quinta-feira, 22 de abril de 2010

PÁGINA DE NOSSA HISTÓRIA ECLESIÁSTICA




RECOLHIMENTO NOSSA SENHORA DOS HUMILDES
EM SANTO AMARO DA PURIFICAÇÃO / BA

SANTO AMARO DA PURIFICAÇÃO HOJE É MAIS CONHECIDA POR SER A TERRA DE CAETANO VELOSO. OS QUE NAVEGAM PELAM INTERNET CERTAMENTE JÁ CONHECEM A HISTORIADORA ZILDA PAIM E, POR MEIO DELA, AS MUITAS BELEZAS DE SANTO AMARO DA PURIFICAÇÃO. MAS MUITO POUCO SE CONHECE DA HISTÓRIA DO RECOLHIMENTO DE NOSSA SENHORA DOS HUMILDES. O MENINO JESUS DO "RECOLHIMENTO" E OUTRAS IMAGENS DOS SEUS TEMPLOS JÁ FAZEM PARTE DO PATRIMÔNIO NACIONAL. MAS QUEM CONHECE A HISTÓRIA DO FUNDADOR E CONSTRUTOR DO RECOLHIMENTO, UMA DAS FIGURAS MAS VENERÁVEIS DE LEIGO E DEPOIS SACERDOTE DA IGREJA DO BRASIL NO SÉCULO XVIII? MAS DESCONHECIDA AINDA É A FIGURA DE UM FRANCISCANO MENOR DO CONVENTO DE SÃO FRANCISCO DA BAHIA, QUE POR MUITOS ANOS DIRIGIU O DESTINO DAQUELE RECOLHIMENTO E VEIO A MORRER EM ODOR DE SANTIDADE, AMADO POR TODOS, SOBRETUDO PELA POBREZA DAQUELA TERRA. E QUEM JÁ OUVIU FALAR NAS RECOLHIDAS OU FREIRAS DAQUELA CASA RELIGIOSA, DOS SERVIÇOS PRESTADOS DE DIA E DE NOITE AOS MAIS CARENTES MÁXIME NOS MOMENTOS DE GRANDES PROVAÇÕES PESSOAIS OU COLETIVAS ? E QUEM SABE DO QUE NAQUELA CASA DE ORAÇÃO SE REALIZAVA DIARIAMENTE EM PRECES E SACRIFÍCIOS EM REPARAÇÃO À EUCARISTIA PELOS PECADOS DA IGREJA E DO MUNDO? COMO SE EMPENHAVAM PELA PALAVRA, PELA ORAÇÃO E PELA VIDA NA CONVERSÃO DOS PECADORES! E A DEDICAÇÃO DE TODOS OS QUE FAZIAM O RFECOLHIMENTO À FORMAÇÃO CRISTÃ E HUMANA DAS CRIANÇAS E JOVENS! QUANTAS MOCINHAS, PRESERVADAS DA PROSTITUIÇÃO, SE PREPARAVAM PARA SER ESPOSAS E MÃES IDEAIS!
E ISTO ANTES DO MISSIONÁRIO APOSTÓLICO PADRE FRANCISCCO JOSÉ CORREIA DE ALBUQUERQUE E DO PADRE IBIAPINA NO SÉCULOM 19!
ISTO NOS LEVA AO QUE, CERTAMENTE POR DESÍGNIO DA PROVIDÊNCIA DIVINA, ACONTECEU, MAIS OU MENOS AO MESMO TEMPO EM MINAS GERAIS: A FUNDAÇÃO DO RECOLHIMENTO ( DEPOIS MOSTEIRO ) DE MACAÚBAS, PELO LEIGO DE PENEDO (NAQUELE TEMPO DE PE, DEPOIS DE AL) FÉLIX DA COSTA, GRANDE DEVOTO DA IMACULADA CONCEIÇÃO. LEVANTOU EM TERRITÓRIO DA RECÉM CRIADA VILA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DE SABARÁ, NO SÍTIO MACAÚBAS, O CÉLEBRE RECOLHIMENTO DE NOSSA SENHORA COM O CONVENTO DAS IRMÃS DA ORDEM DA IMACULADA CONCEIÇÃO DE BEATRIZ DA SILVA, HOJE SANTA CANONIZADA. O RECOLHIMENTO FOI APROVADO POR DONA MARIA I DE PORTUGAL
ESTES EVENTOS DE NOSSA HISTÓRIA ECLESIÁSTICA AINDA ESTÃO PARA SER PASSADOS AO NOSSO POVO.
NESTE BLOG VOLTAREMOS A ELES.

REMETO O LEITOR À PESQUISA GOOGLE:

Resultados da pesquisa
1. Zilda Paim: POSTAL HISTÓRICO - RECOLHIMENTO NOSSA SENHORA DOS HUMILDES

domingo, 22 de março de 2009
POSTAL HISTÓRICO - RECOLHIMENTO NOSSA SENHORA DOS HUMILDES

Postado por Zilda Paim às 16:12
Marcadores: Autodidata, Bahia, Educadora, Educação, Escritora, Folclorista, Historiadora, História, Paim, Pintora, Professora, Recôncavo, Santo Amaro, Zilda, Zilda Costa Paim, Zilda Paim
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COMENTÁRIO DE FREI JOSÉ MILTON OFM




A AUTORA ZILDA PAIM, A QUEM MUITO ADMIRO, PARECE DESCONHECER O FRANCISCANO FREI BENTO DE MARIA SANTÍSSIMA, NASCIDO EM 1804 E FALECIDO EM 1880, E QUE FOI CAPELÃO DO RECOLHIMENTO DE NOSSA SENHORA DOS HUMILDES. O HISTORIADOR FRANCISCANO FREI BONIFÁCIO MÜLLER ESTEVE EM SERVIÇOS PASTORAIS EM SANTO AMARO DA PURIFICAÇÃO POR VOLTA DE 1919 (QUEM SABE SE NÃO FOI ELE QUE BATIZOU A MENINA ZILDA PAIM QUE NASCERA A 3 DE AGOSTO DAQUELE ANO?), QUANDO TEVE OPORTUNIDADE DE CONHECER A HISTÓRIA DO RECOLHIMENTO, INCLUSIVE A DITA DE TRAVAR CONHECIMENTO COM DUAS RECOLHIDAS, AINDA MORADORAS DO RECOLHIMENTO, QUE FORAM DIRIGIDAS DE FREI BENTO DE MARIA SANTÍSSIMA. “AS DUAS MADRES ALUDIDAS – ESCREVE FREI BONIFÁCIO – TORNARAM-SE ELOQÜENTES, EVOCANDO O TEMPO DE SUA MOCIDADE, QUANDO O PADRE MESTRE FREI BENTO DIRIGIA OS DESTINOS DA CASA. O QUE MAIS AS HAVIA IMPRESSIONADO, FORA O EXEMPLO DE PIEDADE E PENITÊNCIA. SOLITÁRIO, VIVIA NO SEU SOBRADINHO, PAREDE-MEIA AO CONVENTO; APONTARAM-ME A JANELINHA DE ONDE DESCIA NA CORDA A CESTINHA PARA RECEBER O ALMOÇO E O JANTAR. NENHUMA RELIGIOSA OU MENINA PISAVA JAMAIS NO SEU QUARTO. ERA DOS SEUS HÁBITOS REZAR MUITO E CONVERSAR POUCO; MAS, QUANDO FALAVA, ERA COM UMA UNÇÃO TAL QUE TOCAVA OS CORAÇÕES. DESEJOSAS DE SATISFAZER-ME O INTERESSE, AS BOAS RELIGIOSAS ME CEDERAM UMA CÓPIA DA AUTOBIOGRAFIA DE FREI BENTO, ASSIM COMO UM ARTIGO DA IMPRENSA, PUBLICADO A TÍTULO DE NECROLÓGIO, QUE, EM SEGUIDA, SERÃO PUBLICADOS NA ÍNTEGRA.” [1]
EM 1860, UM COPIADOR ANÔNIMO, DA PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL, A PEDIDO DO MINISTRO PROVINCIAL DA ORDEM, DEDICOU-SE A COPIAR MANUSCRITOS DE VALOR, A FIM DE OS PRESERVAR.
ENTRE OS DOCUMENTOS QUE TEVE EM MÃOS, HAVIA PÁGINAS ALUSIVAS AO RECOLHIMENTO DE NOSSA SENHORA DOS HUMILDES EM SANTO AMARO DA PURIFICAÇÃO.
REFERINDO-SE AO SUCESSOR DO VENERÁVEL PADRE INÁCIO TEIXEIRA ARAÚJO, FUNDADOR DO RECOLHIMENTO, O COPISTA INFORMA:
EM UM DOS MAIS REFORMADOS [ POR AFAMADOS? ] RECOLHIMENTOS DESTA PROVÍNCIA, E NÃO SEI SE DIGA, DE TODO O IMPÉRIO, SERVE DE DIRETOR OUTRO RELIGIOSO NOSSO, SE BEM QUE INCORPORADO [2] , EM CUJO EMPREGO SE ACHA [A] 14 OU 15 ANOS.
REFERIA-SE AO PADRE FREI BENTO DE MARIA SANTÍSSIMA.
REGISTRA AINDA QUE, TENDO IDO A SANTO AMARO PRESTAR SOCORRO AO DIRERTOR DAQUELE RECOLHIMENTO, NOSSO IRMÃO DE HÁBITO [FREI BENTO], POR OCASIÃO DO RECRUDESCIMENTO DO FLAGELO DO “COLERA-MORBUS”, SENTI A MAIS PUNGENTE DOR E O CORAÇÃO SE ME COBRIA DE TRISTEZA AO CONTEMPLAR, OU ANTES, AO OBSERFVAR A DESOLAÇÃO DAQUELA CIDADE... RUAS INTEIRAS ESTAVAM DESERTAS, SEUS DOMICÍLIOS FECHADOS OU ABANDONADOS; UM SILÊNCIO COMO DE MORTE MAGOAVA A ALMA, AFINAL UM ÂNIMO, O MAIS VARONIL, SE ENTERNECIA COM A LÚGUBRE VISTA DESSAM SEGUNDA CIDADE DESTA BELA PROVÍNCIA.
E COMENTA O QUE ACONTECERA EM 1856, COM O PRIMEIROM SURTO DE “COLERA-MORBO”, DEIXANDO, CONFORME CÁLCULO APROXIMADO, 20 MIL VÍTIMAS FATAIS NA PROVÍNCIA DA BAHIA. E PASSA A RELATAR O QUE SE PASSOU, ENTÃO, NA CIDADE DE SANTO AMARO:
NA CIDADE DE SANTO AMARO DA PURIFICAÇÃO FOI TÃO AVULTADO O NÚMERO DOS MORTOS, QUE AS FOGUEIRAS SUBSTITUIRAM AS SEPULTURAS. AÍ DESENVOLVERAM O MAIOR HEROÍSMO DUAS IRMÃS DE CARIDADE [DO RECOLHIMENTO], QUE, NÃO OBSTANTE A DELICADEZA E FRAGILIDADE DE SEU SEXO, VOARAM DE UNS A OUTROS LUGARES PARA PRESTAREM OS DEVIDOS SOCORROS AOS ENFERMOS, E MUITAS VEZES FORAM VISTAS VERGADAS COM O PESO DOS CADÁVERS QUE CONDUZIM SOBRE OS SEUS DÉBEIS OMBROS, CAMINHANDO PARA AS SEPULTURAS. DUAS DESTAS CASTAS VIRGENS, FORAM VÍTIMAS DA CARIDADE EVANGÉLICA, SUCUMBINDO AFETADAS DO CONTÁGIO E JAZEM SEUS CORPOS EM UM CORREDOR DA IGREJA DE N. S. DOS HUMILDES DA DITA CIDADE. R. I. P.”
FAÇAMOS UM RESUMO DA AUTO-BIOGRAFIA “TRAÇOS DE UMA VIDA”, ESCRITOS 3 ANOS ANTES DE SUA MORTE:
NASCEU EM PORTUGAL E FOI BATIZADO DE EMERGÊNCIA, DEVIDO AO PRECÁRIO ESTADO DE SAÚDE, NO DIA DO NASCIMENTO, A 28 DE DEZEMBRO DE 1804, COM O NOME DE JOSÉ. SUA MADRINHA FOI N. SENHORA DA SAÚDE. ATÉ A IDADE DE 15 ANOS VIVEU COM O PAIS NA FREGUESIA DA VILA FRANCA D´ASEITÃO. DOS SEIS AOS SETE ANOS FOI COM SUA FAMÍLIA PARA LISBOA ONDE PASSARAM SEIS MESES SOB O RECEIO DA INVASÃO DOS FRANCESES. ASSIM QUE OS FRANCESES LEVANTARAM O ASSÉDIO DE LISBOA, O PAI, QUE ENTÃO SE OCUPAVA DO COMISSARIADO DO EXÉRCITO, VEIO A LISBOA E RECONDUZIU A FAMÍLIA PARA SUA CASA DE AZEITÃO.
AÍ FREQÜENTOU A ESCOLA RÉGIA, PASSOU A ESTUDAR NO CONVENTO DE S. DOMINGOS, VOLTOU À ESCOLA RÉGIA, ESTUDOU LATIM COM O VIGÁRIO DE SUA FREGUESIA. AOS 15 ANOS FOI PARA LISBOA ONDE CONTINUOU O ESTUDO DO LATIM COM OS PADRES DA CONGREGAÇÃO DEM S. FELIPE NERI. SUSPENDEU POR ALGUM TEMPO AS AULAS DE LATIM, PENSANDO EM DESISTIR DA CARREIRA ECLESIÁTICA, POIS DESDE MENINO PRETENDIA ENTRRAR NA CONGREGAÇÃO DA MISSÃO DE SÃO VICENTE DE PAULO, ISSO POR INSISTÊNCIA DO FUTURO BISPO DE BRAGANÇA, PARENTE DE SEU PAI, E ENTÃO SUPERIOR DAQUELA CONGREGAÇÃO.
MAS LOGO SE ARREPENDEU E VOLTOU AO ESTUDO DO LATIM COM AO PADRES NA “CASA DAS NECESSIDADES”. A ESSA ALTURA, ESTAVA RESOLVIDO A ENTRAR NA VIDA RELIGIOSA MAS NÃO SABIA EM QUE ORDEM OU CONGREGAÇÃO. COMO SEU PAI SABIA QUE ELE NÃO QUERIA A CONGREGAÇÃO DA MISSÃO, SE OFERECEU PARA FALAR AOS SEUS AMIGOS FRANCISCANOS. VEIO LOGO, POR CARTA A ACEITAÇÃO.
CHEGAVA AOS 20 ANOS QUANDO RECEBEIU A CARTA DE ADMISSÃO AO SEMINÁRIO DE BRANCANES.
. PRESTOU EXAMES ANTES DE ENTAR NO NOVICIADO.
MAS SÓ CONSEGUIU O INGRESSO A 19 DE MAIO DE 1827, AOS 22 ANOS DE IDADE.
ERAM SÓ DOIS NOVIÇOS.
TOMOU O HÁBITO COM O NOME DE FREI BENTO DE MARIA SANTÍSSIMA, EM O COMPANHEIRO COM O NOME MDE FREI FRANCISCO DE APIS.
PROFESSOU EM 1828. ESTUDOU TEOLOGIA POR 4 ANOS E MEIO. ORDENOU-SE SACERDOTE COM 26 ANOS DE IDADE.
EM 1883 RECEBEU PATENTE DE MISSIONÁRIO APOSTÓLICO.
ERA CAÓTICA A SITUAÇÃO POLÍTICA DE PORTUGAL, COM A LUTA DE DONA MARIA II E DE SEU TIO DOM MIGUEL PELO TRONO.
SUCUMBE O PARTIDO DESTE, QUE É EXILADO PARA A ALEMANHA. E DONA MARIA II É EMPOSSADA EM LISBOA (1834).
EM 1832, DOM PEDRO IV (I DO BRASIL) FECHAVA TODOS OS CONVENTOS E CONFISCAVA OS BENS DOS RELIGIOSOS.[3]
PODEMOS IMAGINAR O COMPLETO TRANSTORNO NA VIDA DAS ORDENS RELIGIOSAS. OS FRANCISCANOS SE DISPERSARAM, VIVENDO COMO HÓSPEDES NAS CASAS DOS PARENTES E AMIGOS OU SOB A PROTEÇÃO DE ALGUM BISPO. MAS NÃO DEIXAVAM O MINITÉRIO. PODEMOS ENTENDER A RAZÃO POR QUE FREI BENTO OPTOU PELA MISSÃO NO BRASIL: TINHAM PERMISSÃO DOS SUPERIORES DE ESCOLHER TAMBÉM OUTRAS COLÔNIAS PORTUGUESAS, NA ÀFRICA, ÍNDIA.
A OPÇÃO PELO BRASIL FOI MOTIVADA PELAS INFORMAÇÕES QUE TINHA DO FLORESCIMENTO DA VIDA FRANCISCANA NO BRASIL. ERA TAMBÉM MUITO DURA A PRIVAÇÃO POR QUE TODOS PASSAVAM EM PORTUGAL DE VIVEREM FORA DE SEUS CONVENTOS E COMUNIDADES RELIGIOSAS. NO BRASIL PODERIA REALIZAR O SONHO MAIOR DE SUA VIDA: O CLAUTRO FRANCISCANO.
O PRÓPRIO FREI BENTO ESCREVE QUE AS LONGAS CONVERSAÇÕES QUE TIVERA COM UM RELIGIOSO EM LISBOA SOBRE OS FRANCISCANOS DO BRASIL ME ACENDERAM UM FOGO DE DESEJO DE REALIZAR COM O INGRESSO PARA O CLAUSTRO AQUELA NORMA DE VIDA DE QUE HAVIA SIDO, COMO TODOS OS REGULARES, OBRIGADO A LARGAR COM O DECRETO DE EXTINÇÃO LAVRADO PELO MINISTRO AGUIAR EM NOME DO EX-IMPERADOR DO BRASIL ENTÃO REGENTE NAQUELE REINO POR SUA FILHA DONA MARIA II.
AQUELE RELIGIOSO ERA UM FRANCISCANO QUE ESTAVA DISPOSTO A BUSCAR SUA ANTIGA PROVÍNCIA DE SANTO ANTÕNIO DO BRASIL E O CONVIDOU A ACOMPANHÁ-LO.
FREI BENTO NÃO PÔDE RESISTIR AO CONVITDE. DEPOIS DE COLOCAR EM DIA TODA A DOCUMENTAÇÃO DE QUE PRECISAVA E DE SE DESPEDIR DOS PARENTES QUE RELUTARAM EM ACEITAR SUA DECISÃO, EMBARCOU PARA O BRASIL COM FREI ANTÕNIO DA CONCEIÇÃO NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE 1840, E APORTARAM NA BAHIA NO DIA 10 DE FEVEREIRO DE 1841. VIAJARAM NO BRIGUE TORUJO QUE FAZIA A SUA PRIMEIRA VIAGEM DEPOIS DE CONSTRUÍDO
ASSIM QUE DESEMBARCARAM, PROCURARAM O CONVENTO DE S. FRANCISCO, ONDE FORAM MUITO BEM RECEBIDOS PELO PADRE GUARDIÃO FREI BERNARDINO DE SENA E FREI ANTÔNIO DO PARAÍSO. FOI ADMITIDO COMO RELIGIOSO DA PROVÍNCIA DE SANTO ANTÕNIO DESTE IMPÉRIO DEPOIS DE TER PRESTADO O JURAMNTO À CONSTITUIÇÃO IMPERIAL NA PRESENÇA DO MINISTRO PROVINCIAL FREI MANUEL DE S. FELIPE REGO E DO SEU DEFINITÓRIO. FOI RECEBIDO NA CATEGORIA DE PREGADOR. VESTIU O HÁBITO COM O SEU COMPANHEIRO NA QUARTA-FEIRA DE CINZAS E COMEÇARAM A SEGUIR A VIDA COMUM.
VIVIA MUITO FELIZ NA COMUNIDADE FRANCISCANA DA BAHIA, QUANDOM VAGARAM AS DIRETORIAS DO RECOLHIMENTO DOS HUMILDES E DOS PERDÕES E O SENHOR ARCEBISPO DOM ROMUALDO SE DIRIGIU A FREI BENTO PROPONDO-LHE ACEITASSE UMA DAQUELAS DIRERTORIAS. NÃO FORAM ACEITAS AS OBJEÇÕES QUE ACHOU POR BEM MANIFESTAR PARA SEREM APRECIADAS POR SUA EXCELÊNCIA E O MINISTRO PROVINCIAL DE ENTÃO, FREI JERÔNIMO DE S. PEDRO DE ALCÂNTARA. E ASSIM, LHE FOI PASSADA PROVISÃO CANÔNICA DE DIRETOR E CAPELÃO DO RECOLHIMENTO DE N. SENHORA DOS HUMILDES, AONDE CHEGOU A 7 DE SETEMBRO DE 1843. E CONCLUI: “E AQUI ME ACHO EXERCENDO ESTE CARGO ATÉ O PRESENTE. CALO O QUE SE TEM PASSADO ATÉ AGORA POR ESTAR NO DOMÍNIO DO POVO. PORÉM, EM TODAS AS VICISSITUDES DE MINHA VIDA, NUNCA EXPERIMENTEI UMA QUE ME CAUSASSE MAIOR IMPRESSÃO E AMARGURA DO QUE A QUE PASSEI QUANDO ME FOI OBRIGADO A DEIXAR O CONVENTO QUE TINHA BUSCADO COM TANTO EMPENHO, TRABALHO E INCÔMODO E VIR PARA O LUGAR EM QUE ME ACHO. N. SENHOR SEJA LOUVADO.
16 DE NOVEMBRO DE 1877.”
NECROLÓGIO
O JORNAL DE NOTÍCIAS DE SANTO AMARO DA PURIFICAÇÃO DE 12 DE JULHO DE 1880, PUBLICAVA ARTIGO NOTICIANDO O FALECIMENTO DE FREI BENTO DE MARIA SANTÍSSIMA, ARTIGO ESTE QUE AS IRMÃS DO RECOLHIMENTO OFERTARAM A FREI BONIFÁCIO MÜLLER, COMO JÁ DISSEMOS. O HISTORIADOR FRANCISCANO PUBLICOU INTEGRALMENTE O PRECIOSO DOCUMENTO JUNTAMENTE COM SUA AUTOBIOGRAFIA NA JÁ CITADA REVISTA SANTO ANTÔNIO, ÓRGÃO INTERNO DA SUA PROVÍNCIA FRANCISCANA. PUBLICOU TAMBÉM A FOTOGRAFIA DE FREI BENTO, FRUTO DO EMPENHO DO SENHOR ARCEBISPO DOM JOAQUIM GONÇALVES DE AZEVEDO QUE, A SUA REVELIA, O MANDARA RETRATAR. ESTE PEQUENO RETRATO FREI BONIFÁCIO O VIU NA RESIDÊNCIA DO CAPELÃO DO RECOLHIMENTO. CONSTA NO NECROLÓGIO DO JORNAL DE NOTÍAS QUE FREI BENTO NUNCA PERMITIU QUE O FOTOGRAFASSEM, A NÃO SER DAQUELA VEZ, EM OBEDIÊNCIA AO SENHOR ARCEBISPO. SABEMOS, POR INFORMAÇÃO DE UMA DAS RECOLHIDAS A FRI BONIFÁCIO, QUE HOUVE RETRATISTA POR OCASIÃO DO ENTERRO.
NO “JORNAL DE NOTÍCIAS”, ESCREVCE O ARTICULISTA: SUA MORTE ENCHEU DE PESAR TODA ESTA CIDADE, QUE EXPANDIU-SE NAS MAIORES DEMONSTRAÇÕES DE AFETO, DE SAUDADE, DE GRATIDÃO E RESPEITO À MEMÓRIA DO VENERANDO RELIGIOSO. [...]COM OS SEUS 49 ANOS DE SACERDÓCIO, FEITO NO DIA 4 DE JULHO, E TODA A SUA LONGA VIDA DE 75 ANOS E MEIO, SEUS DERRADEIROS DIAS FORAM ESCOLA EXEMPLAR DE PIEDADE EDIFICANTE PARA QUANTOS O VISITARAM, ESCOLA QUE NÃO SOFRIA INTERRUPÇÃO, NEM QUANDO SURGIA-LHE O DELÍRIO, PORQUE ENTÃO MESMO NA ABUNDÂNCIA DO CORAÇÃO TÃO DE DEUS E TODO DE DEUS E DO AMOR ARDENTE DA FÉ E ESPÍRITO DIVINO A ALMA PRORROMPIA-LHE EM VOZES SEGUINTES: “ACENDAM ESTAS VELAS, OLHEM O SACRÁRIO, ENFEITEM OS ALTARES, FLORES, DEITEM MAIS FLORES”! – E OUTRAS VOZESS SEMELANTES COMO SE ESTIVESSE PRESIDINDO OS PREPARATIVOS DE ALGUMA DAS FESTAS DO RECOLHIMENTO, TÃO RICAS DE PIEDADE, DE SENTIMENTO E BELEZA RELIGIOSA. [...] VIERAM DA BAHIA 4 RELIGIOSOS FRANCISCANOS QUE AINDA TIVERAM A CONSOLAÇÃO DE O DESCER À SEPULTURA.
O RELATO DA RECOLHIDA DIZ QUE O PE. MESTRE FREI BENTO FALECEU NO DIA 5 DE JULHO DE 1880, NA SEGUNDA-FEIRA, ÀS 9 HORAS DO DIA; SEPULTOU-SE NO DIA 6 ÀS 8 HORAS DA NOITE, DEPOIS DA CHEGADA DO VAPOR COM AS PESSOAS ESPERADAS: O RETRATISTA COUTO, 4 FRADES E O PADRE ROMUALDO SANTOS E ARAÚJO, VIGÁRIO DA MADRE DE DEUS. QUEM ASSISTIU A SUA MORTE FORAM CÔNEGO ANTÔNIO AUGUSTO PALMA E O VIGÁRIO DA MATRIZ PADRE JOÃO OTAVÁRIO DE ARAÚJO. ESTIVERAM PRESENTES NO ENTERROS, ALÉM DOS JÁ CITADOS, MAIS 8 SACERDOTES DE SANTO AMARO.
LEMBRA QUE O POVO CORTAVA PEDACINHOS DO SEU HÁBITO COMO RELÍQUIAS.
SABEMOS O QUE POSSIBILITOU TÃO LONGA ESPERA PARA O SEPULTAMENTO: O CORPO FORA CUIDADOSAMENTE EMBALSAMADO PELOS ACADÊMICOS DO SEXTO ANO REINALDO APRÍGIO E PEDRO DE ALCÂNTARA, IRMÃOS DO VIGÁRIO PADRE JOÃO OTAVIANO, QUE AMAVA O FALECIDO COMO UM FILHO AO PAI. AJUDARAM NA FELIZ OPERAÇÃ O ACADÊMICO DO TERCEIRO ANO JOSÉ BONIFÁCIO DA CUNHA E O FARMACÊUTICO HENRIQUE GOMES DE MENEZES.
A IRMÃ RECOLHIDA ASSIM CONCLUI O SEU RELATÓRIO:
ESQUECEU-SE DE DIZER QUE, NO DIA DA MORTE, VEIO UM FRADE DA VILA [VILA DE SÃO FRANCISCO DO CONDE?] PARA DAR-LHE AS ÚLTIMAS ABSOLVIÇÕES DA REGRA.
[...] NA PEDRA MORTUÁRIA LÊEM-SE ESTAS PALAVRAS: “RESTOS MORTAIS DO REVMO. FR. BENTO DE MARIA SANTÍSSIMA, MISSIONÁRIO APOSTÓLICO E EXAMINADOR SINODAL, CAPELÃO E DIRETOR DESTE RECOLHIMENTO.”


[1] MÜLLER, FREI BONIFÁCIO, OFM, FREI BENTO DE MARIA SANTÍSSIMA, OFM, 1804 – 1880, em REVISTA SANTO ANTÔNIO, ÓRGÃO INTERNO DA PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL, ANO 7, N.º 2, RECIFE, 1949. PÁGINAS 301 – 309.
[2] “Incorporado”, porque Frei Bento era de outra Província e passou à jurisdição da Prov. de Santo Ant. do Brasil.
[3] IRIART, Lázaro, O.F.M. Cap.,História Franciscana, Petrópolis, VOZES, 1985, p. 457.








sábado, 3 de abril de 2010

FREI VENÂNCIO E OS ESCRAVOS DO CONVENTO DE MIPOJUCA

CAPÍTULO XV DE SUA HISTÓRIA DO CONVENTO DE SANTO ANTÔNIO DE IPOJUCA:

“Poucas notas históricas relatam a existência de escravos no 2onvento de Ipojuca. 0 guardião frei João do Pilar (1718-1419) adquiriu quatro negros, levantando uma senzala para os escra­vos casados (1), na atual rua do convento (2). Em 1796, contava convento onze escravos (3). _X. medida que os conventos do Brasil se despovoavam, diminuia também o número dos seus escravos. até que o capitulo provincial de 7 de dezembro de 1872, num rasgo de generosidade, alforriou todos quantos ainda existiam nas casas da província de Santo Antônio (4).
Aliás, as leis da província franciscana sempre garantiram tratamento humano aos escravos dos conventos; o capitulo provincial de 7 de janeiro de 1741 renovava a determinação de ser celebrada missa pelo descanso eterno de cada escravo fa­lecido (5).
Não admira que em tais condições os escravos sentissem menos a falta da preciosa liberdade, reputando-se servos dos santos e prestando de bom grado seus trabalhos nos diversos ofícios que exerciam com rara habilidade.
Hoje em dia, estranhamos que até os conventos possuíssem escravos; não só os franciscanos, senão também as demais ordens religiosas. Quando estas se estabeleceram no Brasil, já encon­traram a escravidão introduzida, do mesmo modo que em Portugal havia cativos negros desde o descobrimento e a explo­ração da costa ocidental da África central (1416) (6).
O motivo principal por que os religiosos ocupavam o braço do negro, residia na grande falta de irmãos leigos. Enquanto as vocações sacerdotais brasileiras em todas as ordens eram suficientes, notava-se entretanto a escassez de irmãos, porque o trabalho manual era desprezado como indigno de homem livre, conceito errôneo que fora refutado pelo próprio Cristo-Operário.”


NOTAS AO CAPÍTULO XV (página 90):

1. LIVRO DOS GUARDIÃES DE IPOJUCA (LGI, 24.)
2. Contam os antigos que no local da atual Casa dos Romeiros ficava a senzala, da qual se vêem ainda restos de alicerces.
3. Memórias, I, 39-40. Arquivo racional.
4. ARQUIVO PROVINCIAL IPOJUCQA (AP I, 12, f. 67.)
5. AP I.
6. Haebler. Die Anfange der Sklaverei in Amerika, 176 e ss.
FONTE:
WILLEKE, Convento de Sto. Antônio de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro, 1956, páginas 47 a 48 e página 90.

quinta-feira, 18 de março de 2010

ESCRAVOS DE IPOPJUCA / PE

IPOJUCA – ESCRAVOS
Livro precioso, em razoável estado de conservação, do Arquivo da Paróquia de São Miguel de Ipojuca:




“FREGUEZIA DE SÃO MIGUEL DE IPOJUCA
LIVRO DE ASSENTOS DE BAPTISADOS DOS FILHOS DE MULHER ESCRAVA VASADOS DA DACTA DA LEI DSE 28 DE SETEMBRO DS 1871.
ANNO 1881, N.º 2.”

Para consultá-lo se faz necessária a autorização do Guardião do Convento de Santo Antônio de Ipojuca e Administrador Paroquial.
Trata-se de um livro raro que as freguesias do Império do Brasil deviam manter em dia, para o batismo dos filhos de mulher escrava. Consta no livro, o nome da criança (“ingenuos”: negros, pardo), com data de nascimento, nome da escrava mãe (geralmente filho natural), nome do seu proprietário, nome da propriedade, nome dos padrinhos, nome do padre que celebrou o batismo (na matriz de S. Miguel, no Convento, em capela ou oratório privado), e assinatura do Vigário.
O livro consta de 100 folhas. Falta o termo de abertura e de conclusão.
Contém os lançamentos dos batizados de 20 de fevereiro de 1881 a 05 de novembro de 1887.
São, aproximadamente, 320 batizados.
Só a partir de setembro de m1883 começam os lançamentos.
1) Assinaturas do viário Vigário Firmino José Dias de Araújo Figueiredo:
- O Vigário Firmino José Dias de Araújo Figueiredo [1855 a 1882] assina até a folha 58 v.: Lançamento do batizado de Antão, nascido a 30 de setembro de 1883.
2) As assinaturas do Cônego Luiz José de Oliveira Diniz
a) Assina como Pro-Parocho, a partir da Folha 58 v. com o assento do batizado de :
- JOSÉ, ingênuo, nascido a 15 de setembro de 1883, filho legitimo de Mauricio e de sua mulher Costa, escravos de Firmino de Freitas Nogueira proprietário e morador do engenho Conceição Novas, desta Freguesia, foi “por mim solemnemente baptisado na Matriz de São Miguel, digo, nesta Matriz de São Miguel aos sete de maio de mil oito centos e oitenta e quatro, forão padrinhos Tertuliano Ferreira Canuto e Nossa Senhora por devoção, e para constar mandei fazer este assento que assigno.
Conego Luis José de Oliveira Diniz
Pro-Parocho”
Como Pro-Pároco assim a até o assento do batizado de FRANCISCA, preta, ingênua, à folha 62 (a assinatura consta o verso).

b) Como Vigario-Interino, o Cônego Luiz José de Oliveira Diniz, assina, a partir da Folha 62 v. os termos de batismo de GERAlDO, ingênuo, e demais filhos de mulher escrava, até o termo da Folha 65, do batizado de MANOEL, ingênuo, filho natural de Theodora, escrava de Francisco José da Paz, morador no engenho Pindoba desta Freguesia, batizado solenemente na capela do mesmo engenho, aos 21 de agosto de 1884( Folha 64).

3) Assinaturas do Vigário Vicente de Moura e Vasconcelos
Assina a partir da Folha 65 v. (São 57 batizados):
- Batizado do JOSÈ, ingênuo, filho natural de Benedita, escrava de João Baptista das Neves, morador no engenho Penderama, desta Freguezia, solenemente batizado pelo Cônego Luiz José de Oliveira Dinjiz (ex-Vigário-Interino), de licença do novo vigário Vicente de Moura Vasconcelos, na capela do mesmo engenho, aos 13 de Outubro de 1884 (Folha 65 v.).
- Assina os termos até o batismo de BENARDINA, preta, ingênua, filha legítima de Dionizio e de Felicia, sendo Dionizio de serviço de campo e Felicia de serviço doméstico, ambos escravos de Manoel Felippe de Sousa Leão, proprietário e morador do engenho Arendepe. Foi solenemente batizada pelo Vigário P. Vicente de Moura Vasconcelos, na Matriz de São Miguel a 06 de setembro de 1885. (Folha 81 v.).
4) Assinaturas do Vigário Manoel Cavalcanti de Assis Bezerra Menezes (1885).
Assina a partir da Folha 82 (São 22 batizados)
até Folha 85 v.
- O primeiro termo assinado é o do batismo de POMPEU, pardo, nascido a 01 de outubro de 1884, filho natural de Inez, escrava de Angelica Maria de Oliveira, batizada na igreja Matriz pelo Coônego Diniz a 11 de outubro de 1885. Assina o Vigário Manoel Cavalcanti de Assis Beserra Menezes [1885]. Folha 82.
Assina até o batizado de CECILIA, preta, idade de 3 meses, filha natural de Luiza, escrava de José Antonio Wanderley, solenemente batizada a primeiro de janeiro de 1886. Folha 85 v.
Os assentos da Folha 86 a 86 v. são do Coadjutor- Pro-Pároco Cônego Luiz de Oliveira Diniz (ex Pro-Pároco e ex-Vigário-Interino), que assina os termos de 5 batizados.
Observe que o Vigário ainda continua Manoel Cavalcanti de Assis Bezerra Mernezes, responsável pelos batizados que constam até a Folha 86 v.

5) Assinaturas do Vigário Herculano Marques da Silva
Seguem-se, a partir da Folha 87, os termos de batismo sob a responsabilidade do Vigário Herculano Marques da Silva (119 ao todo, até à Folha 100):
- Batismo de MIGUEL, pardo, idade de cinco meses, filho natural de Margarida, escrava der Dona Rita Cequeira da Costa Reis, solemente batizada pelo Vigário Herculano na Matriz de S. Miguel, a 4 de janeiro de 1886. O termo vem sem assinatura, mas, pelo contexto, é do Vigário Herculano. Folha 87.
Segue-se mais um, na mesma folha, também sem assinatura: O batismo de SILVESTRE, pardo, filho natural de Joana, escrava de Herminio Laurentino - solenemente batizada, de licença do Vigário Herculano, pelo Revmo. Frei João de Santa Theresa no Convento de santo Antônio de Ipojuca aos 25 de janeiro de 1886 (Folha 87).
O assento seguinte, na mesma Folha 87, é do batismo de MAXIMIANO, preto, nascido a 20 de fevereiro de 1885, batizado solenemente aos 6 de dezembro do mesmo ano, na Capela de Gaipió, pelo Revmo. Padre Augusto Kusewetter. A criança era filha natural de Constância, escrava de Dona Maria da Glória Pimentel, sendo padrinhos Caetano e Jacinta, escravos do Doutor Ambrósio Machado.
Este assento vem assinado, na Folha 87 v., pelo Vigário Herculano Marques da Silva.

Seguem 4 batizados solenes realizados pelo Padre Augusto Adolfo Kusewetter[1]:
1) - Aos 6 de dezembro d 1885, o de JÚLIO, preto, filho natural de Victorina, escrava de Dona Maria Adelaide da ... Pimentel. (Folha 87 v).
Assina o Vigário Herculano.
2) - Aos 10 de janeiro de 1886, batizou
IRINEU, preto, nascido a 15 de dezembro de 1884, filho de natural de Theresa, escrava de Delmira Idalina de Siqueira.
Assina o Vigário Herculano (Folha 87 v.)
3) - Aos 10 de janeiro de 1886, batizou LEOBINA, parda, nascida a 20 de setembro de 1884, filha natural de Águida, escrava de Delmira Idalina de Siqueira (Folha 87 v. a 88).
Assina o Vigário Herculano.
4) - Aos 24 de janeiro de 1886, batizou MARIA, parda, nascida a 24 de janeiro de 1885, filha natural de Petronila, escrava de Lourença Bezerra de Siqueira Cavalcante, sendo padrinhos Vicente e Júlia, escravos. (Folha 88).
Assina o termo o Vigário Herculano Marques da Silva.


O livro contém os assentos de, aproximadamente, 320 batizados.
Este assina todos os assentos até o último, a Folha 100:
- MARIA, com um ano de idade, filha natural de Felisberta, escrava de Jaquim Manoel da Costa, foi solenemente batizada pelo Conego Luiz Diniz aos 5 de novembro de 1887, sendo padrinho Antonio Francisco da Petra.
Assina: Vigário Herculano Marques da Silva.

Costa abaixo:

DESTA DATA EM DIANTE SÃO LANÇADOS OS BAPTISADOS DOS INGENUOS NO LIVRO CONCLUO (?) ESTE REGISTRO.VIGÁRIO HERCULANO MARQUES DA SILVA”.
[1] Veja o que sobre este padre escreve Fernando Pio em sua obra Apontamentos Biográficos do Clero Pernambucano (1535 – 1935) , Volume I (de AS a L), Recife, 1994, p. 420.
Encontra-se aí também uma referrência ao Doutor Ambrósio Machado da Cunha Cavalcanti: “Segundo o Livro de Família deixado por Ambrósio Machado da Cunha Cavalcanti diz o autor: nasceu meu filho Alberto no dia 29 / 1 / 1885... neste Engenho GAIPIÓ da Freguesia de ipojuca e foi batizado no dia 2 / 3 do mesmo ano. pelo cônego Augusto Adolfo Kusewettyer na capela deste engenho. “

No próximo Blog voltarei ao assunto, trazedo dados que poderão ajudar o senso crítico dos leitores, uma vez que o tema tem suscitado as mais diversas reações.

domingo, 27 de dezembro de 2009

FOSÉ LINS DO REGO E OS MISSIONÁRIOS FRANCISCANOS

FREI MARTINHO NAS OBRAS DE JOSÉ LINS DO REGO

No livro inédito de Frei José Milton de Azevedo Coelho "FEI CASIMIRO BROCHTRUP, O APÓSTOLO DOS MOCAMBOS - DA MEMÓRIA À PROFECIA", há um capítulo em que o autor focaliza a presença do missionário francisano Frei Martinho Jansweit, OFM, em algumas obras do romancista José Lins do Rego.
A partir de uma conferência de Frei Martinho por ocasião do Encontro dos Padres Comissários da Ordem Terceira Franciscana, em 1928, Frei José Milton nos leva ao pensamento do romancista José Lins do Rego sobre as Santas Missões, especialmente sobre o Apóstolo da Paraíba, o santo missionário alemão (de alma brasileira) Frei Martinho Jansweit.
Naquele encontro dos Comissários da Ordem Terceira Franciscana dizia Frei Martinho:
“Não há nada mais próprio para garantir o sucesso das Missões do que a Ordem Terceira. É sabido que as Missões, sendo dias de entusiasmo e de graças, abrasam, entre o nosso povo, o fogo de um novo fervor, embora, geralmente, não continue por muito tempo, e, extinguindo-se pouco a pouco, surta diminutos resultados permanentes. Sigamos os exemplos dos antigos conquistadores. Tomado um país ou uma fortaleza, em breve a marcha vitoriosa continuava. O conquistador, porém, bem sabia que, para garantir os primeiros sucessos, era preciso avassalar o espírito do povo submetido. Eis as guarnições, a assegurarem as novas possessões. O mesmo caminho se abre ao Missionário. Reconquistada uma paróquia para Cristo, coloquemos nela a guarnição da Ordem Terceira. O que se pode alcançar com o povo brasileiro, atesta o exemplo do grande Apóstolo da Paraíba, Padre Ibiapina. Acaso, poderemos desejar, para nós, um espírito mais apostólico na fundação de fraternidades terciárias?” (Destaque nosso).
E como calhou, lindamente, a referência de Fr. Martinho ao maior Missionário do Nordeste, o Padre José Antônio Maria Ibiapina, cujo processo de canonização, em nossos dias, se acha em pleno andamento! Nenhum Missionário, entre nós, realizou até hoje, um apostolado tão marcado, conscientemente, por obras como as do Padre Ibiapina, visando aos frutos concretos das Santas Missões: Casas de Caridade (com suas “Beatas”, prédio próprio, patrimônio, hospitais, açudes, cemitérios...) a não ser, o Missionário Apostólico Pe. Francisco José Correia de Albuquerque, precursor e do Padre Ibiapina, falecido em Bezerros / PE, em 1847 ou 1848, e de quem Ibiapina foi continuador, na mesma linha missionária apostólico-social.
Permitam-me trazer à baila algumas reflexões a partir do que o escritor José Lins do Rego nos deixou em páginas sobre as Santas Missões. Primeiro, da obra Meus Verdes Anos. Se nos socorremos desse livro autobiográfico, ficamos sabendo da impressão negativa que as Santas Missões deixaram na mente da criança:
“Se chegavam frades para as santas missões, o povo corria para o regaço de Deus. Os franciscanos, ou os padres da Penha [os Capuchinhos], apareciam nas cidades do interior e arrebatavam dos vigários as rédeas do governo espiritual. As missões aterravam o povo que se agregava para ouvir os pregadores, como se corresse para uma briga. O Deus dos frades gritava, enfurecia-se, maltratava os matutos que tremiam de medo.” [1]
Mas não era só. O menino José Lins ouvia, em casa, freqüentes críticas aos padres. O avô e a família não praticava a religião. As tias não tinham feito nem a Primeira Comunhão.
“O meu avô não tomava conhecimento dos mexericos. Nunca a tia Maria entrou num confessionário. Nada de conversas com padre. (...) Para mim, aquelas irreverências a padres me fizeram desacreditar em muita coisa. O padre Severino concorreu em muito para secar-me a alma de fé (com sua vida escandalosa). Só mais tarde me chegaram os momentos de crença.[2]
Certamente o menino ainda não tinha ouvido falar de Frei Martinho. Nada transparece em Meus Verdes Anos da ação daquele Missionário que palmilhou todos os recantos da Paraíba, pregando Missões populares, substituindo vigários, acompanhando os Bispos nas Visitas Pastorais, construindo igrejas.
Agora, a experiência do adolescente “Doidinho”, o mesmo Carlinhos, neto de José Paulino (ambos personagens de “Menino de Engenho”. No romance Doidinho, o menino é quem fala:
Estava pregando na igreja um frade franciscano. O padre Fileto viera pedir ao diretor para levar o colégio às práticas. Eu ouvia falar nos frades que faziam missões. As negras dos engenhos caminhavam léguas atrás dos missionários, e vinham contando horrores dos capuchinhos de barbas grandes. Davam nas mulheres com os cordões dos hábitos e as palavras desses homens soavam aos ouvidos delas como vozes de santos. Por isso, quando ouvia falar das missões me vinham logo à cabeça as latadas de palha, os frades de pé no chão, os pecadores apanhando de corda, os amancebados que se casavam na hora. E naquela noite ia eu ver pela primeira vez um frade em carne e osso, um daquele brabos servidores de Deus.
A igreja já estava cheia quando lá chegamos. Um púlpito armado no meio do templo esperava o pregador. E ele chegou, alto, louro, com um hábito escuro, de alpercata nos pés. Ajoelhou-se, e a igreja ajoelhou-se com ele. Fez o pelo-sinal com os braços longos e a voz compassada. Começou a falar. Falava manso, uma palavra doce, sem gritos e sem gestos. Ouvi o dr. Bidu dizendo para o seu Maciel: - E mais um conferencista do que um pregador. Fosse o que fosse, o certo é que o que ele dizia eu tomava para mim.
Ele se voltava para os setenta meninos do colégio: - "Uma vez Jesus ia pelo caminho, e um bando de meninos alegres procurou o Mestre para falar com ele. Os Apóstolos botaram para trás as crianças, com palavras ásperas. E Jesus lhes disse: Deixai os meninos, deixai que eles venham a mim, porque deles é o reino dos céus.” E depois deitou a mão pelas cabeças dos inocentes, e se foi dali.
O frade botava os olhos azuis para nós todos, e só falava para o colégio. Jesus amava os meninos porque eles eram a virgindade da vida. Eram a inocência, a alegria feliz, a alma limpa de culpa e de pecados. Mas nem todos os meninos eram assim. Havia os de coração imundo, crescidos no vício como adultos, meninos que empestavam os outros, que fediam à distância. Era doloroso que se ofendesse a Deus justamente com as flores que devíamos deitar a seus pés em oferenda. Sim, havia rosas sujas de lama, rosas imundas, emporcalhadas pelo mundo. Mas quem deixa os porcos invadirem o jardim do Senhor? Os pais, as mães, os educadores. E repetia as palavras do Evangelho, aquelas que se referem aos que escandalizam os pequeninos. Melhor seria, dizia o Senhor, que lhes amarrassem uma pedra no pescoço e os deitassem ao rio. “Procurem os colégios, entrem nos lares de hoje, e é Deus quem falta em tudo, ou é Deus que é ali mesmo esbofeteado sacrilegamente.”
E a prédica continua a se referir à educação dos nossos dias, à impiedade das escolas públicas e dos colégios particulares.
Quem não gostou de nada foi o Diretor do internato, o sádico professor Maciel, torturador profissional de crianças. Já no princípio da pregação de Frei Martinho, Doidinho ouvira o que o Dr. Bidu cochichara para ele. No outro dia, na hora do café, Doidinho prestou atenção à conversa do Diretor com D. Emília:
- A prédica de ontem foi para mim. Eu conheço muito bem o Fileto. Botou na cabeça de frei Martinho aquelas indiretas para o meu colégio.
Não me botaram aqui meninos para aprender a rezar.
E a mulher confirmando:
- Eu é que não vivo em igreja, feito barata tonta de sacristia.
Na hora da aula foi logo chamando o sobrinho do padre. Ia com sede nele. (...) O sobrinho do padre ficou chorando.
– Era o que me faltava. Não sabe a lição e ainda me vem com choro. Passe-se para cá.
E o bolo aliviou a raiva da véspera, da prédica do frade. (...) E o bolo cantava na sala.” [3]
Frei Martinho se ordenou sacerdote em 1900 e faleceu em João Pessoa a 29-7-1930. Os primeiros romances do ciclo da cana de açúcar de José Lins do Rego têm como alvo a Zona da Mata paraibana do final do século XIX e princípio do século XX, berço do romancista. Fr. Martinho já atuava então como jovem sacerdote naquelas regiões. No romance Doidinho, Frei Martinho surge como um Missionário cheio de compaixão e acolhimento, defende as crianças, denuncia os maus tratos e os escândalos de que são vítimas na família e nas escolas, ameaça com as penas eternas os que escandalizam os pequeninos do Evangelho.
Por fim, vamos a um capítulo do romance Cangaceiros.
Em poucas páginas, cheias de poesia e emoção, José Lins do Rego evoca, a seu modo, o Missionário Frei Martinho, quando põe na boca do cantador Dioclécio, a solução para o amor de Bentinho e Alice:
“ - Agora é marcar o casório. Tem missões em São José [do Egito], do Frei Martinho. Dona Severina, porém, cortou a palavra: - Tem missão, é verdade, mas esta moça vai se casar é com banho. Vim aqui pra dizer isto, a menina não tem pai e não tem mãe; nós vamos fazer as vezes dos entes que estão faltando. A gente é pobre mas tem condições para tanto. [...]
- Rapaz, para que tanto alvoroço? Tudo está feito como deve ser. A gente vai amanhecer bem longe daqui e com mais uma pisada estamos em Floresta. As missões vai de manhã à noite. O casamento feito, tu toma destino melhor. É. Eu fico contigo. Vou te deixar no roteiro certo. [...]
Casariam em Floresta, nas missões do Frei Martinho e de lá mesmo ganhariam para longe. [...] E saíram pela mataria rasteira. A noite cobria-os de proteção. O céu estrelado, pinicando. Aí Dioclécio, baixinho, foi dizendo: - Tu tens que ir lá para baixo para trazer a moça, conforme o combinado. A gente toma a direção de Floresta e vai caminhar o resto da noite toda.
- Seu Dioclécio, estou com o dinheiro amarrado no cós da calça.
- Tu vai te casar e depois a gente encontra um jeito. O diabo é a moça fraquejar. [...] Bento falou calmo:
- Seu Dioclécio, foi Deus quem mandou o senhor para a nossa vida.
- Qual nada, menino. Temos ainda que andar o resto da noite. O frei Martinho casa os romeiros na missa da madrugada. [...]
Bento e Alice, conduzidos pelo cantador, fugiam da terra dura e assassina. [...]
- Está vendo? Vamos de rota batida. Se não, vem chegando a força e pega a gente. Isto é o sertão, rapaz. Chegando em Floresta, tenho que cortar este cabelo. Estou que nem um penitente. Vamos embora! [4]
Só que o Missionário por excelência de Floresta, era Frei Casimiro Brochtrup, confrade e contemporâneo de Frei Mrtinho. Liberdades de romancista, ainda mais paraibano, do torrão marcado pelos suores apostóloicos de Frei Martinho Jansweid... E sob “o impulso de forças que ele (o romancista) não pode controlar”...[5]
Nos romances, a figura dos padres é tratada com muito respeito, diria mesmo, com carinho, por José Lins do Rego. Que pessoa, por exemplo, a do Padre Amâncio, em Pedra Bonita! E em Doidinho, como o escritor transfere para o menino a imagem que ele mesmo faz do Missionário ideal!
José Lins do Rego, perpetuou na Literatura a memória do Apóstolo da Paraíba, cujo túmulo é venerado no Convento de Nossa Senhora do Rosário, em Jaguaribe, João Pessoa. Naquelas páginas finais do romance do cangaço, como repisa (é de seu estilo) sobre as missões de Frei Martinho! E no romance “Doidinho”, toma o Apóstolo da Paraíba como arquétipo do Missionário Popular, numa síntese artística que ultrapassa as fronteiras do Nordeste e mesmo do Brasil. É o universalismo da Arte e da Fé. No fundo, o Arquétipo por excelência: Jesus Cristo. Logo depois, o santo sem fronteiras: Francisco de Assis, no seu amor ao Cristo cósmico do Cântico das Criaturas, no abraço do leproso, no cuidado com o Irmão Lobo...[6] É possível que também à influência do Missionário Frei Martinho se possam atribuir “aqueles momentos de crença” do homem José Lins do Rego a que o autor se refere em Meus Verdes Anos.



[1] REGO, José Lins do -, Meus Verdes Anos, José Olympio Editora, Rio de Janeiro, ano 2000, 6.ª edição. Cf. pp. 192, 193.
[2] Id. Ibd. p. 192.
[3] REGO, José Lins do -, Doidinho, José Olympio Editora, 38.ª edição, Rio de Janeiro, ano 2000, pp. 68 a 71.
[4] REGO, José Lins do -, CANGACEIROS, José Olympio Editora, 10 edição, Rio de Janeiro, RJ, 1999), pp.238 – 240. Cf. também in COELHO, Nely Novaes -, na sobrecapa da 10ª ed. de CANGACEIROS, sobre o estilo de J. Lins do Rego.
[5] COELHO, Nely Novaes -, ibd.
[6] Vide, aqui, o que José Lins do Rego falou sobre o Irmão Lobo aos alunos seráficos de Ipuarana (Lagoa Seca / PB), quando da inauguração do seu busto no Pilar, sua terra Natal: Livro III, Cap. V, 12.
Na década de 1950, José Lins do Rego visitou o nosso Colégio Seráfico de Santo Antônio em Ipuarana (Lagoa Seca /PB), acompanhado da esposa e vários intelectuais de Campina Grande e João Pessoa, ocasião em que fora inaugurar um monuento em sua honra em Pilar I(PB). O nosso seminário lhe prestou uma homenagem muito simples, dado o imprevisto da visita. Nosso coral entoou para os visitantes vários canções da autoria de frei Adriano Hipolito, futuro bispo de Nova Iguaçu. José Lins do Rego agradeceu com palavras cheias de gratidão e que refletiam a grande simpatia pela presença franciscana ali no alto da Borborema. Disse da alegria de ter diante de si os rostos de tantos jovens de todos os rincões do Nordeste. E nos incentivou a perseverar na vocação franciscana certos de que "o irmão lobo" estava à nossa espera!" Foram palavras que até hoje ecoaram no meu coração. Mas não é por causa disso que o considero o maior romancista brasileiro dos tempos modernos. O mais nordestino, sem dúvida nenhuma!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO INTEGRADAS


Mosaico de proteção
Unidades de conservação integradas
POSTADO ÀS 14:01 EM 16 DE Agosto DE 2009
Frei Sinésio Araujo (*)
O litoral sul do nosso Estado existe cinco unidades de conservação de diferentes categorias ligadas institucionalmente ao Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), do Governo Federal. Tais unidades, para terem alcançados seus objetivos, precisam de uma boa gestão e de trabalho coordenado entre elas. Isso é facilitado pela sua localização geográfica, já que estão em municípios vizinhos. A saída para uma gestão integrada seria a constituição de um Mosaico de Unidades de Conservação, previsto no Sistema Nacional de Unidades de Conservação através da lei 9985/2000, Cap. III, arts 8,9,10,11. Mosaico, na linguagem artística, é um desenho feito com pequenas pedras de várias cores, geralmente azulejos. São, portanto, pedaços separados, mas que formam um todo. Trata-se de uma composição de várias unidades de conservação que compõem uma área importante. O conceito de mosaico, na área ambiental, é um fator essencial para a promoção e defesa ambiental em termos biológicos, geográficos, sociais e principalmente administrativos.
Unidades de conservação do Litoral Sul de Pernambuco
RPPN Ipojuca – ICMBio – categoria: uso sustentável. Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com objetivo de conservar a diversidade biológica. É permitida a pesquisa científica, visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais.
Resex Sirinhaém/Ipojuca, na fase final de criação – ICMBio – categoria: uso sustentável. A Reserva Extrativista é uma área utilizada por populações extrativistas tradicionais, cuja à subsistência baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte, e tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade.
APA dos Corais - Tamandaré, Rio formoso estendido até o Estado de Alagoas – ICMBio – categoria: uso sustentável. A Área de Proteção Ambiental é uma área em geral extensa, com certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem estar das populações humanas, e tem como objetivo básico proteger a diversidade biológica,disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais.
Reserva Biológica -Tamandaré – ICMBio – categoria: proteção integral. Tem como objetivo básico a preservação integral da biota e demais atributos naturais existentes em seus limites, sem interferência humana direta ou modificações ambientais, excetuando-se as medidas de recuperação de seus ecossistemas alterados e as ações de manejo necessárias para recuperar e preservar o equilíbrio natural, a diversidade biológica e os processos ecológicos naturais
RESEX - Rio Formoso na fase de criação – ICMBio – categoria: uso sustentável.
(*) Secretário de Justiça, Paz e Ecologia dos franciscanos no Nordeste
Postado por Verônica Falcão Artigos 1 Comentários permalink imprimir enviar topo
Postado do Blog Ciência e Meio-Ambiente do Jornal do Commercio em 16.8.2009 -
Artigo de Verônica Falcão
Reserva Extrativista da Barra de Sirinhaém – Continuidade de um Trabalho em favor da Justiça, Paz e Ecologia.


Residiu no Convento de São Francisco da Cidade de Sirinhaém, Estado de Pernambuco nos anos 80 do século passado, um frade franciscano, chamado Frei Francisco Hilton Botelho juntamente com frei Marconi Lins de Araújo vigário da Paróquia e guardião do convento e mestre dos postulantes à vida religiosa franciscana. Frei Hilton conheceu a população tradicional dos pescadores do estuário do rio Sirinhaém que habitava nas 17 ilhas, eram aproximadamente 53 famílias que viviam da pratica da pesca artesanal estuarina associada com a criação de animais de pequeno porte. Tais famílias sofreram várias ameaças para deixarem seu lugar tradicional de moradia e trabalho no qual sempre contaram com a colaboração e apoio deste frade. Um problema latente que perdura até hoje é o crescente derramamento do vinhoto, no estuário, oriundo da produção do etanol, prática esta que causa impactos ambientais e se torna visível pela mortandade dos peixes. Tal prática criminosa tipificada na lei dos crimes ambientais anda perdura. Temos notícias que na época foram feitas várias denúncias aos órgãos ambientais. Frei Hilton sempre contou com a colaboração e “compreensão” dos frades e da pastoral social da Paróquia de Sirinhaém neste importante trabalho de cidadania e responsabilidade sócio- ambiental.

Com a transferência de Frei Hilton para Cairu, Bahia, o trabalho foi continuado com o apoio da Pastoral dos Pescadores, o ex - frei Bernardo Siry e frei Sinésio Araújo. Nesta época não contávamos com uma legislação ambiental capaz de assegurar a permanência dos ilhéus no seu habitat. Infelizmente, através de acordos forçados, ameaças físicas e psicológicas muitos dos ilhéus foram expulsos e só duas famílias ainda resistem na ilha do Constantino. Poderíamos citar inúmeras ameaças que frei Hilton sofreu juntamente com os ilhéus, mas fica o nosso registro deste frade compromissado com os princípios da justiça, paz e ecologia.

O advento da publicação da Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação – 9985/2000 foi a saída para resolver o conflito pela posse do estuário, já que as 17 ilhas ainda estão aforadas à Usina Trapiche através da Gerencia Regional do Patrimônio da União que sempre ignorou a presença dos nativos. O Sistema Nacional de Unidades de Conservação versa sobre a existência das Unidades de Conservação de uso Sustentável a exemplo das Reservas Extrativista e Reserva de Desenvolvimento Sustentável que asseguram a presença da comunidade tradicional no seu habitat. Entra em cena nesta nova conjuntura a Pastoral da Terra que juntamente com a Diocese dos Palmares, através de Dom Genival e duas entidades ambientalistas a ASPAN e a ECOS protocolaram no IBAMA, de Recife pedido para criação de uma Reserva Extrativista. Tal pedido voltou a incomodar a Usina Trapiche, os políticos locais, pois tal proposta empodera os pescadores no sentido que eles terão autonomia junto com os órgãos ambientais na gestão da área através da criação do conselho deliberativo da Unidade de Conservação.

A consulta pública organizada pelo Instituto Chico Mendes da Biodiversidade no dia 21 de agosto de 2009, na Barra de Sirinhaém, para a apresentação dos estudos sócio-ambientais da Unidade de Conservação foi marcada pela participação expressiva da categoria dos pescadores e de várias entidades que se posicionaram totalmente favorável
à iniciativa mesmo com toda a articulação contraria da Usina Trapiche, do Governo do Estado e da Prefeitura local. Este episódio pode ser em breve abordado.Frei Sinésio Araújo durante a realização da consulta pública foi alvo de críticas infundadas, e sem ambasamento técnico, a saber, que a Reserva Extrativista iria dificultar o desenvolvimento da Cidade. Contudo, muito ao contrario, ela será a indutora da economia sustentável no que beneficiará inúmeros pescadores associada à proteção do ecossistema, pois políticas públicas podem ser atraídas para esta Unidade de Conservação. Para acessar o estudo sócio-ambiental da Reserva Extrativista basta consultar o sitio: www.icmbio.gov.br no link consulta pública ( RESEX de Sirinhaém). Neste estudo temos a realidade social, econômica dos pescadores e os estudos biológicos com caracterização da fauna e flora costeira.

Frei Sinésio Araújo, OFM






sábado, 12 de dezembro de 2009

JUBILEU - 7O ANOS

O Colégio Seráfico de SANTO ANTÔNIO de
Ipuarana (lagoa seca /PB) -1939 – 1971.


I. As primeiras tentativas vocacionais
O mais grave desafio que se apresentava aos Restauradores da Província Franciscana de Santo Antônio foi, sem dúvida, o das vocações franciscanas. Desde o reconhecimento pela Santa Sé, em 1901, da autonomia da Província Franciscana de Santo Antônio restaurada, que se faziam tentativas vocacionais. As três primeiras décadas (1901 – 1939) desse renascimento foram marcadas pela busca de vocações brasileiras.
Houve várias experiências de abertura de um “Colégio Seráfico”:
1. O Colégio Seráfico de Salvador / BA (a 4 de fevereiro de 1900).
2. O Colégio Seráfico de S. Cristóvão / SE, para onde foi transferido o de Salvador a 15 de fevereiro de 1903.
3. O Colégio Seráfico de Olinda, em 1904, foi também de curta duração; pouco tempo depois foi transferido com seus professores Frei Pascoal Reuss e Frei Ciríaco Hielscher para a Colônia de Blumenau, no Estado de Santa Catarina.
3. O Colégio Seráfico de Vila de São Francisco, no Recôncavo baiano, para onde foi mudado em 1908, o de S. Cristóvão.

II. A partir de 1929 houve fundações vocacionais de maior porte, como o Colégio Seráfico de S. Antônio, com curso ginasial (João Pessoa, 1929-1940) e o Colégio Apostólico Diocesano-Seráfico de Canindé / CE, a partir de 1923 ao qual se agregou o Juvenato S. José para formação dos Irmãos leigos franciscanos(transferido para Penedo em 1970). Em vésperas de completar 70 anos, fechou as portas o Colégio Diocesano-Seráfico, como aconteceu a tantos outros seminários do Brasil. Anexo ao Convento franciscano funcionou uma escola Apostólica para enviar alunos a Ipuarana.
As Escolas com curso primário: Escola Apostólica de São Pedro Gonçalves (João Pessoa, 1941-1960); a Escola Apostólica Dom Frei Eduardo (Paripe /BA, 1940-1942); a Escola Apostólica Frei Camilo de Lelis (Penedo/AL, 1943-1845); a Escola Apostólica de S. José (Tianguá /CE, 1940-1960); a Escola Apostólica de Canindé; a Escola Apostólica de S. Boaventura (Triunfo / PE, 1947-1960).

III. O Colégio Seráfico de Santo Antônio de Ipuarana

A solução definitiva para o problema vocacional da Província Franciscana de Santo Antônio só viria com a fundação de um grande seminário.
O Congresso Definitorial de janeiro de 1939 criara uma comissão integrada pelo Ministro Provincial Frei Humberto Triffterer, Frei Matias Teves e Frei Norberto Holl para estudar o plano de ação. No dia 4 de agosto de 1939 Frei Pedro Westwemann e Frei Matias se deslocavam para Lagoa Seca quase sem esperança e “quase unicamente movidos pela responsabilidade”, como escreve Frei Pedro em sua crônica. “Grande foi a surpresa – diz Frei Pedro - de encontrarem um local ótimo, com todas as condições desejadas, no lugarejo de Lagoa Seca, à época também chamado de Ipauarana. Em 26 de setembro de 1939 era realizada a compra do terreno por 9 contos de réis (correspondendo à metade do preço, porque um dos proprietários renunciara à sua parte em benefício dos frades)” . Frei Pedro foi a pessoa escolhida para dirigir os trabalhos de construção. Ele mesmo elaborou um, anteprojeto, que foi desenvolvido por um arquiteto do Recife, , Heitor Maia Filho. A 28 de novembro de 1939, uma Terça-feira, Frei Pedro e Frei Lamberto [Hoetting, falecido na Alemanha a 16-2-1978, com 48 anos de vida religiosa] mudaram-se para o local a fim de dar início aos trabalhos, e a eles associou-se, no mês de janeiro, Frei Manfredo, estes três constituindo a primeira comunidade franciscana de Ipuarana.
Surgia, assim, o Colégio Seráfico de Santo Antônio, em Ipuarana (ou Ipauarana, hoje, Lagoa Seca / PB), nas proximidades de Campina Grande, numa das colinas mais bonitas da Serra da Borborema. A 28 de janeiro de 1940 – em plena Guerra – o Senhor Arcebispo da Paraíba, Dom Moisés Coelho, procedia à Bênção da primeira Pedra, com a presença do Clero de Campina Grande, do representante do Interventor Federal Argemiro de Figueiredo, do Prefeito de Campina Grande, Bento Figueiredo, e de uma multidão de moradores de Lagoa Seca e dos sítios vizinhos.
Em 22 de março de 1941, a construção já estava em condições de abrigar os primeiros alunos, não os do Curso Secundário, a que era destinado, mas sim de duas classes preparatórias, num total de 19 meninos, sob os cuidados de Frei Gervásio Michels [falecido em Canindé, a 5-12-1994, com 57 anos de sacerdócio] e Frei Artur (e foi assim que o primeiro dos ipuaranenses vivos [Fr. Artur] a ocupar seu posto foi também o último a não abandoná-lo – ali permanecendo até o dia de hoje [...]. No final do ano, 11 destes alunos foram promovidos ao 1º Ano Secundário (entre eles , Simão Arruda – o “Frei Felício” -, primeiro aluno na matricula - e João Poluca, o “Frei Roberto”). Aí, nordestinos de todos os rincões, se preparavam para a entrada na Ordem Franciscana.

Quase 1.500 alunos passaram por Ipuarana nos 30 anos de sua existência como seminário. Destes, apenas 72 chegaram ao sacerdócio; 30 perseveraram na Ordem, dos quais 5 já faleceram; 11 se ordenaram para o clero diocesano (padres seculares) dos quais um é Bispo; um é beneditino.[1]
Mas não se pode fugir à eterna e indefectível pergunta: Por que o Seminário de Ipuarana teve que fechar? [...] É bom lembrar que, a essa altura, todas as Escolas Apostólicas já haviam sido extintas: Triunfo, Tianguá, João Pessoa.
E muitos seminários seculares e de outras Ordens religiosas também já haviam fechado. Não existiam mais fontes param fornecer inquilinos para Ipuarana., nem Ipuarana possuía um sistema de recrutamento próprio, resultando daí que foram aceitos candidatos sem uma melhor seleção e preparo, só com o objetivo de se chegar a um número razoável. Boa parte dos frades, sobretudo os mais novos, já não acreditavam mais em seu sistema vocacional.

A Direção da província, depois de debater a situação com os educadores, ainda pediu o parecer por escrito de cada um. Todos foram unânimes em que, ao menos por enquanto, não tinha sentido o Seminário de Ipuarana continuar funcionando. Na opinião dos últimos professores, os alunos estavam sendo antes prejudicados que favorecidos pelo ambiente do Colégio. E o Definitório, de 3 de dezembro de 1971, resolveu fechar por algum tempo o Seminário e “instituir uma Comissão Especial para estudar o que fazer , no futuro, com o Colégio Seráfico, excluída a possibilidade de deixá-lo sem aproveitamento”.
Hoje a prova mais importante de que Ipuarana continua viva pode ser encontrada no bom número de seus ex-alunos que continuam atuando e dando o seu testemunho da vocação religiosa, como frades e sacerdotes na Província de Sto. Antônio.

“Mas nem seus ex-padres deixam de contar pontos para Ipuarana, seja pelo tempo em que trabalharam como sacerdotes e religiosos (não raro eles foram bons sacerdotes e religiosos – e o bem que foi realizado ninguém pode apagar), seja como os demais ex-alunos, quando por sua vida profissional e familiar dão em seu ambiente um testemunho de fé cristã e franciscanismo.[2] Concluindo – escreve Frei Hugo - podemos afirmar que o seminário de Ipuarana representou para a Província de Santo Antônio um marco de singular importância em sua obra de restauração”.[3]
O atual Guardião de Ipuarana, Fr. Osmar da Silva, tem cuidado, com um zelo admirável e muito bom gosto, do Convento e do antigo Colégio, adaptando-os, de maneira prática e harmoniosa, à nova realidade de Centro de Treinamento. É um prazer hospedar-se em Ipuarana!

Frei José Milton de Azevedo Coelho, OFM


BIBLIOGRAFIA:
Cf. PEREIRA, Carlos Almeida -, Ipuarana 2000, - Refazendo uma Caminhada , Lagoa Seca / PB, - Belém / PA, 1999, p. 79 - 81
- Cf. PEREIRA, Carlos Almeida -, op. ci. pp. 68 – 75..
-FRAGOSO, Fr. Hugo -, OFM, op. cit. p. 194.
Apud FRAGOSO, Fr. Hugo -, OFM, Uma contribuição para a história vocacional da Província Franciscana de Santo Antônio, apud: AZZI, Riolando - (Organizador),Vida Religiosa no Brasil – Enfoques Históricos”, Edições Paulinas, São Paulo, 1983, p. 180.
Cf. I Livro de Crônica do Convento de Nossa Senhora das Neves, de Olinda, 1904, p. 2.