segunda-feira, 24 de maio de 2010

DE FREI COSME DE SÃO DAMIÃO

segunda-feira, 24 de maio de 2010

DE FREI COSME DE SÃO DAMIÃO
UM MANUSCRITO INÉDITO
Desde 1957 a Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil conta com um manuscrito inédito, com assinatura de Frei Cosme de São Damião. Nosso infatitgável pesquisador de saudosa memória, Frei Menandro Huten, OFM, folheando um livro da biblioteca do Convento de Salvador / Bahia, encontrou casualmente entre as suas folhas, um pedaço de papel um tanto estragado, que outro, sem dúvida, teria jogado na cesta de lixo. Mas Fr. Menandro logo percebeu tratar-se de documento de grande valor, pois trazia a assinatura de Frei Cosme de São Damião.Quem era Frei Cosme de São Damião? Foi o “venerável” Custódio que dirigiu o destino da Custódia de Santo Antônio do Brasil, em época das mais difíceis de nossa história: o período da Guerra Holandesa.

Frei Cosme de São Damião, depois de ter sido definidor e Custódio, foi guardião do Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro do qual foi coundador com Frei Vicente do Salvador, o pai da História do Brasil, o “Heródoto Brasileiro”. Distinguiu-se, porém, como missionário entre os índios. Percorreu quinhentas léguas do Maranhão ao Rio de Janeiro. Bem-sucedido em tudo, “permaneceu sempre puro, estrela brilhante”, diz Jaboatão. Faleceu na Bahia a 1º de novembro de 1659.(Veja: Pesquisa Google “Frei Vicente do Salvador e Frei Cosme e São Damião no Convento do Rio de Janeiro”. Resultados da pesquisa: sit Santuário e Convento Santo Antônio -21 maio 2010 ... Frei Cosme de São Damião. Foi guardião do convento depois de ter sido ... Percorreu quinhentas léguas do Maranhão ao Rio de Janeiro. ...www.franciscanos.org.br/santoantonio_rj/.../07.php - Em cache).Na lista dos Custódios ele ocupa o 13º lugar: de 1633 a 1639. Frei Bonifácio Mueller, OFM, ao apresentá-lo, escreve: “Frei Cosme de São Damião, o Venerável: Preso pelos hereges, fora destinado ao degredo em Serra Leoa; não podendo desembarcar, voltou a Pernambuco. Maurício de Nassau, declarando sua sentença cumprida, mandou restituir-lhe a liberdade. Dedicou-lhe nosso Cronista [Frei Jaboatão] uma biografia extensa de 116 páginas (Jab. II, pgs. 127 – 243) (Veja: MUELLERR, Frei Bonifácio, Origem e Desenvolvimento da Província de Santo Antônio de 1584 – 1957, em Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, 1657 -1957, Volume I, Provincialado Franciscano, Recife, 1977, p. 73).Nestas poucas palavras, uma vida dedicada inteiramente a serviço de Deus na Ordem Franciscana, o que significa a serviço sobretudo dos mais necessitados. Em poucas palavras, o martírio de Frei Cosme de São Damião, de que nos ocuparemos nesta postagem e em outras.Vamos transcrever o teor do manuscrito encontrado por Frei Menandro, adaptando-o , para melhor entendimento do leitor, à linguagem de hoje:“Frei Cosme de S. Damião Custódio, desta Santa Província, quando era ainda Custódia.Certifico in verbo Sacerdotis [com palavra de Sacerdote], que eu tenho de idade oitenta e três anos que se completarão no dia dezoito de novembro próximo vindouro. Certifico mais que sou surdo e cego, e que, por isso mesmo, celebro a Missa com muita dificuldade, fora das regras e deselegantemente. Sofro de falta de memória e entendimento, e sinto-me decrépto.Em vista do exposto, peço humildemente aos Padres Visitador, Provincial e Definidores que me dêem por escusado, como vogal que sou, de participar ativamente do Capítulo que, com o favor de Deus, se espera celebrar. E se alguma pretensão no Capítulo eu poderia ter por direito, renuncio ao uso do mesmo.Neste Convento de nosso Pai São Francisco da Bahia, aos seis dias de julho de mil seiscentos e cincoenta e sete.Fr. Cosme de S. Damião”.
Postado por Frei Milton Coelho às 11:08 0 comentários
sexta-feira, 21 de maio de 2010

GUERRA HOLANDESA MARTÍRIO DOS FRANCISCANOS
NOTA PRÉVIA:CARTA DE D. VAN HOOGSTRATEN Dirigida à Companhia na Holanda,Escrita na Fortaleza van der Dussen,a 18 de junho de 1645, pela manhã às 7 horas."Agora mesmo passou aqui o rio o marinheiro Siveminen, um daqueles que estavam trabalhando num barco no porto de Salgado. Ele relata como ontem de tarde às 5 horas tinha chegado junto aos barcos uns 100 Portugueses, todos armados de fuzil e com grande alvoroço atacaram os barcos; disse mais o marinheiro não ter certeza, se mataram alguém, porque ele salvou-se.O tenente Jacó Flemmingh, aquartelado em Ipojuca, como afirma o mesmo marinheiro, se tinha retirado de Ipojuca ontem pela manhã, sem me ter avisado da chegada do inimigo. Mas espero que ninguém do meu povo esteja ferido nem morto. V.V.S.S. saibam, que eu tenho um só um soldado de patente inferior, que está adoentado e tenho também um só arqueiro, e além disso, nem eu, nem os soldados têm coisa alguma para comer. Isso com toda a pressa, porque os marinheiros não queriam esperar. De V.V.S.S. criado submisso (assin.). D. Van Hoogstraten.O marinheiro que relatou o sobredito, vai com esta carta.Aviso secreto que veio no dia 13 de Junho e nos dias seguintes:Um certo padre tinha avisado fulano de prevenir-se, porque tinha notícia certa que tropas da Bahia tinham passado o rio de S. Francisco para expulsar os holandeses, e que um grande número de portugueses se preparava para se juntar com eles. O padre foi convidado a apresentar-se para saber se tinha certeza disso. Veio e declarou ter certeza que as tropas já estavam na mata, esperando somente até que os portugueses estivessem prontos. Declarou mais que alguns levavam documentos, pelos quais prometem fidelidade ao rei de Portugal e pegarem em armas. Disse mais que tal documento já era assinado por muitos, porém forçados.16 de junho: o mesmo padre avisou fulano ... Interrogado por que motivo ele nos denunciava tudo isso, respondeu que agora estavam satisfeitos e que ninguém foi molestado pela sua religião. E disse que mais, que ele era natural daqui mesmo e que suas irmãs, seus irmãos e todos os amigos estavam aqui morando abastadamente, e por este motim seriam prejudicados, e pediu para todos nossa proteção. Disse que devia logo ser publicado pelos padres, que cada um voltasse para casa, e que íamos nos defender todos contra os inimigos e garantir a nossa proteção para evitar uma retirada comum dos Portugueses que temem um massacre geral. O Padre Manuel disse o mesmo, oferecendo-se para tal fim. Também os padres de Ipojuca, que ontem foram conduzidos para cá, solicitaram o mesmo, para evitar a retirada coletiva [grifo nosso].Um certo negro, livre, vem denunciar.... Perguntado, se conhecia Henrique Dias, diz sim, que o conhecia quando era escravo do Sr. Stachouwer e que ele tinha um só braço, porque o outro tinha cortado o comandante Claes Thysen.Jan Baerenz, mestre de um barco que tinha saído daqui para o Cabo de S. Agostinho com víveres para a fortaleza de lá, relata o seguinte: no dia 20 de junho: No dia 17.... indo para o seu barco, encontrou-se com Claes, um comerciante livre que lhe disse entre outras coisas, que uns 20 Holandeses estavam presos no convento de Ipojuca [destaque nosso]. Na fortaleza van der Dussen, aos 20 de junho de 1645 (assin.) A. Van Bullerstrate. Às onze horas da noite.(Tradução de Fr. Menandro Rutten, OFM, de nacionalidade holandesa, falecido a o1-o4-1963 em João Pessoa / PB – Doc. do Arquivo Franciscano Provincial – Recife).Postado por Frei Milton Coelho às 10:43 1 comentários
COMENTÁRIO DE FREI JOSÉ MILTONO documento traduzido por Frei Menandro revela a tensão reinante entre os holandeses diante do que eles consideravam uma reação organizada pelos portugueses (entenda-se pernambucanos), prestes a explodir. Daí o empenho do Governo holandês em evitar toda e qualquer comunicação dos dominados com as autoridades civis ou eclesiásticas fora da conquista. Vê-se que estavam de olhos na Bahia de onde poderia vir o socorro contra os batavos. OS FRANCISDCANOS MÁRTIRES DOS HOLANDESES
A TOMADA DE OLINDA Aos 16 der fevereiro de 1630 Olinda caiu nas mãos dos holandeses.Matias de Albuquerque tratou se entrincheirar com seus homens e os frades de modo a não permitir a passagem ao inimigo à vila de Olinda. Depois de três tentativas, sendo sempre repelidos, descobriram uma passagem que os levou ao Colégio dos Jesuítas, pouco acima do Convento Franciscano. Lá, o Capitão Salvador de Azevedo, com apenas 22 soldados, resistiu o quanto pôde aos invasores que se apossaram do Colégio e içaram a bandeira holandesa na torre da igreja. Baseado em Frei Jaboatão, escreve Frei Bonifácio Mueller: “De meio-dia até às 4 horas da tarde, travaram-se lutas em diversos pontos da Vila. Quem podia fugir, fugiu levando o que podia carregar no momento. Ao pobre Matias de Albuquerque, dos 2000 soldados, na maior parte recrutas bisonhos, ficaram-lhe 20 homens, com os quais resolveu acudir ao povoado do Recife, deixando Olinda entregue ao inimigo invasor que viera com uma força de 7000 soldados treinados no combate.” O General Matias de Albuquerque, sobre a participação dos franciscanos na luta, passou uma certidão que Frei Jaboatão transcreveu:“Certifico que vindo no mês de fevereiro do ano 1630 sobre o porto e Vila desta Capitania de Pernambuco uma mui poderosa armada holandesa, o Padre Custódio [Frei Antônio dos Anjos] com muitos Religiosos da sua ordem, acudiram à praia, às trincheiras e baluartes, onde assistiram até de todo serem rendidos...” Poderia ter acrescentado: “entre eles o Pe. Definidor Frei Luís da Anunciação. Apesar dos 70 anos, não vacilou de enfrentar todos os perigos. Logo duas balas inimigas atingiram-lhe o peito, e nem cuidava de se por a salvo; pelo contrário, com essas feridas ainda mais se animava na peleja, desde que lhe não custaram a vida.” Sobre o incêndio de Olinda, à revelia do Alto Comando da Holanda que instruíra os chefes da esquadra destinada à Pernambuco, que, “tomada a ´cidade´ [de Olinda] [...], fortificassem os seus pontos mais altos, e, especialmente o Convento dos Jesuítas devido _a sua situação. E com pé firme aí, poderia a esquadra iniciar novos ataques: o Rio de janeiro, em primeiro lugar (´julgamos tal cidade no sul tão aproveitável e útil à Companhia, como a cidade de Pernambuco (i. é, Olinda) no Norte´”. A intenção era de conquistar também a Paraíba ( o que logo vai acontecer) e a Bahia (novas tentativas sem resultado). Estava bem claro para os pernambucanos que o projeto de ocupação holandesa era definitivo e visava a todo o país. Isto nos ajuda a compreender a resistência heróica ao inimigo durante 24 anos.Em 1631, “levados por motivos estratégicos, os holandeses tocaram fogo na Villa, nas igrejas e nos conventos de Olinda [...]. Em boa hora, um grupo de índios corajosos saíram de suas estâncias vizinhas, no empenho de atalhar o fogo no Colégio e no Convento...” Mas antes de incendiarem o convento procederam à demolição do mesmo: “A 17 de novembro de 1631, começou a demolição dos edifícios, transportando-os mais tarde para o Povo (Recife) o material aproveitável. Foi a vila de Olinda despejada no dia 24 de novembro (do mesmo ano), sendo barbaramente entregues às chamas todas as casas que não foram pelos proprietários resgatadas pelas somas que arbitrou o inimigo.” É o que escreve Richshoffer, citado por Fr. Bonifácio. Frei Jaboatão dá a entender que não foram levados só por motivos estratégicos mas também por ódio à religião católica, sobretudo em relação ao Convento Franciscano, “como cabeça de todos, e alvo da fúria e do ódio dos inimigos hereges”. “No mesmo ano [1631], houve Capítulo, no qual foi eleito como Custódio Frei Simão de Santo Antônio, e como Guardião do Convento de Olinda saiu eleito Fr. Manuel dos Anjos, que se alojou no convento todo pilhado e, em parte, pelo menos, destruído; ele e mais alguns religiosos que, no dizer do cronista [Jaboatão], ´por mais devotos e maior espírito e fortaleza de ânimo, se não queriam nem podiam apartar da Casa e sombra de Nossa Senhora das Neves´” OS MÁRTIRES – Em 1633 houve Capítulo no Convento de Ipojuca. Saiu eleito o Guardião do Convento de Olinda Frei Francisco da Esperança, “tão destemido como o seu antecessor.” Certamente depositavam nele alguma esperança de restaurar o Convento de Nossa Senhoras das Neves, em escombros depois do incêndio.“Mas no ano seguinte de 1634, chegaram os holandeses do Recife e, de assalto, invadiram o convento. Encontraram na Capela-mor um pobre Irmão Leigo, Fr. Francisco Auzança, que estava em oração. Sem respeitar o lugar, mataram aí mesmo o religioso com um tiro de arcabuz e golpes de alabardas. O Guardião Fr. Francisco da Esperança foi levado preso às cadeias do Recife, e daí foi embarcado [degredado] para a Holanda. Na sua ausência, congregaram-se os frades dispersos no mesmo convento de Olinda, e como estivessem sem Prelado Maior, por estar preso também o Custódio Frei Cosme de S. Damião, elegeram outro Superior, que foi Fr. Jerônimo de Santa Catarina, restabelecendo, quanto possível, a vida comum. Apenas três anos viveram sossegados, pois já em 1639 chegaram de novo os soldados flamengos, encontrando 12 religiosos reunidos. Estes e mais alguns outros que lhes caíram nas mãos pelo caminho, foram presos e levados à ilha de Itamaracá, e daí desterrados para as Índias de Castela [Antilhas].” Entre eles, sabemos pelo relato de Fr. Jaboatão , se encontrava também Frei Francisco da Esperança, que, no exílio, terminou os seus dias. Aliás, poucos escaparam, como veremos adiante.Deste ano [1639] em diante, não fizeram mais outra tentativa de ocupar a Casa de N. S. das Neves, de modo que até à Restauração em 1654, o convento de Olinda ficou abandonado.”Postado por Frei Milton Coelho às 15:11 0 comentários
FONTES:
MUELLER, Fr. Bonifácio, Os Conventos Franciscanos de Pernambuco na Invasão Holandesa, apud Revista Santo Antônio, órgão da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, Ano 7, N° 1, Recife, 1949, p. 180.JABOATÃO, Frei Antônio de Santa Maria, Novo Orbe Seráfico, citado por Fr. Bonifácio Mueller, apudop. cit. pg. 180. MUELLER, Fr. Bonifácio, apud Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil – Edição comemorativa do Tricentenário – 1657 – 1957”, Volume I, Provincialado Franciscano, Recife / PE, 1957, pgs. 87 – 88.Conf. MELLO, José Antônio Gonçalves de, Tempo dos Flamengos, Livraria JOSÉ OLYMPIO Editora, 1947, pg. 47.MUELLER, Fr. Bonifácio, Os Conventos Franciscanos de Pernambuco na Invasão Holandesa, apud Revista Santo Antônio, órgão da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, Ano 7, N° 1, Recife, 1949, p. 180.MUELLER, Fr. Bonifácio, Apud Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil – Edição comemorativa do Tricentenário – 1657 – 1957”, Volume I, Provincialado Franciscano, Recife / PE, 1957, pgs. 89.MUELLER, Fr. Bonifácio, Os Conventos Franciscanos de Pernambuco na Invasão Holandesa, apud Revista Santo Antônio, órgão da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, Ano 7, N° 1, Recife, 1949, p. 181.Postado por Frei Milton Coelho às 11:49 0 comentários
Postado por Frei Milton Coelho às 17:52 0 comentários

sexta-feira, 21 de maio de 2010

GUERRA HOLANDESA MARTÍRIO DOS FRANCISCANOS

NOTA PRÉVIA:

CARTA DE D. VAN HOOGSTRATEN Dirigida à Companhia na Holanda,Escrita na Fortaleza van der Dussen,a 18 de junho de 1645, pela manhã às 7 horas.
"Agora mesmo passou aqui o rio o marinheiro Siveminen, um daqueles que estavam trabalhando num barco no porto de Salgado. Ele relata como ontem de tarde às 5 horas tinha chegado junto aos barcos uns 100 Portugueses, todos armados de fuzil e com grande alvoroço atacaram os barcos; disse mais o marinheiro não ter certeza, se mataram alguém, porque ele salvou-se.O tenente Jacó Flemmingh, aquartelado em Ipojuca, como afirma o mesmo marinheiro, se tinha retirado de Ipojuca ontem pela manhã, sem me ter avisado da chegada do inimigo. Mas espero que ninguém do meu povo esteja ferido nem morto. V.V.S.S. saibam, que eu tenho um só um soldado de patente inferior, que está adoentado e tenho também um só arqueiro, e além disso, nem eu, nem os soldados têm coisa alguma para comer. Isso com toda a pressa, porque os marinheiros não queriam esperar. De V.V.S.S. criado submisso (assin.). D. Van Hoogstraten.O marinheiro que relatou o sobredito, vai com esta carta.Aviso secreto que veio no dia 13 de Junho e nos dias seguintes:Um certo padre tinha avisado fulano de prevenir-se, porque tinha notícia certa que tropas da Bahia tinham passado o rio de S. Francisco para expulsar os holandeses, e que um grande número de portugueses se preparava para se juntar com eles. O padre foi convidado a apresentar-se para saber se tinha certeza disso. Veio e declarou ter certeza que as tropas já estavam na mata, esperando somente até que os portugueses estivessem prontos. Declarou mais que alguns levavam documentos, pelos quais prometem fidelidade ao rei de Portugal e pegarem em armas. Disse mais que tal documento já era assinado por muitos, porém forçados.16 de junho: o mesmo padre avisou fulano ... Interrogado por que motivo ele nos denunciava tudo isso, respondeu que agora estavam satisfeitos e que ninguém foi molestado pela sua religião. E disse que mais, que ele era natural daqui mesmo e que suas irmãs, seus irmãos e todos os amigos estavam aqui morando abastadamente, e por este motim seriam prejudicados, e pediu para todos nossa proteção. Disse que devia logo ser publicado pelos padres, que cada um voltasse para casa, e que íamos nos defender todos contra os inimigos e garantir a nossa proteção para evitar uma retirada comum dos Portugueses que temem um massacre geral. O Padre Manuel disse o mesmo, oferecendo-se para tal fim. Também os padres de Ipojuca, que ontem foram conduzidos para cá, solicitaram o mesmo, para evitar a retirada coletiva [grifo nosso].Um certo negro, livre, vem denunciar.... Perguntado, se conhecia Henrique Dias, diz sim, que o conhecia quando era escravo do Sr. Stachouwer e que ele tinha um só braço, porque o outro tinha cortado o comandante Claes Thysen.Jan Baerenz, mestre de um barco que tinha saído daqui para o Cabo de S. Agostinho com víveres para a fortaleza de lá, relata o seguinte: no dia 20 de junho: No dia 17.... indo para o seu barco, encontrou-se com Claes, um comerciante livre que lhe disse entre outras coisas, que uns 20 Holandeses estavam presos no convento de Ipojuca [destaque nosso]. Na fortaleza van der Dussen, aos 20 de junho de 1645 (assin.) A. Van Bullerstrate. Às onze horas da noite.(Tradução de Fr. Menandro Rutten, OFM, de nacionalidade holandesa, falecido a o1-o4-1963 em João Pessoa / PB – Doc. do Arquivo Franciscano Provincial – Recife).
Postado por Frei Milton Coelho às 10:43 1 comentários
COMENTÁRIO DE FREI JOSÉ MILTON
O documento traduzido por Frei Menandro revela a tensão reinante entre os holandeses diante do que eles consideravam uma reação organizada pelos portugueses (entenda-se pernambucanos), prestes a explodir. Daí o empenho do Governo holandês em evitar toda e qualquer comunicação dos dominados com as autoridades civis ou eclesiásticas fora da conquista. Vê-se que estavam de olhos na Bahia de onde poderia vir o socorro contra os batavos.

OS FRANCISDCANOS MÁRTIRES DOS HOLANDESES
A TOMADA DE OLINDA Aos 16 der fevereiro de 1630 Olinda caiu nas mãos dos holandeses.Matias de Albuquerque tratou se entrincheirar com seus homens e os frades de modo a não permitir a passagem ao inimigo à vila de Olinda. Depois de três tentativas, sendo sempre repelidos, descobriram uma passagem que os levou ao Colégio dos Jesuítas, pouco acima do Convento Franciscano. Lá, o Capitão Salvador de Azevedo, com apenas 22 soldados, resistiu o quanto pôde aos invasores que se apossaram do Colégio e içaram a bandeira holandesa na torre da igreja. Baseado em Frei Jaboatão, escreve Frei Bonifácio Mueller: “De meio-dia até às 4 horas da tarde, travaram-se lutas em diversos pontos da Vila. Quem podia fugir, fugiu levando o que podia carregar no momento. Ao pobre Matias de Albuquerque, dos 2000 soldados, na maior parte recrutas bisonhos, ficaram-lhe 20 homens, com os quais resolveu acudir ao povoado do Recife, deixando Olinda entregue ao inimigo invasor que viera com uma força de 7000 soldados treinados no combate.” O General Matias de Albuquerque, sobre a participação dos franciscanos na luta, passou uma certidão que Frei Jaboatão transcreveu:“Certifico que vindo no mês de fevereiro do ano 1630 sobre o porto e Vila desta Capitania de Pernambuco uma mui poderosa armada holandesa, o Padre Custódio [Frei Antônio dos Anjos] com muitos Religiosos da sua ordem, acudiram à praia, às trincheiras e baluartes, onde assistiram até de todo serem rendidos...” Poderia ter acrescentado: “entre eles o Pe. Definidor Frei Luís da Anunciação. Apesar dos 70 anos, não vacilou de enfrentar todos os perigos. Logo duas balas inimigas atingiram-lhe o peito, e nem cuidava de se por a salvo; pelo contrário, com essas feridas ainda mais se animava na peleja, desde que lhe não custaram a vida.” Sobre o incêndio de Olinda, à revelia do Alto Comando da Holanda que instruíra os chefes da esquadra destinada à Pernambuco, que, “tomada a ´cidade´ [de Olinda] [...], fortificassem os seus pontos mais altos, e, especialmente o Convento dos Jesuítas devido _a sua situação. E com pé firme aí, poderia a esquadra iniciar novos ataques: o Rio de janeiro, em primeiro lugar (´julgamos tal cidade no sul tão aproveitável e útil à Companhia, como a cidade de Pernambuco (i. é, Olinda) no Norte´”. A intenção era de conquistar também a Paraíba ( o que logo vai acontecer) e a Bahia (novas tentativas sem resultado). Estava bem claro para os pernambucanos que o projeto de ocupação holandesa era definitivo e visava a todo o país. Isto nos ajuda a compreender a resistência heróica ao inimigo durante 24 anos.Em 1631, “levados por motivos estratégicos, os holandeses tocaram fogo na Villa, nas igrejas e nos conventos de Olinda [...]. Em boa hora, um grupo de índios corajosos saíram de suas estâncias vizinhas, no empenho de atalhar o fogo no Colégio e no Convento...” Mas antes de incendiarem o convento procederam à demolição do mesmo: “A 17 de novembro de 1631, começou a demolição dos edifícios, transportando-os mais tarde para o Povo (Recife) o material aproveitável. Foi a vila de Olinda despejada no dia 24 de novembro (do mesmo ano), sendo barbaramente entregues às chamas todas as casas que não foram pelos proprietários resgatadas pelas somas que arbitrou o inimigo.” É o que escreve Richshoffer, citado por Fr. Bonifácio. Frei Jaboatão dá a entender que não foram levados só por motivos estratégicos mas também por ódio à religião católica, sobretudo em relação ao Convento Franciscano, “como cabeça de todos, e alvo da fúria e do ódio dos inimigos hereges”. “No mesmo ano [1631], houve Capítulo, no qual foi eleito como Custódio Frei Simão de Santo Antônio, e como Guardião do Convento de Olinda saiu eleito Fr. Manuel dos Anjos, que se alojou no convento todo pilhado e, em parte, pelo menos, destruído; ele e mais alguns religiosos que, no dizer do cronista [Jaboatão], ´por mais devotos e maior espírito e fortaleza de ânimo, se não queriam nem podiam apartar da Casa e sombra de Nossa Senhora das Neves´” OS MÁRTIRES – Em 1633 houve Capítulo no Convento de Ipojuca. Saiu eleito o Guardião do Convento de Olinda Frei Francisco da Esperança, “tão destemido como o seu antecessor.” Certamente depositavam nele alguma esperança de restaurar o Convento de Nossa Senhoras das Neves, em escombros depois do incêndio.“Mas no ano seguinte de 1634, chegaram os holandeses do Recife e, de assalto, invadiram o convento. Encontraram na Capela-mor um pobre Irmão Leigo, Fr. Francisco Auzança, que estava em oração. Sem respeitar o lugar, mataram aí mesmo o religioso com um tiro de arcabuz e golpes de alabardas. O Guardião Fr. Francisco da Esperança foi levado preso às cadeias do Recife, e daí foi embarcado [degredado] para a Holanda. Na sua ausência, congregaram-se os frades dispersos no mesmo convento de Olinda, e como estivessem sem Prelado Maior, por estar preso também o Custódio Frei Cosme de S. Damião, elegeram outro Superior, que foi Fr. Jerônimo de Santa Catarina, restabelecendo, quanto possível, a vida comum. Apenas três anos viveram sossegados, pois já em 1639 chegaram de novo os soldados flamengos, encontrando 12 religiosos reunidos. Estes e mais alguns outros que lhes caíram nas mãos pelo caminho, foram presos e levados à ilha de Itamaracá, e daí desterrados para as Índias de Castela [Antilhas].” Entre eles, sabemos pelo relato de Fr. Jaboatão , se encontrava também Frei Francisco da Esperança, que, no exílio, terminou os seus dias. Aliás, poucos escaparam, como veremos adiante.Deste ano [1639] em diante, não fizeram mais outra tentativa de ocupar a Casa de N. S. das Neves, de modo que até à Restauração em 1654, o convento de Olinda ficou abandonado.”
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FONTES:
MUELLER, Fr. Bonifácio, Os Conventos Franciscanos de Pernambuco na Invasão Holandesa, apud Revista Santo Antônio, órgão da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, Ano 7, N° 1, Recife, 1949, p. 180.JABOATÃO, Frei Antônio de Santa Maria, Novo Orbe Seráfico, citado por Fr. Bonifácio Mueller, apudop. cit. pg. 180. MUELLER, Fr. Bonifácio, apud Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil – Edição comemorativa do Tricentenário – 1657 – 1957”, Volume I, Provincialado Franciscano, Recife / PE, 1957, pgs. 87 – 88.Conf. MELLO, José Antônio Gonçalves de, Tempo dos Flamengos, Livraria JOSÉ OLYMPIO Editora, 1947, pg. 47.MUELLER, Fr. Bonifácio, Os Conventos Franciscanos de Pernambuco na Invasão Holandesa, apud Revista Santo Antônio, órgão da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, Ano 7, N° 1, Recife, 1949, p. 180.MUELLER, Fr. Bonifácio, Apud Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil – Edição comemorativa do Tricentenário – 1657 – 1957”, Volume I, Provincialado Franciscano, Recife / PE, 1957, pgs. 89.MUELLER, Fr. Bonifácio, Os Conventos Franciscanos de Pernambuco na Invasão Holandesa, apud Revista Santo Antônio, órgão da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, Ano 7, N° 1, Recife, 1949, p. 181.
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domingo, 16 de maio de 2010

GERENCIAMENTO ECONÔMICO, ECOLÓGICO E COSTEIRO

A pedido do confrade Frei Sinésio, OFM, faço postagem de seu artigo
Recordação do Gerenciamento Econômico, Ecológico e Costeiro, que considerode muito oportuno.

"Governava o Estado de Pernambuco no ano de 1998, Miguel Arraes e foi durante o seu governo que implantou as bases do desenvolvimento sustentável da zona costeira através da firme determinação de realizar o Gerenciamento Econômico Ecológico e Costeiro para o litoral norte e sul. O diagnóstico, planejamento, objetivava identificar as zonas de desenvolvimentos: comércio, indústria, hotelaria, preservação e conservação de áreas de interesse ambiental. Foi uma iniciativa que hoje podemos chamar de preparação para a sustentabilidade econômica e ambiental. Em relação ao litoral sul posso falar com bastante propriedade, pois participei das oficinas com representantes do setor industrial, hotelaria, comércio, meio ambiente, pescadores, representantes das prefeituras, universidades e de várias entidades do governo do Estado. Éramos um grupo eclético e representativo.
O Distrito industrial de SUAPE, pertencente ao município do Ipojuca, sabíamos que cedo, iria atrair inúmeras fábricas devido a sua importância geográfica de proximidade com outros continentes no que facilitaria o comercio e o desenvolvimento regional. Hoje, já é uma realidade incontestável. Contudo, observo que os grandes objetivos e intuições do GERCO, ainda são atuais no qual podemos recuperar este instrumento para servir de norte no planejamento econômico, industrial e ambiental. Recomendo a leitura desta legislação Estadual de Pernambuco a todos, principalmente quem trabalha na área de planejamento e assessoria.
Em relação às Unidades de Conservação mesmo ainda não existindo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da lei 9985/2000, o GERCO, já indicava áreas para a criação de Reservas Extrativistas a exemplo da que está em curso nos municípios de Sirinhaém/ Ipojuca, através do ICMBIO. Tal RESEX, só não foi criada na época por carência de uma legislação e a saída para resolver o conflito fundiário não logrou êxito e os mesmos problemas continuam existindo. Sendo RESEX, o que não é segredo para ninguém, as ilhas que hoje ainda estão aforadas retornariam para a Gerência regional do Patrimônio da União através da prévia e justa indenização cabível e esta passaria para o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade que fará a gestão da Unidade de Conservação com todos os atores interessados: governo do Estado, Município, pescadores e outros.
Com tantos atores envolvidos e principalmente com a valiosa participação do governo do Estado poderíamos colocar em prática as orientações do GERCO, nesta faixa litorânea com plenas possibilidades de executarmos com firme propósito e diálogo a pratica da economia sustentável nesta cidade tão carente e sofrida no qual as pessoas terão oportunidade de continuar na sua profissão pesqueira, trabalhar na área da hotelaria e industrial já que fica perto do pólo industrial ou através de empresas instaladas em Sirinhaém. Para facilitar esse trabalho o Serviço de Patrimônio da União através da portaria N.89, de 15 de abril de 2010, publicada no Diário Oficial da União em 16/04/10, seção 01, orientação disciplinando o aproveitamento dos imóveis da União em favor das comunidades tradicionais que notadamente podem ser colocadas a serviço de todos.
Tenho plena convicção que não existe espaço para qualquer dificuldade, pertencemos à mesma matriz de pensamento, pois o histórico, a compreensão da realidade e os propósitos comuns já foram postos e que cada um dentro da sua competência faça a sua parte."

Frei Sinésio Araujo (Bacharel em Direito )

sexta-feira, 7 de maio de 2010

IGREJAS DE IPOJUCA - NA SEDE

MATRIZ DE SÃO MIGUEL - Ipojuca é uma das mais antigas freguesias da Capitania de Pernambuco. [1] Documentadamente, consta sua existência em 1589. A Matriz é também dessa época. Certamente passou por muitas reformas.
A primitiva Matriz, segundo Ivo d´Almeida, historiador ipojucano, em seu livro inédito DE UMA LENDA À VERDADE, foi destruída por um incêndio em 1814 e parcialmente reconstruída em 1857 (pg. 23). Depois ruiu totalmente. Ficava na parte mais alta da cidade, onde hoje se encontra o cemitério.
IGRERJA DE NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO – A partir de 1814, a Matriz passou a funcionar na igreja de Nossa Senhora do Livramento dos Homens Pardos (provavelmente dos “escravos libertos”), para onde foi levada a antiga imagem de São Miguel. É um pouco mais acima do Convento, entre este e a primitiva Matriz.
IGREJA DO ROSÁRIO - Havia ainda a igreja do Rosário, provavelmente “dos homens pretos” , uma vez que, conforme o costume do tempo, próximo à igreja do Livramento, se erguia a do Rosário dos escravos. Ficava “no mesmo lado da igreja do Livramento, no local logo mais acima onde hoje está localizada a COMPESA. Sua principal festa era a de São Benedito. Essa igreja desmoronou há muito tempo, bem antes da Matriz de São Miguel se incendiar em 1814. Da construção ficou apenas o cruzeiro que passou a servir de local para orações dos [pretos] devotos de São Benedito... e com o tempo passou a ser utilizado por todas as pessoas que não queriam ou não podiam ir ao cemitério mas queriam reverenciar os mortos com orações, velas acesas e flores em finados” [2]. Não sabemos de quando é a igreja do Livramento. Segundo Ivo d´Almeida é muito antiga, pois em 1814 passou a servir de Matriz.






CONVENTO SANTO ANTÔNIO DE IPOJUCA

Muitos atos religiosos são celebrados na igreja de Santo Antônio, do Convento do mesmo nome, conhecida também como igreja do Senhor Santo Cristo, por abrigar a milagrosa imagem do Crucificado que aí é venerada desde 04 de novembro de 1663.


[1] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 12.
[2] Cfr. D´ALMEIDA, Ivo -, DE UMA LENDA À VERDADE, Copyright 2005, pp. 23 a .24.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

DE NOVO: PEDOFILIA E CELIBATO

Já havíamos postado nossa posição diante do tema CELIBATO E PEDOFILIA, quando tivemos conhecimento do que Frei Aloísio Fragoso, OFM, havia publicado na Imprensa do Recife sobre o mesmop assunto.. Também só hoje pudemos ler a vagar o artigo do nosso Arcebispo Dom Antônio Fernando Saburido sobre "Aborto e Pedofilia", publicado no "Jornal do Commercio", em sua edição de 18.04.2010.
Permita-me o confrade Frei Aloísio Fragoso, transcrever nesta postagem o seu artigo publicado no Jornal do Commercio do Recife em 28/03/2010, e amplamente divulgado pela Internet. Os destaques vão por nossa conta:
FREI ALOÍSIO FRAGOSO, O F M

AUTOR DO ARTIGO:
"ESCÂNDALO NA IGREJA "

O noticiário sobre escândalos na Igreja Católica volta a ocupar espaços da mídia, polêmico, repetitivo, devastador. Afora alguns poucos casos, não se trata de uma sucessão de novos delitos; trata-se, antes, de uma espécie de devassa de arquivos: fatos de 10, 20, 30, 60 anos atrás, redivivos, requentados, como se fossem da véspera, confirmando uma das mais velhas lições da História: “nada há de encoberto que não venha ser revelado” (MT. 10,26).
A Igreja Católica não faz exceção a uma péssima estratégia de grandes Instituições, a saber, arquivar graves pecados internos com o fim de evitar turbulências em sua imagem pública. Esforço inútil. Passam-se anos, séculos, milênios, algum dia a mão implacável da Justiça desenterra as vítimas e abre o seu clamor.
Ditas estas coisas, há outras também a serem levadas em conta. Uma delas é a manipulação dos números.eja-se o exemplo mais recente da Irlanda: 15.000 casos de pedofilia. Eis aí um número de arrepiar a consciência coletiva e desmoralizar qualquer instituição religiosa. Contudo a mídia passa ao largo de outros dados. Trata-se de fatos acontecidos ao longo de 60 anos, em centenas de instituições de todo um país.
Ao concluir-se o quadro estatístico geral, chegamos a números bem menos estarrecedores. Isso não vale como desculpa, pois a nossa indignação se fundamenta em razões de consciência, independente da quantidade de delitos. No entanto, há segundas intenções na manipulação dos números.
Toda Instituição religiosa, mesmo reconhecendo os seus próprios pecados, não pode recusar sua função de consciência moral da coletividade. Isso incomoda a um modelo de Economia e Sociedade que não admite limites morais para sua cupidez de lucro. Parte da mídia concentra-se na morbidez dos assuntos sexuais e cala-se frente aos desmandos de uma política econômica geradora da exclusão e da fome de milhões, em países mais pobres. Afinal, a vida de crianças inocentes exterminadas na guerra do Afeganistão e do Iraque também interpela a consciência humana, assim como as vítimas da pedofilia.
Que pese sobre os responsáveis pela Igreja Católica o dever de punir com o rigor da Justiça os seus ministros hierárquicos que atentaram contra crianças e adolescentes. Que a vergonha daí decorrente seja também sua penitência, enquanto o exigir a defesa das vítimas. Mas que não se generalize, transferindo-se a abjeção moral de crimes de pedofilia para a imagem de toda a Instituição. Nem se vincule a pedofilia ao celibato, pondo em cheque o sacerdócio católico, como se ele mesmo fosse gerador de pedófilos.
A verdade é outra: são pedófilos que buscam abrigo ou esconderijo numa tradicional instituição religiosa. O erro grave de alguns bispos foi não ter sabido lidar com tais fatos. Segundo a conceituada revista alemã “Herald Korrespondenz”, de março deste ano, 90% dos casos de pedofilia no mundo acontecem dentro das famílias, envolvendo parentes.
No meio do clero, 4% são acusados de envolvimento em tais crimes, segundo a mesma revista. Os outros 96% constituem uma proporção suficiente para refazer a credibilidade da Instituição, desde que ela se penitencie, aperfeiçoe seus métodos de seleção de candidatos ao clero e aprenda as lições que a História, mestra da vida, não cessa de proporcionar.
Frei Aloísio Fragoso, frade franciscano (ofm)
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quarta-feira, 28 de abril de 2010

RECOLHIMENTOS


O RECOLHIMENTO DE MACAÚBAS / MG

INTRODUÇÃO – A história dos Recolhimentos no Brasil ainda está por se escrever.
No século XVIII sabemos do Recolhimento de Macaúbas, em Minas Gerais (1711) em território da recém criada Vila de Nossa Senhora da Conceição de Sabará; do Recolhimento do Caraça (1770), no parque Natural do Caraça, localizado no Estado de Minas Gerais, no contraforte da Serra do Espinhaço nos munícipios de Catas Altas e Santa Bárbara; do Recolhimento de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo da Bahia (1793).
No século XIX, temos conhecimento do Recolhimento da Fazendinha, à margem direita do Rio Ipojuca, em Bezerros, no Agreste pernambucano (1830?), obra do Padre Francisco José Correia de Albuquerque, como vimos em outras postagens.
Ainda so século XIX, com o nome de Casas de Caridade, os Recolhimentos do Padre José Antônio de Maria Ibiapina, a começar de 1860, com a fundação da primeira das Casa de Caridade, a da povoação de Gravatá do Jaburu, hoje Gravatá do Ibiapina, distrito de Taquaritinga do Norte / PE. A Casa de Caridade de Bezerros (Agreste de Pernambuco), foi iniciada em 1867 e inaugurada a 11 de setembro de 1870. Foram 22 as Casas de Caridade levantadas pelo Padre Ibiapina nas Províncias de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, para acolher meninas e moças, principalmente órfãs. Diga-se de passagem, ele teve um precursor na figura do Padre Francisco José! Oportunamente abordaremos aqui a obra do Padre Ibiapina.
Nesta postagem vamos focalizar o Recolhimento de Macaúbas, atualmente Mosteiro das Irmãs Concepcionistas da Ordem da Imaculada Conceição de Santa Beatriz da Silva.
O Mosteiro de Macaúbas há quase três séculos vem dando “o testemunho histórico do desenvolvimento de Minas Gerais; apresenta fases distintas: ora como Recolhimento ora como Educandário e agora como Mosteiro e Casa de Retiros, a qual oferece toda infra-estrutura para quem deseja fazer retiros espirituais. ”
(htt: // http://www.concepcionistasde/ salvador.blogspot.com)

PADRE FRANCISCO JOSÉ CORREIA DE ALBUQUERQUE








SUGESTÃO PARA PATRONO DE UMA DAS CADEIRAS
DA ACADEMIA DE LETRAS, ARTES E OFÍCIO MUNICIPAIS DE BEZERROS







Para os dados biográficos do Pe. Francisco José, nos baseamos principalmente no que escreve o Padre Teotônio Ribeiro, em seu Escorço Biográfico do grande Missionário.
Filho de José Francisco, ao que tudo indica, natural de Bezerros (PE), casado com Teresa Correia, provavelmente de Penedo (AL), onde também faleceu. O Pe. Francisco teria nascido “em ano que se ignora – talvez em 1757 – num obscuro subúrbio desta cidade de Penedo, geralmente conhecido por Saboeiro.” Pelo fato de, como Missionário, não ter residência fixa em nenhum lugar, e por “muitos outros motivos de ordem secundária, houve quem o imaginasse oriundo de Sirinhaém, Bezerros e S. Brás, tudo isto, no entanto, sem vislumbres de verdade e por mero equívoco.” [1]
No V.º Volume da obra O Clero no Parlamento, no Índice de pessoas, consta que ele é “natural de Alagoas, Província que representou como Deputado na 2.ª legislatura.” [2] Já o Padre Lino do Monte Carmelo Luna, em sua MEMÓRIA HISTÓRICA E BIOGRÁFICA DO CLERO PERNAMBUCANO, dedicada pelo Autor à Sua Majestade Imperial D. Pedro II, a 14 de março de 1858 (cerca de 9 ou 10 anos após o falecimento do Pe. Francisco), escreve sobre o Missionário por ele biografado: “Francisco José Correia, natural da cidade do Recife de Pernambuco...”
Parece não restar dúvidas que o Pe. Francisco é alagoano de Penedo, embora os que o afirmem não apresentem documentos comprobatórios.
Missionário que marcou a história eclesiástica do Brasil, especialmente em Alagoas e Pernambuco, o Pe. Francisco José desempenhou papel muito importante em Penedo, como pacificador, por ocasião da Revolução pernambucana de 1817; foi Deputado Geral por Alagoas (1831), Deputado na 1.ª Legislatura da Assembléia Legislativa de Pernambuco (1835-1837); foi o pacificador do movimento sebastianista de “Pedra Bonita” ou da “Pedra do Reino Encantado de Dom Sebastião (1838)”; fundador de uma Casa de Caridade ou Recolhimento em Bezerros (já antes do Pe. Ibiapina!) no sítio Fazendinha (com um convento de freiras, capela, cemitério, cujas ruínas ainda podem ser percebidas); e morreu na Fazendinha em 1847 ou 1848, sendo os seus restos mortais, por ordem diocesana, transferidos da igreja do Rosário de Bezerros para o Recife, talvez com a intenção de se evitar fanatismo religioso em torno de sua sepultura, medida retrógada (para nós hoje) que fez com que sua memória se perdesse, substituída pela do Pe. Ibiapina, um dos seus fiéis imitadores!
Pe. Francisco Correia foi escolhido como Patrono da Cadeira N° 6 da Academia de Letras da histórica cidade de Penedo, cadeira hoje ocupada pelo Dr. Tobias Medeiros. Reconhecendo as virtudes daquele sacerdote, o então Governador de Alagoas, Dr. Osman Loureiro, através do Decreto 2292 de 16 de novembro de 1.937, deu o nome do Pe. Francisco Correia a uma escola de Santana do Ipanema, hoje uma unidade de ensino que é um referencial no Estado."Tobias Medeiros relata que foi lançado na Paróquia de Santana do Ipanema, para comemorar os 170 anos de fundação daquela Paróquia (1836, - 2006), o seu livro A Freguesia da Ribeira do Panema. "O importante é que foi lançada a campanha, por iniciativa do autor do livro, para a beatificação do Pe. Francisco José Correia de Albuquerque, o 1° Vigário da Paróquia de Santana do Ipanema".
“Na lendária cidade sertaneja de Santana do Ipanema, o padre Francisco José Correia de Albuquerque missionário pernambucano, plantou no século XVIII, o núcleo de evangelização e catequese. Ao longo dos passos da história desse povoamento remoto, verificou-se a construção da Capela que se transformou em Matriz, pela criação da freguesia em 24 de Fevereiro de 1836, pela lei Nº 9, ao ensejo do período Regencial.”
“24 de Fevereiro de 1836 – Pe.Francisco José Correia de Albuquerque, pernambucano, da cidade de Bezerros, foi o primeiro pároco e fundador da Matriz de Santana. A capela foi construída pelo Padre na fazenda de Martinho Rodrigues Gaia no ano de 1786. Com grande veneração entre os fazendeiros, vaqueiros e também nos meios políticos-administrativos, onde teve grande fama de conhecedor das terras e das gentes do interior alagoano. Pe. Francisco Correia foi escolhido membro do conselho geral da província, logo após a proclamação da independência do Brasil. Com aproximadamente 71 anos, foi nomeado o primeiro pároco da Matriz em 24 de fevereiro de 1836, sempre esteve voltado para os grandes problemas do homem sertanejo, sobretudo em defesa dos pobres e necessitados. Em 1842 passou o cargo de administrador da paróquia para o Frei Manoel, retornando para sua terra natal, onde faleceu.”



Texto Extraído do Jornal Tribuna do Sertão - Edição 1989

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O Padre Francisco José era escultor de imagens. Consta que na face do Cristo crucificdo
de Santana do Ipanema ele imprimiu os traços do seu próprio rosto.
É considerado fundador de São Bento do Una, pois foi depois de uma missão pregada por ele em 1830, que teve início a construção da capela do Senhor Bom Jesus dos Pobres que deu origem ao povoado.
O início da construção da capela se deu a 12 de novembro de 1831.
Pode-se dizer que, praticamente, o lugar passou a Povoação a partir da construção da Capela, como normalmente acontecia em outras regiões. Sendo assim, pode-se considerar o Padre Francisco José como um dos fundadores de São Bento do Uma, como o foi de Santana do Ipanema. [3]

Frei José Milton de Azevedo Coelho, OFM


Texto Extraído do Jornal Tribuna do Sertão - Edição 1989

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Texto Extraído do Jornal Tribuna do Sertão - Edição 1989

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[1] Escorço Biográfico d0o Missionário Apostólico Doutor Francisco José Correia de Albuquerque, Presbítero Secular do Hábito de S. Pedro, vulgarmente conhecidp por “Santo Padre Francisco”, 2.ª edição, Casa Ramalho Editora, Maceió / AL, 1958.
[2] O Clero no Parlamento Brasileiro, obra editada pela Câmara dos Deputados, Centro João XIII (IBRADES) e Fundação Casa Rui Barbosa, Brasília – Rio de Janeiro – 1980, V.º Volume - Câmara dos Deputados ( 1861 – 1889), p. 291.
[3] Fonte: Ivete de Morais Cintra, Adalberto Paiva, Pe. João Firmino, São Bento do Uma: Formação Histórica, Centro de Estudos de Hist[ória Municipal. Recife, 1984.