terça-feira, 29 de setembro de 2009

PONTAL DE MARACAÍPE - RUÍNA DE IGREJA?






Por incrível que pareça, ninguém em Porto de Galinhas, Maracaípe e região sabe da existência das ruinas de uma igreja no Pontal de Maracaípe. No entanto está aí na Internet! Pesquise no Google e terá acesso até a uma bela imagem da tal igreja. Quem quiser que explique!

Aí você pode ler:

"Descobrindo Porto de Galinhas:1. Ruínas da Igreja de Maracaípe (1854): Igreja totalmente construída por um único morador da região; localiza-se no Pontal de Maracaípe."



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"Igreja de Maracaípe Construída em1854 por um único morador da região, as ruínas da igreja, possui características do estilo barroco brasileiro. "...br.geocities.com/bureaudeinformacoes/porto/porto_pontos_hist.htm - 11k - Em cache - Páginas Semelhantes

CAPELAS DE IPOJUCA

IGREJAS E CAPELAS SOB OS CUIDADOS DOS FRANCISCANOS

O 1º Livro de Crônica do Convento de Ipojuca apresenta uma lista das igrejas e capelas aos cuidados dos frades:

Matriz de São Miguel: (e Na. Sra. do Livramento)
Santuário do Santo Cristo: (Santo Antônio)
Igreja de . Sra. do Ó: (ou da Expectação)
Capela Sra. dos Oiteiros: (Na. Sra. da Conceição)
Capela da Usina Salgado: (N. Sra. de Nazaré e S. João)
Capela da Usina Ipojuca: (N. Sra. da Conceição)
Capela de Camela (S. Antônio)
Capela do Engenho Maranhão: (Na. Sra. da Penha)
Engenho Pará: (Na. Sra. das Vitórias)
Engenho Gaipió: (São José)
Engenho Belém: (Na. Sra. da Conceição)
Engenho Bonfim: (Nosso Senhor do Bonfim)
Capela do Engenho Pindoba: (São Tomé)
Engenho Fernandes: (Na. Sra., da Conceição)
Engenho Sibirozinho: (Sagrada Família)
Engenho Cachoeira: (Na. Sra. da Conceição)
Capela do Engenho Água Fria: (Na. Sra. da Conceição)
Engenho Arimbi: (Sant’Ana)
Capela do Engenho Tapera: (Cosme e Damião)
Capela do Engenho Penderama: (N. Sra. da Conceição)
Capela do Engenho Ilha das Mercês: (Sra. das Mercês)
Capela da Praia do Cupe: (São Sebastião)
Capela da Praia de Maracahype: (S. Francisco de Assis)
Capela do Cemitério de Na. Sra. do Ó:
Capela do Engenho Jundiá: (Escada)
Engenho Esmeralda (Escada)


MARACAÍPE - PORTO DE GALINHAS - OITEIRO - CUPE

A Capela de Maracaípe: sobre ela escreve Manoel da Costa Honorato em 1863:
“Povoação situada à beira do mar, banhada pelo ribeiro deste nome.Tem uma capela cuja torre se acha na lat. 8° 29´ 26´´ S. e long. 37° 19´52´´ OC. Pertence ao Termo de ipojuca e tem uma subdelegacia de polícia deste Termo.” [1]
No mesmo ano, escrevendo Honorato sobre a freguesia de Ipojuca, assim enumera suas igrejas: " A sua igreja matriz é dedicada a São Miguel, e existe na povoação um convento dos religiosos de Santo Antônio [por São Francisco!], no qual está a milagrosa imagem do Santo Cristo; além destas há mais três filiais: Nossa Senhora do Ó, São Francisco, na praia de Maracaípe e Nossa Senhora da Conceição num oiteiro da mesma praia. (Obra ncitada abaixo, pgs. 58-59)
Já Sebastião Galvão, 34
,0 anos mais tarde, tem a sua versão:
Maracaype – Povoação – Situada na costa, próxima à foz do rio do mesmo nome e à marg. setentrional dele, 8° 32´ e 20´´ de lat. s. e 8º 7´ 12´´ de long. É, junto à ponta do mesmo nome, baixa, coberta de arvoredos e de coqueiros; de longe, parece alagada, fica a mais de 6 milhas ao sudoeste do Cupe. É pequena povoação e nela existe uma igreja dedicada a N. S. da Conceição. A ponta de Maracaípe é guarnecida de um lanço de recife na distância de meia milha da praia.” [2]
Ao tratar da freguesia de Ipojuca, Sebastião Galvão enumera entre as suas capelas a de "N. S. de Maracahype, e a de N. S. do Outeiro do Porto de Galinhas" (obra abaixo citada, pg. 315).
Sobre Cupe, pouco diz Honorato: ‘Cupe, (ponta de) ua légua ao norte do Porto de Galinhas, na lat. 8° 23´16´´ S. e long. 37º 18´55´´ Oc. Neste lugar existe uma pequena povoação.” [3] Isto em 1863. Parece que de lá para cá não passou de pequena povoação da família Monteiro, antigos donos da usina de Cucaú. Não sabemos de quando é a Capela. Talvez trenha sido posterior ao que escreve Honorato. Sebastião Galvão acrescenta pouca coisa: “a 15 kilms. De S. Miguel de ipojuca e a 16 da vila de N. S. do Ó, sede do mun., é pequena a povoaçãp e está à borda do mar, a 6 milhas da extrema oriental do Cabo de s. Agostinho, tendo em sua frente baixos cômoros de areia e alguns coqueiros. Existe aí um ligeiro pontal...” [4] A Capela é dedicada a S. Sebastião, acrescentamos nós.
[1] HONORATO, Manoel da Costa, Dicionário Topográfico, Estatístico e Histórico da Província de Pernambuco , 2ª Edição, Governo do Estado de Pernambuco, Recife, 1976, p. 68.
[2] GALVÃO, Sebastião Vasconcellos, DicionárioCorográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco, Volume I, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, Recife, 2006, pg. 377-278. A 1ª edição foi de 1897, “quase quarenta anos depois do Dicionário de Honorato”., escreve José Antônio Gonçalves de Mello no Prefácio.
[3] HONORATO, Manoel da Costa, Dicionário Topográfico, Estatístico e Histórico da Província de Pernambuco , 2ª Edição, Governo do Estado de Pernambuco, Recife, 1976, p. 42.
[4] GALVÃO, Sebastião Vasconcellos, DicionárioCorográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco, Volume I, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, Recife, 2006, pg. 211.

A Capel de Maracípe, que Frei Bernardo Siry em 1979 conheceu em ruínas, era dedicada a São Francisco. Certamente não era mais a primitiva. Pertencia à família Chalaça. Dizem que a proprietária se tornou protestante e abandonou a Capela até à ruína total.
Consta que os herdeiros católicos estão querendo restaurá-la. Frei Bernardo Siry celebrava mensalmente (numa sexta-feira) na escola em que era professora Dona Leo (de Porto) e ficava sábado e Domingo em Porto de Galinhas. Porto ainda não tinha capela. A missa era celebrada na Escola. Frei Bernardo começou a construir a capela onde é hoje, que foi concluída por Frei Hermano Wiggenhorn. As missas eram dominicais. A Padroeira da Capela de Porto é Nossa s
Senhora do Desterro. Mas a festa maior sempre foi a de São Pedro, com muita participação dos pescadores.

sábado, 5 de setembro de 2009

IPOJUCA COMO PARÓQUIA FRANCISCANA

- PRIMÓRDIOS DO PAROQUIATO FRANCISCANO
- JUBILEUS ENESQUECÍVEIS

(Autor: Frei José Milton de Azevedo Coelho, O.F.M.)

JUBILEU DO PARAQUIATO FRANCISCANO
- A chegada dos franciscanos alemães – Em princípios de 1895, apareceu em Ipojuca o primeiro franciscano, com ordem de ocupar o convento. Era Frei Fernando Oberborbeck, que ccoperara na segunda Missão pregada por Frei Amando. Em fins de abril do mesmo ano, tomou posse do convento o primeiro superior, na pessoa de frei Adalbertpo Kirschbaum, a quem o Bispo de Pernambuco, logo em meados de maio, entregou também o paroquiato.
Salvara-se de completa ruína o venerando convento de Santo Antônio de ipojuca, e garantia-se a vida regular, interrompida havia muito tempo.
Para fazer idéia do que significava a restauração das vcida franciscana, ouçamos uma testemunha ocular, Frei Joaquim do Espírito santo, um dos últimos sobreviventes da antiga Província. De sua carta dirigida ao Padre comissário Frei Irineu, extraímos os tópicos mais expressivo:
Devemos muitíssimo a Vossa Paternidade e aos vossos irmãos de hábito. Nada direi dos benefícios que nos fizestes em tão larga escala e de que sempre nos recordaremos; nem falarei da Restauração da Província que outros puderam fazer; mas falarei do modo desta Restauração, da observância da regra, da vossa excessiva caridade e da de todos os confrades alemães, para com nós brasileiros, também vossos irmãos de hábito e sobretudo pelo coração; falarei dos exemplos de piedade e de todas as virtudes que nos servem de lição e incitamento. Bem me disse nosso confrade frei Antônio da Ascensão: ´Agora, vendo o que fazem os nossos irmãos germânicos, mais ainda me lembro das contas que tenho de prestar a Deus da minha administração´.
Falando assim, exprimiu meus próprios sentimentos. Tenho trabalhado muito pela Restauração da nossa Província, consagrando-lhe todos os meus esforços. Este pobre homem clamou ao Senhor e foi atendido. Mas, não havia esperado tantas bênçãos e tanta felicidade. Deus seja bendito que mandou tantos e tais operários para a sua vinha seráfica; já posso dizer com o salmista: “Agora despedis o vosso servo em Paz, porque os meus olhos viram a restauração da nossa Província por que tanto anelara”.[1]
O primeiro Vigário francisacano da Paroquia de São Miguel de Ipojuca foi Frei Adalberto Kirschbaum , OFM, em 1895.

“Diversas vezes durante o século XIX, encontramos os franciscanos como coadjutores da Paróquia de São Miguel de Ipojuca [conf. os Livros dos Batizados da Paróquia no século XIX]. O que em 1895 motivou a entrega da freguesia aos religiosos foi além da crescente escassez do clero secular o completo abandono em que se achava o rebanho paroquial, mal-estar este que só pela atividade dobrada e duradoura poderia ser minorado.
No termo da Visita Pastoral datado de 24 de fevereiro de 1898, Dom Manuel dos Santos Pereira recomenda a frei Adalberto que desenvolva cada vez mais seu zelo e vigilância para remidiar [sic, por remediar] o triste estado em que encontrou a referida freguesia que de nenhum modo era antes curada”.[2]
Frei Adalberto, o primeiro vigário franciscano, sendo muito jovem, foi recebido com “indiferença, senão com desconfiança”, diz Frei Venâncio, em artigo publicado na Revista Santo Antônio.[3] : (órgão publicitário da Província Franciscana de Santo Antônio). Despertou Frei Adalberto a antipatia dos mais velhos da Paróquia e que, certamente, se julgavam donos da verdade. O último Vigário fugiu da cidade ameaçado pelos próprios paroquianos. Certamente julgavam que ele não seria melhor do que um dos seus antecessores que deixou a Paróquia totalmente abandonada. Quando Frei Adalberto começou a corrigir os abusos que reinavam na Paróquia, começou a receber cartas anônimas com ameaças de morte. Em vez de desanimar, redobrou os esforços, sobretudo quando a Ipojuca foi vítima da varíola. Sem temer o contágio, visitava os doentes, orientava-os quanto aos cuidados com a saúde, não deixava ninguém morrer sem os sacramentos. Seu zelo apostólico foi aos poucos sendo reconhecido e as suas falhas humanas, fruto mais da inexperiência como vigário, foram sendo relevadas.
Sobre o trabalho verdadeiramente missionário de Frei Adalberto, temos o testemunho da Crônica da Província (Chronica Provinciae).[4]

JUBILEU DA ESCOLA PAROQUIAL

“O esforçado Vigário Frei Adalberto, convencido de que a cura d ´almas deve principiar pela instrução da juventude, fundou em 1895 uma Escola Paroquial, encarregando dela a Frei André Noirhomme, antigo professor, e Frei Nicodemos Grundhoff, ambos estudantes ainda de Filosofia. Embora no correr dos anos não fosse possível ocupar os religiosos no Ensino Primário, a direção sempre tem sido confiada ao vigário franciscano, continuando até hoje [1952] a funcionar uma secção para cada sexo” ( Veja Ruínas e vida nova em Ipojuca – no número acima citado da revista Santo Antônio, pp. 13-14.

A mesma Revista publicou valioso artigo de Frei Clementino de Bouché, lembrando duplo Cinqüentenário: o da entrega da Paróquia aos franciscanos e o da fundação da Escola Paroquial de Ipojuca, cinqüentenários que que ocorreram em 1945. [5]

Assim começa Frei Clementino a sua crônica, redigida em Ipuarana (Lagoa Seca / PB), para onde tinha sido transferido:

“Ainda ressoa em nossos ouvidos sons festivos do jubileu da restauração da nossa Província, jubileu que tristemente teve de submergir na tristeza da guerra atual, e já de novo puxa o cronista as cordas do sinos para anunciar festa não menos importante.
Ipojuca,cidade antiga de saudosas recordações e tradições; Ipojuca, cujo Santuário do Senhor Santo Cristo, comemorou, há poços anos, o 275° ano de sua existência; Ipojuca tristemente despojada de seus religiosos em 1943 em conseqüência de medidas impostas pela guerra; esta mesma Ipojuca pode e deve celebrar o ano de 1945, pois em 1895, tomaram os Franciscanos, vindos da Europa, conta de seu convento abandonado, feito tumulo dos mortos e encontro das lavadeiras, e de sua igreja, campo aberto para vegetação tropical, favorecida pelos estragos do teto. Quantos trabalhos e quantas dificuldades encontraram os intrépidos filhos de São Francisco, chefiados pelo incansável Frei Adalberto Kirschbaum, ao dedicarem-se à faina da restauração dos edifícios desertos e do muro caído. A desconfiança com que o povo tratava os recém-chegados e a falta de recursos e amigos dificultavam sobremaneira a renovação tanto material como espiritual de Ipojuca. Cincoenta anos de esforços gigantescos, dividindo-se em duas etapas: do início até o incêndio devoradpr de 1935 e desta data até aos dias que correm, em que templo e casa se encontram em condições melhores, deixando, porém, muito trabalho a ainda para os tempos vidouros e as gerações novas.
Faz Cincoenta anos que o então Bispo diocesano do Estado de Pernambuco, Dom Manoel dos Santos Pereira entregou aos franciscanos a Paróquia de S. Miguel de Ipojuca com estas palavras: agora tomai posse da pior Freguesia de Pernambuco!
E durante esse tempo todo, exceto os poucos anos em que a Freguesia ficara entregue ao Revmo. Vigário do Cabo em 1917, continuando os religiosos os trabalhos na cidade de Ipojuca, têm-se dedicado os filhos de São Francisco com verdadeiro zelo, à cura de almas muitas vezes dificílima e sempre laboriosa, coroada, infelizmente, de pouco êxito visível. As viagens a cavalo, a insalubridade em certos cantos da Paróquia, o indiferentismo de muitos habitantes e outras tantas dificuldades dão uma idéia das lutas constantes e das fadigas experimentadas pelos que sacrificaram saúde e forças no ministério paroquial.
Em 1894, Dom Frei Amando Bahlmann pregou uma santa missão em que foram sanados nada menos de 354 casamentos de amasiados. Foi o primeiro Vigário Frei Adalberto que teve sucessivamente por colaboradores: Frei André Noirhome, Frei Crisóstemo Adams, Frei Clemente Sagan, Frei Carlos Schindler, Frei Odilon Gelhaus, Frei Roberto Toelle, Frei Boaventura Poll e Frei Bernardino Tulewski. É de notar que alguns destes padres permaneceralsomente por meses. Na própria regência da Paróquia seguiram ao primeiro Pároco: em 1902, Frei José Pohlmann; em 1904, Frei Eusébio Kullmann; ; em 1907, Frei Lucas Vonnegut; em 1912, Frei Atanásio Krajczyk; em 1920. Frei Serafim Funke; em 1923, Frei Estanislau Cleven; em 1924, Frei Casimiro Brochtrup; em 1925, Frei Capistrano Nieggemeyer; em 1926, Frei Vicente Denge; em 1927, Frei Pedro Westermann; em 1928, Frei Menandro Rutten; em 1930, Frei Francisco Ewers; em 1933, novamente Frei Capistrano; em 1935, Frei Venâncio Willeke; em 1940 (interinamente) Fre9i Engelberto Haase; em 1941, Frei Clementino de Bouché; 3m 1942, Frei Feliciano Trigueiro; em 1944, Frei Leônidas Rampinelli; e em 1945, Frei Eusébio Walter. Clássico exemplo de Paróquia que raras vezes pôde ver seu pároco durante anos à sua frente” .
“[...] O jubileu da Paróquia estende-se também às Escolas paroquiais que foram fundada em 1895. É frei André Noirhomme [na realidade, pelo Vigário Frei Adalberto, com a colaboração dos estudantes Frei André e Frei Crisóstemo] jeitoso educador e intrépido pioneiro nas fileiras franciscanas, o fundador destas escolas [6] as quais, conservando-se em linhas modestas e verdadeiramente franciscanas, contavam e contam entre os seus professores e professoras ótimos pedagogos e não faltam provas de terem os seus alunos aproveitado na instrução como também para a vida. Não faz muito tempo que o encarregado da vida escolar no Município de Ipojuca expressou sua admiração pelo adiantamento dos alunos desta escola, adiantamento que levou de vencida as escolas estaduais. Os sacrifícios financeiros pela manutenção das escolas são às vezes consideráveis, mais ainda porque o corpo discente geralmente se compõe de pobres, fato este que, infelizmente, gerou a opinião de que a escola paroquial fosse só para os filhos dos pobres ou até da ´plebe´. O bem espalhado pela fundação de frei André Noirhomme é inegável e o cinquentenário queira contribuir para o encorajamento dos religiosos, das professoras e dos fiéis a fim de continuarem intrépidos uma obra tão importante e que assim as escolas paroquiais de Ipojuca floresçam e prosperem cada vez mais!”
A Escola Paroquial funcionou, por vários anos, na grande casa que havia ao lado direito da Matriz. Depois que foi construído o prédio em que atualmente se acha instalada, o antigo edifício foi transformado em Museu, conservando o palco para representações teatrais e outros eventos.
Durante o paroquiato de Frei Hermano Wiggenhorn (a 1ª vez de 117-03-1985 a janeiro de 1991; 2ª vez, de 22-02-1991 a dezembro de 1991), o museu foi fechado e o prédio demolido para dar lugar a um Salão Paroquial. Mas tendo sido Frei Hermano transferido para Óbidos (PA), o novo Vigário Frei Jerônimo Gomes de Sousa (dez de 1991 amarço de 1993) nada fez para levar adiante o projeto do salão Paroquial.
O Vigário Frei Carlos Alberto Breis (de agosto de 2007 a dezembro de 2008) planejava construir no mesmo terreno um conjunto paroquial, mas não levou o projeto a efeito por ter sido mais urgente reformar a Casa dos Romeiros e as anexas, pertencentes ao Convento, mas a serviço da Paróquia.
É pena que o Centenario da Entrega da Paróquia aos Franciscanos e o da fundação da Escola Paroquial , ocorridos em 1995, tenham passado em branca nuvem. Ninguém se lembrou de festejar os eventos!

[1] Conf. WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 62-64.


[2] Apud Willeke, op. cit. p. 13 e Livro do Tombo da Paróquia de S. Miguel de Ipojuca – ano de 1898, cap. 1° do dito termo.

[3] Santo Antônio, Ano 10, Recife, 1952, N.° 1) sob o título: Ruínas e vida nova em Ipojuca – 1890 – 1901, p. 13.
[4] Crônica da Provincia (Chronica Provinciae) à pg. 96 e em artigo de Frei Matia Teves aí citado, pg. 31.
[5] Santo Antônio, Ano 03, Recife, 1945, N.° 1, sob o título: Santificarás o ano qüinquagésimo (Lev 25,10), p. 02- 05.

[6] Consta, realmente, que Frei André Noirhomme foi mandado para Ipojuca a fim de fundar uma Escola Paroquial. ( Conf. Crônica do Convento de Santo Antônio de Ipojuca (Resumo) apud WILLREKE, Frei Venâncio, Ipojuca e seu Santuário, pg. 154.
Já Frei Venâncio dá como fundador o Vigário Frei Adalberto, como vimos..
APÓLOGO DO PANFLETO E DO MISSAL
O Apólogo foi encontrado entre os papéis de um Cura de aldeia. Na sobrecapa, ele escrevera a lápis: “NOS BASTIDORES DA LITURGIA”. Não sei se vocês o conhecem. Mesmo que o conheçam com um daqueles títulos, ou com os dois, talvez valha a pena ouvi-lo de novo.

- Bom dia, irmão, foi logo dizendo o Panfleto quando o sacristão o colocou entre as páginas do Missal, onde devia aguardar a chegada do sacerdote.
- A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco! - retribuiu o Missal.
- Panfleto: Perdoa, irmão, isto é uma saudação ou estás querendo me gozar? Nem sequer me olhaste, parece que falaste sem pensar.
- Missal: Para ser sincero, não gosto destes teus modos. Devias conhecer o teu lugar. Lugar de Folhetim é na mão do povo.
- Panfleto: Sem dúvida, mas estou a serviço do altar. Estamos aqui para servir.
- Missal: Isso é o que pensas. Na realidade, não passas de um simples pedaço de papel e queres ensinar a mim que sou Livro Sagrado.
- Panfleto: Alto lá! Não queiras ir tão longe. Livro Sagrado é a Bíblia. A não ser que queiras tomar o seu lugar...
- Missal: Estás roubando a minha concentração... É preciso que nos preparemos para a Eucaristia.
- Panfleto: Desculpa. Mas eu vim aqui com as melhores intenções.
- Missal: “Vade retro!” O caminho do inferno é calçado de boas intenções.
- Panfleto: Não precisas gastar o teu latim. Aliás, é bem pouco o que deixaram em ti destas relíquias do passado. Somente o Padre te entende, e olha lá... Por isso mesmo é que vou me popularizando cada vez mais.
- Missal: Demagogia! Demagogia! Não é com Panfletos, folhetos e boletins que se educa liturgicamente uma comunidade. Devias compreender uma vez por todas que não passas de um subsídio perfeitamente dispensável.
- Panfleto: É uma questão de formação. Vê-se que não estás acompanhando o tempo nem o que pensa a CNBB.
- Missal: Até desconfio que estás fazendo o povo se acomodar e matando sua criatividade. Falaste na Bíblia... Tu és quem está querendo tomar o seu lugar. Desde que te inventaram, com muita facilidade os leitores dispensam a Bíblia e mesmo o Lecionário, proclamando a Palavra por um taco de papel. Até Padres conheço que me encostam na Eucaristia e rezam tudo pelo panfleto, ou por uma edição mais vistosa dele a que dão o pomposo nome de “Liturgia Diária”. Tem jeito isso? A CNBB aprova uma despropósito desse?
- Panfleto: Já falaste demais. Agora é a minha vez. Não confundas alho com bugalho. Não temos culpa de sermos mais práticos, mais versáteis. Aliás, não somos culpados pelo mau uso que fazem de nós. Muita coisa vai por conta da situação econômica por que passa o país. Com alguns cruzados todos têm acesso a mim. Mas para te adquirirem, mesmo em edições dominicais, já terão que gastar algumas dúzias de suados portináris...
- Missal: Acho que devias medir as palavras. Com ironia não se dialoga.
- Panfleto: Vejo que queres voltar ao tempo em que andavas todo atacado, e cheio de “vade-mecum”. Gostaste do Latim? Ainda bem que te libertaram de tantas fitas e assessórios e te tornaste mais simpático. Devias ser grato aos novos tempos e não querer bancar o “non plus ultra”. Que tal o meu Latim?
- Missal: És mesmo um jornaleco atrevido. Bem feito quando serves de abano ou de leque nas igrejas mal ventiladas ou quando as crianças do catecismo te convertem em aviãozinho... Se é que não te dão um destino pior...
- Panfleto: Eu também já te vi servindo de mealheiro às espórtulas de missa e de esconderijo para os óculos e até para o tabaqueiro de alguns vigários...
- Missal: Cala essa boca! Bem se vê que estás muito atento ao que se passa no altar.
- Panfleto: Mas não precisas me estrangular com estas fitas pernósticas com que te enfeitas. Vivo imprensado entre as tuas folhas e te apoquentas porque nem sabes onde estou.
- Missal: É que poucas vezes preciso de ti, para não dizer que nunca. Estás cheio de coisas que nada têm a ver com Liturgia. Andas sempre incursionando por terreno alheio...
- Panfleto: Já sei aonde queres chegar. Como és malicioso! Devias ser agradecido a mim por te tornar um pouco mais próximo do povão, de sua vida, de suas dores, de suas alegrias e aspirações. Poderíamos prestar um bom serviço a Deus e ao próximo se nos uníssemos, sem preconceitos e discriminações.
***
A conversa ia nesta altura, quando foi entoado o Cântico de Entrada. Por sinal, aconteceu o inesperado: a equipe litúrgica entrou sem o Padre. E o Comentarista explicava: ele fora chamado às pressas para um doente em estado grave e ainda não voltara.
A comunidade realizou, a seu modo, a Celebração sem o Padre.
Mais uma vez, dispensaram o Missal e o Panfleto.
E o canto prosseguiu acompanhado de instrumentos de corda e percussão:
‘ “Seu nome é Jesus Cristo e passa fome...
Entre nós está
E não o conhecemos...
Entre nós está
E nós o desprezamos....”

Olinda, 20-o8-1989.
Frei José Milton, OFM









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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

CAPITULO DE ROMANCE INÉDITO DE FREI JOSÉ MILTON


CAPÍTULO XIV

CÂNTICO DOS CÂNTICOS

O que se passara no coração do Padre Alfredinho no diálogo silencioso com Cristo naquele domingo do encontro no Convento Franciscano, na Serra da Baixa Verde, em Triunfo, só Deus o sabe.
Mas podemos imaginá-lo a partir dos escritos de Alfredinho e de outros que ele conservava naquela caixa levada pelos agentes do DOPS:

CÂNTICO

Meu Bem-Amado,
Ouve o canto
que mil vezes por dia
minha alma te dirige
a partir deste chão.
Pobres as palavras,
Pobres os acentos e modulação.
A voz cansada
vence as barreiras da descrença,
esperando contra toda esperança.
Bem sei:
Espreitas-me pelas fendas dos lagedos
eriçados de macambiras.
Bem sei:
Persegues-me nas veredas defendidas
pelas hordas de mandacarus.
Bem sei:
O grito da ema selvagem
traduz o teu coração errante,
à procura da fraca criatura,
ovelhinha tresmalhada
a quem escondes (até quando?)
A tua face.
Mas, se é teu prazer fazê-lo,
até quando, Senhor,
até quando,
a esconderás,
para que teu servo refaça,
cada instante,
os caminhos da procura,
para que trilhe cada dia
as sendas da libertação?
Desmorone
o bezerro de ouro
do dinheiro,
da fama,
do poder.
Que o coração do teu servo,
vencida a caminhada pascal
(pelo Mar Vermelho do Consumismo)
não sacrifique aos ídolos deste país,
e possa cantar com teu povo resgatado
o Cântico dos Cânticos
na Terra Prometida.

SALMO

Infunde em mim, Senhor, o teu Espírito.
Dá-me um coração de pobre
para que eu possa compreender
o grito de todos os irmãos
famintos,
abandonados,
empobrecidos.

Infunde-me, Senhor o teu Espírito,
e afasta de mim a vaidade
de viver para os pobres
e não viver com os pobres;
de fazer para os pobres
e não fazer com os pobres;
de pensar e agir pelos pobres
ao invés de ajudar os pobres
a pensar,
a agir
e serem sujeitos de sua própria libertação.

Infunde-me, Senhor, o teu Espírito
e afasta de mim a tentação
de responder com violência
à Violência do Sistema,
seja ela:
- a Ordem estabelecida,
- o Desenvolvimento sem alma,
- a Tecnologia opressora,
- a Lei de Segurança Nacional

Infunde-me, Senhor, o teu Espírito
e faze de mim
um instrumento da tua Libertação.

( Recife, 06-11-1984)

Fr. José Milton, ofm

PENSAMENTOS

“Eis o jejum que eu escolhi, diz o Senhor: quebra toda cadeia de injustiça, desata os laços dos pactos violentos, deixa livre os oprimidos, e rasga todo contrato iníquo. Parte teu pão com os famintos; ao veres um nu, cobre-o; faze entrar em tua casa aqueles que não têm teto” (Is 58,7. Ver também: Ez 18,7; Mt 25,36).
*
“Envergonhai-vos, vós que retendes os bens dos outros; imitai a justiça de Deus e não haverá pobres.”

Do Apóstolo S. Pedro, citado por S. Gregório Nazianzeno em seus Sermões (em Liturgia das Horas, Ofício das Leituras, Edições Paulinas, São Paulo, 1978, pg. 176).
*
“O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos preceitos, mas, na ordem da execução, o primeiro lugar cabe ao amor ao próximo.”

Do Tratado de Santo Agostinho sobre o Evangelho de São João (em Liturgia das Horas, Ofício das Leituras, Edições Paulinas, São Paulo, 1978, pg. 116).

*
“Deve-se preferir o serviço dos pobres a tudo o mais e prestá-lo sem demora. Portanto, ao abandonardes a oração a fim de socorrer a algum pobre, isto mesmo vos lembrará que o serviço é prestado a Deus... Por conseguinte, prestemos com renovado ardor nosso serviço aos pobres, de modo particular aos abandonados, indo mesmo à sua procura, pois nos foram dados como senhores e protetores.”

S. Vicente de Paulo, Os Escritos de S. Vicente de Paulo, presbítero, Epist. 2546; Correspondance, entretiens, documents, Paris, 1922-1925, 7, (em Liturgia das Horas, Ofício das Leituras, Edições Paulinas, São Paulo, 1978, pg. 1567).

*
“Aplaquem-se os raios do Céu com as contrições da terra!
(...) Se Ezequiel não Vos pode obrigar a desistir do castigo dos Restos de Israel, Joel vos obrigará a que perdoeis ao povo de Pernambuco, só por uma razão, só por uma palavra: porque é vosso Povo. Perdoai ao vosso Povo.”

Do Missionário Franciscano Frei Antônio do Rosário, Carta de Marear, escrita no Convento de Ipojuca (século XVII).
*
“Saber tudo e não saber o que é necessário saber, é nada saber.
Fazer tudo e não fazer o que é necessário fazer, é nada fazer.
Nada saber a não ser o que é verdadeiramente necessário saber, é tudo saber.
Nada fazer a não ser o que é verdadeiramente necessário fazer é tudo fazer.”

São João da Cruz, Máximas Espirituais.

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“Quem está totalmente despojado de toda potência, no sacrifício terá sempre a vitória.”

A. Soljenitsyne, em Fredy Kunz, A Ovelhinha de Urias, Edições Louyola, São Paulo, 1979.
*
"A forma mais elaborada da oração é o silêncio e a esperança”.

De Abraham S. Heschel, O Homem à Procura de Deus.

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"Há criaturas como a cana:
mesmo postas na moenda,
esmagadas de todo,
reduzidas a bagaço,
só sabem dar doçura."

Dom Hélder Câmara

(Em Georgio Paleari, Padre Alfredinho, na Internet)

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“O pensamento marxista e monástico têm em comum uma atitude radical em relação às estruturas estabelecidas na sociedade.
Mas eles se separam também radicalmente na revolução que eles pregam.
O marxista se empenhando em mudar o mundo sócio-econômico; e o monaquismo em mudar primeiramente o homem interior pela conversão.
Thomas Merton, em “A Ovelhinha de Urias” de Fredy Kunz, pg. 22.

ESCLARECIMENTO: O que agora publico é uma amostra do meu romance ainda inédito, SABURÁ (saga das Comunidades Eclesiais de Base). O romance tem como um dos personagens principais o Padre Alfredinho. Ele sabia que Frei José Milton o estava tomando como uma das principais figuras de um romance em torno das CEBS. Concordou com isto, quando conversei com ele por ocasião de um breve encontro que tivemos em Olinda. Já o tinha conhecido no Ceará, quando trabalhei no Regional denominado então NEI de 1973 a 1975. Sabia de seu testemunho de vida em Tauá, na Diocese de Crateús. Mas só recentemente, através da Internet, foi que fiquei sabendo melhor quem era Alfredinho, tomando também conhecimento das circunstâncias de sua morte e aspectos de sua ação missionária que escaparam ao meu conhecimento. Como gostaria de ter passado para ele os originais do meu romance, para ouvir a sua opinião antes de publicá-lo. Sei que lá do céu me vem uma inspiração que só posso atribuir a ele. Inclusive o fato de ter perdido os originais ainda incompletos e, depois de anos, encontrá-los. Quando pensava que estava tudo perdido, encontrei-os como os tinha deixado. Estavam tão bem guardados, que um dia seriam encontrados. Só agora tenho realmente condições de concluí-lo.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O AGRESTE PERNAMBUCANO E AS REVOLUÇÕES

TRONCOS REMOTOS DE FAMÍLIAS DO AGRESTE PERNAMBUCANO E SEU ENVOLVIMENTO NAS REVOLUÇÕES DO SÉCULO XIX.

1 – JOÃO PAES DE LIRA E A REVOLUÇÃP PERNAMBUCANA DE 1817

“Em 1819 ´João Pais de Lira, Sargento-Mor da Vila de Santo Antão e Comandante da freguesia de São José de Bezerros, representa a Vossa Majestade, que achando-me na avançada idade de 70 anos, onde se incluem 43 anos de serviço em diferente [sic] partes requer uma patente de reforma pelas causas que aponta...´ Na mesma petição solicita a mercê do Hábito de Cristo, alegando serviços prestados na revolução contra os rebeldes (1817). A petição é deferida por decreto de 12 de outubro de 1919.” (SAMPAIO,YONY, AS FAMÍLIAS AZEVEDO LIRA, AZEVEDO SILVA, AZEVEDO CALDEIRA E PAES DE LIRA, DA REGIÃO DE BEZERROS, 2003,
pg. 21).
Em resposta a uma sua petição de 1812, consta em 27 de outubro de 1812, que “em 1788 morou em São José dos [sicc] Bezerros.”
“Sobre o movimento de 1817, há um requerimento de João Paes de Lira, Sargento-mor de Santo Antão e Comandante da freguesia de Bezerros, ao Capitão das Ordenanças da Vila de Santo Antão e seu termo, de 22 de outubro de 1817. Obtém como resposta que
a) ´10 de abril de 1817 levantaram bandeira em Bonito, onde reside João Paes de Lira;
b) ´que deu ordem ao Sargento-mor que viesse para a Vila de Santo Antão uma boa tropa de Ordenanças de São José dos [sic] Bezerros, a qual unida com as desta vila fizeram cara ao comum inimigo´.
c) ´o Sargento-mor mandou mantimento ao Capitão Manoel Pereira de Melo, um dos que veio daquele lugar (Bonito) para esta Vila.´
d) ´o Sargento-mor tem sempre sido de muito exemplar conduta.´´
Dada no Quartel de Santo Antão, a 28 de outubro de 1817.”
“Há ainda requerimento aos ´senhores do Nobre Senado de Vereança´ que atesta o reforço de tropas mandado pelo Sargento-mor João Paes de Lira´, 5 de novembro de 1817, assinando o Juiz Ordinário Luiz Bernardo da Cunha.
Por fim, há carta ao Ilmo. Sargento-mor João Paes de Lira, assinada por Joaquim de Melo Leite Gogominho,, Marechal das forças que marcham em Pernambuco.
João Paes de Lira, antes de passar a Sargento-mor, foi Capitão de Ordenanças, como fica claro de patente de José de Bezerra de Vasconcelos como Capitão de Ordenanças do distrito de São José dos Bezerros, de 2 de maio dem 1814, ´vago por acesso de João Paes de Lira.´” (Yony, op. cit. P. 22).


2 – JOSÉ PEDRO DE LIRA E A CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR (1824)



Observe a breve mas significativa observação de Yony Sampaio sobre as atividades revolucionárias de José Pedro de Lira (N3), irmão de João Paes de Lira, o fundador de São Caetano:
“Em 1824, quando da organização de companhias de guerrilha pelo Interior, José Pedro de Lira foi encarregado da organização das mesma em Limoeiro.” (SAMPAIO,YONY, AS FAMÍLIAS AZEVEDO LIRA, AZEVEDO SILVA, AZEVEDO CALDEIRA E PAES DE LIRA, DA REGIÃO DE BEZERROS, 2003, pg. 11).
Homem piedoso, inteiramente dedicado ao projeto de criar a comunidade católica de São Caetano da Raposa a partir da construção da igreja, assume uma atividade revolucionária da qual foi encarregado pelas lideranças da Confederação do Equador.
Pereira da Costa registra a Portaria da Câmara do Senado de Olinda, de 13 de janeiro de 1824, “incumbindo ao Capitão Francisco Leite da Silva da organização de uma companhia de guerrilha na Vila de Cimbres, sendo-lhe confiado o comando da mesma.
Dessa data em diante fez o Governo outras nomeações para idênticos fins, em localidades diversas...”
Foram nomeados: para Santo Antão, Vicente Alves da Silva; para a povoação de Jacaré, em Caruaru, Antônio Francisco de Azevedo; para Limoeiro, Pedro José de Lira (José Pedro de Lira); para o lugar Patos, distrito de Limoeiro, Manuel Gomes de Moura Coutinho.[1]
Para os revolucionários de 1824, embora o Brasil já fosse independente, diante da política absolutista de D. Pedro I, só havia uma solução, nomearem, como de fato nomearam, novo Governo para Pernambuco, não aceitando Francisco Pais Barreto, que acabava de ser nomeado pelo Imperado, pois julgavam-no anárquico e subversivo. É o que explicam ao Imperador em “respeitosa, bem que enérgica representação contra a nomeação de Francisco Pais Barreto para o cargo de Presidente da Província, que constava estar feita, cujo documento, lídio e aprovado, teve seu competente destino.” [2]
Como a de 1817, a de 1824 foi uma revolução padres. Aderir a ela era abraçar a causa de Deus e da Pátria.
Por que não teriam nomeado para a companhia de guerrilha em alguma povoação do Agreste o Capitão-mor João Paes de Lira, irmão de José Pedro de Lira?
Em primeiro lugar, fora um dos repressores da Revolução Pernambucana de 1817.
Em segundo lugar, em 1819, como já vimos, alegando a idade avançada (70 anos) e os serviços já prestados em muitas frentes, havia requerido e conseguido patente de reforma.

[1] COSTA, F. A. Pereira da, Anais Pernambucanos, Vol. 9 (1824-1833) , 2ª edição, Governo de Pernambuco, Recife, 1983, p. 7.
[2] Id. Ibd. p. 3.

3 – MAJOR JOÃO GUILHERME DE AZEVEDO E A REVOLTA PRAIEIRA

A REVOLTA DA PRAIA
(1848-1850)

Após a Regência do Padre Feijó, cresceu a divergência entre Conservadores e Liberais. Estes se achavam desgastados. Revesavam-se no poder.
Em 1848, as agitações eleitorais na Corte levaram o jovem Imperador D. Pedro II a julgar oportuno trazer de volta ao governo os Conservadores. Para isso, serviu-se o Imperador de um Gabinete, à frente do qual colocou o ex-regente: Visconde de Olinda (Pedro de Araújo Lima), substituído depois pelo Visconde de Monte Alegre (José da Costa Carvalho).
Em Pernambuco, crescia a insatisfação com o estado de coisas no Brasil, especialmente na Província. À frente dos chamados agitadores pelos do Partido Conservador, estavam figuras expoenciais da política pernambucana. Eram os Liberais ou Praieiros (por ser o seu jornal Diário Novo editado na Rua da Praia).
As pressões, desde 1837, aumentaram de ambos os lados, levando alternativamente ao poder ora os liberais, ora os conservadores. Demitindo os adversários e readimitindo os correligionários, os detentores do poder rivalizavam em arbitrariedades.
Os maiores envolvidos na chamada Revolução ou Revolta, ou ainda Inconfidência da Praia:
- Do lado conservador: Francisco do Rego Barros (Barão da Boa Vista, depois Conde), na época, era brigadeiro reformado e Comandante Superior da Guarda Nacional; o Presidente de Pernambuco Herculano Ferreira Pena (Pena); Brigadeiro José Joaquim Coelh, depois Barão da Vitória, comandante das forças legalistas; Manuel Vieira Tosta, outro Presidente (1849), depois Marquês de Muritiba; Honório Hermeto Carneiro Leão, depois Marquês de Paraná, Presidente nomeado para debelar os remanescentes da Praia; o Chefe de Polícia Jerônimo Martiniano Figueira de Melo, o qual “extrapolou indevidamente, pelas paixões do momento, de acusador ou denunciante a pretenso juiz”, no dizer de Vamireh Chacom (na Introdução dos Autos do Inquérito da Revolução Praeira, de Jerônimo Martiniano Figueira de Melo, Senado Federal, Brasília, 1979, pg. C).

-Do lado praeieiro, destacaram-se aqueles que aparecem como réus no processo aberto em agosto de 1849 contra as lideranças praieira da revolta:
“O processo merece, em si, considerações especiais.
Jerônimo Vilela de Castro Tavares encabeça-o, quase lhe dando o título, de modo a receber excessiva atenção aparente. Pois os acusados foram apresentados em levas, até o quadro do Grande Júri de 17 de agosto de 1849, presidido por José Tomás Nabuco de Araújo e com Francisco Xavier Paes Barreto na Promotoria, diante do banco dos réus, onde se sentavam Antônio Borges da Fonseca, Felipe Lopes Neto, Jerônimo Vilela de Castro Tavares, Feliciano Joaquim dos Santos, Henrique Pereira de Lucena, Francisco Borges Mendes, Leandro César Paes Barrerto, Antônio Correia Pessoa de Melo, Antônio Feitosa de Melo e José Inácio de Abreu e Lima.”
(Vamireh Chacon, na Introdução aos Autos do Inquérito da Revolução Praieira, de Jerônimo Martiniano Figueira de Melo, Senado Federal, Brasília, 1979,


O MAJOR JOÃO GHUILHERME DE AZEVEDO

Tomou parte na Revolução Praieira (1848 – 1849), cuidando principalmente da ação revolucionária no Agreste pernambucano e em Alagoas, onde havia engenho da família. Urbano Sabino Pessoa de Melo, em sua Apreciação da Revolta Praieira em Pernambuco (edição do Senado Federal, Brasília, 1978, Vol. 10, pp. 51 – 54), apreciando negativamente a ação de João Guilherme, transcreve, como testemunho dos maus propósitos daquele político, uma carta dele a Manoel Antônio Dias, datada de 25 de março de 1848, do Engenho Lages. E comenta o autor do livro:
Esta carta, firmada por João Guilherme, um dos primeiros caudilhos da revolta [contra o Governo, do partido praieiro], revela bem o plano. Ele apresentou-se, e vendo que o chamavam salteador, desesperado por se não manifestar a cor política do movimento, dirigiu a carta acima a um subdelegado expondo o plano da revolução (p. 54).
Para Urbano Pessoa de Melo, João Guilherme foi um dos principais líderes da oposição ao governo da Praieira. Vale a pena estudar a dimensão da militância política revolucionária do Major João Guilherme de Azevedo. Homem de uma só palavra, não admitia que os legalistas [os do partido Conservador]] ficassem, como se diz hoje, “em cima do muro”. Daí a sua exigência de transparência que faz ao “amigo” Manoel Dias do Engenho Lages. A palavra “legalidade” era por demais ambivalente à época da Revolta Praieira. Muitos que se julgavam na legalidade e morriam por ela, em defesa das instituições, já tinham sido demitidos, se eram autoridades, pelo Governo da Província, que era praieiro. A proposta praieira era de cunho altamente social e, podemos dizer, republicana, mas só aos poucos a dimensão ideológica ia ficando clara. Incluía a abolição da escravatura, a reforma agrária e sérias mudanças nas estruturas políticas, militares e sociais. O elemento estrangeiro era totalmente rejeitado pelos praieiros como elemento estrutural da nova sociedade a ser implantada. Estrangeiros eram considerados os portugueses, o esteio econômico da Capitania. A nova legislação deveria traçar as normas da participação deles no comércio e na indústria. A maioria, em tais setores, não podia ficar, como acontecia, nas mãos portuguesas. Podemos imaginar os problemas que iriam surgir para a consciência de muitas famílias, quase todas elas com ancestrais lusitanos, muitos ainda vivos... O Brasil independente, para os praieiros, ainda continuava colônia.
Em Caruaru, atuava “Melo de Vertentes”: “Em dezembro de 1848, no período revolucionário, o Tenente-Coronel da Guarda Nacional Antônio Corrêa Pessoa de Mello, Conhecido por Melo de Vertentes, à frente de 80 homens invadiu Caruaru, não se dando, felizmente, nenhum tiro aí, e partindo os mesmos desse lugar para atacar a pov. de Bezerros.”
Em sua obra Autos do Inquérito da Revolução Praieira, Jerônimo Martiniano Figueira de Mello, nos vários interrogatórios a que foram submetidos os cidadãos suspeitos de terem participado das reuniões preparatórias da Praieira, vemos que foi grande a movimentação pré-revolucionário em todo o Agreste pernambucano, principalmente no Termo do Bonito, incluindo as povoações de Bezerros e Caruaru. Um trecho de amostra – o depoimento da 3ª testemunha José de Brito Salgueiro:
Que no Termo do Bonito sabe que tomaram parte na revolta Antônio Correia Passos (sic, certamente por Pessoa) de Mello, como comandante geral (dos) intitulados liberais, o Coronel Martinho de Albuquerque Mello, Lourenço Bezerra Cavalcante, de Caruaru, o Major da Legião Manoel João de Souza como comandante das forças de Bezerros, o Coronel Pedro Paes de Souza, o Tenente-Coronel Manoel da Silva Souza, morador em Caruaru, e o Major Francisco Florêncio, Professor de Primeiras Letras...”
(MELLO, Jerônimo Martiniano Figueira de -. Autos do Inquérito da Revolução Praieira, ed. do Senado Federal, Brasília, 1979, pp. 275.)

“O derradeiro combate da resistência liberal praieira ocorreu em Água Preta, em 26 jan 1850.
Lideranças praieiras foram em parte confinadas em Fernando de Noronha.
O perdão imperial só foi concedido em 1852 ,depois da guerra contra Oribe e Rosas 1851-52 em que as forças brasileiras foram comandadas na vitória por Caxias.
Por ocasião da Revolução Praieira, Caxias depois de imortalizado como Pacificador do Maranhão, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, comandava as Armas da Corte no atual Palácio Duque de Caxias. Suas preocupações se voltavam para a delicada situação no Prata que punha em risco a Integridade e Soberania do Brasil no Sul, para o que contaria com o apoio decidido de militares farrapos que ele pacificara.
Combateu a Praieira o cap Antônio de Sampaio, atual patrono da Infantaria. Ele vinha do Rio Grande do Sul onde, ao comando de uma companhia destacada de Jaguarão, passou longo período em Canguçu, mantendo a paz, em posição estratégica entre Piratini e Caçapava, antigas capitais farrapas conforme o Cel. Cláudio Moreira Bento ,em seu “Canguçu reencontro com a História,1983”.
Esta foi a 4ª. luta interna no período monárquico em Pernambuco. Estado que abriu e fechou o ciclo de revoltas expressivas na Monarquia.
A primeira em 1817 e a última em 1850. Circuntância que esta a sugerir um aprofundamento interdiciplinar.
Delas duas foram republicanas, uma restauradora de D.Pedro I e a última com características sociais liberais e republicanas.
Como teriam nelas influído o justo orgulho nativista decorrente da expulsão dos holandeses simbolizados pelas Batalhas dos Guararapes?
Proclamada a República, Pernambuco teve papel estratégico de relevo ao lá ser organizada e adestrada a Esquadra Legal organizada pelo mal Floriano Peixoto e que teve atuação decisiva na vitória sobre sobre a Revolta na Armada no Rio ,em 1894 e sobre a Guerra Civil 1893-95 na Região Sul.”
[ DA INTERNET: A Revolução Praieira em Pernambuco1848-49. Segundo Figueira de Mello, em Crônica da revolução Praieira, houve um série de erros graves de parte a parte. As linhas defesa do Recife se estenderam em ...www.ahimtb.org.br/c3n.htm - Em cache - Similares].

quinta-feira, 23 de julho de 2009

PADRE FRANCISCO JOSÉ - BEATIFICAÇÃO

Em Assembléia Ordinária do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas em 26 de março de 2006, o Presidente do IHGAL convidou o consócio Álvaro Queiroz da Silva para apresentação do livro A Freguesia da Ribeira do Panema de autoria do consócio Tobias Medeiros. Lembra o orador que Tobias Medeiros viveu a sua infância no Poço das Trincheiras; que é sertanejo da Ribeira do Ipanema e membro da Academia Alagoana de Letras, que "já nos brindou com a publicação de seis livros, além de diversos artigos em revistas e jornais. Exerceu ainda a docência como Professor de Direito na Universidade Federal de Alagoas. " Parabenizou ainda o consócio Tobias "pelo seu enorme senso de arguto pesquisador e abalizado historiador" (segundo a Ata da Assembléia). O consócio Tobias Medeiros agradeceu as palavras de Álvaro Queiroz." Em seguida relatou que foi lançado na Paróquia de Santana do Ipanema, para comemorar os 170 anos de fundação daquela Paróquia (1836, - 2006), o seu livro A Freguesia da Ribeira do Panema. "O importante é que foi lançada a campanha, por iniciativa do autor do livro, para a beatificação do Pe. Francisco José Correia de Albuquerque, o 1° Vigário da Paróquia de Santana do Ipanema".
O Professor Tobias Medeiros, de quem já falamos, assumiu a Cadeira Patrocinada pelo Padre Francisco José Correia de Albuquerque na Academia Penedense de Letras.


BIBLIOGRAFIA
Acrescente à Bibliografia sobre o Padre Francisco José:
MÉRO, Ernani, A Evangelização em, Alagoas (400 An0s), Maceió, 1995.