sábado, 13 de junho de 2009

A PARÓQUIA DE S. MIGUEL DE IPOJUCA

ANTIGUIDADE DA PARÓQUIA


Ipojuca é uma das mais antigas freguesias da Capitania de Pernambuco. [1] Documentadamente, consta sua existência em 1589. “... a 24 de janeiro de 1594 já era falecido o vigário Gaspar Neto”[2] , o primeiro vigário da Paróquia de que temos conhecimento.
“Em um auto [Denunciações de Pernambuco, do Santo Ofício] de 09 de janeiro de 1594, lê-se: freguesia de São Miguel, em Pojuca além do Cabo cuja anexa é a capela de St.ª Luzia na Fazenda de Pero Dias da Fonseca, ou seja, o engenho Tabatinga.” [3]
O Padre Paulo Roiz de Távora, em documento de 08 de fevereiro de 1594, consta como vigário de São Miguel de Ipojuca ou Pojuca (o segundo), a qual tinha anexa a capela filial de Santa Luzia de Tabatinga, com um capelão, o Padre Cosme Neto, nela residente. [4]
“A paróquia de Ipojuca estendia-se pelo menos de Tabatinga e da aldeia de N. S.ª da Escada até a aldeia de Uma (limites de Alagoas) , esta, também chamada de S. Miguel de Iguna. A aldeia deN. S.ª da Escada foi fundada logo depois de 1589, pelos padres jesuítas, enquanto a aldeia de Uma, já em fins de 1593, era curada pelos franciscanos.” [5] A povoação de Ipojuca, sede da Paróquia ou Freguesia de São Miguel, era, de há muito, familiar aos franciscanos, pois estava no seu itinerário das Missões.
E Frei Venâncio adianta: “... nada impede que mais ou menos pelos anos de 1580 tenha sido criada a paróquia de São Miguel de Ipojuca.” [6]
Com base nesse informe, a Paróquia comemorou em 1980 o seu 4º Centenário, como veremos adiante.
PADROEIRO – É o Arcanjo São Miguel, celebrado a 29 de setembro, juntamente com os Arcanjos Gabriel e Rafael. São os três Arcanjos cujos nomes significam:
-Miguel, “quem como Deus?”;
-Gabriel, “força de Deus“ ou “aquele que está diante de Deus” ;
-Rafael, “Deus cura” ou “medicina de Deus”.
O Arcanjo São Miguel foi constituído por Deus como “guarda e protetor da nação israelita, como se lê no profeta Daniel: Surgirá Miguel, o grande Príncipe, que guardará o teu povo (Dan 10, 13-21 E 12,1).
É, portanto, “o Anjo da Guarda do Povo, é o chefe do exército celeste, que combate ao seu lado até à vitória definitiva”, como diz Frei Carlos Alberto Breis (Beto) na apresentação do programa da festa de 2004.
A Festa deste ano de 2006, preparada pelo Vigário Frei Wellington Reis e sua equipe, teve como tema: Com a proteção de São Miguel, levanta-te e vem para o meio!
O tema retoma o espírito da Campanha da fraternidade / 2006: é um convite a nos colocar ao lado dos pequenos e marginalizados, especialmente ao lado das pessoas especiais.
Frei Wellington Reis, OFM, é o atual vigário da paróquia de São Miguel. Os demais frades da Comunidade Franciscana de Ipojuca são os seus colaboradores mais próximos na evangelização do nosso povo,
O tema de 2007: São Miguel, ajuda-nos a defender a vida.
“O tema da festa deste anos (2007), sugerido em Assembléia Pastoral, traz consigo uma sintonia com o tema e lema da Campanha da Fraternidade deste ano: Vida e Missão neste chão. Defender a Vida, duas palavras fundamentais do tema (da Festa ) deste ano sintonizam-se também com a mensagem bíblica da figura do Arcanjo Miguel.” [7]

A Matriz de São Miguel – a primitiva Matriz, segundo Ivo d´Almeida, historiador ipojucano, em seu livro inédito DE UMA LENDA À VERDADE, foi destruída por um incêndio em 1814 e parcialmente reconstruída em 1857 (pg. 23). Depois ruiu totalmente. Ficava na parte mais alta da cidade, onde hoje se encontra o cemitério.
A partir de então, a Matriz passou a funcionar na igreja de Nossa Senhora do Livramento dos Homens Pardos (provavelmente dos “escravos libertos”), para onde foi levada a antiga imagem de São Miguel. É um pouco mais acima do Convento, entre este e a primitiva Matriz.
Havia ainda a igreja do Rosário, provavelmente “dos homens pretos” , uma vez que, conforme o costume do tempo, próximo à igreja do Livramento, se erguia a do Rosário dos escravos. Ficava “no mesmo lado da igreja do Livramento, no local logo mais acima onde hoje está localizada a COMPESA. Sua principal festa era a de São Benedito. Essa igreja desmoronou há muito tempo, bem antes da Matriz de São Miguel se incendiar em 1814. Da construção ficou apenas o cruzeiro que passou a servir de local para orações dos [pretos] devotos de São Benedito... e com o tempo passou a ser utilizado por todas as pessoas que não queriam ou não podiam ir ao cemitério mas queriam reverencias os mortos com orações, velas acesas e flores em finados” [8]. Não sabemos de quando é a igreja do Livramento. Segundo Ivo d´Almeida é muito antiga, pois em 1814 passou a servir de Matriz.
Muitos atos religiosos são celebrados na igreja de Santo Antônio, do Convento do mesmo nome, conhecida também como igreja do Senhor Santo Cristo, por abrigar a milagrosa imagem do Crucificado que aí é venerada desde 04 de novembro de 1663.

Uma igreja de S. Roque? - Segundo uma tradição de ipojuca, endossada por Ivo d`Almeida, havia mais uma igreja: a S. Roque, incendiada por volta de 1800; dela nada teria restado, pois “suas pedras foram levadas para o Convento pela população quando da reconstrução da igreja após o incêndio de 1935, e hoje estão incorporadas às paredes do Convento de Santo Antônio de Ipojuca.” [9]

Frei Venâncio Willeke desconhece a existência dessa igreja e cita Frei Jaboatão, segundo o qual havia no Convento os Terciários, dos quais o primeiro Comissário foi nomeado na Congregação de 16 de junho de 1703, que tinham por titular o Glorioso S. Roque, cuja imagem se achava no altar do Senhor Santo Cristo (na Capela lateral do Bom Jesus), sem que lhe construíssem capela própria (“sem até agora fazerem capela”)[10]. Não havia Ordem Terceira em Ipojuca antes daquela nomeação. Quando Frei Jaboatão se refere a Francisco Dias Delgado como “ nossos irmãos da confraternidade”, “não significa ter este pertencido à Ordem Terceira, mas ao número dos benfeitores filiados à Ordem Primeira.” [11]
Não se sabe de onde veio a tradição de uma igreja de São Roque em Ipojuca, quando Frei Jaboatão, em meados do século XVIII, já dizia que os devotos de São Roque tinham uma imagem (que hoje se encontra na igreja do Convento), mas que nunca lhe construíram uma capela.
No entanto, não deixa de merecer a atenção dos historiadores a possibiliade de uma igreja de São Roque, pois a memória do povo geralmente tem algum fundamento na realidade. Do lado direito do cemitério de Ipojuca ateria havido um nicho de S. Roque e o bairro tem o seu nome. Este autor visitou aquela área neste mês de outubro de 2007. Conversando com os moradores mais antigos, constatou não existir nenhuma tradição sobre uma capela ou nicho de São Roque naquelas redondezas. Indo pelo beco, à direita do cemitério, chega-se ao chamado Bairro de S. Roque, muito escarpado, vendo-se, mais abaixo, uma puxada em alvenaria da casa em anexo, que, segundo o dono, era onde os paroquianos, anos atrás, pensavam em construir uma Capela em honra de S. Roque. Não sabiam dizer também porque o bairro se chamava de S. Roque.

[1] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 12.
[2] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, obra citada, p. 13..
[3] Id. ibd. p. 13.
[4] Id. Ibd. p. 13.
[5] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 13 (cfr. também p. 84, nota 17 ao Cap. IV.
[5] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 13 (cfr. também p. 84, nota 17 ao Cap. IV.
[6] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 12.

[7] Programa da Festa de São Miguel de 2007.
[8] Cfr. D´ALMEIDA, Ivo -, DE UMA LENDA À VERDADE, Copyright 2005, pp. 23 a .24.
[9] D´ALMEIDA, Ivo -, DE UMA LENDA À VERDADE, Copyright 2005, p .24.
[10] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pp. 42 a 43.
[11] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 42.
II. PARÓQUIA DE SÃO MIGUEL DE IPOJUCA


A igreja de Nossa Senhora do Livramento dos Homens Pardos é conhecida, atualmente como Matriz de S. Miguel.





Escreve Sebastião Galvão:- “IPOJUCA –– Povoação - Sede da Freguesia de São Miguel do Ipojuca, mas não é a cabeça do mun., que é a villa de Nossa Senhora do Ó, d´onde aquela dista 6 kilometros e 11 do litoral.”
Mais adiante explicaremos essa anomalia: a precariedade tos títulos de vila e de povoação, dependendo da política.

ANO DA FUNDAÇÃO

Ainda Sebastião Galvão:
“IPOJUCA – História – Em 1881 o vigario da freg. Firmino d´Araujo Figueiredo informou ao bispo D. José da Silva Barros que fora creada em 1596, mas não diz em virtude de que acto, sendo certo que em 1608 era vigário o padre Sebastião Rodrigues.” (GALVÃO, Sebastião de Vasconcellos, Dicionário Corográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco, Edição fac-similar, Governo de Pernambuco, Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), Recife, 2006, Volume I, 2.a Edição, p. 313).
- “Povoação muito antiga; diz a tradição que foi fundada no fim do século XVI pelas famílias Cavalcanti, Rolim, Lacerda, Accioly, Moura e outras. Certo, porém, é que no princípio do século XVII já estava ereta em Freguesia, porque, já povoada, tinha merecimento para tal classificação. É notável esta povoação pela derrota que experimentaram os partidários de Domingos José Martins, em 1817. [...] Está plantada na base e encosta de uma colina; consta de 150 fogos, pouco mais ou menos; edificação irregular, Apresentando vestígios da antiguidade local. Na extremidade oriental da colina, onde finda a rua central, vê-se a antiga matriz de Ipojuca incendiada em 1814 e reconstruída em 1857, mas não acabada, , por Frei Sebastião de Messina; em um dos ângulos da rua SO está o Convento de S. Francisco, edificado em 1606 no alto do monte e em boa parte conservado, do qual foi o primeiro Guardião Frei Boaventura de São Thomaz, com um grande templo, onde, ao lado direito, há uma capelinha em que se vê a imagem do Senhor Santo Christo, tradicionalmente ali venerado pelos romeiros de diversos pontos; ao lado esquerdo da rua e ao NO, está a igreja de N. S. do Livramento que, há muitos anos, provisoriamente, tem servido de matriz; e, finalmente, no centro, e do mesmo lado, vê-se a igreja de N. S. do Rosário, desmoronada há muitos anos. Existe ahi um cemitério com 40m de frente e 50m de fundo, construído em 1869. Possue uma população de 700 almas , pouco mais ou menos.” [1]
Para compreensão do texto citado de Sebastião Galvão, é bom lembrar que a obra estava sendo escrita por volta de 1889 e foi reeditada na ortografia original, Daí entendermos porque diz o autor que Ipojuca ainda era povoação e Nossa Senhora do Ó já era Vila e sede do município Ó (realmente, o foi por pouco tempo e isto aconteceu várias vezes no século XIX, dependendo da política reinante); e porque registra o autor que a freguesia tinha, quando ele escrevia o seu Dicionário (1889), tão poucos habitantes (700 almas) e havia na povoação tão reduzido número de casas de moradia (159 fogos). Na época, Nossa Senhora do Ó já era Vila e sede do município, mas possuía apenas “umas 250 casas e, calculadamente, umas1500 almas”, com mais habitantes, portanto, que Ipojuca.[2] Escreve o Padre Manoel da Costa Honorato: “A Lei n.o 203, de 26 de julho de 1848 transferiu a sede desta freguesia para a capela filial de Nossa Senhora do Ó. A Lei n.o 225, de 30 de agosto do mesmo ano deu novos limites à freguesia. A Lei n.o 236, de 22 de maio de 1849 transferiu a sede da freguesia para a povoação do seu nome [Ipojuca], revogando a Lei n.o 303 supra. A Lei n.o 238 de 26 de maio de 1949 revogou a lei n.o 225 e de a esta freguesia os mesmos limites que dantes tinha.”[3] Quanto a “Nossa Senhora do Ó de Ipojuca” (como também era conhecida), escreve o mesmo Pe. Honorato no final do verbete dedicado àquela povoação: “Finalmente, a Lei n.o 499, de 29 de maio de 1821 elevou-a de povoação à categoria de Vila...” [4]

Vejamos o que escreve o maior conhecedor da história de Nossa Senhora do Ó: “De 1846 a 1891, durante 45 anos, a sede do Município oscilou entre São Miguel de Ipojuca e Nossa Senhora do Ó de Ipojuca. O combate final deu-se em 1891, quando as tropas da polícia de Pernambuco, aliada aos jagunços dos Senhores de Engenho, derrotam na Rua da Batalha as tropas da polícia de Nossa Senhora do Ó, comandadas pelo Sargento José Jerônimo, que eram independentes de Pernambuco e do Brasil (grifo nosso).
Naquela derrota perde-se Desde sempre e para sempre ou até quando o desejo de uma parcela ou de todo povo em pensar que era possível ao povo brasileiro viver independente do sistema econômico mundial, pelo menos naquelas circunstâncias.” [5]

Por decisão do Sr. Arcebispo de Olinda e Recife D. José Cardoso Sobrinho, foi criada, aos 26 de outubro de 2005, a Paróquia de Nossa Senhora do Ó, desmembrada da de São Miguel de Ipojuca.

- A CRIAÇÃO DA PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DO Ó

Afinal os filhos de Nossa Senhora do Ó viram realizado o sonho de terem a sua terra como sede de uma freguesia. Foi criada a 30 de outubro de 2005 a Paróquia de Nossa Senhora do Ó, desmembrada da Paróquia de São Miguel de Ipojuca. O Decreto de Ereção Canônica acha-se transcrito no Livro de Crônica do Convento de Ipojuca. [6]
Frei Francisco Robério Ferreira de Souza, OFM, Administrador Paroquial de São Miguel de Ipojuca, concelebrou na Eucaristia de instalação da paróquia de Nossa Senhora dom Ó. Quanto aos limites, patrimônio e outros assuntos relacionados com a nova Paróquia, estão relatados, nos competentes livros paroquiais.
[1] GALVÃO, Sebastião de Vasconcellos, Dicionário Corográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco, Edição fac-similar, Governo de Pernambuco, Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), Recife, 2006, Volume I, 2.a Edição, p. 316.
[2] GALVÃO, Sebastião de Vasconcellos, Dicionário Corográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco, Edição fac-similar, Governo de Pernambuco, Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), Recife, 2006, Volume I, 2.a Edição, p. 402.
[3] HONORATO, Manoel da Costa, Dicionário Topográfico, Estatístico e Histórico da Província de Pernambuco, Governo do Estado de Pernambuco, Secretaria de Educação e Cultura, 2.a Edição, Recife, 1979, p. 58.
[4] HONORATO, Manoel da Costa, Dicionário Topográfico, Estatístico e Histórico da Província de Pernambuco, Governo do Estado de Pernambuco, Secretaria de Educação e Cultura, 2.a Edição, Recife, 1979, p. 76.
[5] SOUSA LEÃO, Antônio Geraldo de, A Geografia e a História de Ipojuca: Aqui Começa, Nossa Senhora do Ó – Ipojuca, 2004, p. 33.
[6] Segundo Livro de Crônica do Convento de S. Antônio de Ipojuca, pp. 88 v. a 89 v..

PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO

CONSPECTO HISTÓRICO DA PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL

" De 1500 a 1583, aportaram no Brasil nove grupos esporádicos de missionários tantoportugueses como espanhóis e italianos. Exercendo o apostolado entre Pernambuco e Santa Catarina, não lograram estabelecer‑se, embora, até 1549. representassem a única Ordem Religiosa da extensa colônia. Nem a fundação da Primeira Custódia partiu, em princípio, dos frades menores portugueses, pois a iniciativa se deve a Jorge de Albuquerque, governador de Pernambuco, é a Dóna Maria da Rosa, terceira franciscana regular de Olinda, os quais pediram a Felipe 11 a vinda dos frades menores, depois de indeferido idêntico requerimento pela Província de Santo Antonio de Portugal. El‑Rei insistiu no mesmo sentido com o Ministro Geral, Frei Francisco Gonzaga. Este, presidindo ao Capítulo da Província de Santo Antonio, em Lisboa, a 13 de março de 1584, e apresentando o pedido vindo de Pernambuco, encontrou resistência; assim mesmo decretou a fundação da Custódia brasileira de Santo Antonio e nomeou, na mesma data, o primeiro custódio Frei Melquior de Santa Catarina.
A 12 de abril de 1585 chegaram a Olinda os oito fundadores da Custódia, ocupando a 4 de outubro do mesmo ano, o Convento de Nossa Senhora das Neves, que D. Maria da Rosa lhes doara. A atividade principal dos franciscanos desenvolveu‑se na catequese dos índios das seguintes missões: Olinda (duas), itamaracá, Itapissuma Ponta de Pedras, Siri, Tracunhaém, Una ou Iguna, em Pernambuco; Porto de Pedras, em Algoas; Almagra, Guirajibe, Joane, Mangue. Praia, Santo Agostinho, Jacoca, Assunção, Piragibe, e outros três centros missionários na Paraíba cujos nomes não são conhecidos e com os quais estavam anexas outras 16 ou 18 aldeias.
Por volta de 1619, o Prefeito Apôstolico Antônio Teixeira Cabral confiou as missões ao clero secular. Atesta Frei Vicente do Salvador, como ex-missionário. que os franciscanos, entre 1585 a 1619, batizaram 52 mil índios.
Em 1624, vários missionários de Olinda acompanharam a Frei Cristóvão Severim de Lisboa para o Maranhão, ajudando na catequese durante alguns anos, e introduzindo os dez missionários recém‑‑chegados‑
Até 1647, a Custódia de Olinda ficou dependendo da Província mãe, cabendo a esta, até 1614, a eleição dos superiores e a solução dos assuntos de maior importância, enquanto o custódio do Brasil reunia periodicamente a chamada junta. A 14 de outubro de 1614, o custódio Frei Vicente do Salvador presidiu ao primeiro Capítulo, no Convento de Olinda, cabendo aos Capitulares as eleições para todos os cargos, exceto o do Custódio, que era eleito em Lisboa.
O Papa Inocêncio X, a 18 de abril de a 1647, conferiu autonomia à Custódia de Santo Antonio, separando‑a da Província Portuguesa, e Alexandre VII, a 24 de agosto de 1657, a elevou a categoria de Província.
Neste intervalo de tempo, a maior parte dos conventos foram fundados entre a Bahia e São Paulo, emconsequência da invasão holandesa em Pernambuco (1630 ‑1654). Além do curso filosófico ‑ teológico criado em Olinda (1596), havia outros em Salvador e no Rio de Janeiro.
O primeiro Capítulo Provincial, em 5 de novembro de 1659, reuniu os nove conventos findados entre São Paulo e o Espírito Santo, formando a nova custódia da Imaculada Conceição, a qual recebeu foros de província autônoma em 1675.
Continuaram a pertencer à Província de Santo Antonio os Conventos de Olinda (1585), Salvador (1587), Igaraçu (1588), Paraiba (1589), Ipojuca e Recife (1606), São Francisco do Conde (Sergipe do Conde 1629), Siri~ (1639), Paraguaçu (1669) Cairu (1650), São Cristóvão (Sergipe Del‑Rei 1657), Penedo e Alagoas (1660), e o hospício da Boa Viagem (Salvador 1710). O governo Colonial não consentiu na fundação de outros conventos, apesar de vários pedidos como por exemplo da parte de Natal, Aquirás, Oeiras, etc. Até na região das missões, não podia haver conventos se não hospícios para dois ou três religiosos.
Após longa interrupção, a Província reintroduziu a catequese entre os silvícolas, em 1679, fundada, no correr dos tempos, nas seguintes missões: Itapicuru de Cima, Massacará, Saí, Jacobina, Juazeiro, Rodelas, Camamu, Massarandupio, Jermnoaba, Pambu, Curral dos Bois, Aracapá, Piaqui, Cata e Salitre na Bahia; Alagoas e Palmar, em Alagoas; Una, Caripós, Zorobaté, Unhunhu, Pontal, Aricobe e Pajeú, em Pernambuco. Cariris, na Paraíba. Como última foi extinta a missão de Saí, em 1864. Faltam notícias a respeito do resultado surtido na catequese fi‑anciscana.
Os Frades Menores salientaram‑se também como missionários volantes; exerciam o sagrado ministério, durante os longos peditórios sertão a dentro, percorrendo até o Ceará e o Piaui, desobrigando os fiéis e alistando muitos à Ordem Terceira. A todos os conventos achavam‑se agregadas fraternidades terciárias, com vida religiosa acentuada.
Dutante o século XVIII, vários conventos mantiveram grátis as chamadas aulas de gramática para meninos pobres, até que o governo, em 1785, substituiu os mestres franciscanos por professores leigos. As casas de estudos filosóficos e teológicos eram as de Olinda , Recife, Salvador e, temporariamente, Paraiba. Os noviciados funcionavam em Igaraçu e Paraguagu para as vocações brasileiras e portuguesas.
Os franciscanos da custódia se haviam regido pelos estatutos e regulamentos missionários aprovados pela Província mãe. O 1° Capítulo Provincial de 1659 estabeleceu a elaboração de estatutos Provinciais próprios, os quais, ao que parece, nunca se puseram em prática devido a discórdias internas; até que, em 1705, entraram em vigor os estatutos compilados par Frei Cosme do Espírito Santo. Naquela ocasião, a Província alcançara de Inocêncio XI o privilégio de receber os visitadores escolhidos de entre os seus próprios filhos, extinguindo destarte as pertubações até então experimentadas (1688). O mesmo Papa transferiu o provincialado de Olinda para Salvador, entrando o respectivo breve em vigor em 1691, por ocasião do capítulo celebrado na Bahia Em 1941, a Cúría Geral de Roma aprovou a transferência de Salvador para Recife.
No tempo da constituição da Custódia em Província, um decreto régio estabeleceu que não houvesse mais de 200 frades na Província. Não obstante, os superiores ultrapassaram este número, de maneira que no ano de 1739 havia já 420 frades (361 sacerdotes e clérigos e mais 99 irmãos).
Dai, outro decreto régio de 25 de maiode 1740 proibiu recerber noviços até que, por morte, o número ficasse reduzido a 400. No entanto, por uma notável arte de interpretação, foi possível que, no ano 1764 se contasse quase 470 professos na Província.
Mas em 30 de janeiro de 1764, sob a responsabilidade de Pombal, foi publicado o decreto régio, segundo o qual ficou estritamente proibida a admissão de noviços durante 14 anos. Se bem que, com autoridade régia, fossem recebidos, algumas vezes, noviços em maior número. Havia a 6 de maio de 1801 apenas 158 religiosos; em virtude de novas concessões, o número, pôde ser aumentado até 1845 a 227 religiosos.
No mesmo ano de 1845, um decreto de Pedro II proibiu a admissão de noviços à Ordem sem licença especial do Governo, decreto esse interpretado a 19 de maio de 1855 no sentido de que ficava absolutamente proibido admitir noviços "até que uma concordata tivesse sido celebrada entre o Império do Brasil e a Santa Sé". Como esta condição nunca se realizasse o número de religiosos diminuia depressa.
Por decreto da Congregação dos Bispos e Religiosos de 27 de março de 1886, abolido o privilégio de isenção, os sobreviventes das Ordens foram sujeitos à autoridade dos Bispos.
Já desde 1886 o último o Ministro Provincial, Frei Antônio de São Camilo de Lelis Carvalho, havia insistido junto ao Ministro Geral em que a Província fase restaurada por confrades da Europa. Assim aconteceu que aos 12 de dezembro de 1889, fosse confiada à Província Saxônica da Santa Cruz a assim chamada Missão da Bahia.
Aos 27 de dezembro de 1892, os novos confrades da Europa chegaram ao Convento São Francisco de Salvador (Bahia), tendo sido realizada a 2 de março de 1893 a Congregação Capitular dos antigos e novos frades, quando ficou decretada e iniciada a reforma e renovação da Província de Santo Antônio.
Finalmente aos 14 de setembro de 1901, o Vigário Geral da Ordem, Padre Davi Fleming, publicou o decreto pelo qual a antiga Província ressurgiu "dos mortos": Das suas casas, 14 foram restauradas pouco a pouco e 5 entregues (Paraíba, Igaraçu, Alagoas, Paraguaçu e Boa Viagem).
Outras casas foram fundadas, a saber: Pesqueira (1902), Igreja Nova (1905), João Pessoa (São Pedro, 1911), outra na mesma cidade (Rosário 1920), Canindé (1922), Fortaleza (1929),Aracaju (1934) Itajuipe (1935), Campo Formoso (1938), Mossoró (1941), Campina Grande (1944), Maceió (1964) e João Pessoa (Cruz das Armas ‑ 1967).
Acrescentaram‑se, além das casas acima mencionadas, o Colégio de Bardel (Alemanha) em 1921, o Colégio Seráfico de Ipuarana em 1940 e as escolas apostólicas de Tianguá (1940) e de Triunfo (1944, inaugurada em 1947)).
No ano de 1951 fundou‑se a Residência de Santo Antônio, em Brotas (Salvador), ao lado da casa de Retiro de São Francisco, construída e dirigida pelos nossos confrades.
No ano de 1960, obtida a aprovação da Cúria Romana e com o consentimento da Província da Saxônia, foi fundada emMettingen (Alemanha) mais uma residência nossa com a finalidade de abrir uma Escola Vocacional para adultos.
No ano de 1951, precedida a convenção entre a nossa Província e a província da Saxônia, um decreto da Cúria Geral desmembrou do território da Província os Estados do Piauí e do Maranhão, confiando-os à Província da Saxônia.
De 1907 até 1956 a Província administrou a Prelazia de Santarém (Estado do Pará). Neste tempo ela fundou 6 casas, a saber: Santarém, (1907), Monte Alegre (1910), Alenquer (1930), o Ginásio Dom Amando (Santarém ‑ 1944), entregue à outra administração em 1951 e Oriximiná (1948).
Num Congresso do Definitório Geral em 1956, o Comissariado de Santarém foi dividido em dois Comissariados, o de Santarém, entregue à Província do Sagrado Coração de Jesus da América do Noite e o de Óbidos, com as casas de Óbidos, Alenquer e Otíximiná, entregue à nossa Província a qual ainda abriu uma casa em Belém do Pará (1965).
Também cessa Missão entre os índios Mimdumcu no rio Cururu, fundada em 1911, foi entregue ao Comissário de Santarém em 1961, continuando ali dois Missionários nossos: Frei Plácido e Frei Edmundo, na catequese daquela tribo, tendo a Província iniciada outra Missão entrre os Tiryó em 1960, na Prelazia de Óbidos, elevada a residiência a 28 de dezembmro de 1964.
Por vários motivos se fecharam as casas de João Pessoa ‑ Cruz das Armas (1973), Tianguá (1973) , Igreja Nova (1975) e João Pessoa ‑ São Pedro (1976).
Desde as Capítulo de 1979, São Francisco do Conde, com as Paróquias de Madre de Deus e Candeias, peru= ao Convento Regional de Salvador. Em 1980, o convento e a paróquia de Oriximiná foram entregues aos PP da S.V. D.; em 1982 entregaram‑se ao Bispo Diocesano de Ilhéus o convento e a paróquia de Itajuipe.
Com a criação da Vice-Província de São Benedito da Amazônia, em 1990, as casas de Óbidos e Alenquer passaram a pertencer à Vice‑Província, permanecendo porém sob nossos cuidados a Missão dos Tíryó e a Casa de apoio em Belém.
Em 1988 foi aberta a nova Casa de Noviciado em Sitio Cruz, na Diocese de Garanhums ‑ PE.
Em agosto de 2000 o Congresso Definitorial aprova a volta da Casa de Noviciado para Ipojuca.
Em 30 de abril de 2005 a Paróquia de Nossa senhora das Dores, em Triunfo, passou a ser administrada pelo clero diocesano. Os frades continuam residindo no Convento de São Boaventura, dando assistência pastoral e espiritual à Paróquia. Já no dia 31 de maio do mesmo ano a Paróquia de Nossa Senhora da Vitória, em São Cristóvão, foi entregue à Arquidiocese de Aracaju e os frades também se retiraram daquela comunidade. Nos dois casos a comunidade reagiu pedindo a permanência dos frades."

(Do Catálogo da Província de Santo Antônio)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

IPOJUCA - OS HOLANDESES E A POLUIÇÃO AMBIENTAL

POLUIÇÂO AMBIENTAL
POBLEMA SECULAR

O Município de Ipojuca conta hoje com uma Secretaria de Ciência-tecnologia-e meio ambiente (SECTMA).
O problema não vem só do aquecimento global..
Quando o Brasil estava sob o domínio espanhol o Rei já tomava providências para que não se poluíssem os rios da Zona da Mata de Pernambuco.
Vejamos o que nos dizem alguns relatórios holandeses:
No Documento 4 (pgs. 147 – 190), estampado por Dr. José Antônio Gonçalves de Mello em sua obra Administração da Conquista [1] “notas do que se passou na minha viagem, desde 15 [sic] de Dezembro de 1641 até 24 de janeiro do ano seguinte de 1642”, se registra:

“A 18 do mesmo mês [dezembro] ao amanhecer, cavalguei para Ipojuca [...] (pg. 151)


“Ali também recebi queixas de que alguns engenhos lançavam o bagaço aos rios, com o que conspurcavam as águas. Soube que ao tempo do Rei de Espanha foram dadas ordens a este respeito e mesmo que alguns moradores ainda têm cópia dos editais. Determinei ao Escolteto Hol procurasse os ditos editais e no-los enviasse para ser resolvido o que conviesse ao caso [...] (pg. 152).
Dr. José Antônio nos remete à Nota 12 de fim de texto (Documento 4):
“Interessante referência ao início da poluição dos rios da zona da mata pernambucana pela indústria açucareira, que viria a agravar-se no século XIX com os engenhos centrais e as usinas. Em 4 de março de 1644 foi publicado edital proibindo lançar-se nos leitos e embocaduras dos rios quaisquer imundícies: ARA, OWIC 70, dag.notule da data acima.”
Já que o assunto é poluição mesmo Documento 4 (pgs. 147 – 190), na visita a Santo Antônio do Cabo [Cabo de Santo Agostinho], se registra a 17 de dezembro de 1641:
“A 17 viajei para Santo Antônio do Cabo... (pg. 148) [...] Entendi-me com Martinus de Coutre sobre prestações vencidas da compra de seu engenho (p. 149). [...] Também alguns senhores de engenho e moradores de Santo Antônio [do Cabo] se quixaram de que a água ou rio ali era conspurcado por outros senhores de engenho, que nele jogavam o bagaço [de cana], o que era causa de muitas doenças. Ordenei a [não indica] que redigisse um edital proibindo o abuso, para ser apresentado para exame a S. Ex.a e ao Alto Conselho” [2] (p. 150).


[1] Apud, Mello, José Antônio Gonçalves de, Administração da Conquista, II, Companhia Editora de Pernambuco – CEPE – Recife, 2004, pp. 148 - 152).
[2] Apud, Mello, José Antônio Gonçalves de, Administração da Conquista, II, Companhia Editora de Pernambuco – CEPE – Recife, 2004,
E a Nota 17 a este trecho nos remete à mesma Nota 12.

IPOJUCA ENGENHOS DA REGIÃO

Santo Antônio dos Montes (Engenho Velho) – Com a palavra agora o historiador Fernando Pio, em seu escrito “A Caminho da Histórica Ipojuca”, no livro Resumo Historico do Convento de Santo Antonio e do Santuario do Senhor Santo Christo de Ipojuca, edição comemorativa do Jubileu do Santuário *1663 – 1938), organizado por Frei Venâncio Willeke, Ipojuca, 1938, pp.16-17:
“ Interessante a lenda que nos refere Jaboatão no seu Novo Orbe Seráfico a respeito desta igrejinha: conta-nos o cronista franciscano que a milagrosa imagem de Santo Antônio, ali venerada, fora encontrada em plena mata. Não existindo, ainda, naquela época, capela ou igreja no engenho, levaram a imagem para a capelinha de São José, nas imediações da cidade do Cabo. Qual não foi a surpresa, entretanto, no dia seguinte, ao constatarem, que a imagem já não se encontrava no altar em que fora colocada. E onde estava a imagem? Em plena mata, no mesmo local em que vivia anteriormente.... Pela segunda vez repuzeram-na em seu altar na igrejinha de São José. Novamente a imagem desapareceu. E voltou ao seu pouso primitivo. Uma terceira tentativa ainda foi experimentada. Novo insucesso. Compreenderam, assim, os moradores do engenho que o santo havia escolhido por habitação de sua imagem aquele local e, deste modo, apressaram-se a levantar, sem demora, a sua capelinha. E esta é a igrejinha que avistamos com o sugestivo título de Santo Antônio dos Montes do Engenho Velho. ”
Mas vamos um pouco adiante na narrativa de Fernando Pio. Santo Antônio dos Montes do Engenho Velho é um engenho muito ligado a história do célebre Frei Cosme de São Damião, e. portanto, ao Convento de ipojuca:
“Foi neste engenho que antes de abraçar a vida franciscana viveu durante sete anos o piedoso Frei Cosme de São Damião.
Filho de colonos portugueses, dedicou-se, na mocidade, à vida agrícola e, conforme nos refere Jaboatão, do campo à casa de purgar Cosme Manuel, o mancebo, pelo seu bom gênio officioso e devoto já demonstrava a piedosa vocação religiosa que o faria amanhã o estimado frade franciscano.
Até há poucos anos, existia neste referido engenho um retrato a óleo de Fr. Cosme de São Damião.”
Falando sobre este engenho a uma paroquiana de Ipojuca, ela me contou que o tal engenho fica em Ponte dos Carvalhos, e que, quando criança, foi com seus pais visitar a Capela do Engenho, levados pela devoção a Santo tão milagroso, que escolhera aquele lugar para morar.
Segundo Josias, fica no Cabo de Santo Agostinho, após a Destilaria do Cabo, sentido Recife (lado esquerdo).


Jurissaca –Este engenho ficava no Município do Cabo. Vem do início do século XVII, conforme Fernando Pio. Num alto, mais à frente encontram-se as ruínas de uma capelinha dedicada a São Gonçalo, célebre pelo fato de alguns restauradores pernanbucanos terem promovido aí as primeiros reuniões com o fito de expulsar os invasores holandeses. Na época em que Fernando Pio redigiu este escrito, a capelinha não podia ser vista da estrada, pois se erguia no meio da mata. Será que ainda existe em nossos dias? De acordo com Sebastião Galvão, o dito engenho pertencia a João Paes Barreto, tinha uma capela sob a invocação de São João Batista instituída primitivamente em1626. João Paes Barreto foi o fidalgo português que se destacou entre os colonizadores das terras do Cabo de Santo Agostinho e da Vila de Santo Antônio do Cabo. Veio para Pernambuco ainda bem jovem e solteiro em 1557. Casou-se com Dona Inês Guardez de Andrade, filha do rico colono Francisco Carvalho de Andrade. “De posse das doações de grandes lotes de terra, fundou ele um engenho a que deu o nome de Madre de Deus, situado em uma légua de terra, - à margem do rio Arassuagipe nos brejos do Cabo de Santo Agostinho – e sucessivamente os de Jurissaca, Algodoais, Trapiche, Guerra, Ilha e Santo Estêvão. Em 28 de outubro de 1580, instituiu João Paes Barreto um morgado [...] conhecido depois por Morgado dos Paes ou do Cabo. O engenho Madre de Deus veio a chamar-se também Engenho Velho.
Algodoais – Engenho sem expressa histórica, segundo Fernando Pio merendo ser lembrado por guardar em sua capela um altar “lembrando o gótico”, (!) que pertenceu ao Santuário do Santo Cristo de Ipojuca e que, depois do incêndio deste templo, foi para ali transferido, como doação do Rev. Frei Venâncio, Guardião do Convento de ipojuca”. Deve ter sido um dos altares de madeira construído pelos frades alemães restauradores, como os que vemos na fotos da igreja incendiada. Segundo Sebastião Galvão, era um engenho “no Município do Cabo, fundado por Miguel Paes antes da invasão holandesa, fica ao Sul as sede e tem uma capela dedicada a S. Francisco”.[1] À época da referida doação aquele engenho pertececeria à Freguesia de São Miguel de Ipojuca? Outra pergunta: e como explicar o altar tipo “gótico” que ainda hoje se vê na capela restaurada do Engenho Penderama? Certamente foi para lá após o incêndio da igreja do Convento. Das duas uma: ou Fernando Pio se enganou ao dar como destino daquele altar a capela de Algodoais e não a de Penderama, ou esta última teria merecido também um dos altares da igreja do Senhor Santo Cristo. Fica, porém, um problema a ser resolvido, pois consta que todos os altares da igreja do Convento foram destruídos pelo incêndio. Defendo a hipótese que seriam os antigos altares (não mais os primitivos) que os alemães encontraram e dele se desfizeram para dar lugar aos novos, góticos, que vemos nas fotos de antes do incêndio. Mas é, de qualquer forma, estranho que fossem altares “góticos” e não barrocos como deveriam ser, e como, por sinal, o é o altar-mor da Matriz de Miguel, que fora do Convento para lá, como reza outra tradição.
[1] GALVÃO, Sebastião de Vasconcellos, Dicionário Corográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco, Edição fac-similar, Governo de Pernambuco, Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), Recife, 2006, Volume I, 2.a Edição, p. 20.

ENGENHOS DE IPOJUCA E OS HOLANDESES

POLUIÇÂO AMBIENTAL
POBLEMA SECULAR

O Município de Ipojuca conta hoje com uma Secretaria de Ciência-tecnologia-e meio ambiente (SECTMA).
O problema não vem só do aquecimento global..
Quando o Brasil estava sob o domínio espanhol o Rei já tomava providências para que não se poluíssem os rios da Zona da Mata de Pernambuco.
Vejamos o que nos dizem alguns relatórios holandeses:
No Documento 4 (pgs. 147 – 190), estampado por Dr. José Antônio Gonçalves de Mello em sua obra Administração da Conquista [1] “notas do que se passou na minha viagem, desde 15 [sic] de Dezembro de 1641 até 24 de janeiro do ano seguinte de 1642”, se registra:

“A 18 do mesmo mês [dezembro] ao amanhecer, cavalguei para Ipojuca [...] (pg. 151)


“Ali também recebi queixas de que alguns engenhos lançavam o bagaço aos rios, com o que conspurcavam as águas. Soube que ao tempo do Rei de Espanha foram dadas ordens a este respeito e mesmo que alguns moradores ainda têm cópia dos editais. Determinei ao Escolteto Hol procurasse os ditos editais e no-los enviasse para ser resolvido o que conviesse ao caso [...] (pg. 152).
Dr. José Antônio nos remete à Nota 12 de fim de texto (Documento 4):
“Interessante referência ao início da poluição dos rios da zona da mata pernambucana pela indústria açucareira, que viria a agravar-se no século XIX com os engenhos centrais e as usinas. Em 4 de março de 1644 foi publicado edital proibindo lançar-se nos leitos e embocaduras dos rios quaisquer imundícies: ARA, OWIC 70, dag.notule da data acima.”
Já que o assunto é poluição mesmo Documento 4 (pgs. 147 – 190), na visita a Santo Antônio do Cabo [Cabo de Santo Agostinho], se registra a 17 de dezembro de 1641:
“A 17 viajei para Santo Antônio do Cabo... (pg. 148) [...] Entendi-me com Martinus de Coutre sobre prestações vencidas da compra de seu engenho (p. 149). [...] Também alguns senhores de engenho e moradores de Santo Antônio [do Cabo] se quixaram de que a água ou rio ali era conspurcado por outros senhores de engenho, que nele jogavam o bagaço [de cana], o que era causa de muitas doenças. Ordenei a [não indica] que redigisse um edital proibindo o abuso, para ser apresentado para exame a S. Ex.a e ao Alto Conselho” [2] (p. 150).

[1] Apud, Mello, José Antônio Gonçalves de, Administração da Conquista, II, Companhia Editora de Pernambuco – CEPE – Recife, 2004, pp. 148 - 152).
[2] Apud, Mello, José Antônio Gonçalves de, Administração da Conquista, II, Companhia Editora de Pernambuco – CEPE – Recife, 2004,
E a Nota 17 a este trecho nos remete à mesma Nota 12.

ENGENHOS DE IPÓJUCA E OS HOLANDESES

EGENHOS DA FREGUESIA DE IPOJUCA
CONFORME RELATÓRIO HOLANDÊS
DOS ANOS DE 1637 A 1639. Documento 5,[1]

Citemos alguns:

- Engenho Sibiró de Baixo, com invocação de São Paulo.
Pertencente a Francisco Soares Canha (sic). Engenho d´água. Em funcionamento (“moente”).
- Engenho Sibiró de Cima. De Manoel de Navalhas, ausente. Foi confiscado e vendido a João Carneiro de Mariz. Engenho movido a água. Funcionando.







ENGENHO MARANHÃO


-Engenho Maranhão. Confiscado. O seu dono, João Tenório, se passou para os holandeses, mas teve que compra-lo (!). É d´água e moente.

Foto do Engenho Maranhão, hojem em completo abandono:





- Engenho Coroaçu. Pertencente a Manoel Vaz Viseu que se passou para os holandeses. Era movido a água, em funcionamento.
- Engenho Bertioga. Foi confiscado e vendido a seu proprietário, João Tenório, que ficou do lado dos holandeses.
Estava em funcionamento, movido a água.
- Engenho Nossa Senhora do Rosário. Confiscado e vendido a João Carneiro de Mariz. É movido a água e está em funcionamento.
- Engenho Bom Jesus, chamado também Trapiche, a água e mo ente. Confiscado e vendido a Duarte Saraiva.
- Engenho Guerra, movido por bois, em funcionamento. Algumas partes deste engenho foram confiscadas e vendidas ao Sr. Hendrick Schilt.
- Engenho São João Salgado. Pertenceu a Cosme Dias, que reside entre os inimigos dos holandeses. Confiscado e vendido a Mateus da Costa. É de bois e estava parado.
- Engenho Pindoba. Pertenceu a Gaspar da Fonseca Carneiro e estava nas mãos de seu filho. É d´água e em funcionamento.
- Engenho Santa Luzia, confiscado e vendido a Amador Araújo. É d´água e moente.

EGENHOS DA FREGUESIA DE IPOJUCA
CONFORME RELATÓRIO HOLANDÊS
DE 4 DE ABRIL DE 1640. DOCUMENTO 6. [2]

- Engenho Cocaú. Pertenceu a Antônio Gonçalves da Paz. Foi confiscado. Acha-se destruído e ainda não foi vendido.
- Engenho da Guerra, pertencente a Jacobus Corderus e Baltasar Wijntgens. Engenho de bois. Em funcionamento.
- Engenho São João Salgado, agora pertencente a Duarte Saraiva.
- Engenho Aratangil, de Miguel Fernando de Sá. De água, moendo.
- Engenho Pantorra. , de Nicolas D´ Haen, L´Empereur & Cia. Inteiramente arruinado. Está sendo restaurado e replantado para moer no ano vindouro.
- Engenho Santa Luzia ou Tabatinga, ut supra.
[1] Apud MELL O, José Antônio Gonçalves de, A Economia Açucareira, I, 2.ª edição, Recife, 2004, pp. 83 ss.
[2] Apud MELL O, José Antônio Gonçalves de, A Economia Açucareira, I, 2.ª edição, Recife, 2004, pp.142 a 143,