quinta-feira, 27 de agosto de 2009

CAPITULO DE ROMANCE INÉDITO DE FREI JOSÉ MILTON


CAPÍTULO XIV

CÂNTICO DOS CÂNTICOS

O que se passara no coração do Padre Alfredinho no diálogo silencioso com Cristo naquele domingo do encontro no Convento Franciscano, na Serra da Baixa Verde, em Triunfo, só Deus o sabe.
Mas podemos imaginá-lo a partir dos escritos de Alfredinho e de outros que ele conservava naquela caixa levada pelos agentes do DOPS:

CÂNTICO

Meu Bem-Amado,
Ouve o canto
que mil vezes por dia
minha alma te dirige
a partir deste chão.
Pobres as palavras,
Pobres os acentos e modulação.
A voz cansada
vence as barreiras da descrença,
esperando contra toda esperança.
Bem sei:
Espreitas-me pelas fendas dos lagedos
eriçados de macambiras.
Bem sei:
Persegues-me nas veredas defendidas
pelas hordas de mandacarus.
Bem sei:
O grito da ema selvagem
traduz o teu coração errante,
à procura da fraca criatura,
ovelhinha tresmalhada
a quem escondes (até quando?)
A tua face.
Mas, se é teu prazer fazê-lo,
até quando, Senhor,
até quando,
a esconderás,
para que teu servo refaça,
cada instante,
os caminhos da procura,
para que trilhe cada dia
as sendas da libertação?
Desmorone
o bezerro de ouro
do dinheiro,
da fama,
do poder.
Que o coração do teu servo,
vencida a caminhada pascal
(pelo Mar Vermelho do Consumismo)
não sacrifique aos ídolos deste país,
e possa cantar com teu povo resgatado
o Cântico dos Cânticos
na Terra Prometida.

SALMO

Infunde em mim, Senhor, o teu Espírito.
Dá-me um coração de pobre
para que eu possa compreender
o grito de todos os irmãos
famintos,
abandonados,
empobrecidos.

Infunde-me, Senhor o teu Espírito,
e afasta de mim a vaidade
de viver para os pobres
e não viver com os pobres;
de fazer para os pobres
e não fazer com os pobres;
de pensar e agir pelos pobres
ao invés de ajudar os pobres
a pensar,
a agir
e serem sujeitos de sua própria libertação.

Infunde-me, Senhor, o teu Espírito
e afasta de mim a tentação
de responder com violência
à Violência do Sistema,
seja ela:
- a Ordem estabelecida,
- o Desenvolvimento sem alma,
- a Tecnologia opressora,
- a Lei de Segurança Nacional

Infunde-me, Senhor, o teu Espírito
e faze de mim
um instrumento da tua Libertação.

( Recife, 06-11-1984)

Fr. José Milton, ofm

PENSAMENTOS

“Eis o jejum que eu escolhi, diz o Senhor: quebra toda cadeia de injustiça, desata os laços dos pactos violentos, deixa livre os oprimidos, e rasga todo contrato iníquo. Parte teu pão com os famintos; ao veres um nu, cobre-o; faze entrar em tua casa aqueles que não têm teto” (Is 58,7. Ver também: Ez 18,7; Mt 25,36).
*
“Envergonhai-vos, vós que retendes os bens dos outros; imitai a justiça de Deus e não haverá pobres.”

Do Apóstolo S. Pedro, citado por S. Gregório Nazianzeno em seus Sermões (em Liturgia das Horas, Ofício das Leituras, Edições Paulinas, São Paulo, 1978, pg. 176).
*
“O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos preceitos, mas, na ordem da execução, o primeiro lugar cabe ao amor ao próximo.”

Do Tratado de Santo Agostinho sobre o Evangelho de São João (em Liturgia das Horas, Ofício das Leituras, Edições Paulinas, São Paulo, 1978, pg. 116).

*
“Deve-se preferir o serviço dos pobres a tudo o mais e prestá-lo sem demora. Portanto, ao abandonardes a oração a fim de socorrer a algum pobre, isto mesmo vos lembrará que o serviço é prestado a Deus... Por conseguinte, prestemos com renovado ardor nosso serviço aos pobres, de modo particular aos abandonados, indo mesmo à sua procura, pois nos foram dados como senhores e protetores.”

S. Vicente de Paulo, Os Escritos de S. Vicente de Paulo, presbítero, Epist. 2546; Correspondance, entretiens, documents, Paris, 1922-1925, 7, (em Liturgia das Horas, Ofício das Leituras, Edições Paulinas, São Paulo, 1978, pg. 1567).

*
“Aplaquem-se os raios do Céu com as contrições da terra!
(...) Se Ezequiel não Vos pode obrigar a desistir do castigo dos Restos de Israel, Joel vos obrigará a que perdoeis ao povo de Pernambuco, só por uma razão, só por uma palavra: porque é vosso Povo. Perdoai ao vosso Povo.”

Do Missionário Franciscano Frei Antônio do Rosário, Carta de Marear, escrita no Convento de Ipojuca (século XVII).
*
“Saber tudo e não saber o que é necessário saber, é nada saber.
Fazer tudo e não fazer o que é necessário fazer, é nada fazer.
Nada saber a não ser o que é verdadeiramente necessário saber, é tudo saber.
Nada fazer a não ser o que é verdadeiramente necessário fazer é tudo fazer.”

São João da Cruz, Máximas Espirituais.

*
“Quem está totalmente despojado de toda potência, no sacrifício terá sempre a vitória.”

A. Soljenitsyne, em Fredy Kunz, A Ovelhinha de Urias, Edições Louyola, São Paulo, 1979.
*
"A forma mais elaborada da oração é o silêncio e a esperança”.

De Abraham S. Heschel, O Homem à Procura de Deus.

*
"Há criaturas como a cana:
mesmo postas na moenda,
esmagadas de todo,
reduzidas a bagaço,
só sabem dar doçura."

Dom Hélder Câmara

(Em Georgio Paleari, Padre Alfredinho, na Internet)

*

“O pensamento marxista e monástico têm em comum uma atitude radical em relação às estruturas estabelecidas na sociedade.
Mas eles se separam também radicalmente na revolução que eles pregam.
O marxista se empenhando em mudar o mundo sócio-econômico; e o monaquismo em mudar primeiramente o homem interior pela conversão.
Thomas Merton, em “A Ovelhinha de Urias” de Fredy Kunz, pg. 22.

ESCLARECIMENTO: O que agora publico é uma amostra do meu romance ainda inédito, SABURÁ (saga das Comunidades Eclesiais de Base). O romance tem como um dos personagens principais o Padre Alfredinho. Ele sabia que Frei José Milton o estava tomando como uma das principais figuras de um romance em torno das CEBS. Concordou com isto, quando conversei com ele por ocasião de um breve encontro que tivemos em Olinda. Já o tinha conhecido no Ceará, quando trabalhei no Regional denominado então NEI de 1973 a 1975. Sabia de seu testemunho de vida em Tauá, na Diocese de Crateús. Mas só recentemente, através da Internet, foi que fiquei sabendo melhor quem era Alfredinho, tomando também conhecimento das circunstâncias de sua morte e aspectos de sua ação missionária que escaparam ao meu conhecimento. Como gostaria de ter passado para ele os originais do meu romance, para ouvir a sua opinião antes de publicá-lo. Sei que lá do céu me vem uma inspiração que só posso atribuir a ele. Inclusive o fato de ter perdido os originais ainda incompletos e, depois de anos, encontrá-los. Quando pensava que estava tudo perdido, encontrei-os como os tinha deixado. Estavam tão bem guardados, que um dia seriam encontrados. Só agora tenho realmente condições de concluí-lo.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O AGRESTE PERNAMBUCANO E AS REVOLUÇÕES

TRONCOS REMOTOS DE FAMÍLIAS DO AGRESTE PERNAMBUCANO E SEU ENVOLVIMENTO NAS REVOLUÇÕES DO SÉCULO XIX.

1 – JOÃO PAES DE LIRA E A REVOLUÇÃP PERNAMBUCANA DE 1817

“Em 1819 ´João Pais de Lira, Sargento-Mor da Vila de Santo Antão e Comandante da freguesia de São José de Bezerros, representa a Vossa Majestade, que achando-me na avançada idade de 70 anos, onde se incluem 43 anos de serviço em diferente [sic] partes requer uma patente de reforma pelas causas que aponta...´ Na mesma petição solicita a mercê do Hábito de Cristo, alegando serviços prestados na revolução contra os rebeldes (1817). A petição é deferida por decreto de 12 de outubro de 1919.” (SAMPAIO,YONY, AS FAMÍLIAS AZEVEDO LIRA, AZEVEDO SILVA, AZEVEDO CALDEIRA E PAES DE LIRA, DA REGIÃO DE BEZERROS, 2003,
pg. 21).
Em resposta a uma sua petição de 1812, consta em 27 de outubro de 1812, que “em 1788 morou em São José dos [sicc] Bezerros.”
“Sobre o movimento de 1817, há um requerimento de João Paes de Lira, Sargento-mor de Santo Antão e Comandante da freguesia de Bezerros, ao Capitão das Ordenanças da Vila de Santo Antão e seu termo, de 22 de outubro de 1817. Obtém como resposta que
a) ´10 de abril de 1817 levantaram bandeira em Bonito, onde reside João Paes de Lira;
b) ´que deu ordem ao Sargento-mor que viesse para a Vila de Santo Antão uma boa tropa de Ordenanças de São José dos [sic] Bezerros, a qual unida com as desta vila fizeram cara ao comum inimigo´.
c) ´o Sargento-mor mandou mantimento ao Capitão Manoel Pereira de Melo, um dos que veio daquele lugar (Bonito) para esta Vila.´
d) ´o Sargento-mor tem sempre sido de muito exemplar conduta.´´
Dada no Quartel de Santo Antão, a 28 de outubro de 1817.”
“Há ainda requerimento aos ´senhores do Nobre Senado de Vereança´ que atesta o reforço de tropas mandado pelo Sargento-mor João Paes de Lira´, 5 de novembro de 1817, assinando o Juiz Ordinário Luiz Bernardo da Cunha.
Por fim, há carta ao Ilmo. Sargento-mor João Paes de Lira, assinada por Joaquim de Melo Leite Gogominho,, Marechal das forças que marcham em Pernambuco.
João Paes de Lira, antes de passar a Sargento-mor, foi Capitão de Ordenanças, como fica claro de patente de José de Bezerra de Vasconcelos como Capitão de Ordenanças do distrito de São José dos Bezerros, de 2 de maio dem 1814, ´vago por acesso de João Paes de Lira.´” (Yony, op. cit. P. 22).


2 – JOSÉ PEDRO DE LIRA E A CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR (1824)



Observe a breve mas significativa observação de Yony Sampaio sobre as atividades revolucionárias de José Pedro de Lira (N3), irmão de João Paes de Lira, o fundador de São Caetano:
“Em 1824, quando da organização de companhias de guerrilha pelo Interior, José Pedro de Lira foi encarregado da organização das mesma em Limoeiro.” (SAMPAIO,YONY, AS FAMÍLIAS AZEVEDO LIRA, AZEVEDO SILVA, AZEVEDO CALDEIRA E PAES DE LIRA, DA REGIÃO DE BEZERROS, 2003, pg. 11).
Homem piedoso, inteiramente dedicado ao projeto de criar a comunidade católica de São Caetano da Raposa a partir da construção da igreja, assume uma atividade revolucionária da qual foi encarregado pelas lideranças da Confederação do Equador.
Pereira da Costa registra a Portaria da Câmara do Senado de Olinda, de 13 de janeiro de 1824, “incumbindo ao Capitão Francisco Leite da Silva da organização de uma companhia de guerrilha na Vila de Cimbres, sendo-lhe confiado o comando da mesma.
Dessa data em diante fez o Governo outras nomeações para idênticos fins, em localidades diversas...”
Foram nomeados: para Santo Antão, Vicente Alves da Silva; para a povoação de Jacaré, em Caruaru, Antônio Francisco de Azevedo; para Limoeiro, Pedro José de Lira (José Pedro de Lira); para o lugar Patos, distrito de Limoeiro, Manuel Gomes de Moura Coutinho.[1]
Para os revolucionários de 1824, embora o Brasil já fosse independente, diante da política absolutista de D. Pedro I, só havia uma solução, nomearem, como de fato nomearam, novo Governo para Pernambuco, não aceitando Francisco Pais Barreto, que acabava de ser nomeado pelo Imperado, pois julgavam-no anárquico e subversivo. É o que explicam ao Imperador em “respeitosa, bem que enérgica representação contra a nomeação de Francisco Pais Barreto para o cargo de Presidente da Província, que constava estar feita, cujo documento, lídio e aprovado, teve seu competente destino.” [2]
Como a de 1817, a de 1824 foi uma revolução padres. Aderir a ela era abraçar a causa de Deus e da Pátria.
Por que não teriam nomeado para a companhia de guerrilha em alguma povoação do Agreste o Capitão-mor João Paes de Lira, irmão de José Pedro de Lira?
Em primeiro lugar, fora um dos repressores da Revolução Pernambucana de 1817.
Em segundo lugar, em 1819, como já vimos, alegando a idade avançada (70 anos) e os serviços já prestados em muitas frentes, havia requerido e conseguido patente de reforma.

[1] COSTA, F. A. Pereira da, Anais Pernambucanos, Vol. 9 (1824-1833) , 2ª edição, Governo de Pernambuco, Recife, 1983, p. 7.
[2] Id. Ibd. p. 3.

3 – MAJOR JOÃO GUILHERME DE AZEVEDO E A REVOLTA PRAIEIRA

A REVOLTA DA PRAIA
(1848-1850)

Após a Regência do Padre Feijó, cresceu a divergência entre Conservadores e Liberais. Estes se achavam desgastados. Revesavam-se no poder.
Em 1848, as agitações eleitorais na Corte levaram o jovem Imperador D. Pedro II a julgar oportuno trazer de volta ao governo os Conservadores. Para isso, serviu-se o Imperador de um Gabinete, à frente do qual colocou o ex-regente: Visconde de Olinda (Pedro de Araújo Lima), substituído depois pelo Visconde de Monte Alegre (José da Costa Carvalho).
Em Pernambuco, crescia a insatisfação com o estado de coisas no Brasil, especialmente na Província. À frente dos chamados agitadores pelos do Partido Conservador, estavam figuras expoenciais da política pernambucana. Eram os Liberais ou Praieiros (por ser o seu jornal Diário Novo editado na Rua da Praia).
As pressões, desde 1837, aumentaram de ambos os lados, levando alternativamente ao poder ora os liberais, ora os conservadores. Demitindo os adversários e readimitindo os correligionários, os detentores do poder rivalizavam em arbitrariedades.
Os maiores envolvidos na chamada Revolução ou Revolta, ou ainda Inconfidência da Praia:
- Do lado conservador: Francisco do Rego Barros (Barão da Boa Vista, depois Conde), na época, era brigadeiro reformado e Comandante Superior da Guarda Nacional; o Presidente de Pernambuco Herculano Ferreira Pena (Pena); Brigadeiro José Joaquim Coelh, depois Barão da Vitória, comandante das forças legalistas; Manuel Vieira Tosta, outro Presidente (1849), depois Marquês de Muritiba; Honório Hermeto Carneiro Leão, depois Marquês de Paraná, Presidente nomeado para debelar os remanescentes da Praia; o Chefe de Polícia Jerônimo Martiniano Figueira de Melo, o qual “extrapolou indevidamente, pelas paixões do momento, de acusador ou denunciante a pretenso juiz”, no dizer de Vamireh Chacom (na Introdução dos Autos do Inquérito da Revolução Praeira, de Jerônimo Martiniano Figueira de Melo, Senado Federal, Brasília, 1979, pg. C).

-Do lado praeieiro, destacaram-se aqueles que aparecem como réus no processo aberto em agosto de 1849 contra as lideranças praieira da revolta:
“O processo merece, em si, considerações especiais.
Jerônimo Vilela de Castro Tavares encabeça-o, quase lhe dando o título, de modo a receber excessiva atenção aparente. Pois os acusados foram apresentados em levas, até o quadro do Grande Júri de 17 de agosto de 1849, presidido por José Tomás Nabuco de Araújo e com Francisco Xavier Paes Barreto na Promotoria, diante do banco dos réus, onde se sentavam Antônio Borges da Fonseca, Felipe Lopes Neto, Jerônimo Vilela de Castro Tavares, Feliciano Joaquim dos Santos, Henrique Pereira de Lucena, Francisco Borges Mendes, Leandro César Paes Barrerto, Antônio Correia Pessoa de Melo, Antônio Feitosa de Melo e José Inácio de Abreu e Lima.”
(Vamireh Chacon, na Introdução aos Autos do Inquérito da Revolução Praieira, de Jerônimo Martiniano Figueira de Melo, Senado Federal, Brasília, 1979,


O MAJOR JOÃO GHUILHERME DE AZEVEDO

Tomou parte na Revolução Praieira (1848 – 1849), cuidando principalmente da ação revolucionária no Agreste pernambucano e em Alagoas, onde havia engenho da família. Urbano Sabino Pessoa de Melo, em sua Apreciação da Revolta Praieira em Pernambuco (edição do Senado Federal, Brasília, 1978, Vol. 10, pp. 51 – 54), apreciando negativamente a ação de João Guilherme, transcreve, como testemunho dos maus propósitos daquele político, uma carta dele a Manoel Antônio Dias, datada de 25 de março de 1848, do Engenho Lages. E comenta o autor do livro:
Esta carta, firmada por João Guilherme, um dos primeiros caudilhos da revolta [contra o Governo, do partido praieiro], revela bem o plano. Ele apresentou-se, e vendo que o chamavam salteador, desesperado por se não manifestar a cor política do movimento, dirigiu a carta acima a um subdelegado expondo o plano da revolução (p. 54).
Para Urbano Pessoa de Melo, João Guilherme foi um dos principais líderes da oposição ao governo da Praieira. Vale a pena estudar a dimensão da militância política revolucionária do Major João Guilherme de Azevedo. Homem de uma só palavra, não admitia que os legalistas [os do partido Conservador]] ficassem, como se diz hoje, “em cima do muro”. Daí a sua exigência de transparência que faz ao “amigo” Manoel Dias do Engenho Lages. A palavra “legalidade” era por demais ambivalente à época da Revolta Praieira. Muitos que se julgavam na legalidade e morriam por ela, em defesa das instituições, já tinham sido demitidos, se eram autoridades, pelo Governo da Província, que era praieiro. A proposta praieira era de cunho altamente social e, podemos dizer, republicana, mas só aos poucos a dimensão ideológica ia ficando clara. Incluía a abolição da escravatura, a reforma agrária e sérias mudanças nas estruturas políticas, militares e sociais. O elemento estrangeiro era totalmente rejeitado pelos praieiros como elemento estrutural da nova sociedade a ser implantada. Estrangeiros eram considerados os portugueses, o esteio econômico da Capitania. A nova legislação deveria traçar as normas da participação deles no comércio e na indústria. A maioria, em tais setores, não podia ficar, como acontecia, nas mãos portuguesas. Podemos imaginar os problemas que iriam surgir para a consciência de muitas famílias, quase todas elas com ancestrais lusitanos, muitos ainda vivos... O Brasil independente, para os praieiros, ainda continuava colônia.
Em Caruaru, atuava “Melo de Vertentes”: “Em dezembro de 1848, no período revolucionário, o Tenente-Coronel da Guarda Nacional Antônio Corrêa Pessoa de Mello, Conhecido por Melo de Vertentes, à frente de 80 homens invadiu Caruaru, não se dando, felizmente, nenhum tiro aí, e partindo os mesmos desse lugar para atacar a pov. de Bezerros.”
Em sua obra Autos do Inquérito da Revolução Praieira, Jerônimo Martiniano Figueira de Mello, nos vários interrogatórios a que foram submetidos os cidadãos suspeitos de terem participado das reuniões preparatórias da Praieira, vemos que foi grande a movimentação pré-revolucionário em todo o Agreste pernambucano, principalmente no Termo do Bonito, incluindo as povoações de Bezerros e Caruaru. Um trecho de amostra – o depoimento da 3ª testemunha José de Brito Salgueiro:
Que no Termo do Bonito sabe que tomaram parte na revolta Antônio Correia Passos (sic, certamente por Pessoa) de Mello, como comandante geral (dos) intitulados liberais, o Coronel Martinho de Albuquerque Mello, Lourenço Bezerra Cavalcante, de Caruaru, o Major da Legião Manoel João de Souza como comandante das forças de Bezerros, o Coronel Pedro Paes de Souza, o Tenente-Coronel Manoel da Silva Souza, morador em Caruaru, e o Major Francisco Florêncio, Professor de Primeiras Letras...”
(MELLO, Jerônimo Martiniano Figueira de -. Autos do Inquérito da Revolução Praieira, ed. do Senado Federal, Brasília, 1979, pp. 275.)

“O derradeiro combate da resistência liberal praieira ocorreu em Água Preta, em 26 jan 1850.
Lideranças praieiras foram em parte confinadas em Fernando de Noronha.
O perdão imperial só foi concedido em 1852 ,depois da guerra contra Oribe e Rosas 1851-52 em que as forças brasileiras foram comandadas na vitória por Caxias.
Por ocasião da Revolução Praieira, Caxias depois de imortalizado como Pacificador do Maranhão, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, comandava as Armas da Corte no atual Palácio Duque de Caxias. Suas preocupações se voltavam para a delicada situação no Prata que punha em risco a Integridade e Soberania do Brasil no Sul, para o que contaria com o apoio decidido de militares farrapos que ele pacificara.
Combateu a Praieira o cap Antônio de Sampaio, atual patrono da Infantaria. Ele vinha do Rio Grande do Sul onde, ao comando de uma companhia destacada de Jaguarão, passou longo período em Canguçu, mantendo a paz, em posição estratégica entre Piratini e Caçapava, antigas capitais farrapas conforme o Cel. Cláudio Moreira Bento ,em seu “Canguçu reencontro com a História,1983”.
Esta foi a 4ª. luta interna no período monárquico em Pernambuco. Estado que abriu e fechou o ciclo de revoltas expressivas na Monarquia.
A primeira em 1817 e a última em 1850. Circuntância que esta a sugerir um aprofundamento interdiciplinar.
Delas duas foram republicanas, uma restauradora de D.Pedro I e a última com características sociais liberais e republicanas.
Como teriam nelas influído o justo orgulho nativista decorrente da expulsão dos holandeses simbolizados pelas Batalhas dos Guararapes?
Proclamada a República, Pernambuco teve papel estratégico de relevo ao lá ser organizada e adestrada a Esquadra Legal organizada pelo mal Floriano Peixoto e que teve atuação decisiva na vitória sobre sobre a Revolta na Armada no Rio ,em 1894 e sobre a Guerra Civil 1893-95 na Região Sul.”
[ DA INTERNET: A Revolução Praieira em Pernambuco1848-49. Segundo Figueira de Mello, em Crônica da revolução Praieira, houve um série de erros graves de parte a parte. As linhas defesa do Recife se estenderam em ...www.ahimtb.org.br/c3n.htm - Em cache - Similares].

quinta-feira, 23 de julho de 2009

PADRE FRANCISCO JOSÉ - BEATIFICAÇÃO

Em Assembléia Ordinária do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas em 26 de março de 2006, o Presidente do IHGAL convidou o consócio Álvaro Queiroz da Silva para apresentação do livro A Freguesia da Ribeira do Panema de autoria do consócio Tobias Medeiros. Lembra o orador que Tobias Medeiros viveu a sua infância no Poço das Trincheiras; que é sertanejo da Ribeira do Ipanema e membro da Academia Alagoana de Letras, que "já nos brindou com a publicação de seis livros, além de diversos artigos em revistas e jornais. Exerceu ainda a docência como Professor de Direito na Universidade Federal de Alagoas. " Parabenizou ainda o consócio Tobias "pelo seu enorme senso de arguto pesquisador e abalizado historiador" (segundo a Ata da Assembléia). O consócio Tobias Medeiros agradeceu as palavras de Álvaro Queiroz." Em seguida relatou que foi lançado na Paróquia de Santana do Ipanema, para comemorar os 170 anos de fundação daquela Paróquia (1836, - 2006), o seu livro A Freguesia da Ribeira do Panema. "O importante é que foi lançada a campanha, por iniciativa do autor do livro, para a beatificação do Pe. Francisco José Correia de Albuquerque, o 1° Vigário da Paróquia de Santana do Ipanema".
O Professor Tobias Medeiros, de quem já falamos, assumiu a Cadeira Patrocinada pelo Padre Francisco José Correia de Albuquerque na Academia Penedense de Letras.


BIBLIOGRAFIA
Acrescente à Bibliografia sobre o Padre Francisco José:
MÉRO, Ernani, A Evangelização em, Alagoas (400 An0s), Maceió, 1995.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

GENEALOGIA DO AGRESTE PERNAMBUCANO

Como pretendemos tratar de alguns acontecomentos que têm como personagens figuras bem próximas dos troncos mais remotos de algumas Famílas do Agreste Pernambucano, coloquemos essas pessoas no contexto genealógico e geográfico do seu tempo ; só assim entenderemos melhor os eventos aqui focalizados. Façamos isto muito sumariamente.

OS TRONCOS MAIS REMOTOS DE ALGUMAS FAMÍLIAS DE BEZERROS E DA REGIÃO
Baseio-me principalmente em Yony Sampaio: “As Famílias Azevedo Lira, Azevedo Silva, Azevedo Caldeira e Paes de Lira, da Região de Bezerros, Recife, outubro de 2003.”

O casal Tenente Manoel de Azevedo Caldeira e Maria Pais de Castro, "é o tronco dos Azevedo Lira, Azevedo Silva, Azevedo Caldeira e Pais e Lira" do Agreste Pernambucano. Os livros de Batismo e Casamento das Paróquias de Bezerros, Altinho, Garanhuns, Brejo da Madre de Deus, além de Inventários, Arrolamentos e Registros de Terra dos Cartórios de Bezerros, Bonito, Brejo, ou dos Arquivos da Universidade Federal de Pernambuco e do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, fornecem rico material à pesquisa genealógica.

O Tenente Manoel de Azevedo Caldeira já é mencionado em 1689 por Dona Maria César, viúva de João Fernandes Vieira (herói da guerra Holandesa).
Em 20 de dezembro de 1712, já tendo falecido o Capitão Lázaro Caldeira - o mais antigo tronco a que chegou Yony nos seus estudos, "aparecem como titulares da sesmaria do Brejop [da Madre de Deus] os herdeiros Manoel de Azeved0 Caldeira e o Alferes Domingos da Fonseca..." (Yony, obra citada, pg. 3).

Do casal Manoel de Azevedo Caldeira e Maria Pais de Castro, são os filhos:
F1 – Pedro Pais de Lira
F2 – José Pais de Lira
F3 -Carlos de Azevedo Caldeira
F4 – Margarida Pais de Lira
F5 – Ana Pais de Azevedo
F6 – Maria Pais do Nascimento

Só vamos detalhar o que nos interessa no momento para entendermos melhor os fatos a serem aqui relatados.

F1 – Pedro Pais de Lira, casado com Joana Maria de Jesus, filha de Manoel da Silva Ribeiro. Faleceu em 1822. Em 1790 é Sargento-mor, depois, Capitão.
Pais de:
N3 – José Pedro de Lira. Casou em 1795 com Maria Francisca Cavalcanti. Sem filhos. É o fundador de São Caetano. Depois voltaremos a este ilustre personagem do Agreste.
F4 – Margarida Pais de Lira – Em 1753 casou com José Gomes da Silva (Tenente José Gomes da Silva).
Pais de (pelo menos) 3 filhos. Vejamos o sétimo da lista:
N7 – João Paes de Lira.
O Capitão Comandante João Paes de Lira – Nasceu entre 1749 e 1754. Declara-se com 58 anos em 1812, e com 70, em 1819. Faleceu em 1831 (Confira Livro da Irmandade do SS. Sacramento de Bezerros). Era Capitão Comandante da freguesia de Bezerros (Yony, op. cit. P. 21).
Crê Yony que ele casou 2 vezes:

a) A primeira, em 1772, com Germana Francisca. É provável que Germana tenha morrido de parto em 1772. Deste casamento nasceu uma filha:
Bn1 (em Yony, Bn5) – Josefa Isabel de Santa Anna, nascida em Santo Antão em outubro de 1772, sendo batizada na Matriz de Santo Antão (conf. Yony, op cit. pg. 24 e 25).

b) A segunda vez, com Francisca Leite da Soledade, em data posterior a 1774.

Pais de:

Bn5.5 – Ignez de Santa Anna (Casada: Ignez de Santa Anna Azevedo). Batizada a 20 de março de 1791 na freguesia de Bezerros, com 11 dias de nascida, sendo seus padrinhos o Capítão Francisco Frazão (de Azevedo) e sua mulher Maria do Rosário da Encarnação. Casou a 29 de agosto de 1808, dispensados do impedimento de consangüinidade, com o primo o Tenente Coronel Manoel Francisco da Silva Azevedo, natural da freguesia de Santo , filho do Capitão Franciosco Frazão de Azevedo e de Maria do Rosário da Encarnação, neto materno de José Gomes da Silva e Margarida Pais de Lira, sendo testemunhas Manoel Monteiro Paes da Rocha Lira e João Pedro de Lira, casados.Ignez de Santa Anna faleceu a 7 de janeiro de 1882, com 90 anos de idade em São Caetano da Raposa.

“Foram herdeiros 3 filhos vivos e os netos filhos de 3 outros. Além desses, houve pelo menos 2 filhos que ou faleceram criança, ou não deixaram descendência” (Yony, op. cit. pg. 26).

A) Avós paternos de Francisca Leite da Soledade:

Salvador da Costa e Maria Lins Bernarda.

Pais de:

F1 – João Mendes Branco, casado com Catarina Monteiro da Rocha.


Obs.: O Sargento-mor João Mendes Branco, nascido em 1707, era português, “dado como natural às vezes do Porto, e outra de Lisboa” , filho de Salvador da Costa e Maria Lins Bernarda, naturais da Vila de Louriseira, sendo ela neta materna do Capitão-mor Manoel Monteiro da Rocha e Francisca Leite de Oliveira, casados possivelmente em 1715, quando recebem de dote o sítio Cachoeira, ele português, e ela filha de Bento Leite de Oliveira e Ascensa da Silva Cavalcanti. O Sargento-mor João Mendes Branco residia em Buíque.
João Mendes Branco e Catarina Monteiro da Rocha

São os Pais de
N1 – Francisca Leite da Soledade.


B) Avós maternos de Francisca Leite da Soledade:

Capitão-mor Manoel Monteiro da Rocha e
Francisca Leite de Oliveira.

Obs.: Manoel Monteiro da Rocha, português, casou com Francisca Leite de Oliveira, filha de Bento Leite de Oliveira, natural de Guimarães, radicado no vale do Rio S. Francisco, zona de Penedo (AL) e Inocência da Silva Cavalcanti (ou Ascença). Esta é filha do Capitão Manoel da Silva, de apelido “Carapuça de Onça”, e de Anna Potencia de Brito Cavalcanti, constando ser ele português e ela descendente dos Holanda e Cavalcanti (opinião de Orlando Cavalcanti). “Mas, embora Borges da Fonseca refira vários Cavalcantis e Holandas casados com filhos de Bento Leite de Oliveira, não há referência aos pais de Inocencia da Silva (Nobiliarchia, vol. I, pg. 459)”, escreve Yony (op. cit. pg. 24).

OBS.: O Sargento-mor João Mendes Branco casa segunda vez com a índia Maria José do Nascimento, filha de pais incógnitos, esse estabelece em Piripiry, freguesia do Cariri Velho, na Paraíba.
Catarina Monteiro da Rocha faleceu a 17 de agosto de 1760, deixando 4 filhos, entre eles, Francisca “com idade de mês e meio pouco mais ou menos”, diz o pai no termo de composição com o compadre Capitão Pantaleão de Siqueira Barbosa e a comadre viúva Dona Maria Madalena da Rocha. Sendo esta sua irmã e cunhada, e também por ser tia e madrinha da menina Francisca, de livre e espontânea vontade faz entrega de sua filhinha ao compadre Pantaleão e à comadre Maria Madalena, para que a adotem como filha, uma vez que ele, o pai, não tinha condições de criar a menina. Sabe que eles a amarão como filha e farão tudo pela felicidade dela. Faz o expresso pedido que, chegada a menina à idade de casar, que o casamento dela seja com pessoa digna como o pai teria a satisfação que fosse. Que lhe ensinassem a doutrina cristã e tudo o que achassem que seria para o seu bem. (Yoni, op. cit. pg. 23.)
O testamenteiro e tutor dos bens da órfã, diz que ela “se achava desde menina em poder de sua tia e madrinha Dona Maria Madalena de que segundo notifica lhe ensinou a doutrina christã, couzer e fazer renda.”(Yony, op. cit. p. 25).

“Do casal João Paes de Lira e Francisca Leite da Soledade são conhecidos 4 filhos, Bn 5.2 a Bn 5.5. Mas creio haja outros.” (Yony, op. cit. pg. 25, pg. 26).

Detalhando:

João Paes de Lira e Francisca Leite da Soledade são os Pais de (entre outros):

Bn5.4. Manoel Monteiro Paes da Rocha Lira, casou com Teresa de Jesus Lima. Capitão da Guarda Nacional. Casado com Teresa de Jesus Lima, filha de Francisco Gomes e Anna Teresa. “Já casado em 1808. Manoel monteiro obteve, a 24 de setembro de 1816, carta de sesmaria do lugar Baticaba, entre a sesmaria do gado Bravo e Riachão e terra dos herdeiros de Francisco Xavier Correia de Sá no Pé de Serra do Mendes.” (Yony, op. cit. pg. 26).
Da longa descendência, vejamos alguns filhos:
Bn5.4.6 - Antônio Monteiro Paes de Lira. “Assassinou a 13 de fevereiro de 1842, a Feliciano Thomaz d´Azevedo, comissário de polícia do distrito de São Caetano, com três tiros desfechado de emboscada na própria povoação de São Caetano. Antônio é identificado como bom moço, de 22 para 23 anos de idade, de estatura regular, cheio de corpo, barba densa, branco, casado, ... A 9 de abril de 1842 é denunciado estar foragido no Cariri velho, em casa do sogro, Manoel Gomes, na fazenda de Santo Antônio, junto a uma fazendinha denominada Zabelê, com toda a sua família” (Yony, op. cit. pg. 28).
Bn5.4.7 - José Paes de Lira. “João Pereira Calado, em sua História de Lagoa dos Gatos, o dá como filho de Manoel Monteiro Paes da Rocha Lira, senhor de terras no lugar de Gado Bravo do atual município de Lagoa dos Gatos. Teria ido com sua irmã Agostinha Joana Paes, do Gado Bravo, para Lagoa dos Gatos. Lá, José Paes de Lira casou com Carolina Soares, filha de Florêncio José Soares e Maria Francisca da Conceição, neta paterna de Francisco José Soares, português do Engenho Penom e comprador de um pedaço do s´[itio do Gato, em 1802.
Foram pais de vários filhos”, que Yony cita pelos nomes (Yony. Op. cit. pg. 28).

Bn5.5 – Ignez de Santa Anna: (Casada: Ignez de Santa Anna Azevedo). Batizada a 20 de março de 1791 na freguesia de Bezerros, com 11 dias de nascida, sendo seus padrinhos o Capítão Francisco Frazão (de Azevedo) e sua mulher Maria do Rosário da Encarnação. Casou a 29 de agosto de 1808, dispensados do impedimento de consangüinidade, com o primo o Tenente Coronel Manoel Francisco da Silva Azevedo, natural da freguesia de Santo , filho do Capitão Franciosco Frazão de Azevedo e de Maria do Rosário da Encarnação, neto materno de José Gomes da Silva e Margarida Pais de Lira, sendo testemunhas Manoel Monteiro Paes da Rocha Lira e João Pedro de Lira, casados.Ignez de Santa Anna faleceu a 7 de janeiro de 1882, com 90 anos de idade em São Caetano da Raposa.“Foram herdeiros 3 filhos vivos e os netos filhos de 3 outros. Além desses, houve pelo menos 2 filhos que ou faleceram criança, ou não deixaram descendência” (Yony, op. cit. pg. 26).

Detalhando:

Bn5.5 – Ignez de Santa Anna Azevbedo e Manoel Francisco da Silva Azevedo,

São os Pais de:

Tn5.5.1 - João Guilherme de Azevedo.
Tn5.5.2 – Manoel Francisco de Azevedo Silva
Tn5.5.3 – Maria.
Tn5.5.4 – Lucinda Maria de Azevedo ou Lucinda Francisca de Azevedo.
Tn5.5.5 – Francisca da Soledade do Amor Divino.
Tn5.5.6 – Tenente José Francisco de Azevedo Lira.
Tn5.5.7- Joana Celestina de Azevedo.
Tn5.5.8 – Francisco Santino de Azevedo (Lira)

Detalhadamente:

Tn5.5.1 – Major João Guilherme de Azevedo. Nasceu a 24 de junho de 1809, na Sapucaia (hoje Spucarana), destrito de Bezerros. Acha Ignez Guedes que o fato de ele ter nascido talvez na noite de 24 (São João) para 25 (São Guilherme) de junho explica seu nome: João Guilherme. Foram seu Padrinhos os tios José Pedro de Lira e Maria Francisca Cavalcanti, moradres em São Caetano da Raposa.
“Major João Guilherme de Azevedo foi figura polêmica no Agreste, com forte presença desde o final dos anos vinte e até sua morte em 1852. Envolveu-se em demandas, advogou causas, fez política e envolveu-se na Revolução Praeira, em 1848. Foi assassinado na Volta, no caminho entre Caruaru e São Caetano, arcabuzado, ,a 29 de outubro de 1852 (Yony, op. cit. pg. 30).

O Major João Guilherme de Azevedo casou a primeira vez antes de 1828 com Francisca Leite da Soledade ou do Amor Divino, deixando uma filha. “A segunda (diz Yony Sampaio) com Maria do Rosário Correia de S á, em casada, Maria Guilhermina de Azevedo, havendo 8 filhos” (id. Ibd. pg. 28).
Detalhando:
A) Do primeiro casamento do Major João Guilherme de Azevedo com Francisca Leite da Soledade ou do Amor Divino, uma única filha:

Qr5.5.1.1 – Maria Possidônia de Barros Silva. Casou a 22 de julho de 1840, na Capela de Nossa Senhora da Conceição de Caruaru, filial da Matriz de Bezerros, com Antônio Gomes de Barros Silva. Antônio faleceu por volta de 1865 e Maria Possidônia entre 1900 e 1905, segundo Yony Sampaio. Dos 6 filhos que deles conhecemos, provém uma longa descendência, detalhada por Yony das páginas 31 a 37 de sua Genealogia.

Voltemos a João Guilherme de Azevedo.
B) Em segundas núpcias, casou, como já vimos, com Maria Guilhermina de Azevedo (em solteira, Maria do Rosário Correia de Sá).
Esta era filha de Ignez Maria de Jesus, do Pé de Serra do Mendes (a primeira Mãe-de-Casa) e de seu segundo marido Francisco Xavier Correia de Sá.

Aqui encerramos o que tínhamos a dizer sobre os troncos mais remotos de algumas famílias de Bezerros e do Agreste.
Nos "ADENDOS" que virão a seguir, trataremos do envolvimento de alguns dos nossos personagens no processo revolucionário de Pernambuco.

sábado, 11 de julho de 2009

DUAS PLACAS COMEMORATIVAS DE IPOJUCA




No muro do átrio da igreja do Convento temos uma placa acríleca que assim reza:.

“EXÉRCITO BRASILEIRO – RM / NE 7ª DE – REGIÃO MATIAS DE ALBUQUERQUEPREFEIURA MUNICIPAL DE IPOJUCA
OMENAGEM AOS 18 PATRIOTAS QUE ASSINARAM O COMPROMISSO IMORTAL NO QUAL PELA PRIMEIRA VEZ FOI PROFERIDA A PALAVRA PÁTRIA NO CONTINENTE AMERICANO
23 DE MAIO DE 2004”
Na Portaria do Convento vemos outra, em bronze, comemorando os Trezentos Anos da restituição do Convento aos seus legitimos donos:
1645 19 DE JUNHO 1945

IPOJUCA

CELEBRA UMA DAS SUAS DATAS MAIS GLORIOSAS
HOMENAGEANDO AOS HERÓIS
QUE NESTA CIDADE
INICIARAM A INSURREIÇÃO PERNAMBUCANA
CONTRA O INVASOR HOLANDEZ
DO QUAL ARRANCARAM ESTE CONVENTO,
QUE RESTITUIRAM AOS FDRANCISCANOS
NA PESSÔA DO 15º GUARDIÃO
FREI JÁCOME DA PURIFICAÇÃO

PRO DEO ET PRO PATRIA