveu no melhor dos modos a mais genuína seiva que corria pelos veios
mais profundos dos sulcos de então, situando-se, para todos os efeitos, entre a Idade
Média e a Modernidade. O “nosso tempo” parece marcado pela experiência da
dissolução dos grandes sistemas, pela deslegitimação das grandes narrativas, pelo
desencanto diante dos grandes projetos construídos sobre a razão, que parecia constituir
um sólido alicerce. Chega-se a falar em pós-Modernidade como termo apto a exprimir o
total desencanto face aos projetos totalizantes e por demais pretensiosos da
Modernidade. Denominador comum a todos os projetos da Modernidade seria
propriamente a “epistemologia forte”: racionalista e naturalista. No entanto, poder-se-ia
dizer que a Modernidade nasce e se desenvolve num viés oposto àquele inaugurado e
proposto por Scotus, em fins do século XIII e inícios do século XIV. Talvez seja essa a
razão do crescente interesse, perceptível em nossos dias, por Scotus e seu pensamento."
O PRIMADO DE CRISTO

Síntese das relexões entre Frei Sérgio e Fr. José Milton em Ipojuca:
São Francisco empregava as palavras “fraternidade” e “irmão” num sentido bastante original, como observa  o franciscano Eric Doyle em sua obra  Francisco de Assis  e o  Cântico da Fraternidade Universal (Edições Paulinas , São Paulo, 1985).
É que S. Francisco tinha muito presente em seu espírito e coração, o mistério da Encarnação do Filho de Deus. Escreve Doyle:
“Francisco de Assis não foi teólogo. Contudo, é responsável por uma doutrina teológica sobre a razão da encarnação do Filho de Deus, razão que, desde o tempo de Duns Escoto,  leva a característica da teologia franciscana.” Acha Eric Doyole “que a formulação dessa doutrina no início d século XIV é o resultado lógico da mística totalmente cristocêntrica de São Francisco”.
Para ele, as palavras de S. Franciaco na Admoestação nº 6, onde afirma explicitamente que o corpo humano foi criado e formado segundo a imagem do Filho Jesus, são, “claramente, uma formulação embrional  da razão da encarnação, expressa teologicamente como o primado incondicional de Cristo” (obra citada, p. 79).
Santo Antônio, São Boaventura e Duns Escoto deram expressão teológica ao ensinamento de S. Francisco.
Em termos simplificados, podemos resumir assim essa doutrina:
- Em termos negativos, se recusa a aceitar que o pecado possa explicar suficientemente a razão da encarnação no Filho de Deus.
- Em termos positivos, ensina que a razão da encarnação é primordialmente a livre decisão de Deus, desde toda a eternidade, de amar a si mesmo em outros fora de si e ser louvado e amado de modo perfeito por um outro fora de Deus.
“Por isso Deus prevê a união entre o Verbo e a Criatura Cristo que lhe deve supremo amor, mesmo que jamais tivesse havido a queda” (ob. cit. p. 80).
“Só em último lugar [Duns Escoto] vê o Cristo como Mediador vindo para sofrer e redimir o seu povo por causa do pecado [...]. Não se trata de negar o valor redentor dos sofrimentos de Cristo. Trata-se de inverter a ordem das prioridades. A encarnação do Filho de Deus, como centro orgânico e propósito final da criação, não teria sido menos necessária em termos do amor de Deus (que se explica por si mesmo), se jamais tivesse existido o pecado. Por toda a eternidade, é vontade amorosa de Deus unir em Cristo toda a criação. O mal nem  causou nem deu ocasião para essa vontade amorosa” (ob. Cit. pg. 80).
Assim podemos entender porque Francisco se sentia irmanado não só a todos os homens, mas a toda e qualquer criatura. É porque ele sentiu no momento de sua conversão o elo que o unia a Jesus Cristo como seu irmão. Para Francisco Cristo era seu irmão, era um frade ou  frei, lembra Eric Douyle. E cita a Carta aos Fiéis: “Quão santo[...] é ter um irmão como esse” , inspirado em Mt 12, 50 (vide:    Escritos, Vozes, 1981, pg. . 20).
Francisco recupera para a Igreja o Jesus Cristo do Evangelho, o Deus-Conosco, o Emanuel. E nele a razão mais profunda da fraternidade entre os homens e entre estes e as demais criaturas, vistas agora não mais como objetos  do domínio do homem  sobre elas, mas como irmãos e irmãs por causa de Cristo, Primogênito de todas as criaturas.
Precisamos de regatar para nós mesmos, irmãos de Francisco, o pensamento dos grandes líderes da Teologia do primado de Jesus Cristo:
-Santo Antônio de Pádua (+ 1231) a nos dizer que Cristo está no centro de cada coração, no centro de todas as coisas;
- São Boaventura (+1274) a proclamar Cristo como princípio fundamental de todo conhecimento, [...] desde a investigação racional até a união contemplativa com Deus;
- João Duns Escoto com a sua doutrina sobre o lugar ocupado por Cristo no universo, ou seja, a doutrina do primado absoluto de Jesus Cristo (obra citada pg. 79).
Não foi sem razão que Warren G. Hansen  [em livro publicado em Chicago em 1971] deu a S. Francisco o título de Patrono do meio ambiente. Francisco  reinterpreta o dominai toda criatura do Gênesis (1, 27) não no sentido tradicional que, na prática, lhe deram os cristãos de usar e abusar da matéria e da vida, mas no sentido bíblico de gerir, administrar, para o bem delas e dos homens, as criaturas de Deus. Trata-se de um domínio de amor, não de escravização.
“Não foi apenas a simpatia e amor pelas criaturas que moveu Francisco a escrever o Cantico do Irmão Sol, o egoísmo dos seres humanos também o motivou a fazê-lo, como esclarece o texto: Quisera [...] fazer um novo Cântico de Louvor ao Senhor pelas suas criaturas que usamos diariamente e sem as quais não poderíamos viver. Ofendendo-as, a raça humana ofende gravemente o Criador (“Espelho da Perfeição”, 100, em
“Escritos de São Francisco”, Vozes, 1981, pg. 975; veja também Eric Doyle, pg. 87).  
   
Convento de Olinda -
Óleo sobre tela
de Frei José Milton




NOTE BEM:  A 1ª foto à esquera (Duns Scotus ajoelhado diante da Virgem e do Menino) se encontra na primitiva sala de aula do Convento de Oinda (do século XVIII) cujo teto é decorado com figuras da Escolástica Franciscana comprometida m a defesa da Imaculada Conceição.
O óleo sobre tela de Frei Ambrósio é do corredor do 1º andar, juntamente com a tabela alusiva a Duns Scotua.
(Talvez da década de 1940).


DUNS SCOTUS IMAGENS DA INTERNET


Escolásticos escotistas do final da Idade Média e a filosofia da religião.

Pedro Auriol (ou de Aurilac, Auréolo, Aureolus, Auréoli) (c. 1280 - 1322).
Pedro Auréolo.
Da internet podemos colher alguns dados: 
Doctor Facundus. Filósofo e teólogo francês. Franciscano. Discípulo de Duns Escoto em Paris, onde se formou mestre em teologia. Provincial da Ordem em Aquitânia. Em 1321 arcebispo de Aix-en-Provence, vindo a falecer no ano seguinte. 
Graças a Frei João Sanig (Joãozinho), a quem consultei passando-lhe os dados que se acham abreviadamente sob o último painel setecentista da primitiva sala de estudos do Convento Nossa Senhora das Neves de Olinda (antiga capela) apresentando a Escolástica Franciscana que batalhou pela Imaculada Conceição, graças a Frei João Sanig (Joãozinho), repito, tive a confirmação dos dados que tinha encontrado na  Pesquisa Google.Ele me recomendou explorar mais a pesquisa para descobrir mais coisas sobre o ilustre Arcebispo, aliás Cardeal de acordo com o painel do nosso convento de Olinda.


Os dados que passei a Frei João foram ios seguintes:

PTR. AUR. ARCHIEP. F. T. CARD. SCH 6.


 O que consta no livro que ele tem na mão:

“QUAE EXCOGITAVI IN USUM, REDUXI IN PRAXIM”.

Não sou latinista as vou tentar a tradução: O que refleti maduramente no estudo, levei à prática.
NB: As fotos aqui estampadas devo-as a Frei Ronaldo César, estudante franciscano do Convento de Olinda.


RAIMUNDO LULLO, UM FRANCISCANO EXEMPLAR

A antiga sala de estudos (século XVIII) do Convento de Nossa Senhora das Neves de Olinda, estampa em seu teto, painéis com as principais figuras da Escolástica Franciscana, sobretudo dos que se empenhavam pela declaração do dogma da Imaculada Conceição. Um dos quadros apresenta o Bem-aventurado Raimundo lullo, de hábito sem capuz, com os dizeres: “Raimundo Lullo o Doutor Iluminado”

Figura excepcional de franciscano foi, no século treze, Raimundo Lullo. Escreve Frei Agostinho Gemelli em seu livro O Franciscanismo, que este expoente da Escolástica Franciscana reunia em si a elevação mística de São Boaventura, a idéia da Encarnação E Realeza de Cristo de Duns Scot, o espírito missionário de Bacon.

Tudo começou quando, nos 30 anos de sua vida na Corte, redigia um poema a um amor ilícito. Caiu em si, resolveu deixar, a vida mundana e logo redigiu, em estlilo cavaleresco, o poema Diálogo entre o Amigo e a Amiga. Nisto já espelhava o traço de São Francisco, o trovador da Dama Pobreza. Sabemos que era franciscano terciário; não era, portanto, frade. Como leigo, inaugurava um estilo de vida missionária, em que a filosofia, a arte, a poesia, a ciência entravam como meios de atingir as cristãos acomodados, os gnósticos, ao ateus, os pagãos. Na sua itinerância, percorreu a Europa, a África, a Terra Santa; ia aos campos, às periferias urbanas, aos casebres, aos palácios, às praças públicas e aos antros de pecado, procurando reconduzir a Cristo os pecadores, levar o testemunho do Evangelho aos gentios, ser presença amiga entre os mulçumanos e até aos grupos religiosos radicais. Nutria a esperança do martírio, o que de fato veio a acontecer, depois de 80 anos de trabalhos, em Buggia, na Argélia.

Seus restos mortais foram sepultados com honra de santo em Sua terra natal, Maiorca.

Foi declarado bem-aventurado. Uma das glórias franciscanas para todos os tempos.

 
Só Deus sabe quanto bem fez o colégio de Miramar, na ilha de Palma, fundado por ele com apoio do Papa e do Rei, e entregue aos Frades Menores que se preparavam como missionários para converter os islamitas.

Ensinando em Montpellier ou em Paris, adaptava o talento filosófico ao ideal de reconduzir a humanidade a Cristo.

 
Suas obras literárias incluíam três romances em prosa: Bloquerna, Felix , Livro de Cavalaria, e tinham como idéia dominante a conversão dos infiéis.

Como missionário, olhava todos os membros do Corpo de Cristo como continuadores da Cabeça.

Quem desejar conhecer mais Raimundo Lullo, pode optar pela pesquisa Google, na Intenet.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

PADRE ANTÔNIO MARIA IBIAPINA

PADRE IBIAPINA - Relata o Padre F. Sadoc de Araújo na obra Padre Ibiapina - Peregrino da Caridade (Paulinas, São Paulo, 1996) que redigiu para o processo de beatificação do Servo de Deus, que ele nasceu a o5 de agosto de 1806, num improvisado hospital que servia também de maternidade, e que fora construído como Lazareto do Logradouro, na ocorrência de febre epidêmica que em 1791 grassara na região de Sobral, no Ceará.
Filho de Francisco Miguel Pereira Ibiapina e de Teresa Maria de Jesus. O pai de Francisco era natural da Freguesia de Coreaú. Era neto do Sargento-mor Alexandre Pereira de Sousa, natural de Socorro do Passé (Recôncavo Baiano) e de Antônia Ribeiro de Sousa, natural do Coreaú. A mãe de Francisco (avó paterna de Ibiapina) chamava-se Teresa Maria da Assunção, natural e moradora no Sobral. Era filha do português Domingos Ferreira Gomes, natural de Cadaval (Patriarcado de Lisboa), "foi o primeiro marido de Maria Pereira, natural do Coreaú, filha do Capitão Matias Pereira de Carvalho, ex-Ouvidor Geral do Ceará, e de Micaela da Silva Medeiros. Maria Alves Pereira casou-se, em segundas núpcias, com o Coronel Félix Ribeiro da Silva, português natural da freguesia de Fojo Lobal, conselho de Ponte de Lima. A um filho de Félix, de nome Felipe, que foi um dos seus testamenteiros, Francisco Miguel chamava de meu tio.
Todos esses ascendentes próximos de Franciasco Miguel eram pessoas da melhor posição social e possuidores de muitos bens de raiz, ao contrário de biógrafos pouco esclarecidos que julgam a família de Ibiapina muito pobre, afirma o Padre Sadoc (pg. 16).
O ai de Ibiapina perdeu os seus bens, diz Sadoc, nos atropelos da Confederação do Equador.
Local do nascimento - O próprio Ibiapina, ao se matricular no Seminário de Olinda, declarou-se natural da vila de Sobral.
Desde logo, deve ser descartada a hipótese de que teria nascido na antiga povoação da Ibiapina, então pertencente à Freguesia e município de Viçosa, na serra da Ibiapaba, como se lê na chamada " Crônica das Casas de Caridade" e vem repetido no " Dicionário Histórico e Geográfico da Ibiapaba", escrito por Pedro Ferreira... A fonte desses enganos é a informação contida no Itinerário do Padre-mestre Ibiapina", manuscrito de autoria de três "beatos" que o acompanharam em algumas das suas peregrinações pelo Nordeste, publicado pela primeira vez na "Revista do Instituto Arqueológicio, Histórico e Geográfico de Pernambuco" , edição de 1911, e comentado e republicado pelo sociólogo Eduardo Hoonaert com o nome impróprio de "Crônica das Casas de Caridade" , a que acima me referi. Toda a narrativa, aliás, desse "itinerário" é bastante imprecisa e repleta de procronismo s e metacronismos, residindo seu valor unicamente no fato de ter sido escrito com uma boa intenção de salvaguardar a memória das contínuas viagens do missionário. O historiador deve ler com as devidas reservas, e qundo possível, confrontá-lo com outras fontes.
Eduardo Hoornaert teve a infelicidade de intitulá-lo "Crônica das Casas de Caridade", quando não é crônica, na definição precisa do termo, e não trata apenas e nem principalmente dessas admiráveis instituições, que a mão benfazeja do padre-mestre espalhou pelo interior de quase todo o Nordeste. O texto enquadra-se melhor no gênero de relatório de viagens, emporeendidas pelo missionário andarilho, e das múltiplas atividades que desenvolveu em favor dos pobres e da evangelização em cada localidade visitada. Desse documento servir-nos-emos somente ao tratar do exercício de seu ministério pastoral, quando o testemunho pessoal dos narradores, que o acompanharam merece todo o crédito. A crônica das Casas de Caridade ainda está muito longe de ter sido escrita (pp. 61 a 62).
(Continua)

Local e data do batismo - O menino foi batizado solenemente na fazenda Olho d´Água a 25 de agosto de 1806, dia de São José de Calasanz, com o nome de José, por devoção da família S. José de Calasanz. Ora, este santo, nascido em Aragão em 1557, ordenou-se sacerdote aos 28 anos. Mandado a Roma por seus superiores, aos cuidados do Cardeal Marco Antônio Colonna, foi nomeado Vigário Cooperador da Paróquia de Santa Dorotéia, habitada por inúmeras famílias pobres, cujos filhos não tinham onde estudar. Estudo era para gente de dinheiro. Com suas poucas economias, ajudado por muitos voluntários que não queriam pagamento, começou a fundar escolas gratuitas para as crianças. Fundou assim a Congregação dos Pobres Clérigos Regrantes da Mãe de Deus, e as Pias Escolas, que dentro de curto espaço de tempo se espalharam por toda a Europa, chegando também ao Brasil. Hoje continuam as Irmãs Paulinas e os Filhos de São Paulo a obra de S. José de Calasanz!





Mas teve que passar por grande provação quando acusado injustamente pelos Padres de sua Congregação de incapacidade de gerir a obra, se viu deposto por um falso Visitador que conseguiu do Bispo o fechamento da Congregação. Com incrível paciência, o Padre Calasanz arregaçou as mangas e restaurou a Congregação que ressurgiu das cinzas com os mesmos programas sociais a serviço dos jovens das periferias. Segundo Sadoc, ele mesmo veio a falecer a 25 de agosto de 1648 com a idade de 92 anos. Foi canonizado em 1757.





Na vida de Ibiapina, ele não passou por semelhante provação, pois não é verdade, que o Bispo do Ceará Dom Luís Antônio dos Santos, cujo primeiro aniversário de posse no dia 19 de setembro de 1862 seria celebrado com a colaboração de Ibiapina, teria reprovado algumas práticas do Missionário e até




exigido sua retirada do Ceará. Houve, de fato, quem chegou ao desplante de afirmar que em janeiro de 1863, o bispo do Ceará foi pessoalmente a Sobral e condenou, de público, as práticas instituídas por Ibiapina e, a despeito da solidariedade geral para com o Missionário, ordenou sua saída imediata da Diocese. Trata-se da afirmação de Ralf Della Cava em sua obra "Milagre em Joazeiro" (Ed. Paz e Terra, Rio, 1976, p. 30). O autor, escreve Sadoc,"brasilianist" , refere-se ao suposto processo de "romanização" do catolicismo brasileiro, hipótese aventada pelo sociólogo Roger Bastide in "Religion and the Church in Brazil" que ele aceita acriticamente. Poucas vezes se pode ler, em livro que pretende ser sério, tantas inverdades em tão poucas linhas (Sadoc, p. 371 - 372).


O nome Antônio, é uma homenagem ao Padre Antônio Mendes de Mesquita que administrou o Batismo ao pequeno José. Era português, natural de Celorico de Basto, e um dos fundadores do Seminário de Olinda em 1800 (Sadoc, p. 69). Foi ordenado sacerdote já aos 47 anos de idade, sendo viúvo. Era Vigário Coordenador da Freguesia de Sobral. Quando veio para o Brasil trouxe consigo dois filhos: Manoel Mendes de Mesquita e Teodora Maria. Ambos se casaram em Sobral. Teodora teve um filho sacerd0te: Padre João José Mendes de Melo. O Padre Antônio Mendes de Mesquita faleceu com 77 anos (Sadoc, pp. 69 -70).





A criança passou a ser chamada oificialmente José Antônio Pereira -futuro Padre ibiapina - Foi com este nome que se matriculou no Seminário de Olinda.





Os dois padrinhos de batismo de José Antônio foram o tio paterno Joaquim José de Sousa e a avó Teresa Maria da Assunção.


Por hoje é só.


Continuaremos.