segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
CAPELA DE SANTANA DO RIO DOCE
CAPELA DE SANTANA HOJE
Frei Humbertto Brügger, OFM, preside a celebração. Veja na Internet (pesquisa Google: "Fr. Humberto Brügger e o Pai Nosso cantado na Capela de Santana do Rio Doce em Olinda").
Em estilo barroco, a Capela de Santana, na Praça Marcílio Dias, orla marítima de Olinda, consta no calendário turístico de Olinda, como parte integrante DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DA HUMANIDADE, que é Olinda, assim declarada em 1982. A Capela foi restaurada na década de 1990 pelo Centro de Preservação dos Monumentos Históricos de Olinda, voltando à sua feição 0 quanto possível original . Percebeu-se que a capela primitiiva era menor. Forma um conjunto arquitetônico com a casa anexa.
RIO DOCE NA INTERNET
Vale a pena consultar a Wikipédia para se ter uma idéia do Rio Doce hoje:
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Rio Doce
— Bairro —
Distrito
RPA 10
Cidade
Olinda
Área
- Total
3,09 km2
População
- Total
44 176 UNIQ62 001fbd41a01f9-ref-00 000 000-QINU
Rio Doce é o mais populoso bairro da cidade de Olinda, no estado brasileiro de Pernambuco.
Rio Doce, integra a 10ª Região Político-Administrativa – RPA 10. É dividido em 6 partes. Jardim Rio Doce, que tem seu início após o antigo hotel Quatro Rodas até a ponte do Janga, onde está localizado o 1º BPM-PE, e toda a extensão de praia também conhecida como praia de Rio Doce. Ao chegar na ponte do "Rio Doce" próxima à antiga Telemar temos início as divisões que foram feitas conforme o bairro foi crescendo, sendo essas divisões denominadas etapas, ficando assim conhecidas como 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, e 5ª etapa. A feira de Rio Doce fica localizada na 1° Etapa, sendo bastante conhecida e freqüentada pelos moradores do bairro e de bairros vizinhos. Em agosto de 2003, Rio Doce ganhou um Espaço Criança Esperança, na 3ª Etapa. Na 5ª etapa encontra-se o Terminal Integrado de Passageiros de Rio Doce.
Índice
[esconder]
1 Curiosidades do bairro
2 Colégios Particulares, Estaduais e Municipais
3 Blocos Carnavalescos
4 Espaço Criança Esperança Olinda
5 Ligações externas
6 Referências
//
[editar] Curiosidades do bairro
Um bairro de gente famosa, um bairro inspirador para vários artistas, entre os mais conhecidos temos Chico Science( EM MEMÓRIA ), que fez deste bairro sua inspiração e do mangue sua paixão, revolucionando a música brasileira, quando criou sua marca, seu estilo, o Manguebeat, juntamente com Jorge Do Peixe, tornando-o conhecido e respeitado internacionalmente. É berço de alguns grandes jogadores de futebol, como Biro-Biro, Chiquinho ( ex Sport , Vasco da Gama ), Nasa ( ex America Recife(Goleiro), Ferroviario CE, Vasco da Gama ), Lucio (ex Unibol, Ituano, Palmeiras, São Paulo, Gremio) atletas importantes que fizeram história no futebol brasileiro. Os times, Flamenguinho, Atlético, Palmeirinhas, Revelação, Corinthians que sempre fizeram a alegria dos amantes do futebol nos finais de semana. E ainda podemos citar outras maravilhas deste bairro grandioso, as quadrilhas juninas, Pisa no Espinho, Tio Chico, Tio Barnabé, Palmeirinhas, Flor do Abacate, Pau em Pé, Forró Moderno, Unidos no Arraial, Gaiola das Loucas (essa era bem irreverente). Rio Doce também ficou conhecido pelo glamour do desfile de 7 de setembro, onde vários colégios de Olinda e Recife se apresentavam fazendo daquele dia um dia especial para pais, alunos e professores.
Espaço Criança Esperança Olinda
Com a chegada do Espaço Criança Esperança Olinda em Rio Doce, acrescentou-se diversificação no bairro, tendo em vista que educa jovens e crianças, e conta com capacitação na área de informática. Alunos do Núcleo de comunicação, hoje já atuam no espaço e multiplicam as habilidades aprendidas, propiciando que se aprimorem na àrea e aspirem crescimento técnico, inclusive visualizando o ensino superior como uma alternativa educacional.
Vale lembrar que o famoso Chico Science freqüentou o catecismo de Frei Ademir na Paróquia de São Francisco do Rio Doce, que Frei José Milton procedeu a “encomendação” do seu corpo no Centro de Convenções e que sua missa de 7º Dia foi celebrada na Capela de Santana do Rio Doce, freqüentada assiduamente por sua devota mãe!
UMA PERGUNTA QUE FAZ SENTIDO:
O ESPAÇO CRIANÇA ESPERANÇA OLINDA, não teria sido um dos frutos cujas sementes foram lançadas a partir da Capela de Santana do Rio Doce? Das pregações e reflexões tão freqüentes sobre a situação das crianças “ratos de praia” do Rio Doce? Da catequese dessas crianças vindas das periferias de Olinda e que encontravam acolhimento na Capela e nas casas, como na residência do Dr. Mário Fonseca e esposa, de saudosa memória?
Fique a pergunta no ar para nossa meditação.
Vale a pena consultar a Wikipédia para se ter uma idéia do Rio Doce hoje:
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Rio Doce
— Bairro —
Distrito
RPA 10
Cidade
Olinda
Área
- Total
3,09 km2
População
- Total
44 176 UNIQ62 001fbd41a01f9-ref-00 000 000-QINU
Rio Doce é o mais populoso bairro da cidade de Olinda, no estado brasileiro de Pernambuco.
Rio Doce, integra a 10ª Região Político-Administrativa – RPA 10. É dividido em 6 partes. Jardim Rio Doce, que tem seu início após o antigo hotel Quatro Rodas até a ponte do Janga, onde está localizado o 1º BPM-PE, e toda a extensão de praia também conhecida como praia de Rio Doce. Ao chegar na ponte do "Rio Doce" próxima à antiga Telemar temos início as divisões que foram feitas conforme o bairro foi crescendo, sendo essas divisões denominadas etapas, ficando assim conhecidas como 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, e 5ª etapa. A feira de Rio Doce fica localizada na 1° Etapa, sendo bastante conhecida e freqüentada pelos moradores do bairro e de bairros vizinhos. Em agosto de 2003, Rio Doce ganhou um Espaço Criança Esperança, na 3ª Etapa. Na 5ª etapa encontra-se o Terminal Integrado de Passageiros de Rio Doce.
Índice
[esconder]
1 Curiosidades do bairro
2 Colégios Particulares, Estaduais e Municipais
3 Blocos Carnavalescos
4 Espaço Criança Esperança Olinda
5 Ligações externas
6 Referências
//
[editar] Curiosidades do bairro
Um bairro de gente famosa, um bairro inspirador para vários artistas, entre os mais conhecidos temos Chico Science( EM MEMÓRIA ), que fez deste bairro sua inspiração e do mangue sua paixão, revolucionando a música brasileira, quando criou sua marca, seu estilo, o Manguebeat, juntamente com Jorge Do Peixe, tornando-o conhecido e respeitado internacionalmente. É berço de alguns grandes jogadores de futebol, como Biro-Biro, Chiquinho ( ex Sport , Vasco da Gama ), Nasa ( ex America Recife(Goleiro), Ferroviario CE, Vasco da Gama ), Lucio (ex Unibol, Ituano, Palmeiras, São Paulo, Gremio) atletas importantes que fizeram história no futebol brasileiro. Os times, Flamenguinho, Atlético, Palmeirinhas, Revelação, Corinthians que sempre fizeram a alegria dos amantes do futebol nos finais de semana. E ainda podemos citar outras maravilhas deste bairro grandioso, as quadrilhas juninas, Pisa no Espinho, Tio Chico, Tio Barnabé, Palmeirinhas, Flor do Abacate, Pau em Pé, Forró Moderno, Unidos no Arraial, Gaiola das Loucas (essa era bem irreverente). Rio Doce também ficou conhecido pelo glamour do desfile de 7 de setembro, onde vários colégios de Olinda e Recife se apresentavam fazendo daquele dia um dia especial para pais, alunos e professores.
Espaço Criança Esperança Olinda
Com a chegada do Espaço Criança Esperança Olinda em Rio Doce, acrescentou-se diversificação no bairro, tendo em vista que educa jovens e crianças, e conta com capacitação na área de informática. Alunos do Núcleo de comunicação, hoje já atuam no espaço e multiplicam as habilidades aprendidas, propiciando que se aprimorem na àrea e aspirem crescimento técnico, inclusive visualizando o ensino superior como uma alternativa educacional.
Vale lembrar que o famoso Chico Science freqüentou o catecismo de Frei Ademir na Paróquia de São Francisco do Rio Doce, que Frei José Milton procedeu a “encomendação” do seu corpo no Centro de Convenções e que sua missa de 7º Dia foi celebrada na Capela de Santana do Rio Doce, freqüentada assiduamente por sua devota mãe!
UMA PERGUNTA QUE FAZ SENTIDO:
O ESPAÇO CRIANÇA ESPERANÇA OLINDA, não teria sido um dos frutos cujas sementes foram lançadas a partir da Capela de Santana do Rio Doce? Das pregações e reflexões tão freqüentes sobre a situação das crianças “ratos de praia” do Rio Doce? Da catequese dessas crianças vindas das periferias de Olinda e que encontravam acolhimento na Capela e nas casas, como na residência do Dr. Mário Fonseca e esposa, de saudosa memória?
Fique a pergunta no ar para nossa meditação.
sábado, 22 de janeiro de 2011
A CAPELA DE SANTANA DO RIO DOCE

CAPELA DE SANT´ANA E CASA

1. RIO DOCE – HISTÓRIA
Curta mas gloriosa a história do Rio Doce (Olinda). Baseio-me em Pereira da Costa, Anais Pernambucanos, V (1701 – 1739), páginas 64 -66.
O rio Doce é pequeno rio que nasce em terras do engenho Conceição do Meio, no município de Olinda. Deságua no mar após sua confluência com o rio Paratibe.
Em 1629, prevendo-se uma invasão holandesa de Pernambuco, Matias de Albuquerque fez levantar uma fortificação à margem direita do rio Doce, junto à foz. Mas, diante da notícia que uma frota holandesa já havia passado por Cabo Verde, interrompeu as obras e levantou uma forte trincheira. Dela ficou encarregado o Capitão André Pereira Temudo. Aconteceu ainda em fevereiro de 1630 a invasão inimiga. Em sua passagem de Pau Amarelo para Olinda, a trincheira do rio Doce foi conquistada pelos holandeses após heróica resistência de André Pereira Temudo.
Matias de Albuquerque organizou então diversas estâncias ou presídios militares para evitar a comunicação dos holandeses com o Interior. Uma dessas estâncias situava-se no Rio Doce. Foi atacada ao amanhecer dom dia 16 de outubro de 1630 por um contingente de 400 soldados de infantaria e 14 batedores a cavalo. Os nossos resistiram bravamente, causando grandes perdas ao inimigo que achou por bem bater em retirada. Esta data devia ser comemorada com festa por Olinda!
Mas a povoação do Rio Doce só veio surgiu a partir da evacuação holandesa em 1654, “no próprio local em que foi situada a sua estância.”
Sabemos que, em 21 de junho de 1704, houve uma “Carta Régia, aprovando o ato do Governador Dom Fernando Martins Mascarenhas de Lencastro, mandando abrir uma finta popular, para com o seu produto construir uma ponte no Rio Doce, junto à sua foz no Oceano, facilitando assim o trânsito público pelo litoral. A ponte, efetivamente foi construída; mas, anos decorridos, arruinando-se e caindo, recorreu a Câmara de Olinda ao governo da Metrópole pedindo a sua reconstrução; nada, porém, conseguiu, como se vê da Carta Régia de 5 de dezembro de 1738, em resposta.”
Com o desaparecimento da ponte, a povoação do Rio Doce, que já alcançava certo relevo, começou a decair. “Em 1830, contava apenas 109 fogos [residências]; mas hoje, talvez, nem mesmo conte umas 200 casas”, escreve Pereira da Costa por volta das primeiras décadas do século XX.
2. A CAPELA
“A povoação tem uma Capela dedicada a Santana, fundada em 1782 por Elias Francisco Bastos e sua mulher D. Maria do Ó, para a qual constituíram eles o seu competente patrimônio, constante de um sítio de coqueiros na própria localidade, por escritura pública lavrada e 23 de janeiro do mesmo ano [1782], o que tudo consta do respectivo processo de ereção da capela, que encontramos no arquivo da Câmara Episcopal de Olinda”, escreve Pereira da Costa (páginas 64 – 65).
CONCLUSÃO
O historiador pernanbucano assim conclui o relato sobre o Rio Doce:
“As terras da localidade, porém, divididas em diversos sítios, que pertenciam ao patrimônio do Colégio de Olinda, dos padres jesuítas, foram confiscadas em 1765, com a expulsão dos mesmos padres, e depois vendidos em hasta pública pelo governo”(pag. 66).
Observemos, no entanto, que, ao ser construída a Capela de Santana, o sítio patrimonial de que foi dotada, já pertencia ao casal Elias Francisco Bastos e Maria do Ó.

1. RIO DOCE – HISTÓRIA
Curta mas gloriosa a história do Rio Doce (Olinda). Baseio-me em Pereira da Costa, Anais Pernambucanos, V (1701 – 1739), páginas 64 -66.
O rio Doce é pequeno rio que nasce em terras do engenho Conceição do Meio, no município de Olinda. Deságua no mar após sua confluência com o rio Paratibe.
Em 1629, prevendo-se uma invasão holandesa de Pernambuco, Matias de Albuquerque fez levantar uma fortificação à margem direita do rio Doce, junto à foz. Mas, diante da notícia que uma frota holandesa já havia passado por Cabo Verde, interrompeu as obras e levantou uma forte trincheira. Dela ficou encarregado o Capitão André Pereira Temudo. Aconteceu ainda em fevereiro de 1630 a invasão inimiga. Em sua passagem de Pau Amarelo para Olinda, a trincheira do rio Doce foi conquistada pelos holandeses após heróica resistência de André Pereira Temudo.
Matias de Albuquerque organizou então diversas estâncias ou presídios militares para evitar a comunicação dos holandeses com o Interior. Uma dessas estâncias situava-se no Rio Doce. Foi atacada ao amanhecer dom dia 16 de outubro de 1630 por um contingente de 400 soldados de infantaria e 14 batedores a cavalo. Os nossos resistiram bravamente, causando grandes perdas ao inimigo que achou por bem bater em retirada. Esta data devia ser comemorada com festa por Olinda!
Mas a povoação do Rio Doce só veio surgiu a partir da evacuação holandesa em 1654, “no próprio local em que foi situada a sua estância.”
Sabemos que, em 21 de junho de 1704, houve uma “Carta Régia, aprovando o ato do Governador Dom Fernando Martins Mascarenhas de Lencastro, mandando abrir uma finta popular, para com o seu produto construir uma ponte no Rio Doce, junto à sua foz no Oceano, facilitando assim o trânsito público pelo litoral. A ponte, efetivamente foi construída; mas, anos decorridos, arruinando-se e caindo, recorreu a Câmara de Olinda ao governo da Metrópole pedindo a sua reconstrução; nada, porém, conseguiu, como se vê da Carta Régia de 5 de dezembro de 1738, em resposta.”
Com o desaparecimento da ponte, a povoação do Rio Doce, que já alcançava certo relevo, começou a decair. “Em 1830, contava apenas 109 fogos [residências]; mas hoje, talvez, nem mesmo conte umas 200 casas”, escreve Pereira da Costa por volta das primeiras décadas do século XX.
2. A CAPELA
“A povoação tem uma Capela dedicada a Santana, fundada em 1782 por Elias Francisco Bastos e sua mulher D. Maria do Ó, para a qual constituíram eles o seu competente patrimônio, constante de um sítio de coqueiros na própria localidade, por escritura pública lavrada e 23 de janeiro do mesmo ano [1782], o que tudo consta do respectivo processo de ereção da capela, que encontramos no arquivo da Câmara Episcopal de Olinda”, escreve Pereira da Costa (páginas 64 – 65).
CONCLUSÃO
O historiador pernanbucano assim conclui o relato sobre o Rio Doce:
“As terras da localidade, porém, divididas em diversos sítios, que pertenciam ao patrimônio do Colégio de Olinda, dos padres jesuítas, foram confiscadas em 1765, com a expulsão dos mesmos padres, e depois vendidos em hasta pública pelo governo”(pag. 66).
Observemos, no entanto, que, ao ser construída a Capela de Santana, o sítio patrimonial de que foi dotada, já pertencia ao casal Elias Francisco Bastos e Maria do Ó.
3. A CASA E A CAPELA
A Casa anexa à Capla, forma um conjunto harmonioso com a mesma. Ambas são construções colonias setecentistas. Não sabemos em que época foram separadas.
Hoje, ambas fazem formam um complexo pastoral animado pelos francciscanos de Olinda e Recife. Há anos que tem à frente, como Capelão, Frei Huberto Brügger. OFM. Dele Frei José Milton acaba de receber um e-mail que aqui trancreve com a sua resposta:
From: fhbrug@hotmail.comTo: freimiltoncoelho@hotmail.comSubject: Pedido de algumas informações. Date: Thu, 20 Jan 2011 23:39:57 +0300
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Frei José Milton:
Paz e Bem!
Desculpe que estou perturbando a sua vida tranqüila de Ipojuca, mas preciso de algumas informações.
Houve uma troca das casas na década de 70. Nesta troca está também incluída a entrega da capela aos frades? A capela é nossa? Existem alguns documentos que falam sobre a doação ou entrega da capela? Na década de 80 houve uma reforma da capela e você intermediava com o Patrimônio. A capela é tombada?
O convento de Olinda tomava conta da casa, pelo menos nos últimos anos, porque então não da capela? Quem tinha durante o seu tempo a administração da capela e quem instituiu a administração atual?o da capela e quem instituiu a administraçlo menos nos ultimos
Como historiador você me pode dar talvez informações mais exatas. Ainda, uma vez, desculpe pelo este incômodo e, antecipadamente, meu agradecimento.
Frei Humberto, OFM.
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Frei José Milton:
Paz e Bem!
Desculpe que estou perturbando a sua vida tranqüila de Ipojuca, mas preciso de algumas informações.
Houve uma troca das casas na década de 70. Nesta troca está também incluída a entrega da capela aos frades? A capela é nossa? Existem alguns documentos que falam sobre a doação ou entrega da capela? Na década de 80 houve uma reforma da capela e você intermediava com o Patrimônio. A capela é tombada?
O convento de Olinda tomava conta da casa, pelo menos nos últimos anos, porque então não da capela? Quem tinha durante o seu tempo a administração da capela e quem instituiu a administração atual?o da capela e quem instituiu a administraçlo menos nos ultimos
Como historiador você me pode dar talvez informações mais exatas. Ainda, uma vez, desculpe pelo este incômodo e, antecipadamente, meu agradecimento.
Frei Humberto, OFM.
RESPOSTAS DE FREI JOSÉ MILTON
1)PREZADO FREI HUMBERTO:
O QUE EU SEI SOBRE A CAPELA DE SANT´ANA E A CASA:
O QUE EU SEI SOBRE A CAPELA DE SANT´ANA E A CASA:
A CAPELA SEMPRE FOI DOS FRADES, A PATIR DA CHEGADA DOS ALEMÃES RESTAURADORES DA PROVÍNCIA DA SAXÔNIA:. CONSTA NO ARQUIVO DO CONVENTO DE OLINDA UMA DECLARAÇÃO ASSINADO PELO PROVINCIAL FREI CORNÉLIO NEISES (1926 A 1931) QUE O SENHOR ARTUR LUNDRIGEN FEZ DOAÇÃO DA CAPELA AOS FRANCISCANOS DE OLINDA.
ENCONTREI UM LIVRO COM ATAS DO APOSTOLADO DA ORAÇÃO PERTENCENTE À CAPELA (COM DATA, SE NÃO ME FALHA A MEMÓRIA, MAIS OU MENOS DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX, EM QUE CONSTA QUE A CAPELA TINHA A ASSISTÊNCIA RELIGIOSA DA PARÓQUIA DE SÃO PEDRO DE OLINDA, ÀS PRIMEIRAS SEXTAS-FEIRAS DE CADA MÊZ, COM INTENSO MOVIMENMTO RELIGIOSO. HAVIA CATEQUESE, AS CATEQUISTAS SE MOVIMENTAVAM COMO VERDADEIRAS MISSIONÁRIAS PARA AS CAPELAS VISINHAS (POR EXEMPLO) CONCEIÇÃO DOS MÉDICOS (OU DO MÉDICO?), MARIA FARINHA, MARANGUAPE. A FESTA ME PARECE QUE ERA DO CORAÇÃO DE JESUS, À QUAL COMPARECIA O SR. BISPO, ENCERRANDO-SE COM TE DEUM COM MÚSICOS DE FORA. DAS ÚLTIMAS REUNIÕES DO APOSTOLADO DA ORAÇÃO JÁ PARTICIPARAM FRANCISCANOS RESTAURADORES, ENTRE ELES, FREI FERNANDO OBERBORBECK, EM 1904.000000000000000000000, O POVO AINDA HOJE GUARDA BOA RECORDAÇÃO DE FREI FILÓTEO SIEPMANN (QUE FOI PÁROCO DE OLINDA DE ABRIL DE 1923 A JUNHO DE 1925), QUE FALECEU FORA DA ORDEM, E MUITO SE DEDICOU À CATEQUESE DO RIO DOCE. PERGUNTE AOS MAIOS VELHOS (POR EXEMPLO, ÀS TIAS DE VERA, A DONA ZEFINHA, VIÚVA DE UM ANTIGO PESCADOR) QUE ELAS LHE DIRÃO COMO ERA ANIMADA A CAPELA NAQUELA ÉPOCA. AINDA HOJE HÁ PESSOAS QUE SE LEMBRAM DO DESABAMENTO DO CORO NUM DIA DE NATAL, DURANTE MISSA CELEBRADA POR FREI FERNANDO.
DIZEM QUE FOI UM MILAGRE NINGUÉM TER MORRIDO. QUANDO RESTAUREI O CORO, OS ENGENHEIROS OU ARQUITETOS DO CENTRO DE PRESERVAÇÃO DOS MONUMNTOS HISTÓRICOS DE OLINDA DESCOBRIRAM QUE A ESCADA DO CORO ORIGINALMENTE SE COMUNICAVA COM A CASA.
DIZEM QUE FOI UM MILAGRE NINGUÉM TER MORRIDO. QUANDO RESTAUREI O CORO, OS ENGENHEIROS OU ARQUITETOS DO CENTRO DE PRESERVAÇÃO DOS MONUMNTOS HISTÓRICOS DE OLINDA DESCOBRIRAM QUE A ESCADA DO CORO ORIGINALMENTE SE COMUNICAVA COM A CASA.
MAS A CASA SÓ PASSOU AOS FRANCISCANOS NO TEMPO EM QUE FREI OSVALDO LINN ERA RESPONSÁVEL PELA CAPELA. COMPROU-A A PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL, REPRESENTADA PELO MINISTRO PROVINCIAL FREI WALFRIDO MOHON, A 15 DE JANEIRO DE 1976, AO SENHOR JOAQUIM DE ANDRADE LIMA, PROCURADOR DE UM DOS LUNDRIGAN, A QUEM A CASA PERTENCIA. PAGOU-A COM O DINHEIRO RECEBIDO PELA VENDA DA ANTIGA CASA DOS FRADES À SENHORA DONA MAÍZZIA CAMINHA VIEIRA DE MELO, QUE A COMPROU PELA QUANTIA DE CR$50.000,00 (CINCOENTA MIL CRUZEIROS) . NESTA TRANSAÇÃO, O ADVOGADO DOS FRANCISCANOS FOI O DR ANTÕNIO PEDRO BARRETO CAMPELO E O DE DONA MAÍZZIA, O DR. SEVERINO BARBOSA MARIZ. A DOCUMENTAÇÃO SE PROCESSOU NO CARTÓRIO 8° OFÍCIO DE NOTAS DE HÉLIO COUTINHO. TRATAVA-SE DE UM PROCESSO DE CESSÃO DE DIREITOS DE BENFEITORIAS, SENDO A OUTORGANTE CEDENTE A PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL E A OUTORGADA CESSIONÁRIA MAÍZZIA C. VIEIRA DE MELO. ESTE FOI O CAMINHO ENCONTRADO PARA QUE A COMPRA E VENDA FOSSEM LEGALIZADAS UMA VEZ QUE OS FRANCISCANOS NÃO ENCONTRARAM DOCUMETAÇÃO DA COMPRA DO TERRENO ONDE CONSTRUÍRAM A SUA CASA A PARTIR DOS ALICERCES, TERRENO ESTE ADQUIRIDO A TÍTULO DE UMA DOAÇÃO VERBAL À SENHORA DONA MARIA ANA DA PAIXÃO, QUE MORAVA DE ESQUINA.
VALE SABER QUE DONA MAÍZZIA PAGAVA ALUGUEL A UM LUNDRIGAN PELA CASA ANEXA À IGREJA, MAS SÓ PASSAVA NELA ALGUNS DIAS DURANTE O ANO, QUANDO VINHA DE NAZARÉ COM SUA MÃE À PRAIO DO RIO DOCE. A CASA PERMANECIA FECHADA A MAIOR PARTE DO ANO. QUANDO FREI OSVALDO SOUBE QUE DONA MAÍZZIA ESTAVA TRATANDO DE COMPRAR A CASA DO LUNDRIGAN, LHE PROPÔS VENDER-LHE A DOS FRADES POR CR$50.000,00, JUSTAMENTE A QUANTIA QUE ELA IA PAGAR AO PROCURADOR DO LUNDRIGAN, E COM ESTE DINHIRO ADQUIRIR A CASA GRANDE ANEXA À IGREJA.
FOI BOM PARA DONA MAÍZZIA QUE JÁ SE PREOCUPAVA COM O TRABALHO QUE LHE DARIA UMA CASA TÃO GRANDE; E FOI BOM PARA OS FRANCISCANOS QUE SEMPRE SONHAVAM EM ADQUIRI-LA PARA OS FRADES E O SERVIÇO DA CAPELA.
DONA MAÍZIA CONTRAIU CASAMEBTO EM SEGUNDAS NÚPCIAS DELA COM O SR. JOÃO BATISTA. COM ELE VIVEU VÁRIOS ANOS NA ANTIGA CASA DOS FRADES QUE PASSOU POR UMA GRANDE REFORMA. ERAM MUITO ESTIMADOS EM RIO DOCE E PARTICIPAVAM ATIVAMENTE DA CAPELA DE DE SANTANA. FOI GRAÇAS A DONA MAÍZZIA QUE A IMAGEM DE NOSSA SENHORA DO SAGRADO CORAÇÃO FOI ARTISTICAMENTE RESTAURADA. POR MOTIVO DE SAÚDE DO SR. JOÃO BATISTA, MUDARAM-SE PARA OS AFLITOS ONDE HOJE VIVEM. A CASA AINDA LHES PERTENCE E SE ACHA ALUGADA.
RIO DOCE, UM DOS PRINCIPAISN CENTROS DOTRABALHO SOCIAL DOS FRANCISCANOS
PODEMOS DIZER QUE FOI DO TRABALHO SOCIAL DESENVOLVIDO POR FREI OSVALDO NA CAPELA DO RIO DOCE, NO AMARO BRANCO, NO AMPARO E NO JATOBÁ QUE NASCEU O HOSPITAL DO TRICENTENÁRIO. A ESCOLA DO RIO DOCE ERA NUM TERRENO QUE PERTENCIA AOS FRADES. PARTE DESSE TERRENO EU COMPREI PARA CONSTRUIR A ATUAL ESCOLA QUE ERA DIRIGIDA PELOS CASAIS QUE ME AJUDAVAM (PRINCIPALMENTE POR GODOFRED (FRADE FORA DO MINISTÉRIO) E ESPOSA. ESTA ESCOLA NÃO É DA PROVÍNCIA, MAS DA COMUNIDADE DA CAPELA DE SANTANA. PARA ISTO FOI CRIADA UMA SOCIEDADE, " AMMO" (ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DOS MENINOS DE OLINDA.) INFELIZMENTE O M. PROVINCIAL FREI AFONSO NÃO PERMITIU QUE NÓS REGISTRÁSSEMOS A ASSOCIAÇÃO PARA QUE FOSSE RECONHECIDA PERANTE A SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO.
Na manhã dia 07 de setermbro (?) de 1999, reuniram-se na Casa da Capela Frei José Milton e vários membros dfa comunidade de Santana, entre eles os casais Madalena e Aloísio, Fátima e Carlos, Conceição e Edmundo, Matilde e Antõniol e os senhores Cavalcanti, Ademir, Iomar com a finalidade de refletir sobre a realidade local, à luz da palavra de Deus, a partir de um trecho do Profeta Jeremias. Qual a culpa que temos nos fatos negativos de nossa realidade? Como amar concretamente? Como mudar as coisas com paciência e coragem? A importância da autenticidade de vida... A pedagogia de Cristo... A partilha dos valores... Cultura da participação...Como conseguir eficácia e eficiência na ação.... O papel da Muilher e da Juventude. Importância da Criança. Vimos a necessidade de criar, a partir do que tínhamos, as seguintes Diretorias: De Pastoral - de Relações Institucionais - de Administração - de Evangelização.
Na manhã dia 07 de setermbro (?) de 1999, reuniram-se na Casa da Capela Frei José Milton e vários membros dfa comunidade de Santana, entre eles os casais Madalena e Aloísio, Fátima e Carlos, Conceição e Edmundo, Matilde e Antõniol e os senhores Cavalcanti, Ademir, Iomar com a finalidade de refletir sobre a realidade local, à luz da palavra de Deus, a partir de um trecho do Profeta Jeremias. Qual a culpa que temos nos fatos negativos de nossa realidade? Como amar concretamente? Como mudar as coisas com paciência e coragem? A importância da autenticidade de vida... A pedagogia de Cristo... A partilha dos valores... Cultura da participação...Como conseguir eficácia e eficiência na ação.... O papel da Muilher e da Juventude. Importância da Criança. Vimos a necessidade de criar, a partir do que tínhamos, as seguintes Diretorias: De Pastoral - de Relações Institucionais - de Administração - de Evangelização.
Foi de reflexões, estudos e oração que nasceu a AMMO e Escola.
Havia o projeto de construir dentro dos muros que, com ajuda financeira de Frei Beda, e aprovação do Governo da Província, Fr. José Miltou levantou ao redor do terreno doado pela Prefeiturta de Olinda à Província Franciscana de Santo Antônio, várias obras sociais me catequéticas, como por exermplo: sede para o AA, horta para o cultivo de verduras e plantas medicinais pelas crianças, um galpão para celebrações e eventos em dias de especiais... Tudo isso foi por terra com a transferência de Fr. José Milton para Penedo em princípios de 2000. O Visitador Geral tinha garantido à Comunidade que mesmo se acontecesse a transferência de Frei José Milton com o Capítulo a ter lugar em Ipuarana no mês de janeiro, o projeto Rio Doce não sofreria soluçao de continuidade, pois contaria com o apóio do guardião de Olinda. Tanto Frei José Milton como a Comunidade do Rio Doce ficaram muito contentes com esta perspectiva. O contrário foi o que sucedeu, chegando ao fechamento da Casa por muito tempo e a dispersão das pessoas realmente comprometidas com o trabalho e que esperavam a criação de um novo espírito comunitário na cansada Capela do Rio Doce. Mas quis a Providência Divina que uma nova vida surgisse das ruínas e a semente lançada (mas que não havia morrido) começasse a dar frutos, com a chegada de Frei Humberto Brügger. Fr. José Milton poderia dizer com São Francisco: eu fiz a minha parte, chegou a hora de vocês! Para a maior glória de Deus.
QUANTO AO TOMBAMENTO DA CAPELA:
CONSTA NO LIVRO DE CRÔNICAS DO CONVENTO DE OLINDA QUE A CAPELA É TOMBADA. O ARQUITETO DR. JORGE PASSOS E A ARQUITETA DÉBORA, NA ÉPOCA DA RESTAURAÇÃO DA CAPELA, RESPONSÁVEIS PELO CENTRO DE PRESERVAÇÃO DOS SÍTIOS HISTÓRICOS DE OLINDA, SÃO AS PESSOAS QUE PODEM MELHOR INFORMAR. O TOMBAMENTO NÃO FOI JUNTO AO IPHAN. POR ORA, É ISSO QUE TENHO A DIZER, DE MEMÓRIA, SEM CONSULTAR DOCUMENTOS.
MAS, BUSCANDO NA INTERNET "OLINDA, PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DAM HUMANIDADE", ENCONTRAMOS:
"CAPELA DE SANTANA DO RIO DOCE - Tombada, em 1982, como Patrimônio Histórico Mundial, integrando-se ao conjunto histórico-arquitetônico de Olinda. Praça Marcílio Dias (beira-mar)."
COM UM ABRAÇO FRATERNO,
FREI JOSÉ MILTON
FREI JOSÉ MILTON
2) Frei Milton
Enviada:
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011 5:49:25
Para:
fhbrug@hotmail.com
PREZADO FREI HUMBERTO: VOU TRANSCREVER PARA VOCÊ UM PEQUENO TRECHO DO MEU LIVRO SOBRE FREI CASIMIRO BROCHTRUP QUE AINDA NÃO FOI PUBLICADO. TRATA-SE DE ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O TRABALHO SOCIAL DOS FRANCISCANOS, NA MESMA LINHA QUE INSPIROU FREI CASIMIRO NO SEU TRABALJHO DA MISSÃO PERMANENTE EM SANTO AMARO E CAMPO GRANDE. O QUE ESCREVE FREI MARTINHO É UMA LIÇÃO PARA NÓS HOJE E FOI ASSUNTO DO E-MAIL QUE HÁ POUCO LHE MANDEI SOBRE A CAPELA E A CASA DO RIO DOCE:
UMA CARTA REVELADORA
Em carta de 2 de agosto de 1952, Fr. Martinho Limper, OFM,[1] expõe ao Ministro Provincial Fr. Vicente Senge, a pedido do Pe. Guardião Fr. Agostinho Tepe, a sua opinião pessoal sobre a proposta de divisão da Freguesia de Olinda, confiada aos franciscanos. Precisamente pelo que esse documento revela do engajamento social franciscano nas áreas mais carentes de Olinda, é que ouso transcrevê-lo quase que integralmente:
" [...] A meu ver, não devíamos entregar nem a freguesia a ser criada no Bairro Novo, nem a freguesia de São Pedro, nem a Capelania de Salgadinho.
1. Quanto à nova freguesia do Bairro Novo
É a freguesia, onde mantemos as obras de assistência social como sejam a Escola do Sagrado Coração de Jesus e os Ambulatórios do Instituto Ação Social localizados na praia do Rio Doce, no Distrito do Amaro Branco e no Jatobá que ainda está em construção. Por este motivo nunca devíamos deixar de aceitar esta freguesia, motivo aliás sempre alegado também a favor de Salgadinho.
2. Quanto à freguesia de São Pedro
Embora esta freguesia fosse administrada por um padre secular, os nossos trabalhos seriam os mesmos, uma vez que o vigário seria absorvido totalmente pelos serviços da Matriz de São Pedro e os Padres Beneditinos não podiam estender mais o raio de ação, encarregados já dos serviços religiosos nas capelas dos Milagres, de S. José dos Pescadores, do Monte, do Colégio de Santa Teresa e do Abrigo de Nossa Senhora de Lourdes. Além disso, evitar-se-iam muitos aborrecimentos, ficando a freguesia aos nossos cuidados.
3.Quanto à igreja de Salgadinho
É uma fundação franciscana, onde mantemos [S1] grandes obras sociais. A Província devia pedir ao Ex.mo Sr. Arcebispo fosse ereta no Salgadinho uma freguesia à parte e abrir uma Residência com dois padres, adquirindo ao mesmo tempo terreno suficiente (o que por ora não seria muito difícil) para uma futura construção que servisse não para casa de formação dos estudos filosóficos, pois Olinda servirá ainda por muito tempo para este fim, mas para sede do Provincialado ou para outros empreendimentos, como p. ex., tipografia ou outras obras sociais." [2] (Grifos nossos)
O I Livro de Crônica do Convento de N. Senhora das Neves (ou de S. Francisco), de Olinda, guardou, para a História, valiosos registros do apostolado social dos franciscanos naquela cidade. Em traços muito rápidos, vão aqui alguns acontecimentos que marcaram a presença dos filhos de S. Francisco na Marim dos Caetés, na continuação do espírito missionário dos primeiros filhos de S. Francisco que aqui demandaram oficialmente aos 12 de abril de 1585 para tomar posse do primeiro convento franciscano do Brasil. O convento fora construído para eles, desde 1577, pela catequista dos índios, a Terciária regular franciscana Maria da Rosa,[3] viúva de Pedro Leitão, animada pela presença do frade capucho português, Fr. Álvaro da Purificação.[4]
Pela carta de Fr. Martinho Limper ao Governo da Província, em 1952, vemos que os frades de Olinda se comprometiam a levar à frente um Serviço Social de grande envergadura.
[1] Apud Notícias, Ano XIX, N.º 2, abril de 1971, p.2: “O Governador de Pernambuco, Dr. Nilo Coelho, antes de entregar o Governo a seu sucessor, conferiu a “Medalha Pernambucana do Mérito, Classe Ouro”, a várias personalidades de Pernambuco, entre elas, Frei Martinho Limper, OFM, Frei Damião, OFM CAP. e Pe. Bragança, SJ, “pelos relevantes serviços prestados a Pernambuco”.
[2] Apud Arquivo Provincial Franciscano, Caixa “Olinda”: Pasta II: 1938-1954.
[3] JABOATÃO, Fr. Antônio de Santa Maria -, Novo Orbe Seráfico Brasílico, Rio de Janeiro, 1858, I Parte, Vol. II, Cap. IX, p. 28; ibd. I Parte, Vol. II, Livro I, cap. V, 120, pp. 135 ss.
[4] JABOATÃO, Fr. Antônio de Santa Maria -, op. cit. Livro I, principalmente do I ao VII Capítulos, ítens de 103 a 153, das pp. 115 a 172.
FRATERNALMENTE,
FR. JOSÉ MILTON
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
FESTA DO SENHOR SANTO CRISTO DE IPOJUCA 2010 - 2011
A BANDEIRA - no dia 22 de dezembro deste ano de 2010, teve início em Ipojuca (na Mata Sul de Pernambuc), em plena área do Complexo de SUAPE, com a noite da BANDEIRA, o novenário em preparação para a festa do SENHOR SANTO CRISTO OU O SENHOR BOM JESUS do santuário franciscano do Convento de Santo Antônio. É tal a popularidade da devoção ao SENHOR SANTO CRISTO, que seus devotos estenderam o nome também ao Convento: Convento do SENHOR SANTO CRISTO. Devoção quase quatro vezes centenária como o seu Convento que já passa disto (1606 -2011). O que pouca gente sabe (até msmo entre os frades) é que essa devoção vem sem interrupção desde o seu início no ano de 1663. Certamente a segunda mais antiga devoção ao BOM JESUS de todo o Brasil, já que a do Senhor Santo Cristo ou Bom Jesus de Iguape (São Paulo) teve o seu culto público aberto a 2 de novembro de 1647 (veja na Internet, pesquisa Google). No entanto, a origem das imagem é lendária, ao passo que a história do Senhor Santo Cristo de Ipopjuca tem um núcleo histórico garantido por documentos inda hoje preservados.
Para prosseguirmos, uma transcrição feita por Frei Venâncio do historiador Padre Manuel Barbosa [1] sobre as numerosas invocações do Crucificado entre nós:
Como enternece a alma católica procurar um bálsamo para mitigar as dores físicas e morais, invocando o Senhor Bom Jesus da Agonia, da Esperança, da Consolação, da Boa Sentença, do Bonfim, dos Navegantes, do Bom Caminho, dos Milagres, dos Pobres, dos Necessitados, dos Agonizantes, dos Perdões, dos Remédios, da Cana Verde...
E Frei Venâncio prossegue com a transcrição:
Os mais célebres santuários brasileiros dedicados a N. Senhor Jesus Cristo são: Sr. do Bonfim e Sr. Bom Jesus da lapa, Bahia; Sr. Santo Cristo de Ipojuca, Pernambuco; Sr. Bom Jesus de Matosinhos e Sr. Bom Jesus de Congonhas, Minas; Sr. Bom Jesus de Pirapora e Sr. Bom Jesus dos Perdões, São Paulo; Sr. Bom Jesus de Iguape em Santa Catarina. O santuário de Ipojuca é dos mais antigos. [2]
Poderíamos acrescentar muitos outros, entre eles a imagem milagrosa de Cristo das Necessidades, venerada numa capela laterai da igreja do convento franciscano de Sirinhaém: “intronizada em seu altar em 1775”, 100 anos depois da do Senhor Santo Cristo de Ipojuca. [3]
" Os jansenistas não conseguiram tirar da alma de nosso povo a ternura e a compaixão pelo Cristo Crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos” (1Cor 1. 23).
Podemos dizer, sem sombra de erro, que a imagem do SENHOR SANTO CRISTO DE IPOJUCA é a segunda mais antiga de todo o Brasil.
[1] BARBOSA, Padre Manuel -, A Igreja no Brasil, p. 263.
[2] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Santo Cristo de Ipojuca, Rio de Janeiro,1956, nota 7 ao Cap. XI, p. 88.
[3] Id. Ibd. p. 40.
Como enternece a alma católica procurar um bálsamo para mitigar as dores físicas e morais, invocando o Senhor Bom Jesus da Agonia, da Esperança, da Consolação, da Boa Sentença, do Bonfim, dos Navegantes, do Bom Caminho, dos Milagres, dos Pobres, dos Necessitados, dos Agonizantes, dos Perdões, dos Remédios, da Cana Verde...
E Frei Venâncio prossegue com a transcrição:
Os mais célebres santuários brasileiros dedicados a N. Senhor Jesus Cristo são: Sr. do Bonfim e Sr. Bom Jesus da lapa, Bahia; Sr. Santo Cristo de Ipojuca, Pernambuco; Sr. Bom Jesus de Matosinhos e Sr. Bom Jesus de Congonhas, Minas; Sr. Bom Jesus de Pirapora e Sr. Bom Jesus dos Perdões, São Paulo; Sr. Bom Jesus de Iguape em Santa Catarina. O santuário de Ipojuca é dos mais antigos. [2]
Poderíamos acrescentar muitos outros, entre eles a imagem milagrosa de Cristo das Necessidades, venerada numa capela laterai da igreja do convento franciscano de Sirinhaém: “intronizada em seu altar em 1775”, 100 anos depois da do Senhor Santo Cristo de Ipojuca. [3]
" Os jansenistas não conseguiram tirar da alma de nosso povo a ternura e a compaixão pelo Cristo Crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos” (1Cor 1. 23).
Podemos dizer, sem sombra de erro, que a imagem do SENHOR SANTO CRISTO DE IPOJUCA é a segunda mais antiga de todo o Brasil.
[1] BARBOSA, Padre Manuel -, A Igreja no Brasil, p. 263.
[2] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Santo Cristo de Ipojuca, Rio de Janeiro,1956, nota 7 ao Cap. XI, p. 88.
[3] Id. Ibd. p. 40.
Agoran vejamos o que escreve Guy de Ridder:
Não há no mundo de fala portuguesa quem não conheça a invocação de O Senhor Bom Jesus. Somente no Brasil, ele é o Titular de mais de 200 igrejas, algumas delas basílicas ou santuários nacionalmente famosos, como a do Bom Jesus da Lapa, Bahia, e a do Bom Jesus de Pirapora, São Paulo. Sob essa comovedora invocação veneram- se imagens de nosso Divino Redentor especialmente em episódios de sua Paixão [...]
Pe. Carlos Antônio da Silva é grande estudioso dos Santuários do Bom Jesus
existentes no Brasil, com um manto de púrpura e a coroa de espinhos, ou pregado na Cruz. Mas há também numerosas imagens do Bom Jesus do Horto representando Nosso Senhor em sua agonia no Jardim das Oliveiras. Bom Jesus dos Passos, em sua subida ao Monte Calvário. Bom Jesus da Coluna, no momento da flagelação do Senhor. E assim por diante. A imagem venerada na Basílica do Senhor Bom Jesus na cidade paulista de Tremembé, é certamente a mais antiga de que se tem conhecimento. Ela foi benta pelo vigário da igreja de Nossa Senhora da Conceição em 1663, mais de 50 anos antes de ser encontrada no Rio Paraíba a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Além disso, é uma das mais piedosas e de maior valor artístico.
Não há no mundo de fala portuguesa quem não conheça a invocação de O Senhor Bom Jesus. Somente no Brasil, ele é o Titular de mais de 200 igrejas, algumas delas basílicas ou santuários nacionalmente famosos, como a do Bom Jesus da Lapa, Bahia, e a do Bom Jesus de Pirapora, São Paulo. Sob essa comovedora invocação veneram- se imagens de nosso Divino Redentor especialmente em episódios de sua Paixão [...]
Pe. Carlos Antônio da Silva é grande estudioso dos Santuários do Bom Jesus
existentes no Brasil, com um manto de púrpura e a coroa de espinhos, ou pregado na Cruz. Mas há também numerosas imagens do Bom Jesus do Horto representando Nosso Senhor em sua agonia no Jardim das Oliveiras. Bom Jesus dos Passos, em sua subida ao Monte Calvário. Bom Jesus da Coluna, no momento da flagelação do Senhor. E assim por diante. A imagem venerada na Basílica do Senhor Bom Jesus na cidade paulista de Tremembé, é certamente a mais antiga de que se tem conhecimento. Ela foi benta pelo vigário da igreja de Nossa Senhora da Conceição em 1663, mais de 50 anos antes de ser encontrada no Rio Paraíba a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Além disso, é uma das mais piedosas e de maior valor artístico.
Discordamos dos ilustres pesquiosadores, comenta Frei José Milton: a imagem do Bom Jesus de Tremembé foi exposta ao culto público somente em 1672, quando se construiu a sua Capela no local onde se encontra a atual Basílica. Da antiga capela nada restou, ao passo que a imagem do Bom Jesus de ipojuca foi entronizada em 1665 em sua Capela que ainda hoje se conserva dentro da igreja do Convento, tendo sofrido apenas pequenas alterações em quase quatro séculos de existência.
"Ipojuca tornou-se a terra de Santo Cristo em 1663, ano em que a imagem milagrosa deve ter vindo de Portugal", escreve Frei Venâncio Willeke ("Convento de Santo Antõnio de ipojuca, Rio de Janeiro, 1956 p. 33).
O mesmo historiador franciscano cita Frei Jaboatão e o Livro dos Guardiães de Ipojuca que serviu de fonte a este para afirmar que o Santuário do Senhor Bom Jesus de ipojuca (Santo Cristo) teve o lançamento de sua primeira pedra em 1663 (a 04 de novembro). Mas a entronização da imagem só aconteceu no dia 14 de setembro de 1665, Festa da Exaltação da Santa Cruz (festa que, no calendário litúrgico, ainda hoje é nesta data). Certamente não se quis esperar até 1º de janeiro, dia em que há séculos se festeja o Senhor Bom Jesus. Provavelmente em 1º de janeiro de 1665 se celebrou a Primeira Festa do Senhor Bom Jesus do Convento de Ipojuca (o Santo Cristo).
Por fim, colocamos um questionamento a respeito da imagem e do culto do Senhor Santo Cristo ou Bom Jesus de Iguape: será que a documentação de sua história tem o peso da relacionada com a imagem e o culto do Senhor Bom Jesus ou Santo Cristo de Ipojuca? Se aquela documentação não resiste à critica abalisada, ousaria afirmar a precedência cronológica da veneração ao Senhor Santo Cristo de Ipojuca.
O PORQUÊ DA FESTA A PRIMEIRO DE JANEIRO -
O PORQUÊ DA FESTA A PRIMEIRO DE JANEIRO -
Em consonância com a tradição franciscana da devoção ao Santissimo Nome de Jesus, devoção que remonta à Idade Média e mesmo ao tempo de São Francisco, de Santo Antônio, do Beaventurado João Duns Scotus, de São Boaventura, de São Bernardino de Sena, de São João Capistrano e de muitos outros, os primeiros franciscanos de Ipojuca celebravam a festa do SENHOR SANTO CRISTO a 1º de janeiro, dia do Santíssimo Nome de Jesus, festa que, no calendártio da Igreja se conservou naquela data, até o Concílio Vaticano II, quando a reforma litúgica, a substituiu pela Solenidade da Santa Mãe de Deus Maria.
Mas em Ipojuca, continua de pé a tradicional festa do SENHOR SANTO CRISTO NO DIA PRIMEIRO DE JANEIRO. No tempo do Vigário Frei Humberto Wallschlag foi alterada a tradição do novenário, pois o Vigário não aprovava a novena do SENHOR SANTO CRISTO no tempo da Novena do Natal. Achou por bem, sem consultar os paroquianos e sem prepará-los para a mudança, reduzir a reparação para a festa do Bom Jesus de ipojucva a um simples Tríduo. Foi grande o desgosto dos paroquianos; a participação dos mesmos na festa foi grandemente prejudicada, de tal forma que se voltou à tradição da novena.
Nota: Em 1979 (31 de janeiro) – Frei Humberto Wallschlag, OFM, Vigário até janeiro de 1982. Sua Provisão de Vigário da Paróquia de S. Miguel de Ipojuca é passada pelo Sr. Arcebispo Metropolitano Dom Helder Câmara e subscrita pelo Vigário Geral Dom José Lamartine aos 31 de janeiro de 1979.
Em janeiro do mesmo ano o Congresso Provincial o nomeou Guardião da Casa de Noviciaso de Ipojuca. Fica como Vigário e Guardião até 13 de fevereiro de 1982.
Em janeiro do mesmo ano o Congresso Provincial o nomeou Guardião da Casa de Noviciaso de Ipojuca. Fica como Vigário e Guardião até 13 de fevereiro de 1982.
Consta no Livro dos Guardiães (Arquivo do Convento de ipojuca e da Província Franciscana) que a tradicional festa do SERNHOR SANTO CRISTO só veio a ser interrompida durante a Revolta Praieira (1848 - 1849), anos em que não foi possível se realizar a festa, uma vez que, por determinação do Sr. José Francisco do Rego Barros, opositor dos Praieiros, o Convento estava servindo de quartel às tropas da legaliodade e de prisão aos praieros, e houve tiroteio. Consta em documentos que frei José Milton teve em mãos no Arquivom Público de Pernambuco, que, num desses tiroteios, os praieiros atingiram com suas balas o Santo Cristo do Côro do Convernto. O fato serviu, aos inimigos do Partido Praiero, de libelo contra a Praia: foi acusada de atentado contra a religião católica e de total falta de respeito ao sagrado. O comentarista do Livro dos Guardiães escreve a respeito da supressão da festa: "O cancelamento da festa tradicional [...] parece constituir um fato único nos anais do Santuário e uma ocorrência inaudita para os romeiros."
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
OITEIRO DE MARACAÍPE
GAMELEIRA SECULAR
CEMITÉRIO EM RUÍNAS 

CEMITÉRIO EM RUÍNAS 

Volta às páginas dos jornais o descalabro em que se encontra o Patrimônio Natural de Maracaípe. Veja o que estampa, com grandes fotos, o JC de ontem, em sua secção "Cidades", pg. 4, da autoria de Verônica Falcão, admiradora do carisma ecológico franciscano:
"MÃE NATUREZA
DEVASTAÇÃO AMEAÇA RESERVA EM MARACAÍPE
DEVASTAÇÃO AMEAÇA RESERVA EM MARACAÍPE
Pontal de Maracaíope

Publicado em 19.12.2010, no Jornal do Commercio Cinco anos depois de tomar dos franciscanos uma reserva de 76,21 hectares em Maracaípe, Ipojuca, na Região Metropolitana da capital, a Arquidiocese de Olinda e Recife devolveu, mês passado, a propriedade sem cerca, sem porteira e com mais de 20 casas construídas irregularmente. O lugar, única unidade de conservação particular do Estado que reúne Mata Atlântica, restinga e manguezal, é ainda alvo de queimadas, desmatamento e passeios turísticos de buggy e cavalo. Sem manutenção, a estrada que dá acesso à igrejinha localizada na parte mais alta da área, de onde se avista a vegetação nativa, o mar e rio, encontra-se intrafegável. Uma das laterais do templo, devotado a Nossa Senhora da Conceição, está desmoronando. Na outra, há um cemitério onde a comunidade do entorno ainda enterra seus mortos, mas o muro que separava os túmulos da mata desmoronou. O único vigia que fiscaliza os 130 hectares da propriedade diz que não tem controle sobre os sepultamentos. Um dia desses a prefeitura veio aqui e me disse para informar ao povo que só é para enterrar se tiver atestado de óbito. Mas se chegar um bandido para enterrar alguém aí de noite, não vai encontrar dificuldades. A propriedade não tem nem porteira, alerta José Francisco da Silva, que toma conta do lugar há 15 anos. O impasse entre a arquidiocese e os franciscanos, hoje desfeito, teve início em 2005, quando o então arcebispo, dom José Cardoso Sobrinho, instituiu a Paróquia de Nossa Senhora do Ó, em Ipojuca. Ele definiu que todas as terras da igreja da PE-60 em direção ao litoral, inclusive a reserva, passassem a ser da nova paróquia, pertencente à diocese. Já os imóveis religiosos existentes da rodovia estadual em direção ao continente, continuariam sendo dos franciscanos. Com isso, a reserva dos frades passou para a Paróquia de Nossa Senhora do Ó. Nesses cinco anos, três padres se revezaram à frente da paróquia, sem que nenhum tomasse conta da unidade de conservação. Eles não deram atenção ao lugar, constata o franciscano Robério Ferreira da Silva, responsável pela Paróquia de São Miguel, no mesmo município. Os frades criaram a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Nossa Senhora do Oiteiro de Maracaípe em setembro de 2000. A portaria do Ministério do Meio Ambiente foi publicada no Diário Oficial da União no dia 27 de setembro. A unidade de conservação teve origem no ideário do santo italiano São Francisco de Assis (1182-1226), considerado o patrono da ecologia. Estávamos usando o local para formar, através de educação ambiental, uma geração de frades comprometidos com a conservação. Quase 20 frades chegaram a fazer cursos lá. Infelizmente, o projeto foi interrompido quando perdemos a gestão do lugar, relata frei Sinésio Araújo, idealizador da RPPN. Como esse tipo de reserva, por lei, tem caráter perpétuo e irrevogável, os franciscanos deixaram de gerenciar a área, mas a reserva não deixou de existir. O imbróglio teve fim em setembro, qu..."

Publicado em 19.12.2010, no Jornal do Commercio Cinco anos depois de tomar dos franciscanos uma reserva de 76,21 hectares em Maracaípe, Ipojuca, na Região Metropolitana da capital, a Arquidiocese de Olinda e Recife devolveu, mês passado, a propriedade sem cerca, sem porteira e com mais de 20 casas construídas irregularmente. O lugar, única unidade de conservação particular do Estado que reúne Mata Atlântica, restinga e manguezal, é ainda alvo de queimadas, desmatamento e passeios turísticos de buggy e cavalo. Sem manutenção, a estrada que dá acesso à igrejinha localizada na parte mais alta da área, de onde se avista a vegetação nativa, o mar e rio, encontra-se intrafegável. Uma das laterais do templo, devotado a Nossa Senhora da Conceição, está desmoronando. Na outra, há um cemitério onde a comunidade do entorno ainda enterra seus mortos, mas o muro que separava os túmulos da mata desmoronou. O único vigia que fiscaliza os 130 hectares da propriedade diz que não tem controle sobre os sepultamentos. Um dia desses a prefeitura veio aqui e me disse para informar ao povo que só é para enterrar se tiver atestado de óbito. Mas se chegar um bandido para enterrar alguém aí de noite, não vai encontrar dificuldades. A propriedade não tem nem porteira, alerta José Francisco da Silva, que toma conta do lugar há 15 anos. O impasse entre a arquidiocese e os franciscanos, hoje desfeito, teve início em 2005, quando o então arcebispo, dom José Cardoso Sobrinho, instituiu a Paróquia de Nossa Senhora do Ó, em Ipojuca. Ele definiu que todas as terras da igreja da PE-60 em direção ao litoral, inclusive a reserva, passassem a ser da nova paróquia, pertencente à diocese. Já os imóveis religiosos existentes da rodovia estadual em direção ao continente, continuariam sendo dos franciscanos. Com isso, a reserva dos frades passou para a Paróquia de Nossa Senhora do Ó. Nesses cinco anos, três padres se revezaram à frente da paróquia, sem que nenhum tomasse conta da unidade de conservação. Eles não deram atenção ao lugar, constata o franciscano Robério Ferreira da Silva, responsável pela Paróquia de São Miguel, no mesmo município. Os frades criaram a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Nossa Senhora do Oiteiro de Maracaípe em setembro de 2000. A portaria do Ministério do Meio Ambiente foi publicada no Diário Oficial da União no dia 27 de setembro. A unidade de conservação teve origem no ideário do santo italiano São Francisco de Assis (1182-1226), considerado o patrono da ecologia. Estávamos usando o local para formar, através de educação ambiental, uma geração de frades comprometidos com a conservação. Quase 20 frades chegaram a fazer cursos lá. Infelizmente, o projeto foi interrompido quando perdemos a gestão do lugar, relata frei Sinésio Araújo, idealizador da RPPN. Como esse tipo de reserva, por lei, tem caráter perpétuo e irrevogável, os franciscanos deixaram de gerenciar a área, mas a reserva não deixou de existir. O imbróglio teve fim em setembro, qu..."
NOSSO COMENTÁRIO
Votamos ao tema por um questão de compromisso com a verdade. De parabéns está o JC pela atualidade e qualidade da reportagem. Poucas vezes um tema ligado à Igreja é tratado com tanto esmero e, tecnicamente, impecável. Mas achamos por bem completar o artigo com alguns comentários que ajudarão os leitores a avaliar a quem cabem as responsabilidades na devastação da reserva de Nossa Senhora do Oiteiro.
Votamos ao tema por um questão de compromisso com a verdade. De parabéns está o JC pela atualidade e qualidade da reportagem. Poucas vezes um tema ligado à Igreja é tratado com tanto esmero e, tecnicamente, impecável. Mas achamos por bem completar o artigo com alguns comentários que ajudarão os leitores a avaliar a quem cabem as responsabilidades na devastação da reserva de Nossa Senhora do Oiteiro.
Segundo Frei Sinésio Araújo, o descaso com a área teve início com o afastamento de Frei Sinésio, idealizador e gestor da RPPM. Frei Sinésio e de seus colaboradores Frei Gilton Rezende, Frei João Pereira e os Noviços Franciscanos de Ipojuca, deixaram a reserva em situação invejáveçl. Com a criação da Paróquia de Nossa Senhora do Ó e seu desmembramento da Paróquia- mãe (São Miguel de Ipojuca), tanto os Currais de São Miguel, como Nossa Senhora do Oiteiro caíram em completo abandono.
Não valeram as preces que Frei Sinésio dirigia a Nossa Senhora do Oiteiro em seu santuário quatro vezes secular, para que defendesse a reserva. Onde falta o humano, pouco vale o divino. Videant consules.
Hoje, a administração do patrimônio constituído pelos Currais de São Miguel e Nossa Senhora do Oiteiro voltou aos franciscanos, sinal do reconhecimento do Governo Arquidiocesano da validade do trabalho dos frades nessas áreas.
Também os limites das Paróquias de São Miguel de Ipojuca e de Nossa Senhora do Ó serão reestudados.
O Vigário Frei Francisco Robério já concluíu a restauração da Capela do Oiteiro e junto a D. Fernando Saburido procura uma solução para os patrimônios ameaçados dos Currais de São Miguel e de Nossa Semnhora do Oiteiro de Maracaípe.
Também os limites das Paróquias de São Miguel de Ipojuca e de Nossa Senhora do Ó serão reestudados.
O Vigário Frei Francisco Robério já concluíu a restauração da Capela do Oiteiro e junto a D. Fernando Saburido procura uma solução para os patrimônios ameaçados dos Currais de São Miguel e de Nossa Semnhora do Oiteiro de Maracaípe.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
DOCE É SENTIR
CANÇÃO FRANCISCANA
SE VOCÊ NÃO CONHECE ESTA CANÇÃO, OUVINDO-A, VAI DORÁ-LA! É DO FILME IRMÃO SOL, IRMÃ LUA DE ZEFIRELLI, INÍCIO DA DÉCADA DE 80. O FILME NOS LEVOU A AMAR MAIS SÃO FRANCISCO E SANTA CLARA.
OUÇA E VEJA:
DOCE É SENTIR
Doce é sentir:
Em meu coração,
Humildemente,
Vai nascendo amor.
Doce é saber:
Não estou sozinho,
Sou uma parte
De uma imensa vida
Que, generosa,
Reluz em torno a mim,
Imenso dom
Do teu amor sem fim.
O céu nos deste
E as estrelas claras,
Nosso irmão sol,
Nossa irmã lua,
Nossa mãe terra
Com frutos, campos, flores,
O fogo e o vento,
O ar, a água pura,
Fonte de vida
De tua criatura,
Que, generosa,
Reluz em torno a mim,
Imenso dom
Do teu amor sem fim.
ACORDES PARA VIOLÃO:
G Am7 Bm C D7(9) G Doce é sen - tir... em meu cora - çãoEm D D9 Bm C Am7 D7Hu - milde - mente vai nascendo o amorG Am7 Bm C D7(9) G Doce é sa - ber... não estou sozinhoEm D D9 Bm C Am7 D7Sou u - ma parte de uma imensa vidaG Em Am D7 G Que genero - sa reluz em torno a mim Em Am D7 G Imenso do - om do seu amor sem fim G Am7 Bm C D7(9) G O céu nos deste as estrelas clarasEm D D9 Bm C Am7 D7Nos - so'irmão sol, nossa irmã, a luaG Am7 Bm C D7(9) G Nossa mãe terra, com frutos, campos, floresEm D D9 Bm D Am7 D7O fo - go e o vento, o ar e água puraG D D9 Bm C Am7 D7 Fonte di - vina de tua criaturaG Em Am D7 G Que genero - sa reluz em torno a mim Em Am D7 G Imenso do - om do seu amor sem fim
Acordes: para violão
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VÍDEO: desta vez não conseguimos trazê-lo para o blog , mas você pode encontrar vários, pesquisando no Google: vídeos com Doce é Sentir de Irmão Sol, Irmã Lua, de Zefirelli.
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SE VOCÊ NÃO CONHECE ESTA CANÇÃO, OUVINDO-A, VAI DORÁ-LA! É DO FILME IRMÃO SOL, IRMÃ LUA DE ZEFIRELLI, INÍCIO DA DÉCADA DE 80. O FILME NOS LEVOU A AMAR MAIS SÃO FRANCISCO E SANTA CLARA.
OUÇA E VEJA:
DOCE É SENTIR
Doce é sentir:
Em meu coração,
Humildemente,
Vai nascendo amor.
Doce é saber:
Não estou sozinho,
Sou uma parte
De uma imensa vida
Que, generosa,
Reluz em torno a mim,
Imenso dom
Do teu amor sem fim.
O céu nos deste
E as estrelas claras,
Nosso irmão sol,
Nossa irmã lua,
Nossa mãe terra
Com frutos, campos, flores,
O fogo e o vento,
O ar, a água pura,
Fonte de vida
De tua criatura,
Que, generosa,
Reluz em torno a mim,
Imenso dom
Do teu amor sem fim.
ACORDES PARA VIOLÃO:
G Am7 Bm C D7(9) G Doce é sen - tir... em meu cora - çãoEm D D9 Bm C Am7 D7Hu - milde - mente vai nascendo o amorG Am7 Bm C D7(9) G Doce é sa - ber... não estou sozinhoEm D D9 Bm C Am7 D7Sou u - ma parte de uma imensa vidaG Em Am D7 G Que genero - sa reluz em torno a mim Em Am D7 G Imenso do - om do seu amor sem fim G Am7 Bm C D7(9) G O céu nos deste as estrelas clarasEm D D9 Bm C Am7 D7Nos - so'irmão sol, nossa irmã, a luaG Am7 Bm C D7(9) G Nossa mãe terra, com frutos, campos, floresEm D D9 Bm D Am7 D7O fo - go e o vento, o ar e água puraG D D9 Bm C Am7 D7 Fonte di - vina de tua criaturaG Em Am D7 G Que genero - sa reluz em torno a mim Em Am D7 G Imenso do - om do seu amor sem fim
Acordes: para violão
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VÍDEO: desta vez não conseguimos trazê-lo para o blog , mas você pode encontrar vários, pesquisando no Google: vídeos com Doce é Sentir de Irmão Sol, Irmã Lua, de Zefirelli.
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010
ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO EM IPOJUCA
UM POUCO DA HISTÓRIA
A IMAGEM DE S. ROQUE – Havia no Convento, por volta de 1703 uma imagem de S. Roque. Era o Patrono da Ordem Terceira de Ipojuca. Tinha a sua festa a 02 de janeiro. A imagem de S. Roque se encontrava na capela lateral do Bom Jesus, a capela do Sr. Santo Cristo, chamada também de antigo Santuário. Hoje se acha no nicho lateral, frente ao altar da Conceição.
O Inventário de 1852 lhe atribuía 2 pares de cortinas com sanefas.
A ORDEM TERCEIRA DE S. FRANCISCO
O culto a S. Roque aponta para a existência de uma Fraternidade da Ordem Terceira em Ipojuca. Sabemos que ela existiu, embora nos faltem dados mais precisos sobre a sua atuação. “Sobre a fundação da fraternidade terciária de Ipojuca, não temos dados exatos. Informa o Novo Orbe Seráfico: ´Na Congregação de 16 de junho de 1703, se nomeou o primeiro Comissário dos Terciários para esse Convento [de Ipojuca]. Se antes disto havia já ali alguns Irmãos desta Venerável Ordem, dirigidos pelos Prelados e Guardiães da casa, não temos certeza. Tomaram por titular o Glorioso S. Roque, e a sua imagem se acha colocada no altar do Sr. Santo Cristo, sem mais ato algum da sua Ordem que tomarem hábito, professarem, fazerem eleição de ministro e mais ofícios e celebrarem a festa do seu santo titular no outro dia depois que se soleniza a do Sr. Santo Cristo, por ser esta a ocasião de maior concurso de gente no lugar.´ ” [1]
Para se ter idéia da situação em que se encontrava a Ordem Terceira de São Francisco quando da chegada dos frades restauradores na última década do século XIX, é bom não perder de vista a situação em que se encontrava a Igreja no Brasil diante da política régia inspirada pelo regalismo português:
“Em princípios do século XVIII, expediam-se decretos restringindo a construção de novos conventos, e permitindo apenas hospícios. em lugar de conventos, nas aldeias de índios missionadas pelos religiosos, para limitar o número dos missionários. Na realidade, contribuiu este dispositivo para relaxar a disciplina regular, dando também margem a abusos.
Limitado o número dos conventos, o regalismo português reduziu o número dos próprios religiosos, restringindo a aceitação de candidatos às diversas Ordens . Seguiu-se a proibição de certas atividades, como, por exemplo, o ensino elementar nas escolas religiosas.
A conseqüente decadência das Ordens foi favorecida pela aquisição de abundantes privilégios e títulos, como também pela lei da alternativa, e pela demasiada submissão dos religiosos portugueses às exigências injustas da metrópole. Não negamos que a falta de disciplina regular, existente em muitos conventos daquele tempo, representasse um grande mal. Entretanto, muito mais funesta foi, para a vida religiosa, a intromissão do governo civil nos negócios internos da igreja e das Ordens, irrogando-se a coroa portuguesa direitos e poderes que não lhe cabiam, como aliás fez também o Império Brasileiro até sua queda em 1889.
Para acabar com certos abusos, como os havia em muitas Ordens, não se tornava indispensável extinguir as comunidades religiosas, e sim reformá-las. Quantas perdas de valores irrecuperáveis teriam sido evitados pelos governos, no terreno da arte, da história, da literatura e da religião, se se houvesse conservado e garantido a marcha da vida religiosa nos conventos do Brasil
Enquanto o convento ipojucano, de 1739 a 1749, contava dezoito a dezenove religiosos (5 e 6), a partir de 1796 não abrigava mais de cinco, chegando a ficar desabitado em 1890.
Mais do que qualquer outro estabelecimento, ressentiu-se da falta de sacerdotes, em face do santuário que lhe ficava anexo como alvo de ininterruptas peregrinações. Haviam-se desvanecido as solenidades do culto divino. Desde muito que o claustro não presenciava as longas fileiras de franciscanos ao ensejo das rasouras e demais exercícios de piedade realizados em comum.” [2]
Vejamos agora o que escreve Frei Venâncio Willeke sobre o contexo histórico da obra restauradora, em seu livro Convento de Stº Cristo de Ipojuca: [3]
“Morrendo, a 24 de junho de 1890, o último guardião e inquilino do convento ipojucano. parecia esse prédio quase trissecular fadado a completo abandono e desmoronamento. Durante os dois anos seguintes. o superior franciscano de Sirinhaém único sobrevivente religioso. se encarregou de administrar a casa conventual. até que também ésse ancião baixou à sepultura, em 1892.
Como o convento houvesse recebido o último conserto parcial. durante a gestão de frei Antônío da Rainha dos Anjos (1850-1852), é fácil imaginar o estado deplorável a que chegara o prédio com a falta completa de religiosos. O último inventário da época aponta objetos de longa duração, que entretanto desapareceram para sempre, não constando se devido ao abandono trienal do convento (1892-1895), ou se os próprios franciscanos se desfizeram deles .
Antes que os ipojucanos esperassem, apareceu, em meio ao abandono, uma vaga promessa de outros religiosos. E que a 27 de dezembro de 1892 e a 8 de junho de 1893, respectivamente, haviam chegado à Bahia as duas primeiras turmas de franciscanos alemães da Província Saxônia, a primeira chefiada por frei Amando Bahlmann, e a segunda pelo padre comissário provincial, frei Irineu Bierbaum (11 e 12). Ambos percorreram, ainda em 1893, os conventos do Recife, Olinda e Ipojuca, para verificar se convinha restaurá-los.
Convencendo-se das tristes condições em que vivia a paróquia de S. Miguel de Ipojuca, pregou frei Amando duas missões, ao ensejo das festas tradicionais do Sr. Santo Cristo de Ipojuca, em 1894 e 1895, preparando a um tempo o ânimo da população para a possível chegada dos franciscanos alemães.
De fato, em princípios de 1895, apareceu em Ipojuca o primeiro franciscano, com ordem de ocupar o convento. Era frei Fernando Oberborbeck, que cooperara na segunda missão pregada por frei Amando. Em fins de abril do mesmo ano, tomou posse do convento o. primeiro superior, na pessoa de frei Adalberto Kirschbaum, a quem o bispo de Pernambuco, logo em meados de maio, entregou também o paroquiato.
Salvara-se de completa ruína o venerando convento de Santo Antônio de Ipojuca, e garantia-se a vida regular, interrompida havia muito tempo.
Para fazer idéia do que significava a restauração da vida franciscana, ouçamos uma testemunha ocular, frei Joaquim do Espírito Santo, um dos últimos sobreviventes da antiga Província. De sua carta, dirigida ao padre comissário frei Irineu, extraímos os tópicos mais expressivos:
Devemos muitíssimo a Vossa Paternidade e aos vossos irmãos de hábito. fiada direi dos benefícios que nos fizestes em tão larga escala e de que sempre nos recordaremos; nem falarei da restauração da Província que outros puderam fazer; mas falarei do modo desta restauração, da observância da regra, da vossa excessiva caridade e da de todos os confrades alemães, para com nós brasileiros, também vossos irmãos de hábito, e sobretudo pelo coração; falarei dos exemplos de piedade e de todas as virtudes que nos servem de lição e incitamento.
Bem me disse nosso confrade frei Antônio da Ascensão ´Agora, vendo o que fazem os nossos irmãos germânicos, mais ainda me lembro das contas que tenho de prestar a Deus da minha administração´.
Falando assim exprimiu meus próprios sentimentos. Tenho trabalhado muito pela restauração da nossa Província, consagrando-lhe todos os meus esforços. Este pobre homem clamou ao Senhor e foi atendido. Mas, não havia esperado tantas bênçãos e tanta felicidade. Deus seja bendito que mandou tantos e tais operários para a sua vinha seráfica; já posso dizer com o salmista: ´Agora despedis o vosso servo em paz, porque meus olhos viram a restauração da nossa Província por que tanto anelara´. [4]
Coma chegada dos frades restauradores da Província Franciscana da Saxônia, o primeiro vigário franciscano de ipojuca, Frei Adalberto Kirschbaum, relata:
“Quando Frei Ireneu retornou à Alemanha, Frei Amando se tornou Comissário. No ano de 1895, aceitou ele o antigo convento, em Ipojuca, em situação deplorável. Eu fui para lá enviado, como superior e pároco – o primeiro pároco da Província do Norte. A paróquia tinha cerca de 2'7.000 almas e 20 capelas. Dela dizia o Ex.mo Bispo D. Manuel dos Santos Pereira, que era a pior paróquia de sua Diocese”.
No Capítulo XIII de sua obra sobre o Convento de Ipojuca, trata Frei Venâncio da
VENERÁVEL 0. 3.ª DE S. FRANCISCO
A história da Ordem Terceira de Ipojuca é tão puco conhecida dos próprios frades, que acho por bem transcrever o que escreve Frei Venâncio sobre ela:.
“Além das Ordens dos Frades Menores (Franciscanos) e Clarissas, fundou S. Francisco a chamada. Ordem Terceira, para aqueles que, não podendo abraçar a vida estritamente religiosa, desejassem seguir o ideal franciscano no século. O fim dessa Ordem Terceira é a santificação das famílias cristãs.
É óbvio que todo convento franciscano procure agregar à sua igreja uma fraternidade terciária.
Falando Jaboatão em "nossa irmão da confraternidade" (Francisco Dias Delgado), não significa. ter este pertencido à Ordem 3.ª, mas ao número dos principais benfeitores filiados à Ordem 1.ª .
Sobre a fundação da fraternidade terciária de Ipojuca, não temos dados exatos . Informa o Novo Orbe Seráfico : "Na Congregação de 16 de junho de 1703, se nomeou o primeiro Comissário dos Terceiros para esse Convento. Se antes disto haviam já ali alguns Irmãos desta Venerável Ordem, dirigidos pelos Prelados e Guardiães da casa, não temos certeza. Tomaram por titular o Glorioso S. Roque, e a sua imagem se acha colocada no altar do Sr. Santo Cristo, sem mais ato algum da sua Ordem que tomarem hábitos, professarem, fazerem eleição de ministro e mais ofícios e celebrarem a festa do seu santo titular no outro dia depois que se soleniza a do Sr. Santo Cristo, por ser esta a ocasião de maior concurso de gente no lugar".
A esta breve informação, juntamos outra, menos animadora ainda, que data do princípio do século XIX: "consta-nos que já hoje nada disto fazem (do que Jaboatão apontou acima) o que não obstante sempre se nomearam comissários". E. falando sobre a imagem do padroeiro que ainda se acha no altar do Sr. Santo Cristo diz o texto: "sem até agora, fazerem capela'' (4) .
Nenhum outro documento relativo à O: 3.ª de Ipojuca chegou ao nosso
conhecimento. Apenas a imagem de S. Roque sobreviveu à Fraternidade extinta no século passado.
Por deprimentes que pareçam as parcas notícias, não podemos considerar a O. 3.ª uma fundação malograda. Desconhecemos as pérolas de virtude que terão adornado a humilde e pobre fraternidade, durante o primeiro século de sua existência. Enquanto em terras brasileiras a decadência da O. 3.ª acompanhava a dos próprios franciscanos, faziam-se ouvir no Vaticano os apelos pontifícios em favor da Venerável Ordem reformada em 1883. Escrevia o Papa da Questão Social: "Estamos persuadidos de que a Ordem Terceira é o remédio mais eficaz para extirpar os males em que se debate a nossa sociedade atual e o meio mais apto para levar o mundo à verdadeira observância do Evangelho" (5). Daí a conclusão: "É nosso desejo que todas as famílias se inscrevam na O. 3.ª" e a ordem transmitida à imprensa franciscàna : "Consagrai-vos a propagar, com todas as vossas forças, a O. 3.ª, porque ela há de regenerar o mundo" , pois "assim como a O. 3.ª em tempo do seu fundador S. Francisco, reformou o mundo, assim também agora o há de regenerar".
Dando mais ênfase ao seu convite, afirma o mesmo Papa Leão XIII: "Não sem inspiração de Deus temos recomendado uma e outra vez este instituto, porque a O. 3.ª não é outra coisa senão a vida cristã bem entendida".
À vista de tantas recomendações pontifícias, não admira que o guardião de Ipojuca, frei Adalberto Kirschbaum, procedesse à fundação de nova fraternidade terciária, a 4 de outubro de 1896. Embora o número dos irmãos fosse sempre reduzido, pode a nova fraternidade gabar-se de grandes realizações na instrução religiosa da juventude, na assistência aos pobres e doentes como na solenização do culto divino. Mais ou menos 120 irmãos chegaram a. professar, a partir de 1897.
Damos a seguir a relação dos padres comissários da O. 3.ª de Ipojuca (11)
1. 1703 Hilário da Visitação
2. 1709 Jerônimo da Graça
3. 1710 Eugênio da "Natividade
4. 1712 Manuel de St.' Antônio
5. 1714 José dos Prazeres, Pres.
6. 1718 Manuel da Piedade
7. 1719 Antônio da Glória
8. 1721 Dionísio da Madre de Deus
9. 1723 João do Pai Eterno
10. 1726 Manuel do Nascimento
11. 1727 Nicolau do Paraíso
12. 1729 Luís de São Boaventura –
13. 1730 Eugênio do Espirito Santo
14. 1732 João do Bom Jesus
15. 1733 José de Santa Joana
16. 1735 Nicolau do Paraíso
17.1739 José de Santa Joana
18. 1741 Ludovico da Purificação
19. 1742 Francisco de Santa Tereza
20. 1743 Manuel de Santo Agostinho
21. 1745 João do Bom Jesus
22. 1751 João de Santa Angela, Lente
23. 1757 Antônio da Purificação
24. 1760 Fernando de St .O Antônio
25. 1761 André de São Luís
26. 1763 Zacarias de Jesus Maria
27. 1766 Marçal da Vitória
28. 1768 Antônio da Conceicão liaria
29. 1771 llatias de Santa rrsula
30. 1772 Antônio de São Féliz
31. 1774 José de São Luís
32. 1779 Francisco Solano
33. 1785 Manuel de Santa Rita
34. 1787 Manuel da Ressurreicão Seiras
35. 1789 Manuel de Santo Antônio
36. 1793 Manuel de Santa Teresa Miranda
37. 1798 João de Santo Afonso
38. 1800 Antônio de São Félis
39. 1801 líanuel dos Querubins, G
40 1802 Manuel de Santa Rita Nunes, G
41. 1805 Boaventura da Sagrada Família
42. 1807 Caetano de Santa Engrácia
43. 1808 Joaquim da Purificação, G
44. 1810 José da Conceição Molina, G
45. 1811 Manuel de Santa Miquelina, G
46. 1814 Custódio de Santa Rosa Galvão, G
47. 1816 Boaventura da Sagrada Família
48. 1817 Manuel da Conceição de Maria, G
49. 1819 Jerônimo de S. Pedro de Alcântara, G
50. 1820 Manuel de Santa Rita (Campeio) Morais, G
51. 1824 Joaquim de Santa Escolástica, G
52. 1827 Tomás de Aquino, G
53. 1828 Francisco Xavier da Conceição
54 1829 Jerônimo do Patrocínio de São José, Pres.
55. 1831 Francisco de São José Magalhães, G
56. 1832 Jerônimo do Patrocínio de São José, G
57. 1835 Francisco de Santo Ináeio, G
58. 1838 João Batista do Espírito Santo, Pres.
59. 1841 José de Santa Maria Fonseca
60 1844 José de Santa Leoeádia Mota, G
A partir de 1844, o cargo de comissário dos Terceiros tem sido confiado ao guardião do convento, excetuando-se o período de 1860 a 1862. em que o exerceu frei José de Santa Leocádia Mota. Veja-se a relação dos padres superiores. no capítulo XXIV deste trabalho.” [5]
Demos de novo a palavra ao primeiro vigário franciscano de Ipojuca Frei Adalberto para concluirmos com otimismo o que sombriamente começamos:
O bom Deus abençoou o nosso trabalho. Quando D. Manuel, Bispo de Pernambuco, foi a Ipojuca, em 1898, nos disse: "Agora, sim, Ipojuca é a minha melhor freguesia e não me trás preocupações: " No começo, não tínhamos confissões e comunhões. Mas depois, de um ano, eram 1.000, cada mês. As festas não ficaram mais somente em exterioridades, mas eram celebrações com muitas confissões e comunhões. Em breve tempo, tínhamos um bem numeroso Apostolado do Coração de Jesus, uma boa Pia União das Filhas de Maria, uma zelosa Conferência Vicentina, e mais ou menos 90 pessoas na Ordem 3ª. Tínhamos, por fim, 2 escolas com 170 crianças, que eram mantidas pelo convento. Como disse bem acertadamente Frei Gregório, nós não privamos aos brasileiros de seu gosto por exterioridades, mas o unimos com o religioso, de acordo com o caráter brasileiro.[6]
Concluiindo, não conseguimos, por ora, precisar quando se extinguiu a Ordem Terceira (hoje dita Ordem Franciscana Secular) de Ipojuca, e a causa do seu desaparecimento. Crermos que há algumas décadas. Há´muito interesse da Fraternidade Franciscana da Ordem Terceira Secular da cidade do Cabo de Santo Agostinho (vziinha de Ipojuca) de restaurar a Fraternidade ipojucana. Várias reuniões foram realiizadas neste sentido, mas, não sabemos a que atribuir o isilêncio que hoje reina em torno do empreendimento.
[1] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 42.
[2] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pp. 61 a 62.
[3] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pp. 62 a 64.
[4] Apud WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pp. 63 a 64.
[5] Apud WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pp. 43 A 45.
[6] Apud Arquivo da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, Provincialado Franciscano, Recife / PE.
A IMAGEM DE S. ROQUE – Havia no Convento, por volta de 1703 uma imagem de S. Roque. Era o Patrono da Ordem Terceira de Ipojuca. Tinha a sua festa a 02 de janeiro. A imagem de S. Roque se encontrava na capela lateral do Bom Jesus, a capela do Sr. Santo Cristo, chamada também de antigo Santuário. Hoje se acha no nicho lateral, frente ao altar da Conceição.
O Inventário de 1852 lhe atribuía 2 pares de cortinas com sanefas.
A ORDEM TERCEIRA DE S. FRANCISCO
O culto a S. Roque aponta para a existência de uma Fraternidade da Ordem Terceira em Ipojuca. Sabemos que ela existiu, embora nos faltem dados mais precisos sobre a sua atuação. “Sobre a fundação da fraternidade terciária de Ipojuca, não temos dados exatos. Informa o Novo Orbe Seráfico: ´Na Congregação de 16 de junho de 1703, se nomeou o primeiro Comissário dos Terciários para esse Convento [de Ipojuca]. Se antes disto havia já ali alguns Irmãos desta Venerável Ordem, dirigidos pelos Prelados e Guardiães da casa, não temos certeza. Tomaram por titular o Glorioso S. Roque, e a sua imagem se acha colocada no altar do Sr. Santo Cristo, sem mais ato algum da sua Ordem que tomarem hábito, professarem, fazerem eleição de ministro e mais ofícios e celebrarem a festa do seu santo titular no outro dia depois que se soleniza a do Sr. Santo Cristo, por ser esta a ocasião de maior concurso de gente no lugar.´ ” [1]
Para se ter idéia da situação em que se encontrava a Ordem Terceira de São Francisco quando da chegada dos frades restauradores na última década do século XIX, é bom não perder de vista a situação em que se encontrava a Igreja no Brasil diante da política régia inspirada pelo regalismo português:
“Em princípios do século XVIII, expediam-se decretos restringindo a construção de novos conventos, e permitindo apenas hospícios. em lugar de conventos, nas aldeias de índios missionadas pelos religiosos, para limitar o número dos missionários. Na realidade, contribuiu este dispositivo para relaxar a disciplina regular, dando também margem a abusos.
Limitado o número dos conventos, o regalismo português reduziu o número dos próprios religiosos, restringindo a aceitação de candidatos às diversas Ordens . Seguiu-se a proibição de certas atividades, como, por exemplo, o ensino elementar nas escolas religiosas.
A conseqüente decadência das Ordens foi favorecida pela aquisição de abundantes privilégios e títulos, como também pela lei da alternativa, e pela demasiada submissão dos religiosos portugueses às exigências injustas da metrópole. Não negamos que a falta de disciplina regular, existente em muitos conventos daquele tempo, representasse um grande mal. Entretanto, muito mais funesta foi, para a vida religiosa, a intromissão do governo civil nos negócios internos da igreja e das Ordens, irrogando-se a coroa portuguesa direitos e poderes que não lhe cabiam, como aliás fez também o Império Brasileiro até sua queda em 1889.
Para acabar com certos abusos, como os havia em muitas Ordens, não se tornava indispensável extinguir as comunidades religiosas, e sim reformá-las. Quantas perdas de valores irrecuperáveis teriam sido evitados pelos governos, no terreno da arte, da história, da literatura e da religião, se se houvesse conservado e garantido a marcha da vida religiosa nos conventos do Brasil
Enquanto o convento ipojucano, de 1739 a 1749, contava dezoito a dezenove religiosos (5 e 6), a partir de 1796 não abrigava mais de cinco, chegando a ficar desabitado em 1890.
Mais do que qualquer outro estabelecimento, ressentiu-se da falta de sacerdotes, em face do santuário que lhe ficava anexo como alvo de ininterruptas peregrinações. Haviam-se desvanecido as solenidades do culto divino. Desde muito que o claustro não presenciava as longas fileiras de franciscanos ao ensejo das rasouras e demais exercícios de piedade realizados em comum.” [2]
Vejamos agora o que escreve Frei Venâncio Willeke sobre o contexo histórico da obra restauradora, em seu livro Convento de Stº Cristo de Ipojuca: [3]
“Morrendo, a 24 de junho de 1890, o último guardião e inquilino do convento ipojucano. parecia esse prédio quase trissecular fadado a completo abandono e desmoronamento. Durante os dois anos seguintes. o superior franciscano de Sirinhaém único sobrevivente religioso. se encarregou de administrar a casa conventual. até que também ésse ancião baixou à sepultura, em 1892.
Como o convento houvesse recebido o último conserto parcial. durante a gestão de frei Antônío da Rainha dos Anjos (1850-1852), é fácil imaginar o estado deplorável a que chegara o prédio com a falta completa de religiosos. O último inventário da época aponta objetos de longa duração, que entretanto desapareceram para sempre, não constando se devido ao abandono trienal do convento (1892-1895), ou se os próprios franciscanos se desfizeram deles .
Antes que os ipojucanos esperassem, apareceu, em meio ao abandono, uma vaga promessa de outros religiosos. E que a 27 de dezembro de 1892 e a 8 de junho de 1893, respectivamente, haviam chegado à Bahia as duas primeiras turmas de franciscanos alemães da Província Saxônia, a primeira chefiada por frei Amando Bahlmann, e a segunda pelo padre comissário provincial, frei Irineu Bierbaum (11 e 12). Ambos percorreram, ainda em 1893, os conventos do Recife, Olinda e Ipojuca, para verificar se convinha restaurá-los.
Convencendo-se das tristes condições em que vivia a paróquia de S. Miguel de Ipojuca, pregou frei Amando duas missões, ao ensejo das festas tradicionais do Sr. Santo Cristo de Ipojuca, em 1894 e 1895, preparando a um tempo o ânimo da população para a possível chegada dos franciscanos alemães.
De fato, em princípios de 1895, apareceu em Ipojuca o primeiro franciscano, com ordem de ocupar o convento. Era frei Fernando Oberborbeck, que cooperara na segunda missão pregada por frei Amando. Em fins de abril do mesmo ano, tomou posse do convento o. primeiro superior, na pessoa de frei Adalberto Kirschbaum, a quem o bispo de Pernambuco, logo em meados de maio, entregou também o paroquiato.
Salvara-se de completa ruína o venerando convento de Santo Antônio de Ipojuca, e garantia-se a vida regular, interrompida havia muito tempo.
Para fazer idéia do que significava a restauração da vida franciscana, ouçamos uma testemunha ocular, frei Joaquim do Espírito Santo, um dos últimos sobreviventes da antiga Província. De sua carta, dirigida ao padre comissário frei Irineu, extraímos os tópicos mais expressivos:
Devemos muitíssimo a Vossa Paternidade e aos vossos irmãos de hábito. fiada direi dos benefícios que nos fizestes em tão larga escala e de que sempre nos recordaremos; nem falarei da restauração da Província que outros puderam fazer; mas falarei do modo desta restauração, da observância da regra, da vossa excessiva caridade e da de todos os confrades alemães, para com nós brasileiros, também vossos irmãos de hábito, e sobretudo pelo coração; falarei dos exemplos de piedade e de todas as virtudes que nos servem de lição e incitamento.
Bem me disse nosso confrade frei Antônio da Ascensão ´Agora, vendo o que fazem os nossos irmãos germânicos, mais ainda me lembro das contas que tenho de prestar a Deus da minha administração´.
Falando assim exprimiu meus próprios sentimentos. Tenho trabalhado muito pela restauração da nossa Província, consagrando-lhe todos os meus esforços. Este pobre homem clamou ao Senhor e foi atendido. Mas, não havia esperado tantas bênçãos e tanta felicidade. Deus seja bendito que mandou tantos e tais operários para a sua vinha seráfica; já posso dizer com o salmista: ´Agora despedis o vosso servo em paz, porque meus olhos viram a restauração da nossa Província por que tanto anelara´. [4]
Coma chegada dos frades restauradores da Província Franciscana da Saxônia, o primeiro vigário franciscano de ipojuca, Frei Adalberto Kirschbaum, relata:
“Quando Frei Ireneu retornou à Alemanha, Frei Amando se tornou Comissário. No ano de 1895, aceitou ele o antigo convento, em Ipojuca, em situação deplorável. Eu fui para lá enviado, como superior e pároco – o primeiro pároco da Província do Norte. A paróquia tinha cerca de 2'7.000 almas e 20 capelas. Dela dizia o Ex.mo Bispo D. Manuel dos Santos Pereira, que era a pior paróquia de sua Diocese”.
No Capítulo XIII de sua obra sobre o Convento de Ipojuca, trata Frei Venâncio da
VENERÁVEL 0. 3.ª DE S. FRANCISCO
A história da Ordem Terceira de Ipojuca é tão puco conhecida dos próprios frades, que acho por bem transcrever o que escreve Frei Venâncio sobre ela:.
“Além das Ordens dos Frades Menores (Franciscanos) e Clarissas, fundou S. Francisco a chamada. Ordem Terceira, para aqueles que, não podendo abraçar a vida estritamente religiosa, desejassem seguir o ideal franciscano no século. O fim dessa Ordem Terceira é a santificação das famílias cristãs.
É óbvio que todo convento franciscano procure agregar à sua igreja uma fraternidade terciária.
Falando Jaboatão em "nossa irmão da confraternidade" (Francisco Dias Delgado), não significa. ter este pertencido à Ordem 3.ª, mas ao número dos principais benfeitores filiados à Ordem 1.ª .
Sobre a fundação da fraternidade terciária de Ipojuca, não temos dados exatos . Informa o Novo Orbe Seráfico : "Na Congregação de 16 de junho de 1703, se nomeou o primeiro Comissário dos Terceiros para esse Convento. Se antes disto haviam já ali alguns Irmãos desta Venerável Ordem, dirigidos pelos Prelados e Guardiães da casa, não temos certeza. Tomaram por titular o Glorioso S. Roque, e a sua imagem se acha colocada no altar do Sr. Santo Cristo, sem mais ato algum da sua Ordem que tomarem hábitos, professarem, fazerem eleição de ministro e mais ofícios e celebrarem a festa do seu santo titular no outro dia depois que se soleniza a do Sr. Santo Cristo, por ser esta a ocasião de maior concurso de gente no lugar".
A esta breve informação, juntamos outra, menos animadora ainda, que data do princípio do século XIX: "consta-nos que já hoje nada disto fazem (do que Jaboatão apontou acima) o que não obstante sempre se nomearam comissários". E. falando sobre a imagem do padroeiro que ainda se acha no altar do Sr. Santo Cristo diz o texto: "sem até agora, fazerem capela'' (4) .
Nenhum outro documento relativo à O: 3.ª de Ipojuca chegou ao nosso
conhecimento. Apenas a imagem de S. Roque sobreviveu à Fraternidade extinta no século passado.
Por deprimentes que pareçam as parcas notícias, não podemos considerar a O. 3.ª uma fundação malograda. Desconhecemos as pérolas de virtude que terão adornado a humilde e pobre fraternidade, durante o primeiro século de sua existência. Enquanto em terras brasileiras a decadência da O. 3.ª acompanhava a dos próprios franciscanos, faziam-se ouvir no Vaticano os apelos pontifícios em favor da Venerável Ordem reformada em 1883. Escrevia o Papa da Questão Social: "Estamos persuadidos de que a Ordem Terceira é o remédio mais eficaz para extirpar os males em que se debate a nossa sociedade atual e o meio mais apto para levar o mundo à verdadeira observância do Evangelho" (5). Daí a conclusão: "É nosso desejo que todas as famílias se inscrevam na O. 3.ª" e a ordem transmitida à imprensa franciscàna : "Consagrai-vos a propagar, com todas as vossas forças, a O. 3.ª, porque ela há de regenerar o mundo" , pois "assim como a O. 3.ª em tempo do seu fundador S. Francisco, reformou o mundo, assim também agora o há de regenerar".
Dando mais ênfase ao seu convite, afirma o mesmo Papa Leão XIII: "Não sem inspiração de Deus temos recomendado uma e outra vez este instituto, porque a O. 3.ª não é outra coisa senão a vida cristã bem entendida".
À vista de tantas recomendações pontifícias, não admira que o guardião de Ipojuca, frei Adalberto Kirschbaum, procedesse à fundação de nova fraternidade terciária, a 4 de outubro de 1896. Embora o número dos irmãos fosse sempre reduzido, pode a nova fraternidade gabar-se de grandes realizações na instrução religiosa da juventude, na assistência aos pobres e doentes como na solenização do culto divino. Mais ou menos 120 irmãos chegaram a. professar, a partir de 1897.
Damos a seguir a relação dos padres comissários da O. 3.ª de Ipojuca (11)
1. 1703 Hilário da Visitação
2. 1709 Jerônimo da Graça
3. 1710 Eugênio da "Natividade
4. 1712 Manuel de St.' Antônio
5. 1714 José dos Prazeres, Pres.
6. 1718 Manuel da Piedade
7. 1719 Antônio da Glória
8. 1721 Dionísio da Madre de Deus
9. 1723 João do Pai Eterno
10. 1726 Manuel do Nascimento
11. 1727 Nicolau do Paraíso
12. 1729 Luís de São Boaventura –
13. 1730 Eugênio do Espirito Santo
14. 1732 João do Bom Jesus
15. 1733 José de Santa Joana
16. 1735 Nicolau do Paraíso
17.1739 José de Santa Joana
18. 1741 Ludovico da Purificação
19. 1742 Francisco de Santa Tereza
20. 1743 Manuel de Santo Agostinho
21. 1745 João do Bom Jesus
22. 1751 João de Santa Angela, Lente
23. 1757 Antônio da Purificação
24. 1760 Fernando de St .O Antônio
25. 1761 André de São Luís
26. 1763 Zacarias de Jesus Maria
27. 1766 Marçal da Vitória
28. 1768 Antônio da Conceicão liaria
29. 1771 llatias de Santa rrsula
30. 1772 Antônio de São Féliz
31. 1774 José de São Luís
32. 1779 Francisco Solano
33. 1785 Manuel de Santa Rita
34. 1787 Manuel da Ressurreicão Seiras
35. 1789 Manuel de Santo Antônio
36. 1793 Manuel de Santa Teresa Miranda
37. 1798 João de Santo Afonso
38. 1800 Antônio de São Félis
39. 1801 líanuel dos Querubins, G
40 1802 Manuel de Santa Rita Nunes, G
41. 1805 Boaventura da Sagrada Família
42. 1807 Caetano de Santa Engrácia
43. 1808 Joaquim da Purificação, G
44. 1810 José da Conceição Molina, G
45. 1811 Manuel de Santa Miquelina, G
46. 1814 Custódio de Santa Rosa Galvão, G
47. 1816 Boaventura da Sagrada Família
48. 1817 Manuel da Conceição de Maria, G
49. 1819 Jerônimo de S. Pedro de Alcântara, G
50. 1820 Manuel de Santa Rita (Campeio) Morais, G
51. 1824 Joaquim de Santa Escolástica, G
52. 1827 Tomás de Aquino, G
53. 1828 Francisco Xavier da Conceição
54 1829 Jerônimo do Patrocínio de São José, Pres.
55. 1831 Francisco de São José Magalhães, G
56. 1832 Jerônimo do Patrocínio de São José, G
57. 1835 Francisco de Santo Ináeio, G
58. 1838 João Batista do Espírito Santo, Pres.
59. 1841 José de Santa Maria Fonseca
60 1844 José de Santa Leoeádia Mota, G
A partir de 1844, o cargo de comissário dos Terceiros tem sido confiado ao guardião do convento, excetuando-se o período de 1860 a 1862. em que o exerceu frei José de Santa Leocádia Mota. Veja-se a relação dos padres superiores. no capítulo XXIV deste trabalho.” [5]
Demos de novo a palavra ao primeiro vigário franciscano de Ipojuca Frei Adalberto para concluirmos com otimismo o que sombriamente começamos:
O bom Deus abençoou o nosso trabalho. Quando D. Manuel, Bispo de Pernambuco, foi a Ipojuca, em 1898, nos disse: "Agora, sim, Ipojuca é a minha melhor freguesia e não me trás preocupações: " No começo, não tínhamos confissões e comunhões. Mas depois, de um ano, eram 1.000, cada mês. As festas não ficaram mais somente em exterioridades, mas eram celebrações com muitas confissões e comunhões. Em breve tempo, tínhamos um bem numeroso Apostolado do Coração de Jesus, uma boa Pia União das Filhas de Maria, uma zelosa Conferência Vicentina, e mais ou menos 90 pessoas na Ordem 3ª. Tínhamos, por fim, 2 escolas com 170 crianças, que eram mantidas pelo convento. Como disse bem acertadamente Frei Gregório, nós não privamos aos brasileiros de seu gosto por exterioridades, mas o unimos com o religioso, de acordo com o caráter brasileiro.[6]
Concluiindo, não conseguimos, por ora, precisar quando se extinguiu a Ordem Terceira (hoje dita Ordem Franciscana Secular) de Ipojuca, e a causa do seu desaparecimento. Crermos que há algumas décadas. Há´muito interesse da Fraternidade Franciscana da Ordem Terceira Secular da cidade do Cabo de Santo Agostinho (vziinha de Ipojuca) de restaurar a Fraternidade ipojucana. Várias reuniões foram realiizadas neste sentido, mas, não sabemos a que atribuir o isilêncio que hoje reina em torno do empreendimento.
[1] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 42.
[2] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pp. 61 a 62.
[3] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pp. 62 a 64.
[4] Apud WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pp. 63 a 64.
[5] Apud WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pp. 43 A 45.
[6] Apud Arquivo da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, Provincialado Franciscano, Recife / PE.
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