sábado, 3 de outubro de 2009

A CONCENTRAÇÃO MARIANA NA USINA SALGADO E EM NOSSA DENHORA DOM Ó


Igreja de N. Sra. do Ó Capela da Usina Salgado Capela de N. Sra. das Mercês


O ANO SANTO MARIANO

Na capela do Engenho Mercês, pertencente hoje à Paróquia de Nossa Senhora do Ó, está sepultado o padre Salesiano Luís Marinho Falcão, filho da Usina Salgado. Quando ele era menino, seu pai veio de Paudalho, com a família, trabalhar na Usina Salgado. Moravam no Engenho Mercês. Foi aí que nasceu a vocação religiosa do garoto. Sua mãe era Dona Nitinha. Era croinha na igreja de Nossa Senhora do Ó. Sentindo-se chamado à vocação sacerdotal, foi estudar com os Salesianos. Ordenou-se sacertode e nunca esqueceu a terra de sua infância: o Engenho Mercês, a Usina Salgado e Nossa Senhora do Ó. Seus restos mortais se encontram na capela das Mercês certamente a pedido da família
Sobre o Engenho Mercês e a família do Padre Luís Marinho Falcão, consulte o meu blog de abril de 2008: “Os Engenhos de Ipojuca na guerra holandesa”.

A CONCENTRAÇÃO MARIANA NA USINA SALGADO E EM NOSSA SENHORA DO Ó

A História de Nossa Senhora do Ó não pode deixar de registrar em seus anais a grande Concentração Mariana promovida pelo Padre Luís Marinho Falcão, com o apoio de Frei Oto, e registrada por este no Livro de Crõnica do Convento de Ipojuca, à pg. 253. O evento teve lugar no dia 06 de janeiro de 1954, dando abertura ao Ano Mariano de 1953-1954.
Demos a palavra ao cronista Frei Oto:

"À tarde do Dia de Reis, realizou-se, na esplanada da Usina Salgado, uma imponente Concentração Mariana, cuja idéia tinha sido sugerida pelo neo-sacerdote salesiano o Revmo. Pe . Luís Marinho Falcão, filho de Salgado. Apoiamos a idéia do Padre, a qual surtiu, deveras, um efeito que foi além do que esperávamos. Na presença de quatro sacerdotes, das Filhas de Maria de Ipojuca e de Nossa Senhora do Ó e de numeroso povo afluído daquelas redondezas, houve a Coroação da imagem de Nossa Senhora do Ó, ouvindo-se a palavra entusiasmada do Vigário Fre Lino e demais padres e alguns representantes do operariado revesada pelo canto das Filhas de Maria e do povo devoto. Foi espetacular esta manifestação de amor e veneração à Virgem Imaculada, como também a procissão de lanternas precedida por um cortejo de 20 cavaleiros montados em briosos corcéis que todos iam reconduzir a Nossa Senhora cingida de sua coroa de ouro para o seu temploatravés das plagas arenosas de N. Senhora do Ó. Foi assim que demos inícioi ao nosso Ano Mariano de 1953-1954".
O encerramento do Ano Mariano se deu em Ipojuca, no dia 8 de dezembro de 1854, Dia da Imaculada Conceuição. Escreve Frei Oto: "8 de dezembro foi o dia em que pusemos um brilhante ponto final ao nosso Ano Mariano de Ipojuca com a Coroação à Imaculada. Para esta brilhantíssima cerimônia, retocara Frei Tarcísio a linda imagem que fica à entrada da sacristia. O importante espetáculo teve lugar no pátio [externo] do Convento, onde, diante de grande multidão do povo, puseram mãos inocentes na fronte de Nossa Senhora uma coroa dourada e rutilante de pedras de cores, presente oferecido pela usineira D. Lourdes Dubeux Monteiro [Dourado] (Livro de Crônica pgs 256)..








quinta-feira, 1 de outubro de 2009

NOSSA SENHORA DO Ó - FREI OTO, OFM

TRAÇOS BIOGRÁFICOS DE FREI OTO STOHLDREIER, OFM

Henrique Stohldreier, assim se chamava Frei Oto, nasceu no dia 27 de agosto de 1908 na cidade alemã de Gelsenkirchen. Alimentava o desejo de tornar-se rodoviário. Depois de concluir a Escola Primária, ingressou no Curso de Artes Mecânicas. Concluído o aprendizado, foi surpreendido pela pregação de um sacerdote franciscano. Causou-lhe tão profunda impressão que resolveu ser missionário franciscano. Pediu ao pai que fosse com ele a um convento franciscano que ficava próximo de sua terra. Frei Eleutério, o frade que os atendeu, encaminhou o jovem Henrique para o Seminário Franciscano e Missionário de Bardel. Henrique se mostrou bom aluno. Tinha muita facilidade para línguas. No desempenho das atividades curriculares e disciplinares, mostrou que era um candidato certo para o Noviciado. Feito o exame chamado de Madureza (uma espécie de vestibular), passou no mesmo com êxito. A 15 de abril de 1930, entrou então na Ordem Francisacana ou tomou o hábito como se dizia então, com o nome de Frei Oto, pois era costume mudar o nome com a entrada no Noviciado. Sob a direção de Frei Querubino Mones, concluiu o ano de Noviciado, emitiu os primeiros votos ou a chamada "profissão temporária" a 16 de abril de 1931, e viajou para o Brasil com mais 12 confrades. Em Olinda estudou dois anos de Filosofia no Convento de Nossa Senhora das Neves, o primeiro Convento Franciscano do Brasil (de 1585). Seguiu para a Bahia, onde cursou Teologia por quatro anos no Convento de São Francisco de Salvador. Na Bahia emitiu os votos perpétuos ou a chamada Profissão Solene a 16 de abril de 1934. Queria isto dizer que seria franciscano por toda a vida. No dia 06 de junho de 1936 é ordenado sacerdote em Salvador. Já no ano seguinte é transferido para Canindé, no Ceará, onde passou a exercer o cargo de Professor e Diretor de uma Escola Particular de formação humanística, com um currículo de 5 anos. Aí permaneceu pelo espaço de dois anos e meio.
Em 1940, Frei Oto foi transferido para Olinda, na qualidade de cura d´almas em Salgadinho.
Em janeiro de 1941 é transferido como Vigário Cooperador de Itajuípe, na zona do cacau, na Bahia.
Emm1942, o Brasil entrou na Segunda Grande Guerra Mundial. Desencadeou-se no Brasil grande perseguição a alemães e italianos. O Convento de Itajuípe foi invadido. Frei Oto e mais dois confrades foram maltratados e levados presos para a cadeia de Ilhéus. Os dois companheiros depois de alguns dias foram soltos, mas Frei Oto permaneceu detido por três meses.
Por natureza, era Frei Oto acostumado à luta e a dizer o que pensava. Diante das péssimas condições higiênicas da cadeia e da precaria alimentação que estavam afetando a sua saúde, certamente não deixou de reclamar. Toda a limpeza da cadeia era feita por ele. Ao tomar conhecimento da lamentável situação em que se encontrava Frei Oto na detenção, um Irmão Franciscano, Frei Sigberto Herberhold, irmão do Bispo de Ilhéus Dom Eduardo, levava-lhe os alimentos de que tanto precisava. Quando foi finalmente libertado, Frei Oto foi para Salvador, onde exerceu seu sacerdócio até 1943.
Podemos imaginar a humilhação por que passaram tantos franciscanos alemães, que trocaram a família e a pátria pelo Brasil, país que amavam de todo coração, ao serem tratados como traidores e quintas-colunas, ao verem tantas pessoas a quem se dedicaram retribuir-lhes os benefícios com injúrias e calúnias, afastando até os filhos do catecismo e das igrejas franciscanas. Isso aconteceu, por exempolo em Ipojuca e teria havido coisas piores se o Interventor Agamenon Magalhães não houvesse tomado a defesa dos frades e evitado a invasão e depredação dos conventos. Frei Oto ainda não estava em Ipojuca, mas deve ter ficado muito contente ao saber que em Nossa Senhora do Ó a população católica permaneceu ao lado dos frades.
A partir de maio de 1943, Frei Oto passou a trabalhar como Vigário-Cooperador na Paróquia Franciscana de Aracaju. Em maio de 1944 foi transferido para Penedo (AL) e em outubro já está em Ipuarana (Lagoa Seca - PB). Em Junho de 1944, já com a saúde muito abalada, trabalha em Sirinhaém.
Em março de 1945 já vamos encontrá-lo em Ipojuca. Em fins de setembro de 1946 assume a capelania de Nossa Senhora dom Ó com a qual já vinha namorando desde que chegara a Ipojuca em março de 1946. Vai permancer como tal até dezembro de 1956. Foram 10 anos de missão permanente em Nossa Senhora dso Ó. Muitos confrades estiveran a seu lado no apostolado de Nossa Senhora do Ó, especialmente o seu primeiron Guardião em ipojuca Frei Eusébio que lhe prestava incondicional apoio.
Dez anos de pastoreio muito fecundo, cujos frutos ainda hoje permanecem.
No dia 15 de fevereiro de 1954, voltando de N. Senhora do Ó para Ipojuca, sofreu um acidente com a motocicleta que dirigia. Na derrapada, fraturou, do lado esquerdo, a clavícula e uma costela. Não foi a médico nem a hospítal. Ele mesmo nos conta, no Livro de Crônica (pg. 254) que não precisou de intervenção cirúgica. Apos oito dias se considerou bom. Tratou-se certamente com remédios caseiros. Quando se julgou curado, precisou de fazer uma consulta médica no Recife. Ele mesmo escreve que escara de um acidente fatal, e caíra noutro fatal: estava diabéico, com 03, 87 gr. de açúcar no sangue! Desde então, todos os dias se medicava, tomando a quantidade de insulina prescrita pelo médico.
De Ipojuca , foi em 1957 para Canindé e depois para Fortaleza. Já planejava construir uma igreja em Paramoti. Vai de férias na Alemanha em abril de 1958. Regressa a Fortaleza. Sofre mais um acidente de motocicleta que lhe causou um ferimento na cabeça. Em março de 1959 já o vemos em Campo Formoso no Sertão da Bahia trabalhando ao lado de Frei Lino seu antigo Guardião e Vigário em Ipojuca e que lhe dera muito apoio no apostolado em Nossa Senhora dom Ó. Em Campo Formoso exerce as mais diversas atividades: confessor de freiras, Diretor Espiritual do Seminário, professor de Latim num estabelecimento particular destinado à formação de futuras professoras.
A 6 de junho de 1961 celebrou o Jubileu de Prata de Ordenação Sacerdotal.
Em junho de 1964, foin transferido para a terra natal. Em Mettingen, Alemanha, precisava-se dele como professor no Intituto Franciscano que havia sido fundadado para as Vocações ditas tardias, isto é, para a formação de adultos que desejassem ingressar na Ordem Franciscana. Ensinava particularmente Latim e Música. Mas não se descuidava dos trabalhos pastorais, dando assistência no Hospital , Pregando a Palavra de Deus, sendo confessor de freiras. E ainda encontrava tempo para arranjar "um dinhierinho" para igrejas, escolas e instituioções do Nordeste Brasileiro. Nossa Senhora do Ó não lhe saía do coração.
A 2 de 0utubro de 1972, o seu estado de saúde se agravou. Foi transferido para o Convento de Bardel, onde tinha começado a sua vida franciscana. Permaneceu aí apenas por alguns dias. Foi levado para uma Casa de Saúde perto de Muenster (Vestfália), onde não lhe faltavam visitas dos confrades e amigos de Mettingen e de Bardel.
No dia 28 de agosto de 1973, faleceu em paz, depois de receber os sacramentos das mãos do Padre Guardião de Bardel. O enterro se realizou em Bardel, a 29 de agosto, na presença dos parentes, confrades de Bardel, de Mettingen e do Brasil que estavam de férias na Alemanha.
A missa de corpo presente foi concelebrada por 14 confrades sacerdotes.

JUBILEU DO COLÉGIO FREI OTO STOHLDREIER, OFM






* 27 de agosto de 1908

+ 28 de agosto 1973



Transcorreu a 27 de agosto de 2008 o Centenário de nascimento de Frei Oto Stohldreier, OFM, o Apóstolo de Mossa Senhora do Ó. Faleceu na Alemanha a 28 de agosto de 1973, com 65 qnos de idade. Nem os seus irmãos de hábito de Ipojuca, nem a Paróquia de Nossa Sernhora do Ó se lembraram de comemorar o jubileu de um frade que por 10 anos seguidos dedicou integralmente a sua Vida à Paróquia de São Miguel de Ipojuca, especialmente a Nossa Senhora do Ó, cuja capelania era a menina dos seus olhos. Amou Nossa Senhora do Ó como se fosse a sua terra natal, queria um bem tão grande aos seus paroquianos que não media esforços para vê-los felizes. Desejava mais do que ninguém a autonomia política e religiosa do seu povo e, port causa disto mesmo foi perseguido e caluniado por alguns que se julgavam donos do mundo pelo fato de terem dinheiro e poder a sua disposição. Anunciar e denunciar é a missão profética, dizia domingo passado o nosso Arcebispo Metropolitano Dom Fenando Saburido, em missa transmitida pela Rádio Olinda. Foi precisamente o que fez Frei Oto, de saudosa memória. Tive a felicidade de conhecer Frei Oto em Campo Formoso, alto Sertão da Bahia. Eu era Diácono franciscano e Frei Oto Cooperador do Vigário Frei Lino, justamente aquele que fora Guardião e Vigário de Frei Oto em Ipojuca, um frade querido de todos nesta região ipojucana, e que deu todo apoi a Frei Oto, seu Coadjutor em Nossa Senhora do Ó.
O lema de Frei Oto em seu apostolado em nossa região era "Sem Justiça não é possível a Paz", podemos concluir pelo que ele escreve no Livro de Crônica do Convento. Lamenta que os pequenos se degladiem em favor os grandes (intrigas entre os distritos de Camela e Nossa Senhora do Ó, e destes com pojuca), "grandes que querem a paz mas não querem fazer justiça".

Condenou o desvio o dinheiro público para obras de fachada ou que não visavam ao bem do povo. Denunciou a exploração do latifúndio que deixava tanta gente sem instrução e com fome. Lamentava que a Usina Salgado não cumprisse o seu papel social. Denunciou a grave injustiça cometida contra Nossa Senhora do Ó por um "Prefeito da Ditadura" (1937) que desmembrou Camela do seu território, juntamente com as praias e engenhos que, em virtude de sua própria natureza sempre pertenceram a Nossa Senhora do Ó. Que que é duro para um padre ouvir o que Frei Feliciano Trigueiro ouviu de um Prefeito de Ipojuca quando lhe foi pedir alguma coisa em benefício de Nossa Senhora do Ó: "O senhor me peça tudo, menos em benefício de Nossa Senhora do Ó!" (Livro de Crônica, pg. 264).
Como não teve ter exultado no céu o bom do Frei Oto com a criação da Paróquia de Nossa Senhora do Ó! Como desejava naquele tempo (de stembro de 1946 a dezembrom de 1956) o crescimenrto econômico e, sobretudo, religioso do seu povo! Como apoiou Frei Lino, seu Superior e Vigário, a regularizar o patrimônio de Oiteiro e a começar a colocar em dia o Patrimônio de Nossa Senhora do Ó, principalmente os Sítios de Canoas! O Livro de Crônica do Convento de Iojuca, apresenta farta matéria sobre o Apostolado de Frei Oto e demais frades em Nossa Senhora do Ó.

Não vou terminar esta matéria sem enfatizar o seu empenho pela educação da Juventude. Por todos os recantos da Província Franciscana de Santo Antônio por onde Frei Oto passava, deixava a marca do seu carisma que era o de professor. Na Alemamnha, para onde fora transferido em 1964, e donde não mais voltou, dedicou-se ao ensino em Mettinggen, onde os franciscanos mantinham uma Casa de Formação para vocações adultas. Em Nossa Senhora do Ó, com a permissão do Ministro Provincial Franciscano e do Senhor Arcebispo, fundou em fins de 1949 ou princípio de 1950, uma Escola Paroquial "a qual foi instalada no oitão desocupado da igreja" (1° Livro de Crônica do Convento Santo Antõnio de Ipojuca, pg. 246). Conforme a tradição oral de Nossa Senhora do Ó, foi esta Escola Paroquial que deu origem ao "Colégio Frei Oto". É que, tendo conhecimento da situação financeira apertada por que passava a Escola, mandou da Alemanha uma boa quantia que conseguiu de benfeitores, verba com a qual o frade que o sucedeu no apostolado de Nossa Senhora do Ó resolveu construir um grande Colégio ao qual foi dado o nome de frei Oto, hoje, não se sabe por que, chamado de ´"Colégio Padre Pedro Souza Leão", nome de um grande filho da terra, sem dúvida, mas que poderia ter sido dado ao colégio que hoje tem o nome de frei Oto. Fica aqui a sugetão de Frei José Milton: façam a permuta do nome, será bom para a memória de Frei Oto e também para a memória do meu saudoso amigo Pe. Pedro Souza Leão, o grande apóstolo de Pontezinha. Qual o frade que sucedeu Frei Oto em Nossa Senhora do Ó? Logo depois de Frei Oto, foi Frei Benjamin Soares de Alcântara, que muito fez pela conservação da igreja. Teria sido ele o construtor do Colégio? Teria sido o seu sucessor Frei Valentin A. Pereira? Há um lamentável hiato no Livro de Crônica: nada se registrou de 25 de setembro de 1958 a 8 de novembro de 1960. Não teria sido dessa época a construção do "Colégio Frei Oto"? E, por fim, um evento que serve para mostrar de sabejo, o zelo missionário de Frei Oto : as Santas Missões realizadas em outubro de 1956 (Em N. Sra. do Ó a partir de 15 de outubro): os próprios Missionários ficaram surpresos com o resultado: a participação macissa dos homens (maior que a das mulheres!) pá diz tudo. A igreja sempre cheia nas celebrações, boa participação nas palestras para homens e mulheres, no catecismo de jovens e crianças. A procissão de encerramento foi uma apoteose. Nos Engenhos e praias a participaçãon tambem fou muito boa. Na opinião dos mais velhos, nunca houve Missão tão concorrida em Nossa Senhora do Ó como aquela. O bom êxito superou o das Santas Missões pregadas anteriormente em Ipojuca, sede da Paróquia (de 7 a 14 de outubro). Onde estava o segredo do grande sucesso das Missões? Na preparação esmerada do Capelão com os seus colaboradores. Mas, sem dúvida nenhuma, o que pesou mais foi o fato de Frei Oto passar meses visitando, a cavalo, um por um todos os Engenhos, uma por uma, todas as praias, convidando o povo para a Santa Missão (1° Livro de Crônica do Convento de Santo Antônio de Ipojuca, pg. 263).

Esperamos que ainda este ano se comemore o Jubileu de Frei Oto, ou seja a festa dos 100 ano do seu nascimento já que em 2008 passou em branca nuvem.
E que já se comece a preparar a comemoração ainda este ano, dos 60 anos (Bodas de Diamante) da Escola Paroquial fundada por Frei Oto em 1949, ou, no próximo ano, o da sua instalação em fevereiro de 1950. Foi esta Escola que deu origem ao "Colégio Frei Oto".

Voltaremos com uma pequena biografia de Frei Oto.




terça-feira, 29 de setembro de 2009

PONTAL DE MARACAÍPE - RUÍNA DE IGREJA?






Por incrível que pareça, ninguém em Porto de Galinhas, Maracaípe e região sabe da existência das ruinas de uma igreja no Pontal de Maracaípe. No entanto está aí na Internet! Pesquise no Google e terá acesso até a uma bela imagem da tal igreja. Quem quiser que explique!

Aí você pode ler:

"Descobrindo Porto de Galinhas:1. Ruínas da Igreja de Maracaípe (1854): Igreja totalmente construída por um único morador da região; localiza-se no Pontal de Maracaípe."



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"Igreja de Maracaípe Construída em1854 por um único morador da região, as ruínas da igreja, possui características do estilo barroco brasileiro. "...br.geocities.com/bureaudeinformacoes/porto/porto_pontos_hist.htm - 11k - Em cache - Páginas Semelhantes

CAPELAS DE IPOJUCA

IGREJAS E CAPELAS SOB OS CUIDADOS DOS FRANCISCANOS

O 1º Livro de Crônica do Convento de Ipojuca apresenta uma lista das igrejas e capelas aos cuidados dos frades:

Matriz de São Miguel: (e Na. Sra. do Livramento)
Santuário do Santo Cristo: (Santo Antônio)
Igreja de . Sra. do Ó: (ou da Expectação)
Capela Sra. dos Oiteiros: (Na. Sra. da Conceição)
Capela da Usina Salgado: (N. Sra. de Nazaré e S. João)
Capela da Usina Ipojuca: (N. Sra. da Conceição)
Capela de Camela (S. Antônio)
Capela do Engenho Maranhão: (Na. Sra. da Penha)
Engenho Pará: (Na. Sra. das Vitórias)
Engenho Gaipió: (São José)
Engenho Belém: (Na. Sra. da Conceição)
Engenho Bonfim: (Nosso Senhor do Bonfim)
Capela do Engenho Pindoba: (São Tomé)
Engenho Fernandes: (Na. Sra., da Conceição)
Engenho Sibirozinho: (Sagrada Família)
Engenho Cachoeira: (Na. Sra. da Conceição)
Capela do Engenho Água Fria: (Na. Sra. da Conceição)
Engenho Arimbi: (Sant’Ana)
Capela do Engenho Tapera: (Cosme e Damião)
Capela do Engenho Penderama: (N. Sra. da Conceição)
Capela do Engenho Ilha das Mercês: (Sra. das Mercês)
Capela da Praia do Cupe: (São Sebastião)
Capela da Praia de Maracahype: (S. Francisco de Assis)
Capela do Cemitério de Na. Sra. do Ó:
Capela do Engenho Jundiá: (Escada)
Engenho Esmeralda (Escada)


MARACAÍPE - PORTO DE GALINHAS - OITEIRO - CUPE

A Capela de Maracaípe: sobre ela escreve Manoel da Costa Honorato em 1863:
“Povoação situada à beira do mar, banhada pelo ribeiro deste nome.Tem uma capela cuja torre se acha na lat. 8° 29´ 26´´ S. e long. 37° 19´52´´ OC. Pertence ao Termo de ipojuca e tem uma subdelegacia de polícia deste Termo.” [1]
No mesmo ano, escrevendo Honorato sobre a freguesia de Ipojuca, assim enumera suas igrejas: " A sua igreja matriz é dedicada a São Miguel, e existe na povoação um convento dos religiosos de Santo Antônio [por São Francisco!], no qual está a milagrosa imagem do Santo Cristo; além destas há mais três filiais: Nossa Senhora do Ó, São Francisco, na praia de Maracaípe e Nossa Senhora da Conceição num oiteiro da mesma praia. (Obra ncitada abaixo, pgs. 58-59)
Já Sebastião Galvão, 34
,0 anos mais tarde, tem a sua versão:
Maracaype – Povoação – Situada na costa, próxima à foz do rio do mesmo nome e à marg. setentrional dele, 8° 32´ e 20´´ de lat. s. e 8º 7´ 12´´ de long. É, junto à ponta do mesmo nome, baixa, coberta de arvoredos e de coqueiros; de longe, parece alagada, fica a mais de 6 milhas ao sudoeste do Cupe. É pequena povoação e nela existe uma igreja dedicada a N. S. da Conceição. A ponta de Maracaípe é guarnecida de um lanço de recife na distância de meia milha da praia.” [2]
Ao tratar da freguesia de Ipojuca, Sebastião Galvão enumera entre as suas capelas a de "N. S. de Maracahype, e a de N. S. do Outeiro do Porto de Galinhas" (obra abaixo citada, pg. 315).
Sobre Cupe, pouco diz Honorato: ‘Cupe, (ponta de) ua légua ao norte do Porto de Galinhas, na lat. 8° 23´16´´ S. e long. 37º 18´55´´ Oc. Neste lugar existe uma pequena povoação.” [3] Isto em 1863. Parece que de lá para cá não passou de pequena povoação da família Monteiro, antigos donos da usina de Cucaú. Não sabemos de quando é a Capela. Talvez trenha sido posterior ao que escreve Honorato. Sebastião Galvão acrescenta pouca coisa: “a 15 kilms. De S. Miguel de ipojuca e a 16 da vila de N. S. do Ó, sede do mun., é pequena a povoaçãp e está à borda do mar, a 6 milhas da extrema oriental do Cabo de s. Agostinho, tendo em sua frente baixos cômoros de areia e alguns coqueiros. Existe aí um ligeiro pontal...” [4] A Capela é dedicada a S. Sebastião, acrescentamos nós.
[1] HONORATO, Manoel da Costa, Dicionário Topográfico, Estatístico e Histórico da Província de Pernambuco , 2ª Edição, Governo do Estado de Pernambuco, Recife, 1976, p. 68.
[2] GALVÃO, Sebastião Vasconcellos, DicionárioCorográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco, Volume I, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, Recife, 2006, pg. 377-278. A 1ª edição foi de 1897, “quase quarenta anos depois do Dicionário de Honorato”., escreve José Antônio Gonçalves de Mello no Prefácio.
[3] HONORATO, Manoel da Costa, Dicionário Topográfico, Estatístico e Histórico da Província de Pernambuco , 2ª Edição, Governo do Estado de Pernambuco, Recife, 1976, p. 42.
[4] GALVÃO, Sebastião Vasconcellos, DicionárioCorográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco, Volume I, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, Recife, 2006, pg. 211.

A Capel de Maracípe, que Frei Bernardo Siry em 1979 conheceu em ruínas, era dedicada a São Francisco. Certamente não era mais a primitiva. Pertencia à família Chalaça. Dizem que a proprietária se tornou protestante e abandonou a Capela até à ruína total.
Consta que os herdeiros católicos estão querendo restaurá-la. Frei Bernardo Siry celebrava mensalmente (numa sexta-feira) na escola em que era professora Dona Leo (de Porto) e ficava sábado e Domingo em Porto de Galinhas. Porto ainda não tinha capela. A missa era celebrada na Escola. Frei Bernardo começou a construir a capela onde é hoje, que foi concluída por Frei Hermano Wiggenhorn. As missas eram dominicais. A Padroeira da Capela de Porto é Nossa s
Senhora do Desterro. Mas a festa maior sempre foi a de São Pedro, com muita participação dos pescadores.

sábado, 5 de setembro de 2009

IPOJUCA COMO PARÓQUIA FRANCISCANA

- PRIMÓRDIOS DO PAROQUIATO FRANCISCANO
- JUBILEUS ENESQUECÍVEIS

(Autor: Frei José Milton de Azevedo Coelho, O.F.M.)

JUBILEU DO PARAQUIATO FRANCISCANO
- A chegada dos franciscanos alemães – Em princípios de 1895, apareceu em Ipojuca o primeiro franciscano, com ordem de ocupar o convento. Era Frei Fernando Oberborbeck, que ccoperara na segunda Missão pregada por Frei Amando. Em fins de abril do mesmo ano, tomou posse do convento o primeiro superior, na pessoa de frei Adalbertpo Kirschbaum, a quem o Bispo de Pernambuco, logo em meados de maio, entregou também o paroquiato.
Salvara-se de completa ruína o venerando convento de Santo Antônio de ipojuca, e garantia-se a vida regular, interrompida havia muito tempo.
Para fazer idéia do que significava a restauração das vcida franciscana, ouçamos uma testemunha ocular, Frei Joaquim do Espírito santo, um dos últimos sobreviventes da antiga Província. De sua carta dirigida ao Padre comissário Frei Irineu, extraímos os tópicos mais expressivo:
Devemos muitíssimo a Vossa Paternidade e aos vossos irmãos de hábito. Nada direi dos benefícios que nos fizestes em tão larga escala e de que sempre nos recordaremos; nem falarei da Restauração da Província que outros puderam fazer; mas falarei do modo desta Restauração, da observância da regra, da vossa excessiva caridade e da de todos os confrades alemães, para com nós brasileiros, também vossos irmãos de hábito e sobretudo pelo coração; falarei dos exemplos de piedade e de todas as virtudes que nos servem de lição e incitamento. Bem me disse nosso confrade frei Antônio da Ascensão: ´Agora, vendo o que fazem os nossos irmãos germânicos, mais ainda me lembro das contas que tenho de prestar a Deus da minha administração´.
Falando assim, exprimiu meus próprios sentimentos. Tenho trabalhado muito pela Restauração da nossa Província, consagrando-lhe todos os meus esforços. Este pobre homem clamou ao Senhor e foi atendido. Mas, não havia esperado tantas bênçãos e tanta felicidade. Deus seja bendito que mandou tantos e tais operários para a sua vinha seráfica; já posso dizer com o salmista: “Agora despedis o vosso servo em Paz, porque os meus olhos viram a restauração da nossa Província por que tanto anelara”.[1]
O primeiro Vigário francisacano da Paroquia de São Miguel de Ipojuca foi Frei Adalberto Kirschbaum , OFM, em 1895.

“Diversas vezes durante o século XIX, encontramos os franciscanos como coadjutores da Paróquia de São Miguel de Ipojuca [conf. os Livros dos Batizados da Paróquia no século XIX]. O que em 1895 motivou a entrega da freguesia aos religiosos foi além da crescente escassez do clero secular o completo abandono em que se achava o rebanho paroquial, mal-estar este que só pela atividade dobrada e duradoura poderia ser minorado.
No termo da Visita Pastoral datado de 24 de fevereiro de 1898, Dom Manuel dos Santos Pereira recomenda a frei Adalberto que desenvolva cada vez mais seu zelo e vigilância para remidiar [sic, por remediar] o triste estado em que encontrou a referida freguesia que de nenhum modo era antes curada”.[2]
Frei Adalberto, o primeiro vigário franciscano, sendo muito jovem, foi recebido com “indiferença, senão com desconfiança”, diz Frei Venâncio, em artigo publicado na Revista Santo Antônio.[3] : (órgão publicitário da Província Franciscana de Santo Antônio). Despertou Frei Adalberto a antipatia dos mais velhos da Paróquia e que, certamente, se julgavam donos da verdade. O último Vigário fugiu da cidade ameaçado pelos próprios paroquianos. Certamente julgavam que ele não seria melhor do que um dos seus antecessores que deixou a Paróquia totalmente abandonada. Quando Frei Adalberto começou a corrigir os abusos que reinavam na Paróquia, começou a receber cartas anônimas com ameaças de morte. Em vez de desanimar, redobrou os esforços, sobretudo quando a Ipojuca foi vítima da varíola. Sem temer o contágio, visitava os doentes, orientava-os quanto aos cuidados com a saúde, não deixava ninguém morrer sem os sacramentos. Seu zelo apostólico foi aos poucos sendo reconhecido e as suas falhas humanas, fruto mais da inexperiência como vigário, foram sendo relevadas.
Sobre o trabalho verdadeiramente missionário de Frei Adalberto, temos o testemunho da Crônica da Província (Chronica Provinciae).[4]

JUBILEU DA ESCOLA PAROQUIAL

“O esforçado Vigário Frei Adalberto, convencido de que a cura d ´almas deve principiar pela instrução da juventude, fundou em 1895 uma Escola Paroquial, encarregando dela a Frei André Noirhomme, antigo professor, e Frei Nicodemos Grundhoff, ambos estudantes ainda de Filosofia. Embora no correr dos anos não fosse possível ocupar os religiosos no Ensino Primário, a direção sempre tem sido confiada ao vigário franciscano, continuando até hoje [1952] a funcionar uma secção para cada sexo” ( Veja Ruínas e vida nova em Ipojuca – no número acima citado da revista Santo Antônio, pp. 13-14.

A mesma Revista publicou valioso artigo de Frei Clementino de Bouché, lembrando duplo Cinqüentenário: o da entrega da Paróquia aos franciscanos e o da fundação da Escola Paroquial de Ipojuca, cinqüentenários que que ocorreram em 1945. [5]

Assim começa Frei Clementino a sua crônica, redigida em Ipuarana (Lagoa Seca / PB), para onde tinha sido transferido:

“Ainda ressoa em nossos ouvidos sons festivos do jubileu da restauração da nossa Província, jubileu que tristemente teve de submergir na tristeza da guerra atual, e já de novo puxa o cronista as cordas do sinos para anunciar festa não menos importante.
Ipojuca,cidade antiga de saudosas recordações e tradições; Ipojuca, cujo Santuário do Senhor Santo Cristo, comemorou, há poços anos, o 275° ano de sua existência; Ipojuca tristemente despojada de seus religiosos em 1943 em conseqüência de medidas impostas pela guerra; esta mesma Ipojuca pode e deve celebrar o ano de 1945, pois em 1895, tomaram os Franciscanos, vindos da Europa, conta de seu convento abandonado, feito tumulo dos mortos e encontro das lavadeiras, e de sua igreja, campo aberto para vegetação tropical, favorecida pelos estragos do teto. Quantos trabalhos e quantas dificuldades encontraram os intrépidos filhos de São Francisco, chefiados pelo incansável Frei Adalberto Kirschbaum, ao dedicarem-se à faina da restauração dos edifícios desertos e do muro caído. A desconfiança com que o povo tratava os recém-chegados e a falta de recursos e amigos dificultavam sobremaneira a renovação tanto material como espiritual de Ipojuca. Cincoenta anos de esforços gigantescos, dividindo-se em duas etapas: do início até o incêndio devoradpr de 1935 e desta data até aos dias que correm, em que templo e casa se encontram em condições melhores, deixando, porém, muito trabalho a ainda para os tempos vidouros e as gerações novas.
Faz Cincoenta anos que o então Bispo diocesano do Estado de Pernambuco, Dom Manoel dos Santos Pereira entregou aos franciscanos a Paróquia de S. Miguel de Ipojuca com estas palavras: agora tomai posse da pior Freguesia de Pernambuco!
E durante esse tempo todo, exceto os poucos anos em que a Freguesia ficara entregue ao Revmo. Vigário do Cabo em 1917, continuando os religiosos os trabalhos na cidade de Ipojuca, têm-se dedicado os filhos de São Francisco com verdadeiro zelo, à cura de almas muitas vezes dificílima e sempre laboriosa, coroada, infelizmente, de pouco êxito visível. As viagens a cavalo, a insalubridade em certos cantos da Paróquia, o indiferentismo de muitos habitantes e outras tantas dificuldades dão uma idéia das lutas constantes e das fadigas experimentadas pelos que sacrificaram saúde e forças no ministério paroquial.
Em 1894, Dom Frei Amando Bahlmann pregou uma santa missão em que foram sanados nada menos de 354 casamentos de amasiados. Foi o primeiro Vigário Frei Adalberto que teve sucessivamente por colaboradores: Frei André Noirhome, Frei Crisóstemo Adams, Frei Clemente Sagan, Frei Carlos Schindler, Frei Odilon Gelhaus, Frei Roberto Toelle, Frei Boaventura Poll e Frei Bernardino Tulewski. É de notar que alguns destes padres permaneceralsomente por meses. Na própria regência da Paróquia seguiram ao primeiro Pároco: em 1902, Frei José Pohlmann; em 1904, Frei Eusébio Kullmann; ; em 1907, Frei Lucas Vonnegut; em 1912, Frei Atanásio Krajczyk; em 1920. Frei Serafim Funke; em 1923, Frei Estanislau Cleven; em 1924, Frei Casimiro Brochtrup; em 1925, Frei Capistrano Nieggemeyer; em 1926, Frei Vicente Denge; em 1927, Frei Pedro Westermann; em 1928, Frei Menandro Rutten; em 1930, Frei Francisco Ewers; em 1933, novamente Frei Capistrano; em 1935, Frei Venâncio Willeke; em 1940 (interinamente) Fre9i Engelberto Haase; em 1941, Frei Clementino de Bouché; 3m 1942, Frei Feliciano Trigueiro; em 1944, Frei Leônidas Rampinelli; e em 1945, Frei Eusébio Walter. Clássico exemplo de Paróquia que raras vezes pôde ver seu pároco durante anos à sua frente” .
“[...] O jubileu da Paróquia estende-se também às Escolas paroquiais que foram fundada em 1895. É frei André Noirhomme [na realidade, pelo Vigário Frei Adalberto, com a colaboração dos estudantes Frei André e Frei Crisóstemo] jeitoso educador e intrépido pioneiro nas fileiras franciscanas, o fundador destas escolas [6] as quais, conservando-se em linhas modestas e verdadeiramente franciscanas, contavam e contam entre os seus professores e professoras ótimos pedagogos e não faltam provas de terem os seus alunos aproveitado na instrução como também para a vida. Não faz muito tempo que o encarregado da vida escolar no Município de Ipojuca expressou sua admiração pelo adiantamento dos alunos desta escola, adiantamento que levou de vencida as escolas estaduais. Os sacrifícios financeiros pela manutenção das escolas são às vezes consideráveis, mais ainda porque o corpo discente geralmente se compõe de pobres, fato este que, infelizmente, gerou a opinião de que a escola paroquial fosse só para os filhos dos pobres ou até da ´plebe´. O bem espalhado pela fundação de frei André Noirhomme é inegável e o cinquentenário queira contribuir para o encorajamento dos religiosos, das professoras e dos fiéis a fim de continuarem intrépidos uma obra tão importante e que assim as escolas paroquiais de Ipojuca floresçam e prosperem cada vez mais!”
A Escola Paroquial funcionou, por vários anos, na grande casa que havia ao lado direito da Matriz. Depois que foi construído o prédio em que atualmente se acha instalada, o antigo edifício foi transformado em Museu, conservando o palco para representações teatrais e outros eventos.
Durante o paroquiato de Frei Hermano Wiggenhorn (a 1ª vez de 117-03-1985 a janeiro de 1991; 2ª vez, de 22-02-1991 a dezembro de 1991), o museu foi fechado e o prédio demolido para dar lugar a um Salão Paroquial. Mas tendo sido Frei Hermano transferido para Óbidos (PA), o novo Vigário Frei Jerônimo Gomes de Sousa (dez de 1991 amarço de 1993) nada fez para levar adiante o projeto do salão Paroquial.
O Vigário Frei Carlos Alberto Breis (de agosto de 2007 a dezembro de 2008) planejava construir no mesmo terreno um conjunto paroquial, mas não levou o projeto a efeito por ter sido mais urgente reformar a Casa dos Romeiros e as anexas, pertencentes ao Convento, mas a serviço da Paróquia.
É pena que o Centenario da Entrega da Paróquia aos Franciscanos e o da fundação da Escola Paroquial , ocorridos em 1995, tenham passado em branca nuvem. Ninguém se lembrou de festejar os eventos!

[1] Conf. WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 62-64.


[2] Apud Willeke, op. cit. p. 13 e Livro do Tombo da Paróquia de S. Miguel de Ipojuca – ano de 1898, cap. 1° do dito termo.

[3] Santo Antônio, Ano 10, Recife, 1952, N.° 1) sob o título: Ruínas e vida nova em Ipojuca – 1890 – 1901, p. 13.
[4] Crônica da Provincia (Chronica Provinciae) à pg. 96 e em artigo de Frei Matia Teves aí citado, pg. 31.
[5] Santo Antônio, Ano 03, Recife, 1945, N.° 1, sob o título: Santificarás o ano qüinquagésimo (Lev 25,10), p. 02- 05.

[6] Consta, realmente, que Frei André Noirhomme foi mandado para Ipojuca a fim de fundar uma Escola Paroquial. ( Conf. Crônica do Convento de Santo Antônio de Ipojuca (Resumo) apud WILLREKE, Frei Venâncio, Ipojuca e seu Santuário, pg. 154.
Já Frei Venâncio dá como fundador o Vigário Frei Adalberto, como vimos..
APÓLOGO DO PANFLETO E DO MISSAL
O Apólogo foi encontrado entre os papéis de um Cura de aldeia. Na sobrecapa, ele escrevera a lápis: “NOS BASTIDORES DA LITURGIA”. Não sei se vocês o conhecem. Mesmo que o conheçam com um daqueles títulos, ou com os dois, talvez valha a pena ouvi-lo de novo.

- Bom dia, irmão, foi logo dizendo o Panfleto quando o sacristão o colocou entre as páginas do Missal, onde devia aguardar a chegada do sacerdote.
- A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco! - retribuiu o Missal.
- Panfleto: Perdoa, irmão, isto é uma saudação ou estás querendo me gozar? Nem sequer me olhaste, parece que falaste sem pensar.
- Missal: Para ser sincero, não gosto destes teus modos. Devias conhecer o teu lugar. Lugar de Folhetim é na mão do povo.
- Panfleto: Sem dúvida, mas estou a serviço do altar. Estamos aqui para servir.
- Missal: Isso é o que pensas. Na realidade, não passas de um simples pedaço de papel e queres ensinar a mim que sou Livro Sagrado.
- Panfleto: Alto lá! Não queiras ir tão longe. Livro Sagrado é a Bíblia. A não ser que queiras tomar o seu lugar...
- Missal: Estás roubando a minha concentração... É preciso que nos preparemos para a Eucaristia.
- Panfleto: Desculpa. Mas eu vim aqui com as melhores intenções.
- Missal: “Vade retro!” O caminho do inferno é calçado de boas intenções.
- Panfleto: Não precisas gastar o teu latim. Aliás, é bem pouco o que deixaram em ti destas relíquias do passado. Somente o Padre te entende, e olha lá... Por isso mesmo é que vou me popularizando cada vez mais.
- Missal: Demagogia! Demagogia! Não é com Panfletos, folhetos e boletins que se educa liturgicamente uma comunidade. Devias compreender uma vez por todas que não passas de um subsídio perfeitamente dispensável.
- Panfleto: É uma questão de formação. Vê-se que não estás acompanhando o tempo nem o que pensa a CNBB.
- Missal: Até desconfio que estás fazendo o povo se acomodar e matando sua criatividade. Falaste na Bíblia... Tu és quem está querendo tomar o seu lugar. Desde que te inventaram, com muita facilidade os leitores dispensam a Bíblia e mesmo o Lecionário, proclamando a Palavra por um taco de papel. Até Padres conheço que me encostam na Eucaristia e rezam tudo pelo panfleto, ou por uma edição mais vistosa dele a que dão o pomposo nome de “Liturgia Diária”. Tem jeito isso? A CNBB aprova uma despropósito desse?
- Panfleto: Já falaste demais. Agora é a minha vez. Não confundas alho com bugalho. Não temos culpa de sermos mais práticos, mais versáteis. Aliás, não somos culpados pelo mau uso que fazem de nós. Muita coisa vai por conta da situação econômica por que passa o país. Com alguns cruzados todos têm acesso a mim. Mas para te adquirirem, mesmo em edições dominicais, já terão que gastar algumas dúzias de suados portináris...
- Missal: Acho que devias medir as palavras. Com ironia não se dialoga.
- Panfleto: Vejo que queres voltar ao tempo em que andavas todo atacado, e cheio de “vade-mecum”. Gostaste do Latim? Ainda bem que te libertaram de tantas fitas e assessórios e te tornaste mais simpático. Devias ser grato aos novos tempos e não querer bancar o “non plus ultra”. Que tal o meu Latim?
- Missal: És mesmo um jornaleco atrevido. Bem feito quando serves de abano ou de leque nas igrejas mal ventiladas ou quando as crianças do catecismo te convertem em aviãozinho... Se é que não te dão um destino pior...
- Panfleto: Eu também já te vi servindo de mealheiro às espórtulas de missa e de esconderijo para os óculos e até para o tabaqueiro de alguns vigários...
- Missal: Cala essa boca! Bem se vê que estás muito atento ao que se passa no altar.
- Panfleto: Mas não precisas me estrangular com estas fitas pernósticas com que te enfeitas. Vivo imprensado entre as tuas folhas e te apoquentas porque nem sabes onde estou.
- Missal: É que poucas vezes preciso de ti, para não dizer que nunca. Estás cheio de coisas que nada têm a ver com Liturgia. Andas sempre incursionando por terreno alheio...
- Panfleto: Já sei aonde queres chegar. Como és malicioso! Devias ser agradecido a mim por te tornar um pouco mais próximo do povão, de sua vida, de suas dores, de suas alegrias e aspirações. Poderíamos prestar um bom serviço a Deus e ao próximo se nos uníssemos, sem preconceitos e discriminações.
***
A conversa ia nesta altura, quando foi entoado o Cântico de Entrada. Por sinal, aconteceu o inesperado: a equipe litúrgica entrou sem o Padre. E o Comentarista explicava: ele fora chamado às pressas para um doente em estado grave e ainda não voltara.
A comunidade realizou, a seu modo, a Celebração sem o Padre.
Mais uma vez, dispensaram o Missal e o Panfleto.
E o canto prosseguiu acompanhado de instrumentos de corda e percussão:
‘ “Seu nome é Jesus Cristo e passa fome...
Entre nós está
E não o conhecemos...
Entre nós está
E nós o desprezamos....”

Olinda, 20-o8-1989.
Frei José Milton, OFM









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