sábado, 24 de março de 2012

PORTEIRO DE ALMAS III.

FREI BERTRAM, O SANTO

O dia-a-dia de Frei Bertram, como ele o passa para o reporter:
Levanta diariamente às quatro horas para cumprir obrigações religiosas. Às 7 horas abre a Portaria, que fecha às 21 horas. Durante o dia atende a centenas de fiéis: encomenda de missas, , padre para confissões, ajuda nas necessidades do Convento. Terça-feira, dia da devoção a S. Antônio, é incalculável o número de pessoas - principalmente moças - que tem a atender.
Ardente devoto do Espírito Santo, Frei Bertram fundou em 1936 a Pequena Obra do Espírito Divino com o órgão bimestral Espírito Santo, em pleno funcionamento em 1957. Por ocasião da reportagem de "O Globo", fazia 21 anos que a revista vinha sendo editada pelos Franciscanos, dirigida então, como diz Frei Cleto, pelo Professor Frei Severino Gisder.
Assevera "O Globo": "É o único órgão em toda a América do Sul dedicado ao Divino Espirito Santo" (destaque nosso).
O Site da Província conclui:
"Sempre caridoso e de muita oração, edificava a todos que dele se aproximavam. Depois de passar o dia inteiro em estafante serviço, recolhia-se à igreja, onde quedava horas em oração diante do Senhor no Tabernáculo. A Crônica [do Convento] dando notícia de sua morte, diz no fim: E assim nos deixou mais um santo da nossa Comunidade" .
Vale guadar este retrato do frade, provavelmente único, que não escapou ao reporter:
"Escondendo com sua disposição seus 70 anos de idade, baixinho, olhinhos verdes, restos de cabelos cobrindo parcialmente a calvice, e falando o português com objetiva simplicidade..."
Quem diria que, pouco mais de um ano após a festa do seu Jubileu, seria chamado à Casa do Pai?
Estava preparado. Foi um santo.
Mais dados sobre ele só consultando o necrológio da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Uma pista: a revista Vida Franciscana, a partir de 8 de julho de 1958; também a Revista Eclesiástica Brasileira (REB), em Necrológios, números a partir de julho 1958.

sexta-feira, 23 de março de 2012

PORTEIRO DE ALMAS II

FREI CLETO BERTRAM - Frei Cleto Bertram nasceu aos 7 de janeiro de 1887 em Drolshagem, na Alemanha, e faleceu aos 8 de julho de 1958 no Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro.
Aos 7 anos perdeu a mãe, e, aos 12, o pai. Uma irmã sua tornou-se freira e um irmão era funcionário do Governo em sua terra natal. Tinha vontade de ser Franciscano no Brasil. Soube que os frades da Saxônia andavam recrutando jovens que desejassem ser missionários na Terra da Santa Cruz. Procurou-os e foi de pronto aceito. Fez, como era costume, o Noviciado na cidade holandesa de Harraveld, tomando o hábito a 16 de abril de 1907. Tinha 20 anos de idade. Sua vinda para o Brasil aconteceu em 1910. Declara à reportagem de "O Globo" que em chegando aqui se naturalizou e se considera tão brasileiro quanto o mais patriota. "O amor que tenho por esta terra não cabe na imensidão do seu território. Meu coração é grande e pulsa pelo Brasil".
Primeiro foi mandado para Petrópolis.
De 1911 a 1932 atuou em Curitiba.
Depois foi transferido para o Rio.
Até 1935, exerceu seu apostolado na igreja de Nossa Senhora da Paz.
No mesmo ano foi para o Convento de Santo Antônio no Largo da Carioca, no Rio de Janeiro, de onde nunca mais saiu.
"Sempre na função de Porteiro, asseverou. Gosto de atender o público, coverter almas, fazer caridades, sentir de perto as vocações. Muitos, inclusive, pedem que os confesse. Mas isso excede minhas atribuições", declara humildemente. É que Frei Cleto não era ordenado sacerdote, era Irmão Leigo. É bom saber que na Ordem Franciscana há Irmãos Leigos e Irmãos Presbíteros (Sacerdotes) Estão em pé de igualdade, como queria S. Francisco. Ele mesmo não quis ordenar-se Padre e, no seu tempo, grandes vultos da Ordem Franciscana, foram Irmãos Leigos, como acontece ainda hoje.
Continuaremos na próxima redação.










PORTEIRO DE ALMAS

"Sou um autêntico Porteiro de Almas, nelas fazendo entrar o sentimento religioso. Eis porque gosto desta função." Foi o que respondeu o Irmão Franciscano Frei Cleto Bertram, a 3 de abril de 1957, falando a "O Globo" que o entrevistava no Convento de Santo Antônio do Largo da Carioca no Rio de Janeiro, a propósito da comemoração de suas Bodas de Ouro de vida religiosa, que aconteceria no dia 16 de abril. De fato, às 8 horas daquele dia, foi celebrada missa solene em ação de graças pelo seu Jubileu Áureo de frade ("O Globo", 3.4.1957).
Com dados desta entrevista e do que se encontra no Site da Província da Imaculadea Conceição
(Santuário e Convento Santo Antônio - www.conventosantoantonio.org.br/historico/400anos/07.php)
tentarei dizer quem foi Frei Cleto Bertram, de onde vinha a sua popularidade, sua importância para a história da Igreja.
Antes, quero penitenciar-me por uma gafe: Há poucos dias, numa missa dominical aqui em nosso Conveno de Nossa Senhora das Neves (ou S. Francisco) de Olinda, onde vivi muitos anos e onde hoje moro, eu falava de um frade do Convento Santo Antônio do Recife que fundara no Século 18 uma revista intitulada "Espírito Santo" e um movimento de espiritualidade tendo como centro o Divino Espirito de Amor, que teria sido primícias da devoção na Amércica do Sul. Estudando melhor o caso, deparei-me com a figura ímpar de um santo homem chamado Frei Cleto Bertram, do Convento Santo Antônio do Rio de Janeiro, aquele que fundou realmente, não no Século 18, mas nas primeiras décadas do Século XX a referida revista e o citado movimento de espiritualidade em torno do Divino Espírito Santo, deixando de pé a afirmação do reporter de "O Globo": "É o único órgão em toda a América do Sul dedicado ao Espírito Santo". Isto era afirmado a 3 de abril de 1957. Valeria a pena pesquisar a veracidade da afirmativa.
Na próxima postagem voltaremos ao assunto.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

VALE A PENA DIVULGAR ESTES DADOS DA INTERNET

APOSTOLADO DA ORAÇÃO NO BRASIL
" No Brasil, o primeiro centro foi fundado no dia 30 de junho de 1867, na cidade de Recife/PE, na Igreja Santa Cruz, oficiada pelos padres Jesuítas, chegados em Pernambuco no ano de 1865. O Pe. Bento Schembri, SJ foi seu fundador e primeiro Diretor. Em 1º de outubro de 1871, o Pe. Bartolomeu Taddei, SJ fundou o primeiro centro do Apostolado da Oração na cidade Itu/SP, fundando, logo, outros centros em nível diocesano e nacional. Por esta razão o Pe. Bartolomeu Taddei é considerado o fundador e o propagador do Apostolado no Brasil. Nomeado Diretor Nacional, o Pe. Taddei estendeu o Apostolado a todos os estados, de tal forma que o Cardeal D. Sebastião Leme pôde afirmar que “o renascimento espiritual do Brasil é obra do Apostolado da Oração”. No dia 1º de junho de 1869, o Pe. Taddei conseguiu superar as dificuldades e lançar o primeiro número da revista “Mensageiros do Coração de Jesus” como órgão do Apostolado da Oração. Além disto, com a colaboração fervorosa do Apostolado, o Pe. Taddei realizou o Primeiro Congresso Católico Brasileiro em 1900, na Bahia, completado com o Congresso de São Paulo e o do Rio de Janeiro. Esses congressos prepararam o caminho para Ação Católica e para a Ação Social em nosso país.Intensificando a vida eucarística e o culto ao Sagrado Coração de Jesus, o Apostolado da Oração revitalizou por toda parte a prática da religião, tanto individual, como nos lares por meio da consagração das famílias, através da consagração dos municípios, cidades e estados de todo o Brasil. A consagração do nosso país foi realizada oficialmente por ocasião do 36º Congresso Eucarístico Internacional, celebrado em 1956 na cidade do Rio de Janeiro.O Pe. Taddei faleceu no dia 03 de junho de 1913, na cidade de Itu/SP, junto ao Santuário Central do Sagrado Coração de Jesus por ele edificado, deixando em pleno funcionamento 1.390 centros do Apostolado da Oração espalhados por todo o Brasil, com cerca de 3 milhões de associados" .
" O Apostolado da Oração tem raízes evangélicas, bíblicas, eclesiais, fundamentação teológica, oração e apostolado. Suas duas linhas mestras alicerçadas sobre seis pilares são: Oferecimento diário; Vivência da eucarística; Culto especial ao Coração de Jesus Devoção a Maria Santíssima, a co-Redentora; Sintonia com o Papa, o espírito eclesial Devoção ao Divino Espírito Santo. Para a vida apostólica: Formação sólida das zeladoras e zeladores (espiritual, bíblica, litúrgica, apostólica), através de: Reuniões mensais, retiros, tardes de formação, reflexão, palestras.

Objetivos da Ação Pastoral: Atuação na base: procura atingir as famílias da comunidade através e pequenos grupos de oração, reflexão e vivência cristã: zeladores(a) e famílias zeladas, que poderão formar verdadeiras comunidades eclesiais de base.
Irradiação da vida cristã no meio-ambiente, pelo testemunho de vida e pela palavra. Promoção humana e assistência social: vários membros participam de outras pastorais e grupo: Pastoral da saúde, Legião de Maria e outros.

Espiritualização a comunidade: promover horas santas, novenas, terço em família, natal em família,vias sacras. Revitaliza a prática das primeiras sextas-feiras dando-lhes um conteúdo de oração comunitária, enraizada na Bíblia e na Liturgia. Desperta nas famílias, espírito de oração e a imitação de Jesus Cristo, através de: Consagração da família ao Sagrado Coração de Jesus; Entronização, nos lares, da imagem do Coração de Jesus; Colaboração.

APOSTOLADO DA ORAÇÃO "Ser membro do Apostolado da Oração é sinal de que o amor do Sagrado Coração de Jesus tocou profundamente a vida da pessoa.O Apostolado da Oração é para todas as idades: todos podem trabalhar para cultivar a comunhão “Viver como Jesus, viver com Jesus”.

Vale a pena resgatar a mensagem do papa João Paulo II: “A nova evangelização, à luz do Sagrado Coração de Jesus, deve conscientizar o mundo de que o cristianismo é a religião da misericórdia, da esperança, do amor.”Participar do Apostolado da Oração ajuda a conservar nossa família digna e abençoada. Venha ser apóstola(o) do Sagrado Coração de Jesus.

" [...] são as coisas simples que falam alto, a informação que temos é que 52 países já tem apostolado da Oração. Mas nem Roma, Canadá, México, Estados Unidos, não rezam a missa em honra ao sagrado coração de Jesus como no Brasil. O papa João Paulo II sempre falou do carinho que ele tinha pelo AO e não se cansava de frisar que o AO no Brasil esta melhor que nos outros paises, o tempo da nossa pertença ao A.O. não termina, a partir do momento que nós nos dispusemos a pertencer ao A.O., o nosso nome já esta gravado no coração de Jesus e ele nunca mais nos esquecerá, esta gravação nunca mais apagará" .

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

RECORDAR É VIVER

Hoje meu pensamento se volta para meu saudoso Pai (+ 21-03-1994). Abro a Imitação de Cristo, o célebre livro de Tomás de Kempis (Alemanha, 1380 – 1471), obra que através de tantos séculos tem derramado por toda parte inefáveis consolações, como leio no prefácio desta edição que Papai me ofereceu, por ocasião da despedida de minhas últimas férias, antes de entrar no Noviciado Franciscano.
Ele adquiriu em Maceió um exemplar da última edição das VOZES DE PETRÓPOLIS para presentear-me. Que delicadeza de Papai! Ele tinha gestos assim na hora certa.
Vejam a riqueza do oferecimento, escrito na hora da despedia, me lembro bem:
Ao nosso querido Miltinho, com os corações traspassados de saudades, uma lembrança das últimas férias que passaste ao nosso lado. que Deus recompense o sacrfício da dura separação, fazendo de ti um santo sacerdote franciscano. Neste livro tão pequeno, encontrarás lenitivo nas horas de sofrimentos. Receba com nossas bênçãos os corações saudosos de teus pais
Heriberto e Inês.
Fernão Velho, 5-2-1955.

Na página em branco, ao lado, escrevi:
Entrada no noviciado: 14-08-55
1ª Profissão: 15-o8-56
Profissão solene: 15-08-59
Presbiterato: 22-07-61
Bodas de Prata de religioso: 15-07-80
Bodas de prata sacerdotais: 22-07-86
Bodas de Prata de casamento de meus pais: 20-12-58
Bodas de Ouro de casamento de meus pais: 20-12-83
+ Papai: 21-03-94
+ Mamãe: 31-12-99
Poderia ter acrescentado:
Bodas de Diamante de casamento de meus pais: 20-12-1993. Celebrei em Bezerros, mas sem festa, pois papai se achava muito doente.
UMA PERDA IRREPARÁVEL - Nunca cesso de lamentar ter perdido o precioso devocionário que Papai me ofereceu (juntamente com Mamãe) no dia de minha partido para o Colégio Seráfico de Ipuarana, 27 de janeiro de 1946. Eu havia completado 11 anos em outubro! Aquela despedida foi a mais dura de minha vida e sei também que da vida deles. A dedicatória de Papai refletia essa dor, mas, ao mesmo tampo, a esperança de ver um dia o filho frade franciscano e sacerdote. Que livrinho precioso aquele que Papai guardava para aquela hora! Era uma edição portuguesa (do Porto), de uma delicadeza extraordinária: um livrinho que só podia ter sido editado para presente: em encadernação luxuosa, cujas capas se fechavam como que guardando um segredo. Em papel finíssimo, em arte primorosa. Tudo leva a crer que fora adquirido numa dessas passagens por Bezerros de um agente da Boa Imprensa de Portugal. Foi nesse livrinho que eu trazia aos domingos no bolso do palitó e todos os dia levava para a missa, que, pela primeira vez, descobri o drama da Paixão de Cristo no Salmo 21 (“Meus Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” ). Lia-o muitas e muitas vezes com os olhos rasos dágua. Foi, através desse livrinho, o meu primeiro contacto com a Bíblia. Foi através dele também que descobri a riqueza da Missa, a beleza da devoção a Nossa Senhora e aos Santos, coisa que eu já sabia e o devocionário me ajudou a compreender melhor. Até que um dia... Após a oração da noite no sábado, eu o deixei no banco, no lugar que eu ocupava, não sabendo que, no domingo de madrugada a igreja ficava cheia com o povo da Paróquia de Lagoa Seca. Quando nos dirigimos à igreja para a missa dos alunos, às 06:00 h, e que procurei meu devocionário... o canto mais limpo! Em 1962, já sacerdote, fui transferido para o Seminário de Ipuarana. Em contacto permanente com os paroquianos na sede e nas capelas, nunca deixei de indagar pelo livrinho de estimação. Quem sabe se não teria ido parar em alguma família que freqüentava a igreja do Convento? No próprio Convento eu busquei em todos os lugares onde ele poderia estar, sem resultado, desde a sacristia até a biblioteca, pois me informaram que talvez o sacristão tivesse recolhido antes da missa com o povo o que pertencia aos alunos.
Só me resta agora buscar, nos Sebos de Portugal, pela internet, o que hoje não deixaria de ser uma raridade bibliogáfica. Mas esqueci o nome do devocionário, o que dificulta a pesquisa mas não a torna impossível. Algumas característica do livrinho são inconfundíveis: por exemplo, a sua riqueza bíblica. O Salmo 21. Mas a internet jamais me devolverá a a dedicatória de Papai!!!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

FREI MATIAS TEVES E A CLASSE MÉDICA

OS 170 ANOS DA ASSOCIAÇÃO MÉDICA DE PERNAMBUCO FAZ-ME PENSAR EM FREI MATIAS TEVES, UM NOME QUE ENGRANDECE A ORDEM FRANCIOSCANA E A CULTURA NORDESTINA, SOBRETUDO PERNAMBUCANA. NO RECIFE, JÁ EM 1907, O JOVEM FREI MATIAS SE DESTACAVA JUNTO ÀS LIDERANÇAS ESTUDFANTIS DA ÉPOCA, QUE SE REUNIAM COM ELE NO CONVENTO DE SANTO ANTÔNIO, NA RUA DO IMPERADOR, NÃO SÓ PARA APRENDER ALEMÃO, MAS TAMBÉM PARA DEBATEREM IMPORTANTES TEMAS RELIGIOSOS E ROBLEMAS QUE AFETAVAM A VIDA SOCIAL DO RECIFE. FOI ASSIM QUE SURGIU O CENTRO CATÓLICO E A ESCOLA DE BELAS ARTES. NÃO QUE FOSSE ELE O ÚNICO FUNDADOR DESTAS INSTITUIÇÕES; MAS SEM ELE , TALVEZ NÃO TIVESSEM NASCIDO TÃO CEDO NEM TIVESSEM O DESENVOLVIMENTO QUE ALCANÇARAM.
UM DE SEUS CARISMAS ERA O QUE O LEVAVA A APROXIMAR-SE DOS MÉDICOS PARA AJUDÁ-LOS A SE POSICIONAR CRISTÃMENTE DIANTE DOS DESAFIOS QUE A PROFISSÃO ENCONTRAVA. FOI ASSIM QUE SURGIU A ASSOCIAÇÃO MÉDICA SÃO LUCAS, CUJA HISTÓRIA AINDA ESTÁ PARA SER CONTADA. FOSSE NO RECIFE , FOSSE EM CAMPINA GRANDE, FOSE NA BAHIA , VEMOS FREI MATIAS TEVES BRILHAR COMO CONFERENCISTA, FOCALIZANDO TEMAS DE PRIMEIRA GRANDEZA NA SOCIEDADE DE ENTÃO.
TRANSCREVO ALGUMA COISA DO QUE OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA VÊM PUBLICANDO SOPBRE OS 170 ANOS DA ASSOCIAÇÃO MÉDICA DE PERNAMBUCO, POIS QUERO CRER QUE FREI MATIAS NÃO PODE TER FICADO INDIFERENTE A ELA.
QUEM SABE SE NOS ANAIS DA ASSOCIAÇÃO NÃO VAMOS ENCONTRAR O NOME DE FREI MATIAS COMO CONFERENCISTA OU CONSULTOR EM QUESTÕES ÉTICAS?
O FATO DE SE ACHAREM SEDIADOS NA ILHA DO LEITE, ONDE SE ENCONTRA A RUA OU AVENIDA FREI MATIAS TEVES, O EMPRESARIAL ALBERT EINSTEIN, A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MEDICINA DE SPINELLI PACHECO JÚNIOR, HOSPITAIS E POSTOS DE SAÚDE, ANÁLISES PATOLÓGICAS, E SSOS MÉDICOS, HOSPITAL ALBERT SABIN, HOSPITAL DE OLHOS, HOSPITAL ESPERANÇA, QUEM SABE, REPETIMOS, SE NOS LEVAM A PENSAR QUE ISTO NÃO ACONTECE POR PURA COINCIDÊNCIA. ANTIGAMENTE A RUA FREI MATIAS TEVES FICAVA NAS IMADIAÇÕES DO CAMPO DO ESPORTE, SEM NENHUM RELEVO. MERECE ENCÔMIOS A INICIATIVA DE A TRANSFERIREM PARA A ILHA DO LEITE. E FRE MATIAS BEM QUE O MERECIA, POIS BOA PARTE DE SUA VIDA FOI DEDICADA À CAUSA MÉDICA.
Rua Oswaldo Cruz, 393 - Boa Vista - Cep: 50.050-220 - Recife / PE
Fone: 0XX-81-3423-5473 - Fax: 0XX-81-3423-6186 - E-mail: somepe.ampe@hotmail.com ASSOCIAÇÃO MÉDICA DE PERNAMBUCO
Filiada à AMB
170 anos da Associação Médica de Pernambuco
Pernambuco tem história. Não só a história da resistência ao estrangeiro no século 17. Ou a história da insubmissão pelo ideal republicano no século 18. Ou a história da revolução pela tese federalista no século 19.
Pernambuco tem história também por suas instituições científicas e sociais. O Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano – IAHGP foi fundado em 1862. O Diário de Pernambuco é mais que sesquicentenário. E a Associação Médica de Pernambuco funcionou a partir de 1841.
Na medicina, por exemplo, Pernambuco tem o que contar. Porque produziu, desde aquela época, e continua a produzir contribuições expressivas a sua gente. Desde as políticas sanitárias e de infraestrutura, com Otávio de Freitas, até a política antecipatória de psiquiatria social de Ulysses Pernambucano. Passando pela vocação de pesquisa nutricional de Nelson Chaves e o espírito empreendedor com Fernando Figueira.
É uma história rica do ponto de vista de visão científica em avanços que foram feitos nas políticas de saúde por Amaury de Medeiros. Como também de prática terapêutica em medicina tropical por Ruy João Marques. O conjunto dessas contribuições forma um painel que projeta a ciência para destino socialmente legítimo.
Esta construção está contada na edição da Associação Médica de Pernambuco, 170 anos de História e Contribuição Social, pela Editora Universitária. São doze textos de profissionais da medicina que descrevem os Primórdios, por Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque; o desempenho da antiga Sociedade de Medicina, por Miguel Doherty e Waldenio Porto; o roteiro dos Congressos Médicos, por Claudio Renato Pina Moreira; a entrega da medalha Maciel Monteiro, fundador da Associação, por Gildo Benício; o registro da Sociedade dos Internos por Gilson Edmar Gonçalves e Silva e Nair Cristina de Almeida; a imprensa médica por Geraldo Pereira; a Associação no cenário nacional por José Luiz do Amaral; a Sociedade de Medicina, em tempos recentes, por Jane Lemos, José Falcão e Sílvia Costa Carvalho; a relação com o CREMEPE por Helena Maria Carneiro Leão; a relação com o sindicalismo médico por Silvio Sandro Rodrigues; e a interface com instituições médicas no Estado por Assuero Gomes.
O livro, que será lançado em dezembro de 2011, é um documento que olha o passado e lança o futuro. Pelas lições de fazer que ele contém. Escrita por profissionais que souberam e que sabem o que cuidar das pessoas.
Luiz Otávio Cavalcanti
Rua Oswaldo Cruz, 393 - Boa Vista - Cep: 50.050-220 - Recife / PE
Fone: 0XX-81-3423-5473 - Fax: 0XX-81-3423-6186 - E-mail: somepe.ampe@hotmail.com

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

GENEALOGIA BEZERRENSE

FRANCISCO XAVIER DE LIMA E A ÍNDIA - POR QUE NÃO?
Continuação, 21-12-2011.

O PRECONCEITO RACIAL E SOCIAL CONTRA O ÍNDIO

Estive, na década de 60, em Algodão, município de Remígio (PB), para conhecer a Pedra do Caboclo. Foi lá que a polícia de Areia provocou um genocídio que ficou esquecido dos historiadores. Os remanescentes indígenas (em sua reserva!) foram massacrados pela polícia do brejo de Areia: os que escaparam dos tiros, morreram de fome dentro da Pedra. Para as autoridades eram ladrões, pois tiravam o que não era seu. Na verdade, para não morrer de fome, recorriam, às escondas, ao “furto”.
Conversei com um senhor de lá que, na juventude, conseguiu penetrar na loca onde encontrou, na areia, cerca de umas 60 rótulas dos joelhos daqueles que morreram à míngua.
Peço vênia à Prof.ª Dr.ª. Carla Mary S. Oliveira, Coordenadora do PPGH-UFPB (biênio 2011 / 2013), Departamento de História, Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa / PB, que tive o prazer de conhecer em visita a nosso Convento de Ipojuca em companhia de seu namorado, o Prof. Antônio Carlos, para registrar nesta postagem o que me disseram sobre a Pedra do Caboclo: também estiveram lá e confirmam o que acabei de dizer sobre o genocídio daquele remanescente indígena. Seu namorado disse-me ter conseguido descer pela abertura da Pedra, confirmando a versão que ouvi do senhor sobre o qual falei anteriormente.
Pergunto eu agora: se, ao invés de terem sido caboclos as vítimas do genocídio, fossem quilombolas, teriam caído no ostracismo? Creio que não. Teria acontecido o mesmo que se dá em Alagoas com os negros de Zumbi dos Palmares na Serra da Barriga, em União dos Palmares: estariam imortalizados, passariam ao calendário nacional com dia próprio: o Dia da Consciência Negra.
Já dos remanescentes indígenas de Alagoas, pouco se fala.
Vejamos o mais conhecido, em Palmeira dos Índios / AL,
nome: Xucuru-Kariri - Fazenda Canto
etnia: kariri
língua falada: tupi guarani
cacique: não consta ((!)
reconhecida desde: não consta (!)
população: 499 indivíduos (Censo Funai 2000 !)
endereço: Zona Rural de Palmeira dos Índios
contato: não consta (!)
localização: Palmeira dos Índios - Alagoas - Região do Sertão.
histórico: Os Geripancó são da etnia kariri, como a maioria das tribos indígenas em Alagoas. Possuem 1 escola com 144 alunos e 5 professores que ensina a cultura da tribo para os mais novos.
Pensemos em Jorge de Lima, um dos maiores poetas do Brasil, autor de “Essa negra Fulô”: quais das jovens brasileiras não gostariam de ser “Essa negra Fulô” ?

E o nosso Gonçalves Dias? Já universalmente conhecido como poeta e homem público, volltou do Rio a sua terra, Caxias, no Maranhão, para rever a jovenzinha Ana Amélia, pela qual se apáixonara há anos atrás, encontrando-a, desta vez, em, 1852, mais bela ainda, em pleno viço da juventude, um encanto de mulher, a quem dedica os mais lindos poemas (uma destas poesia ela gravou com o próprio sangue em cartão especial!). Resolve pedi-la em casamento. O que ambos temiam aconteceu: malgrado toda a consideração que aquela família lhe dedicava, venceu o preconceito de raça e de casta: a família dela, graças à ascendência mestiça do escritor, rejeitou com vigor o pedido.
O poeta e a amada sofreram a vida toda as conseqüências daquela refutação. Ele morreu solteiro; ela casou, mas sempre lhe lançava em rosto o que consioderava uma covardia.
Sabemos quie Gonçalves Dias era fruto de uma união não oficializada de um português e de uma cafusa brasileira. Ele se gloriava de ter em suas veias o sangue das três raças produtoras do povo brasileiro: branca, indígena e negra.

Um dos grandes poemas da literatura de Língua Portuguesa é o “I-Juca-Pirama” (aquele que deve morrer) de Gonçalves Dias.
O negro, o africano, não deviam morrer. A nação precisava deles.

A raça indígena há muito fora condenada à morte. Hoje, com que dificuldades não se luta para preservar o espaço aos remanescentes indígenas! Basta darmos uma olhada na Internet para nos convencermos de quanto estamos longe de chegar àquela terra sem males sonhada pelos indos das Américas?

Em minha família existe, camuflado, o preconceito de cor contra os negros. No que toca à nossa ascendência indígena, vem preservada com orgulho pelos cavalcanti, albuquerque, arcoverde ... Minha avó materna se gloriava
de ser parenta do Cardeal Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti.

Já em se tratando de algum ascendente negro... Minha saudosa tia Marieta, vendo-me pesquisar a genealogia da família disse-me certa vez: - Miltinho pensa quie vai encontrar algum antepassado nosso negro. Pode ficar certo que os morenos da família vêm dos índios.
Foi ai que meu primo Geraldo Amorim se saiu com esta:
- Agora sei de onde vem essa minha preguiça!
Então perguntei a Mamãe: - A senhora gostaria que eu encontrasse sangue negro em nossa família?
Ao que Mamãe foi logo respondendo:
- Eu preferia que fosse sangue indígena!

Por volta de 1960, os frades de Triunfo / PE estavam preparando um menino índio que aparecera na cidade, vindo talvez da tribo dos fulni -ô de Águas Belas / PE.
Houve na cidade quem fizesse medo ao garoto, dizendo que, na hora do batismo, ele seria obrigado a comer um quilo de sal. O menino fugiu, ninguém sabe para onde.
Será que teriam feito isso se ele fosse negro? Não, pois sempre havia batizado de negros.
Em Gravatá do Cumbe, Paróquia de Lagoa Seca / PB, descobri um cemitério de índios. Eram vários montículos de barro tão duro que nem de picareta conseguimos quebrar. Vi logo que não eram formigueiros como alguns pensavam. Não sofre dúvida de que eram sambaquis, guardando no seu interior os potes com as múmias ou os ossos dos falecidos. Quando falei nisso, pareceu-me que não me deram crédito. Não estava vendo que aquilo não era terra de índios?
Encontrei restos de cerâmica, alguns com pintura. Disseram-me logo que eram louças dos antigos escravos.
Na África já havia a escravdão. As tribos competiam entre si, procurando se avantajar nesse comérci0. A escravidão era vista aqui no Brasil como coisa muito natural. Isso não fazia vergonha.
Uma das obras de Vito Hugo "Os Trabalhadores do Mar" foi traduzida por Machado de Assis. Basta isso para atestar a importância do livro. Na apresentação que redigiu em 1866, escreve Vito Hugo: "A religião, a sociedade, a natureza: tais são as três lutas do homem. Estas tyrês lutas são ao mesmop tempo as suas três necessidades: precisa crer (...), precisa criar (...). precisa viver (...). Mas há três guerras nestas três soluções. (...) Tríplice fatalidade pesa sobre nós: a fatalidade dos dogmas, a fatalidadfe das leis, a fatalidde das coisas.
.
“Na Notre-Dame de Paris, o autor denunciou a primeira; nos Miseráveis, mostrou a segunda; neste livro (Os Trabalhadpores do Mar), indica a terceira. A estas três fatalidades que envolvem o homem, junta-se a fatalidade interior, a fatalidade suprema, o coração humano.”
Isto quer dizer que a vida é um grande desafio, ou como diz muitas vezes um dos personagens de Grande Sertão - Veredas, de Guimarães Ross, viver é perigoso.
Mas voltemos a Vito Hugo no mesmo livro.
Quando o velho Reverendo Dr. Jaquemin Herodes comparece no escritório da Durande com o fito de apresentar aos notáveis, especialmente a Mess Lethierry, seu sucessor na paróquia, o Reverendo jovem Padre Ebenezer Caudray, estabelece-se uma conversa entre o empresário da Durande e dois Reverendos Padres que representavam a Alta Igreja “que é mais ou menos um papismo sem papa”. “O Dr. Jaquemin Herodes era desse matiz anglicano, que é quase uma variação romana”. Aferrado à letra da Bíblia, o Reverendo Herodes manifesta pesar pela tragédia do naufrágio que destruíra, como pensavam, o navio a vapor Durande, apontando, ao mesmo tempo, para os desígnios da Providência Divina que sabe tirar o bem do que nos parece um mal. Ao mesmo tempo, sugere se empregue o capital restante da Durande num negócio que ele, o Dr. Reverendo abrira: “empregara capitais em uma magnífica operação que se realizava em Sheffield; se Mess Lethierry, com os fundos que lhe restavam, quisesse entrar nesse negócio, podia fazer a fortuna; era um grande fornecimento de armas ao czar pra reprimir a Polônia. Ganharia 300 por cento.
Estamos agora chegando ao âmago da questão:
“ A palavra czar pareceu despertar Lethierry, que interrompeu o Dr. Herodes:
- Não quero nada com o czar.
- Mess Letjhierry, os príncipes são aceitos por Deus. Deus escreveu: Dai a César o que é de César.
Lethierry, meio absorto na cisma, murmurou:
- Quem é César? Não conheço.
O Reverendo Herodes continuou a exortação. Não insistiu por Sheffield. Não aceitar César era ser republicano. O Reverendo compreendia que um homem fosse republicano. Nesse caso, compreendia que Mess Lethierry se voltasse para uma república. Mess Lethierry podia estabelecer a fortuna nos Estados Unidos, melhor do que na Inglaterra. Se quisesse decuplicar o que lhe restava, bastava-lhe tomar ações na grande campanha de exploração das plantações do Texas, que empregava mais de 20000 negros.
- Não quero nada com a escravidão, disse Lethierry.
- A escravidão - replicou o Reverendo Herodes – é de instituição sagrada. Está escrito: “Se o senhor bater o escravo, nada lhe será feito, porque bate o seu dinheiro”.
“(...) o Reverendo Ebenezer aproximou imperceptivelmente a sua cadeira da cadeira do Reverendo Jaquemin, e disse-lhe de modo que não fosse ouvido senão por ele::
- O que este homem diz é-lhe ditado..
-Por quem? – perguntou no mesmo tom o Reverendo Herdes.
- Pela consciência.
O Reverendo Herodes meteu a mão no bolso, tirou um grosso volume em 18.º, encadernado com fechos, pô-lo na mesa e disse em voz alta:
- A consciência é isto.
O livro era a Bíblia.”

E vai por aí...

Com esta postagem encerramos a assunto do silêncio testamentário de Dona Theresa de Jesus sobre a adoção da filha de um índia na família.
São muitas as questões que surgem em torno disto, todas elas merecedoras de consideração.
Chegamos quase a esgotar o assunto, colocando-nos favorável à tese da adoção.
O testemunho da tradição oral não pode mentir.
Apelamos para a fatalidade suprema do coração humano (Vito Hugo).
O coração tem razões que a razão desconhece (Pascal: Penssées).


Os grifos são nossos.