quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A PARÓQUIA DE SÃO MIGUEL
E O CONVENTO SANTO ANTÔNIO DE IPOJUCA
(PEQUENO HISTÓRICO)

A Paróquia de São Miguel de Ipojuca é uma das mais antigas de Pernambuco. O historiador franciscano Frei Venâncio Willeke, acha que há boas razões para se supor que já existia por volta de 1580.
O Convento de Santo Antônio de Ipojuca foi fundado em 1606, mas o lançamento de sua primeira pedra se deu em 1608.
Durante a Guerra Holandesa tanto a Paróquia como o Convento estiveram sob o poder do protestantismo radical calvinista. Muitos frades e leigos morreram em defesa da Fé e da Pátria.
Em 1645, foram expulsos de Ipojuca pela ação heróica dos ipojucanos, tendo à frente Amador Araújo. O Convento foi restituído aos frades.
O Convento é também Santuário do Senhor Santo Cristo desde 1663, ano em que chegou de Portugal a imagem milagrosa do Senhor Bom Jesus, uma das mais antigas do Brasil.

O PAROQUIATO FRANCISCANO

No final do século XIX, o Convento de Ipojuca estava abandonado e em ruínas, sem nenhum frade, isto devido à política imperial contra os religiosos no Brasil. Com a República e a separação entre Igreja e Estado tornou-se possível a restauração da Província Franciscana de Santo Antônio. Com a chegada dos frades alemães mandados pela Santa Sé uma vida nova começou a surgir em Ipojuca. Em maio de 1895, o Senhor Bispo Dom Manuel dos Santos Pereira entregou a Paróquia de São Miguel aos franciscanos com esta palavras: “Agora tomai conta da pior freguessia de Pernambuco.”
O primeiro vigário Franciscano foi Frei Adalberto Kirschbaum.
Seu primeiro trabalho foi restaurar o Convento e a igreja do Livramento que funcionava como matriz.
Fundou no mesmo ano de 1895 uma Escola Paroquial para meninos e outra para meninas, com freqüência de mais de 100 alunos. O Convento contava com vários sacerdotes copperadores, com cerca de vinte estudantes franciscanos que também serviam na pastoral e vários Irmãos leigos que trabalhavam como marceneiros, mecânicos, enfermeiros.
Pregavam-se missões e desobrigas nas povoações, praias e engenhos. Em 1909, já havia o Aposlolado da Oração em Ipojuca, em Nossa Senhora do Ó, Camela, Gaipió e Engenho Maranhão.
Havia Ordem Terceira de São Francisco, Filhas de Maria, Vicentinos.
Em Ipojuca as principais festas eram as do Senhor Santo Cristo, do Coração de Jesus e de São Miguel. Em Nossa Senhora do Ó, a do Coração de Jesus e do Rosário.
A 06 de janeiro de 1897, o Vigário frei Adalberto Kirschbaum instalava a Associação do Apostolado da Oração da Paróquia de São Miguel , após meses de preparação dos paroquian0s para que entendessem o significado daquela devoção. Mandou buscar na Alemanha uma linda imagem do Coração de Jesus que foi benta no dia da instalação. Em breve voltaremos ao assunto.
A 06 de janeiro de 2012, ocorrerá os 115 anos da fundação do Apostolado de Ipojuca. Está sendo pensada pelo pessoal do Apostolad0 da Oração para janeiro de 2012 uma belíssima Festa comemorativa do evento.
Após quatro anos da entrega da Paróquia aos Franciscanos, o Sr. Bispo, desta vez, já falou diferente: “Agora estou diante da melhor freguesia de Pernambuco!” .
De lá para cá, tem sido longa a caminhada. Uns semeando, outros colhendo, mas é Deus quem faz crescer a messe.
Sigamos a advertência de Jesus: “A colheita é grande e poucos os operários. Pedi ao Senhor que mande operários para a sua messe!”

Fonte: "1º Livro de Crônica do Convento de Santo Antônio de Ipojuca".

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

RIO DOCE - OLINDA
APOSTOLADO DA ORAÇÃO
NA CAPELA DE SANTANA
O Apostolado da Oração na Capela de Santana do Rio Doce teve início a 5 de outubro de 1888.
Era uma 1ª Sexta-Feira do mês.
A Santa Missa foi celebrada pelo Cônego Dr. José Gil Vaz diante de um quadro do Sagrado Coração de Jesus que ele comprara para a Associação do Rio Doce.
Estava presente Maria Claudina da Trindade Gitirana, Vice-secretária diocesana do Apostolado da Oração.
O Padre José Gil Vaz, Vigário da freguesia de São Pedro de Olinda, dava assistência à Capela filial do Rio Doce, que funcionava como se fosse uma pequena Matriz.
Com que cuidado ele reparou os paroquianos daquela periferia praieira para aquele dia festivo!
Nodia 22 de julho nde 1888, faz a primeira pregação sobre o Sagrado Coração de Jesus.
No mês seguinte (dia 12 de agosto), voltou ao tema. Os primeiros interessados a ingressar nas fileira do Apotolado se apresentaram: eram 32 pessoas.
No dia 15 todas elas já foram alistadas no Apostolado da Oração do Recolhimento Nossa Senhora da Conceição de Olinda.
Vemos que Rio Doce ficava como um núcleo do Apostolado que tinha a sua sede naquele convento hoje das Dorotéias.
Um mês depois (23 de setembro), o Padre Gil Vaz se oferece para ficar celebrando às Primeiras Sextas-feiras no Rio Doce, indo de véspera para as confissões.
E foi assim que no dia 5 de outubro dem1888 se inaugurou a Associação do Apostolado da Oração do Rio Doce na Capela de Santana como já vimos.
No dia 3 de julho de 1890
já aconteceu a festa da Primeira Comunhão: eram 46 crianças bem preparadas que recebiam Jesus na Eucaristia, em missa festiva com a presença do Diretor Diocesano Cônego Dr. Francisco do Rego M. e do Cônego José Gil Vaz, Vigário de São Pedro Vice-Diretor Diocesano do Apostolado da Oração.
É bom lembrar que a viagem da sede para Rio Doce se dava a pé ou a cavalo, e, sendo Inverno, tinha-se de suportar muita chuva e atravessar muitos riachos. Casa Caiada era considerada sítio de Olinda, Rio Doce, povoação.
Isto consta do 1º Livro de Atas do Apostolado da Oração da Capela de Santana do Rio Doce (Arquivo do Convento Franciscano de Olinda).
Podemos concluir dizendo que a Igreja Católica no Bairro do Rio Doce de Olinda, nasceu com e na Capela de Santana.
EM TEMPO: NA OBRA DE FREI BONIFÁCIO MÜLLER "OLINDA E SUAS MIGREJAS" CONSTA QUE O PADRE JOSÉ GIL VÁ S ERA JESUÍTA (SJ). TUDO LEVA A CRER QUE JÁ ERA UMA TRADIÇÃO DA IGREJA EM PERNAMBUCO E TALVEZ NO BRASIL, CONFIAR O APOSTOLADO DA ORAÇÃO À ORDEM JESUÍTA.
CONSTA NO ARQUIVO DA PROVÍNCIA FRANCISCANA UMA LISTA COM OS CLICHÊS QUE FREI BONIFÁCIO MANDOU À EDITORA DO SEU LIVRO ENTRE OS QUAIS FIGURA FOTO DO PAREM GIL VAZ, SJ. COMO NO MOMENTO NÃO TENHO ACESSO À OBRA, NÃO POSSO AFIRMAR QUE FIGURE NA EDIÇÃO IMPRESSA.


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

CAPELA DE SANTANA DOM RIO DOCE

SEMENTES QUE DERAM FRUTO

OFÍCIO DIVINO DAS COMUNIDADES - A semente lançada por Fre Angelino Feitosa brotou e permanece em pleno vigor, assumida pela Comunidade. Diariamente, de Segunda a Sábado, a capela de Santana abre suas portas, à luz do sol que entra do mar, para a recitação do Ofício Divino das Comunidades. Sempre um bom número de pessoas comparece ao canto dos Salmos, às leituras, à contemplação e às preces que se seguem à aurora de um novo dia
AS SANTAS MISSAS - Devido à saúde do Capelão Frei Humberto Brügger que não lhe permite mais continuar no mesmo rítimo as atividades que antes exercia a todo o vapor, a Liturgia Eucarística ficou reservada às 17:oo horas dos Sábados e Domingos, sempre bem participada pelos do Rio Doce e de fora.

ESTUDO BÍBLICO - Por dez anos, aproximadamente, vinha sendo ministrado pelo Senhor José Paiva Cavalcanti o Estudo Bíblico na Capela de Santana. Continua, às Segundas-Feiras, às 20:oo horas, com o Sr. Gilberto, que se prepara para o Diaconato Permanente.

ADORAÇÃO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO - Todas as Quintas-Feiras, às 16 horas, continua a Adoração do Santíssimo na Capela de Santana. A consciência de que a Eucaristia é o centro em torno do qual se constrói a vida cristã está bem viva nas pessoas que participam da adoração.

TERÇO DOS HOMENS - Há cerca de 4 anos semanalmente , todas as Quintas-Feiras às 19:30 horas, a Capela abre as portas para o Terço dos Homens.

CATEQUESE - Quando Frei José Milton administrava a Capela de Santana, o movimento catequético se desenvolvia com a participação do jovem catequsta Antônio Carlos da Costa Pessoa, estudante universitário que se dedicava com muito zelo à catequese na Capela de Santana. Devido aos estudos ele não poude continuar à fente da catequse, passando-a à senhora Ademir. Após o falecimentode Dona Ademir, não hou mais catequese infantil na Capela do Rio Doce. A Capela contou também por muito tempo com o trabalho catequético da jovem Vera (sobrinha de Edméa e Nilze) e de Dolores. Não se pode esquiecer o empenho do Dr. Mário Fonsecva e sua esposa Dona Cláudia, ambos falecidos, em preparar todos os anos, para a Primeira Eucaristia, os meninos de rua, ou melhor, de praia, sempre com uma bonita festa na Capela de Santana.

GRUPO DE JOVENS - A Capela de Santana sempre contou com um bom grupo de jovens, acompanhado pelos frades estudantes de Olinda.

O "AA" - Continua a funcionr na escola da AMO, fazendo um grande bem às vítimas do alcoolismo. Foi trazido para a Capela de Santana a pedido de Frei José Milton. Como Vigário de Campo Grande, ofereceu espaço na sede e nas capelas para o0 AA e viu o benefício que disto veio para a comunidade paroquial. Em Rio Doce, funcionou a princípio na própria Casa; depois se pssou para a escola da AMO onde continua até hoje.

A FESTA DE SANTANA - No mês de julho, "Mês de Santana", apesar do tempo sempre chuvoso, celebrava-se com Tríduo preparatória a festa da Senhora Santana, concluída com Missa festiva e procissão. Havia sempre uma pequena festa com atrativos para as crianças , principalmente "pescaria" e sorteios. Quem pode esquecer a animação que trazia o palhaço Arco - Íris (Flávio)?

O ZELO PELA CAPELA - Nunca cairá no esquecimento o zelo da comunidade do Rio Doce pela sua Capela. A dedicação de Isabel Holanda, grande colaborad0ra de Frei Osvaldo Linn no apostolado do Rio Doce: sua canpanha permanente de orações pelas vocaçõe fanciscanas, seu cuidado pelo canto, pelos objetos de piedade, e pelas finanças da capela.
Já antes dela, quase como uma "obra dos tabernáculos", Edméa e sua irmã Nilze cuidavam dos paramento, toalhas e paninhos da Liturgia, sem nenhuma remuneração financeira, gastando muitas vezes do seu próprio bolso. Aida hoje Edméa (Méa) colabora com Helena, outra que há anos cuida da Capela como verdadeira sacristã.

O SENHOR NATANAEL E A PRAÇA DE SANTANA - Em vez de Praça Marcílio Dias, herói desconhecido de nossa gente, a praça da igreja deveria ter sido chamada como ainda hoje muitos a denominam, Praça de Santana. Responsável por sua beleza, é o senhor Natanael, que o dia todo, espontaneamente, dela cuida, não recebendo por isso um tostão de recompensa. Não faltaram promessas de conseguir junto à prefeitura de Olinda, fosse ele contratado como seu funcionário. Até hoje, tudo deu em nada. Já saiu em página de jornal seu admirável trabalho, mas, dinheiro que é bom... O senhor Natanel mora em Rio Doce, primeira etapa (se não nos falha a memória). Telefone para comunicação: (081) 34.31-15.06. Ele executa esse trabalho como um serviço prestado à comunidade para compensar tanto tempo perdido na vida com o que não era bom..., disse-me certa vez. Um Apóstolo Anônimo! Que exemplo para nós!
Por ora é só.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

CAPELA DE SANTANA DO RIO DOCE



CAPELA DE SANTANA HOJE

Frei Humbertto Brügger, OFM, preside a celebração. Veja na Internet (pesquisa Google: "Fr. Humberto Brügger e o Pai Nosso cantado na Capela de Santana do Rio Doce em Olinda").
Em estilo barroco, a Capela de Santana, na Praça Marcílio Dias, orla marítima de Olinda, consta no calendário turístico de Olinda, como parte integrante DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DA HUMANIDADE, que é Olinda, assim declarada em 1982. A Capela foi restaurada na década de 1990 pelo Centro de Preservação dos Monumentos Históricos de Olinda, voltando à sua feição 0 quanto possível original . Percebeu-se que a capela primitiiva era menor. Forma um conjunto arquitetônico com a casa anexa.
RIO DOCE NA INTERNET

Vale a pena consultar a Wikipédia para se ter uma idéia do Rio Doce hoje:
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Rio Doce
— Bairro —
Distrito
RPA 10
Cidade
Olinda
Área
- Total
3,09 km2
População
- Total
44 176 UNIQ62 001fbd41a01f9-ref-00 000 000-QINU

Rio Doce é o mais populoso bairro da cidade de Olinda, no estado brasileiro de Pernambuco.
Rio Doce, integra a 10ª Região Político-Administrativa – RPA 10. É dividido em 6 partes. Jardim Rio Doce, que tem seu início após o antigo hotel Quatro Rodas até a ponte do Janga, onde está localizado o 1º BPM-PE, e toda a extensão de praia também conhecida como praia de Rio Doce. Ao chegar na ponte do "Rio Doce" próxima à antiga Telemar temos início as divisões que foram feitas conforme o bairro foi crescendo, sendo essas divisões denominadas etapas, ficando assim conhecidas como 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, e 5ª etapa. A feira de Rio Doce fica localizada na 1° Etapa, sendo bastante conhecida e freqüentada pelos moradores do bairro e de bairros vizinhos. Em agosto de 2003, Rio Doce ganhou um Espaço Criança Esperança, na 3ª Etapa. Na 5ª etapa encontra-se o Terminal Integrado de Passageiros de Rio Doce.
Índice
[esconder]
1 Curiosidades do bairro
2 Colégios Particulares, Estaduais e Municipais
3 Blocos Carnavalescos
4 Espaço Criança Esperança Olinda
5 Ligações externas
6 Referências
//
[editar] Curiosidades do bairro
Um bairro de gente famosa, um bairro inspirador para vários artistas, entre os mais conhecidos temos Chico Science( EM MEMÓRIA ), que fez deste bairro sua inspiração e do mangue sua paixão, revolucionando a música brasileira, quando criou sua marca, seu estilo, o Manguebeat, juntamente com Jorge Do Peixe, tornando-o conhecido e respeitado internacionalmente. É berço de alguns grandes jogadores de futebol, como Biro-Biro, Chiquinho ( ex Sport , Vasco da Gama ), Nasa ( ex America Recife(Goleiro), Ferroviario CE, Vasco da Gama ), Lucio (ex Unibol, Ituano, Palmeiras, São Paulo, Gremio) atletas importantes que fizeram história no futebol brasileiro. Os times, Flamenguinho, Atlético, Palmeirinhas, Revelação, Corinthians que sempre fizeram a alegria dos amantes do futebol nos finais de semana. E ainda podemos citar outras maravilhas deste bairro grandioso, as quadrilhas juninas, Pisa no Espinho, Tio Chico, Tio Barnabé, Palmeirinhas, Flor do Abacate, Pau em Pé, Forró Moderno, Unidos no Arraial, Gaiola das Loucas (essa era bem irreverente). Rio Doce também ficou conhecido pelo glamour do desfile de 7 de setembro, onde vários colégios de Olinda e Recife se apresentavam fazendo daquele dia um dia especial para pais, alunos e professores.

Espaço Criança Esperança Olinda

Com a chegada do Espaço Criança Esperança Olinda em Rio Doce, acrescentou-se diversificação no bairro, tendo em vista que educa jovens e crianças, e conta com capacitação na área de informática. Alunos do Núcleo de comunicação, hoje já atuam no espaço e multiplicam as habilidades aprendidas, propiciando que se aprimorem na àrea e aspirem crescimento técnico, inclusive visualizando o ensino superior como uma alternativa educacional.
Vale lembrar que o famoso Chico Science freqüentou o catecismo de Frei Ademir na Paróquia de São Francisco do Rio Doce, que Frei José Milton procedeu a “encomendação” do seu corpo no Centro de Convenções e que sua missa de 7º Dia foi celebrada na Capela de Santana do Rio Doce, freqüentada assiduamente por sua devota mãe!

UMA PERGUNTA QUE FAZ SENTIDO:

O ESPAÇO CRIANÇA ESPERANÇA OLINDA, não teria sido um dos frutos cujas sementes foram lançadas a partir da Capela de Santana do Rio Doce? Das pregações e reflexões tão freqüentes sobre a situação das crianças “ratos de praia” do Rio Doce? Da catequese dessas crianças vindas das periferias de Olinda e que encontravam acolhimento na Capela e nas casas, como na residência do Dr. Mário Fonseca e esposa, de saudosa memória?
Fique a pergunta no ar para nossa meditação.

sábado, 22 de janeiro de 2011

A CAPELA DE SANTANA DO RIO DOCE



CAPELA DE SANT´ANA E CASA









1. RIO DOCE – HISTÓRIA
Curta mas gloriosa a história do Rio Doce (Olinda). Baseio-me em Pereira da Costa, Anais Pernambucanos, V (1701 – 1739), páginas 64 -66.
O rio Doce é pequeno rio que nasce em terras do engenho Conceição do Meio, no município de Olinda. Deságua no mar após sua confluência com o rio Paratibe.
Em 1629, prevendo-se uma invasão holandesa de Pernambuco, Matias de Albuquerque fez levantar uma fortificação à margem direita do rio Doce, junto à foz. Mas, diante da notícia que uma frota holandesa já havia passado por Cabo Verde, interrompeu as obras e levantou uma forte trincheira. Dela ficou encarregado o Capitão André Pereira Temudo. Aconteceu ainda em fevereiro de 1630 a invasão inimiga. Em sua passagem de Pau Amarelo para Olinda, a trincheira do rio Doce foi conquistada pelos holandeses após heróica resistência de André Pereira Temudo.
Matias de Albuquerque organizou então diversas estâncias ou presídios militares para evitar a comunicação dos holandeses com o Interior. Uma dessas estâncias situava-se no Rio Doce. Foi atacada ao amanhecer dom dia 16 de outubro de 1630 por um contingente de 400 soldados de infantaria e 14 batedores a cavalo. Os nossos resistiram bravamente, causando grandes perdas ao inimigo que achou por bem bater em retirada. Esta data devia ser comemorada com festa por Olinda!
Mas a povoação do Rio Doce só veio surgiu a partir da evacuação holandesa em 1654, “no próprio local em que foi situada a sua estância.”
Sabemos que, em 21 de junho de 1704, houve uma “Carta Régia, aprovando o ato do Governador Dom Fernando Martins Mascarenhas de Lencastro, mandando abrir uma finta popular, para com o seu produto construir uma ponte no Rio Doce, junto à sua foz no Oceano, facilitando assim o trânsito público pelo litoral. A ponte, efetivamente foi construída; mas, anos decorridos, arruinando-se e caindo, recorreu a Câmara de Olinda ao governo da Metrópole pedindo a sua reconstrução; nada, porém, conseguiu, como se vê da Carta Régia de 5 de dezembro de 1738, em resposta.”
Com o desaparecimento da ponte, a povoação do Rio Doce, que já alcançava certo relevo, começou a decair. “Em 1830, contava apenas 109 fogos [residências]; mas hoje, talvez, nem mesmo conte umas 200 casas”, escreve Pereira da Costa por volta das primeiras décadas do século XX.
2. A CAPELA
“A povoação tem uma Capela dedicada a Santana, fundada em 1782 por Elias Francisco Bastos e sua mulher D. Maria do Ó, para a qual constituíram eles o seu competente patrimônio, constante de um sítio de coqueiros na própria localidade, por escritura pública lavrada e 23 de janeiro do mesmo ano [1782], o que tudo consta do respectivo processo de ereção da capela, que encontramos no arquivo da Câmara Episcopal de Olinda”, escreve Pereira da Costa (páginas 64 – 65).
CONCLUSÃO
O historiador pernanbucano assim conclui o relato sobre o Rio Doce:
“As terras da localidade, porém, divididas em diversos sítios, que pertenciam ao patrimônio do Colégio de Olinda, dos padres jesuítas, foram confiscadas em 1765, com a expulsão dos mesmos padres, e depois vendidos em hasta pública pelo governo”(pag. 66).
Observemos, no entanto, que, ao ser construída a Capela de Santana, o sítio patrimonial de que foi dotada, já pertencia ao casal Elias Francisco Bastos e Maria do Ó.
3. A CASA E A CAPELA
A Casa anexa à Capla, forma um conjunto harmonioso com a mesma. Ambas são construções colonias setecentistas. Não sabemos em que época foram separadas.
Hoje, ambas fazem formam um complexo pastoral animado pelos francciscanos de Olinda e Recife. Há anos que tem à frente, como Capelão, Frei Huberto Brügger. OFM. Dele Frei José Milton acaba de receber um e-mail que aqui trancreve com a sua resposta:
From: fhbrug@hotmail.comTo: freimiltoncoelho@hotmail.comSubject: Pedido de algumas informações. Date: Thu, 20 Jan 2011 23:39:57 +0300
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Frei José Milton:
Paz e Bem!
Desculpe que estou perturbando a sua vida tranqüila de Ipojuca, mas preciso de algumas informações.
Houve uma troca das casas na década de 70. Nesta troca está também incluída a entrega da capela aos frades? A capela é nossa? Existem alguns documentos que falam sobre a doação ou entrega da capela? Na década de 80 houve uma reforma da capela e você intermediava com o Patrimônio. A capela é tombada?
O convento de Olinda tomava conta da casa, pelo menos nos últimos anos, porque então não da capela? Quem tinha durante o seu tempo a administração da capela e quem instituiu a administração atual?o da capela e quem instituiu a administraçlo menos nos ultimos
Como historiador você me pode dar talvez informações mais exatas. Ainda, uma vez, desculpe pelo este incômodo e, antecipadamente, meu agradecimento.
Frei Humberto, OFM.

RESPOSTAS DE FREI JOSÉ MILTON
1)PREZADO FREI HUMBERTO:

O QUE EU SEI SOBRE A CAPELA DE SANT´ANA E A CASA:
A CAPELA SEMPRE FOI DOS FRADES, A PATIR DA CHEGADA DOS ALEMÃES RESTAURADORES DA PROVÍNCIA DA SAXÔNIA:. CONSTA NO ARQUIVO DO CONVENTO DE OLINDA UMA DECLARAÇÃO ASSINADO PELO PROVINCIAL FREI CORNÉLIO NEISES (1926 A 1931) QUE O SENHOR ARTUR LUNDRIGEN FEZ DOAÇÃO DA CAPELA AOS FRANCISCANOS DE OLINDA.
ENCONTREI UM LIVRO COM ATAS DO APOSTOLADO DA ORAÇÃO PERTENCENTE À CAPELA (COM DATA, SE NÃO ME FALHA A MEMÓRIA, MAIS OU MENOS DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX, EM QUE CONSTA QUE A CAPELA TINHA A ASSISTÊNCIA RELIGIOSA DA PARÓQUIA DE SÃO PEDRO DE OLINDA, ÀS PRIMEIRAS SEXTAS-FEIRAS DE CADA MÊZ, COM INTENSO MOVIMENMTO RELIGIOSO. HAVIA CATEQUESE, AS CATEQUISTAS SE MOVIMENTAVAM COMO VERDADEIRAS MISSIONÁRIAS PARA AS CAPELAS VISINHAS (POR EXEMPLO) CONCEIÇÃO DOS MÉDICOS (OU DO MÉDICO?), MARIA FARINHA, MARANGUAPE. A FESTA ME PARECE QUE ERA DO CORAÇÃO DE JESUS, À QUAL COMPARECIA O SR. BISPO, ENCERRANDO-SE COM TE DEUM COM MÚSICOS DE FORA. DAS ÚLTIMAS REUNIÕES DO APOSTOLADO DA ORAÇÃO JÁ PARTICIPARAM FRANCISCANOS RESTAURADORES, ENTRE ELES, FREI FERNANDO OBERBORBECK, EM 1904.000000000000000000000, O POVO AINDA HOJE GUARDA BOA RECORDAÇÃO DE FREI FILÓTEO SIEPMANN (QUE FOI PÁROCO DE OLINDA DE ABRIL DE 1923 A JUNHO DE 1925), QUE FALECEU FORA DA ORDEM, E MUITO SE DEDICOU À CATEQUESE DO RIO DOCE. PERGUNTE AOS MAIOS VELHOS (POR EXEMPLO, ÀS TIAS DE VERA, A DONA ZEFINHA, VIÚVA DE UM ANTIGO PESCADOR) QUE ELAS LHE DIRÃO COMO ERA ANIMADA A CAPELA NAQUELA ÉPOCA. AINDA HOJE HÁ PESSOAS QUE SE LEMBRAM DO DESABAMENTO DO CORO NUM DIA DE NATAL, DURANTE MISSA CELEBRADA POR FREI FERNANDO.
DIZEM QUE FOI UM MILAGRE NINGUÉM TER MORRIDO. QUANDO RESTAUREI O CORO, OS ENGENHEIROS OU ARQUITETOS DO CENTRO DE PRESERVAÇÃO DOS MONUMNTOS HISTÓRICOS DE OLINDA DESCOBRIRAM QUE A ESCADA DO CORO ORIGINALMENTE SE COMUNICAVA COM A CASA.
MAS A CASA SÓ PASSOU AOS FRANCISCANOS NO TEMPO EM QUE FREI OSVALDO LINN ERA RESPONSÁVEL PELA CAPELA. COMPROU-A A PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL, REPRESENTADA PELO MINISTRO PROVINCIAL FREI WALFRIDO MOHON, A 15 DE JANEIRO DE 1976, AO SENHOR JOAQUIM DE ANDRADE LIMA, PROCURADOR DE UM DOS LUNDRIGAN, A QUEM A CASA PERTENCIA. PAGOU-A COM O DINHEIRO RECEBIDO PELA VENDA DA ANTIGA CASA DOS FRADES À SENHORA DONA MAÍZZIA CAMINHA VIEIRA DE MELO, QUE A COMPROU PELA QUANTIA DE CR$50.000,00 (CINCOENTA MIL CRUZEIROS) . NESTA TRANSAÇÃO, O ADVOGADO DOS FRANCISCANOS FOI O DR ANTÕNIO PEDRO BARRETO CAMPELO E O DE DONA MAÍZZIA, O DR. SEVERINO BARBOSA MARIZ. A DOCUMENTAÇÃO SE PROCESSOU NO CARTÓRIO 8° OFÍCIO DE NOTAS DE HÉLIO COUTINHO. TRATAVA-SE DE UM PROCESSO DE CESSÃO DE DIREITOS DE BENFEITORIAS, SENDO A OUTORGANTE CEDENTE A PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL E A OUTORGADA CESSIONÁRIA MAÍZZIA C. VIEIRA DE MELO. ESTE FOI O CAMINHO ENCONTRADO PARA QUE A COMPRA E VENDA FOSSEM LEGALIZADAS UMA VEZ QUE OS FRANCISCANOS NÃO ENCONTRARAM DOCUMETAÇÃO DA COMPRA DO TERRENO ONDE CONSTRUÍRAM A SUA CASA A PARTIR DOS ALICERCES, TERRENO ESTE ADQUIRIDO A TÍTULO DE UMA DOAÇÃO VERBAL À SENHORA DONA MARIA ANA DA PAIXÃO, QUE MORAVA DE ESQUINA.
VALE SABER QUE DONA MAÍZZIA PAGAVA ALUGUEL A UM LUNDRIGAN PELA CASA ANEXA À IGREJA, MAS SÓ PASSAVA NELA ALGUNS DIAS DURANTE O ANO, QUANDO VINHA DE NAZARÉ COM SUA MÃE À PRAIO DO RIO DOCE. A CASA PERMANECIA FECHADA A MAIOR PARTE DO ANO. QUANDO FREI OSVALDO SOUBE QUE DONA MAÍZZIA ESTAVA TRATANDO DE COMPRAR A CASA DO LUNDRIGAN, LHE PROPÔS VENDER-LHE A DOS FRADES POR CR$50.000,00, JUSTAMENTE A QUANTIA QUE ELA IA PAGAR AO PROCURADOR DO LUNDRIGAN, E COM ESTE DINHIRO ADQUIRIR A CASA GRANDE ANEXA À IGREJA.
FOI BOM PARA DONA MAÍZZIA QUE JÁ SE PREOCUPAVA COM O TRABALHO QUE LHE DARIA UMA CASA TÃO GRANDE; E FOI BOM PARA OS FRANCISCANOS QUE SEMPRE SONHAVAM EM ADQUIRI-LA PARA OS FRADES E O SERVIÇO DA CAPELA.
DONA MAÍZIA CONTRAIU CASAMEBTO EM SEGUNDAS NÚPCIAS DELA COM O SR. JOÃO BATISTA. COM ELE VIVEU VÁRIOS ANOS NA ANTIGA CASA DOS FRADES QUE PASSOU POR UMA GRANDE REFORMA. ERAM MUITO ESTIMADOS EM RIO DOCE E PARTICIPAVAM ATIVAMENTE DA CAPELA DE DE SANTANA. FOI GRAÇAS A DONA MAÍZZIA QUE A IMAGEM DE NOSSA SENHORA DO SAGRADO CORAÇÃO FOI ARTISTICAMENTE RESTAURADA. POR MOTIVO DE SAÚDE DO SR. JOÃO BATISTA, MUDARAM-SE PARA OS AFLITOS ONDE HOJE VIVEM. A CASA AINDA LHES PERTENCE E SE ACHA ALUGADA.
RIO DOCE, UM DOS PRINCIPAISN CENTROS DOTRABALHO SOCIAL DOS FRANCISCANOS
PODEMOS DIZER QUE FOI DO TRABALHO SOCIAL DESENVOLVIDO POR FREI OSVALDO NA CAPELA DO RIO DOCE, NO AMARO BRANCO, NO AMPARO E NO JATOBÁ QUE NASCEU O HOSPITAL DO TRICENTENÁRIO. A ESCOLA DO RIO DOCE ERA NUM TERRENO QUE PERTENCIA AOS FRADES. PARTE DESSE TERRENO EU COMPREI PARA CONSTRUIR A ATUAL ESCOLA QUE ERA DIRIGIDA PELOS CASAIS QUE ME AJUDAVAM (PRINCIPALMENTE POR GODOFRED (FRADE FORA DO MINISTÉRIO) E ESPOSA. ESTA ESCOLA NÃO É DA PROVÍNCIA, MAS DA COMUNIDADE DA CAPELA DE SANTANA. PARA ISTO FOI CRIADA UMA SOCIEDADE, " AMMO" (ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DOS MENINOS DE OLINDA.) INFELIZMENTE O M. PROVINCIAL FREI AFONSO NÃO PERMITIU QUE NÓS REGISTRÁSSEMOS A ASSOCIAÇÃO PARA QUE FOSSE RECONHECIDA PERANTE A SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO.
Na manhã dia 07 de setermbro (?) de 1999, reuniram-se na Casa da Capela Frei José Milton e vários membros dfa comunidade de Santana, entre eles os casais Madalena e Aloísio, Fátima e Carlos, Conceição e Edmundo, Matilde e Antõniol e os senhores Cavalcanti, Ademir, Iomar com a finalidade de refletir sobre a realidade local, à luz da palavra de Deus, a partir de um trecho do Profeta Jeremias. Qual a culpa que temos nos fatos negativos de nossa realidade? Como amar concretamente? Como mudar as coisas com paciência e coragem? A importância da autenticidade de vida... A pedagogia de Cristo... A partilha dos valores... Cultura da participação...Como conseguir eficácia e eficiência na ação.... O papel da Muilher e da Juventude. Importância da Criança. Vimos a necessidade de criar, a partir do que tínhamos, as seguintes Diretorias: De Pastoral - de Relações Institucionais - de Administração - de Evangelização.
Foi de reflexões, estudos e oração que nasceu a AMMO e Escola.
Havia o projeto de construir dentro dos muros que, com ajuda financeira de Frei Beda, e aprovação do Governo da Província, Fr. José Miltou levantou ao redor do terreno doado pela Prefeiturta de Olinda à Província Franciscana de Santo Antônio, várias obras sociais me catequéticas, como por exermplo: sede para o AA, horta para o cultivo de verduras e plantas medicinais pelas crianças, um galpão para celebrações e eventos em dias de especiais... Tudo isso foi por terra com a transferência de Fr. José Milton para Penedo em princípios de 2000. O Visitador Geral tinha garantido à Comunidade que mesmo se acontecesse a transferência de Frei José Milton com o Capítulo a ter lugar em Ipuarana no mês de janeiro, o projeto Rio Doce não sofreria soluçao de continuidade, pois contaria com o apóio do guardião de Olinda. Tanto Frei José Milton como a Comunidade do Rio Doce ficaram muito contentes com esta perspectiva. O contrário foi o que sucedeu, chegando ao fechamento da Casa por muito tempo e a dispersão das pessoas realmente comprometidas com o trabalho e que esperavam a criação de um novo espírito comunitário na cansada Capela do Rio Doce. Mas quis a Providência Divina que uma nova vida surgisse das ruínas e a semente lançada (mas que não havia morrido) começasse a dar frutos, com a chegada de Frei Humberto Brügger. Fr. José Milton poderia dizer com São Francisco: eu fiz a minha parte, chegou a hora de vocês! Para a maior glória de Deus.
QUANTO AO TOMBAMENTO DA CAPELA:

CONSTA NO LIVRO DE CRÔNICAS DO CONVENTO DE OLINDA QUE A CAPELA É TOMBADA. O ARQUITETO DR. JORGE PASSOS E A ARQUITETA DÉBORA, NA ÉPOCA DA RESTAURAÇÃO DA CAPELA, RESPONSÁVEIS PELO CENTRO DE PRESERVAÇÃO DOS SÍTIOS HISTÓRICOS DE OLINDA, SÃO AS PESSOAS QUE PODEM MELHOR INFORMAR. O TOMBAMENTO NÃO FOI JUNTO AO IPHAN. POR ORA, É ISSO QUE TENHO A DIZER, DE MEMÓRIA, SEM CONSULTAR DOCUMENTOS.
MAS, BUSCANDO NA INTERNET "OLINDA, PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DAM HUMANIDADE", ENCONTRAMOS:
"CAPELA DE SANTANA DO RIO DOCE - Tombada, em 1982, como Patrimônio Histórico Mundial, integrando-se ao conjunto histórico-arquitetônico de Olinda. Praça Marcílio Dias (beira-mar)."
COM UM ABRAÇO FRATERNO,
FREI JOSÉ MILTON

2) Frei Milton

Frei Milton (freimiltoncoelho@hotmail.com)
Enviada:
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011 5:49:25
Para:
fhbrug@hotmail.com

PREZADO FREI HUMBERTO: VOU TRANSCREVER PARA VOCÊ UM PEQUENO TRECHO DO MEU LIVRO SOBRE FREI CASIMIRO BROCHTRUP QUE AINDA NÃO FOI PUBLICADO. TRATA-SE DE ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O TRABALHO SOCIAL DOS FRANCISCANOS, NA MESMA LINHA QUE INSPIROU FREI CASIMIRO NO SEU TRABALJHO DA MISSÃO PERMANENTE EM SANTO AMARO E CAMPO GRANDE. O QUE ESCREVE FREI MARTINHO É UMA LIÇÃO PARA NÓS HOJE E FOI ASSUNTO DO E-MAIL QUE HÁ POUCO LHE MANDEI SOBRE A CAPELA E A CASA DO RIO DOCE:

UMA CARTA REVELADORA

Em carta de 2 de agosto de 1952, Fr. Martinho Limper, OFM,[1] expõe ao Ministro Provincial Fr. Vicente Senge, a pedido do Pe. Guardião Fr. Agostinho Tepe, a sua opinião pessoal sobre a proposta de divisão da Freguesia de Olinda, confiada aos franciscanos. Precisamente pelo que esse documento revela do engajamento social franciscano nas áreas mais carentes de Olinda, é que ouso transcrevê-lo quase que integralmente:
" [...] A meu ver, não devíamos entregar nem a freguesia a ser criada no Bairro Novo, nem a freguesia de São Pedro, nem a Capelania de Salgadinho.

1. Quanto à nova freguesia do Bairro Novo

É a freguesia, onde mantemos as obras de assistência social como sejam a Escola do Sagrado Coração de Jesus e os Ambulatórios do Instituto Ação Social localizados na praia do Rio Doce, no Distrito do Amaro Branco e no Jatobá que ainda está em construção. Por este motivo nunca devíamos deixar de aceitar esta freguesia, motivo aliás sempre alegado também a favor de Salgadinho.

2. Quanto à freguesia de São Pedro

Embora esta freguesia fosse administrada por um padre secular, os nossos trabalhos seriam os mesmos, uma vez que o vigário seria absorvido totalmente pelos serviços da Matriz de São Pedro e os Padres Beneditinos não podiam estender mais o raio de ação, encarregados já dos serviços religiosos nas capelas dos Milagres, de S. José dos Pescadores, do Monte, do Colégio de Santa Teresa e do Abrigo de Nossa Senhora de Lourdes. Além disso, evitar-se-iam muitos aborrecimentos, ficando a freguesia aos nossos cuidados.


3.Quanto à igreja de Salgadinho

É uma fundação franciscana, onde mantemos [S1] grandes obras sociais. A Província devia pedir ao Ex.mo Sr. Arcebispo fosse ereta no Salgadinho uma freguesia à parte e abrir uma Residência com dois padres, adquirindo ao mesmo tempo terreno suficiente (o que por ora não seria muito difícil) para uma futura construção que servisse não para casa de formação dos estudos filosóficos, pois Olinda servirá ainda por muito tempo para este fim, mas para sede do Provincialado ou para outros empreendimentos, como p. ex., tipografia ou outras obras sociais." [2] (Grifos nossos)
O I Livro de Crônica do Convento de N. Senhora das Neves (ou de S. Francisco), de Olinda, guardou, para a História, valiosos registros do apostolado social dos franciscanos naquela cidade. Em traços muito rápidos, vão aqui alguns acontecimentos que marcaram a presença dos filhos de S. Francisco na Marim dos Caetés, na continuação do espírito missionário dos primeiros filhos de S. Francisco que aqui demandaram oficialmente aos 12 de abril de 1585 para tomar posse do primeiro convento franciscano do Brasil. O convento fora construído para eles, desde 1577, pela catequista dos índios, a Terciária regular franciscana Maria da Rosa,[3] viúva de Pedro Leitão, animada pela presença do frade capucho português, Fr. Álvaro da Purificação.[4]
Pela carta de Fr. Martinho Limper ao Governo da Província, em 1952, vemos que os frades de Olinda se comprometiam a levar à frente um Serviço Social de grande envergadura.
[1] Apud Notícias, Ano XIX, N.º 2, abril de 1971, p.2: “O Governador de Pernambuco, Dr. Nilo Coelho, antes de entregar o Governo a seu sucessor, conferiu a “Medalha Pernambucana do Mérito, Classe Ouro”, a várias personalidades de Pernambuco, entre elas, Frei Martinho Limper, OFM, Frei Damião, OFM CAP. e Pe. Bragança, SJ, “pelos relevantes serviços prestados a Pernambuco”.
[2] Apud Arquivo Provincial Franciscano, Caixa “Olinda”: Pasta II: 1938-1954.
[3] JABOATÃO, Fr. Antônio de Santa Maria -, Novo Orbe Seráfico Brasílico, Rio de Janeiro, 1858, I Parte, Vol. II, Cap. IX, p. 28; ibd. I Parte, Vol. II, Livro I, cap. V, 120, pp. 135 ss.
[4] JABOATÃO, Fr. Antônio de Santa Maria -, op. cit. Livro I, principalmente do I ao VII Capítulos, ítens de 103 a 153, das pp. 115 a 172.

FRATERNALMENTE,

FR. JOSÉ MILTON






























































































































segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

FESTA DO SENHOR SANTO CRISTO DE IPOJUCA 2010 - 2011

A BANDEIRA - no dia 22 de dezembro deste ano de 2010, teve início em Ipojuca (na Mata Sul de Pernambuc), em plena área do Complexo de SUAPE, com a noite da BANDEIRA, o novenário em preparação para a festa do SENHOR SANTO CRISTO OU O SENHOR BOM JESUS do santuário franciscano do Convento de Santo Antônio. É tal a popularidade da devoção ao SENHOR SANTO CRISTO, que seus devotos estenderam o nome também ao Convento: Convento do SENHOR SANTO CRISTO. Devoção quase quatro vezes centenária como o seu Convento que já passa disto (1606 -2011). O que pouca gente sabe (até msmo entre os frades) é que essa devoção vem sem interrupção desde o seu início no ano de 1663. Certamente a segunda mais antiga devoção ao BOM JESUS de todo o Brasil, já que a do Senhor Santo Cristo ou Bom Jesus de Iguape (São Paulo) teve o seu culto público aberto a 2 de novembro de 1647 (veja na Internet, pesquisa Google). No entanto, a origem das imagem é lendária, ao passo que a história do Senhor Santo Cristo de Ipopjuca tem um núcleo histórico garantido por documentos inda hoje preservados.
Para prosseguirmos, uma transcrição feita por Frei Venâncio do historiador Padre Manuel Barbosa [1] sobre as numerosas invocações do Crucificado entre nós:
Como enternece a alma católica procurar um bálsamo para mitigar as dores físicas e morais, invocando o Senhor Bom Jesus da Agonia, da Esperança, da Consolação, da Boa Sentença, do Bonfim, dos Navegantes, do Bom Caminho, dos Milagres, dos Pobres, dos Necessitados, dos Agonizantes, dos Perdões, dos Remédios, da Cana Verde...
E Frei Venâncio prossegue com a transcrição:
Os mais célebres santuários brasileiros dedicados a N. Senhor Jesus Cristo são: Sr. do Bonfim e Sr. Bom Jesus da lapa, Bahia; Sr. Santo Cristo de Ipojuca, Pernambuco; Sr. Bom Jesus de Matosinhos e Sr. Bom Jesus de Congonhas, Minas; Sr. Bom Jesus de Pirapora e Sr. Bom Jesus dos Perdões, São Paulo; Sr. Bom Jesus de Iguape em Santa Catarina. O santuário de Ipojuca é dos mais antigos. [2]
Poderíamos acrescentar muitos outros, entre eles a imagem milagrosa de Cristo das Necessidades, venerada numa capela laterai da igreja do convento franciscano de Sirinhaém: “intronizada em seu altar em 1775”, 100 anos depois da do Senhor Santo Cristo de Ipojuca. [3]
" Os jansenistas não conseguiram tirar da alma de nosso povo a ternura e a compaixão pelo Cristo Crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos” (1Cor 1. 23).
Podemos dizer, sem sombra de erro, que a imagem do SENHOR SANTO CRISTO DE IPOJUCA é a segunda mais antiga de todo o Brasil.
[1] BARBOSA, Padre Manuel -, A Igreja no Brasil, p. 263.
[2] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Santo Cristo de Ipojuca, Rio de Janeiro,1956, nota 7 ao Cap. XI, p. 88.
[3] Id. Ibd. p. 40.
Agoran vejamos o que escreve Guy de Ridder:
Não há no mundo de fala portuguesa quem não conheça a invocação de O Senhor Bom Jesus. Somente no Brasil, ele é o Titular de mais de 200 igrejas, algumas delas basílicas ou santuários nacionalmente famosos, como a do Bom Jesus da Lapa, Bahia, e a do Bom Jesus de Pirapora, São Paulo. Sob essa comovedora invocação veneram- se imagens de nosso Divino Redentor especialmente em episódios de sua Paixão [...]
Pe. Carlos Antônio da Silva é grande estudioso dos Santuários do Bom Jesus
existentes no Brasil, com um manto de púrpura e a coroa de espinhos, ou pregado na Cruz. Mas há também numerosas imagens do Bom Jesus do Horto representando Nosso Senhor em sua agonia no Jardim das Oliveiras. Bom Jesus dos Passos, em sua subida ao Monte Calvário. Bom Jesus da Coluna, no momento da flagelação do Senhor. E assim por diante. A imagem venerada na Basílica do Senhor Bom Jesus na cidade paulista de Tremembé, é certamente a mais antiga de que se tem conhecimento. Ela foi benta pelo vigário da igreja de Nossa Senhora da Conceição em 1663, mais de 50 anos antes de ser encontrada no Rio Paraíba a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Além disso, é uma das mais piedosas e de maior valor artístico.
Discordamos dos ilustres pesquiosadores, comenta Frei José Milton: a imagem do Bom Jesus de Tremembé foi exposta ao culto público somente em 1672, quando se construiu a sua Capela no local onde se encontra a atual Basílica. Da antiga capela nada restou, ao passo que a imagem do Bom Jesus de ipojuca foi entronizada em 1665 em sua Capela que ainda hoje se conserva dentro da igreja do Convento, tendo sofrido apenas pequenas alterações em quase quatro séculos de existência.
"Ipojuca tornou-se a terra de Santo Cristo em 1663, ano em que a imagem milagrosa deve ter vindo de Portugal", escreve Frei Venâncio Willeke ("Convento de Santo Antõnio de ipojuca, Rio de Janeiro, 1956 p. 33).
O mesmo historiador franciscano cita Frei Jaboatão e o Livro dos Guardiães de Ipojuca que serviu de fonte a este para afirmar que o Santuário do Senhor Bom Jesus de ipojuca (Santo Cristo) teve o lançamento de sua primeira pedra em 1663 (a 04 de novembro). Mas a entronização da imagem só aconteceu no dia 14 de setembro de 1665, Festa da Exaltação da Santa Cruz (festa que, no calendário litúrgico, ainda hoje é nesta data). Certamente não se quis esperar até 1º de janeiro, dia em que há séculos se festeja o Senhor Bom Jesus. Provavelmente em 1º de janeiro de 1665 se celebrou a Primeira Festa do Senhor Bom Jesus do Convento de Ipojuca (o Santo Cristo).
Por fim, colocamos um questionamento a respeito da imagem e do culto do Senhor Santo Cristo ou Bom Jesus de Iguape: será que a documentação de sua história tem o peso da relacionada com a imagem e o culto do Senhor Bom Jesus ou Santo Cristo de Ipojuca? Se aquela documentação não resiste à critica abalisada, ousaria afirmar a precedência cronológica da veneração ao Senhor Santo Cristo de Ipojuca.
O PORQUÊ DA FESTA A PRIMEIRO DE JANEIRO -
Em consonância com a tradição franciscana da devoção ao Santissimo Nome de Jesus, devoção que remonta à Idade Média e mesmo ao tempo de São Francisco, de Santo Antônio, do Beaventurado João Duns Scotus, de São Boaventura, de São Bernardino de Sena, de São João Capistrano e de muitos outros, os primeiros franciscanos de Ipojuca celebravam a festa do SENHOR SANTO CRISTO a 1º de janeiro, dia do Santíssimo Nome de Jesus, festa que, no calendártio da Igreja se conservou naquela data, até o Concílio Vaticano II, quando a reforma litúgica, a substituiu pela Solenidade da Santa Mãe de Deus Maria.
Mas em Ipojuca, continua de pé a tradicional festa do SENHOR SANTO CRISTO NO DIA PRIMEIRO DE JANEIRO. No tempo do Vigário Frei Humberto Wallschlag foi alterada a tradição do novenário, pois o Vigário não aprovava a novena do SENHOR SANTO CRISTO no tempo da Novena do Natal. Achou por bem, sem consultar os paroquianos e sem prepará-los para a mudança, reduzir a reparação para a festa do Bom Jesus de ipojucva a um simples Tríduo. Foi grande o desgosto dos paroquianos; a participação dos mesmos na festa foi grandemente prejudicada, de tal forma que se voltou à tradição da novena.
Nota: Em 1979 (31 de janeiro) – Frei Humberto Wallschlag, OFM, Vigário até janeiro de 1982. Sua Provisão de Vigário da Paróquia de S. Miguel de Ipojuca é passada pelo Sr. Arcebispo Metropolitano Dom Helder Câmara e subscrita pelo Vigário Geral Dom José Lamartine aos 31 de janeiro de 1979.
Em janeiro do mesmo ano o Congresso Provincial o nomeou Guardião da Casa de Noviciaso de Ipojuca. Fica como Vigário e Guardião até 13 de fevereiro de 1982.
Consta no Livro dos Guardiães (Arquivo do Convento de ipojuca e da Província Franciscana) que a tradicional festa do SERNHOR SANTO CRISTO só veio a ser interrompida durante a Revolta Praieira (1848 - 1849), anos em que não foi possível se realizar a festa, uma vez que, por determinação do Sr. José Francisco do Rego Barros, opositor dos Praieiros, o Convento estava servindo de quartel às tropas da legaliodade e de prisão aos praieros, e houve tiroteio. Consta em documentos que frei José Milton teve em mãos no Arquivom Público de Pernambuco, que, num desses tiroteios, os praieiros atingiram com suas balas o Santo Cristo do Côro do Convernto. O fato serviu, aos inimigos do Partido Praiero, de libelo contra a Praia: foi acusada de atentado contra a religião católica e de total falta de respeito ao sagrado. O comentarista do Livro dos Guardiães escreve a respeito da supressão da festa: "O cancelamento da festa tradicional [...] parece constituir um fato único nos anais do Santuário e uma ocorrência inaudita para os romeiros."