sábado, 13 de junho de 2009

PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO

CONSPECTO HISTÓRICO DA PROVÍNCIA FRANCISCANA DE SANTO ANTÔNIO DO BRASIL

" De 1500 a 1583, aportaram no Brasil nove grupos esporádicos de missionários tantoportugueses como espanhóis e italianos. Exercendo o apostolado entre Pernambuco e Santa Catarina, não lograram estabelecer‑se, embora, até 1549. representassem a única Ordem Religiosa da extensa colônia. Nem a fundação da Primeira Custódia partiu, em princípio, dos frades menores portugueses, pois a iniciativa se deve a Jorge de Albuquerque, governador de Pernambuco, é a Dóna Maria da Rosa, terceira franciscana regular de Olinda, os quais pediram a Felipe 11 a vinda dos frades menores, depois de indeferido idêntico requerimento pela Província de Santo Antonio de Portugal. El‑Rei insistiu no mesmo sentido com o Ministro Geral, Frei Francisco Gonzaga. Este, presidindo ao Capítulo da Província de Santo Antonio, em Lisboa, a 13 de março de 1584, e apresentando o pedido vindo de Pernambuco, encontrou resistência; assim mesmo decretou a fundação da Custódia brasileira de Santo Antonio e nomeou, na mesma data, o primeiro custódio Frei Melquior de Santa Catarina.
A 12 de abril de 1585 chegaram a Olinda os oito fundadores da Custódia, ocupando a 4 de outubro do mesmo ano, o Convento de Nossa Senhora das Neves, que D. Maria da Rosa lhes doara. A atividade principal dos franciscanos desenvolveu‑se na catequese dos índios das seguintes missões: Olinda (duas), itamaracá, Itapissuma Ponta de Pedras, Siri, Tracunhaém, Una ou Iguna, em Pernambuco; Porto de Pedras, em Algoas; Almagra, Guirajibe, Joane, Mangue. Praia, Santo Agostinho, Jacoca, Assunção, Piragibe, e outros três centros missionários na Paraíba cujos nomes não são conhecidos e com os quais estavam anexas outras 16 ou 18 aldeias.
Por volta de 1619, o Prefeito Apôstolico Antônio Teixeira Cabral confiou as missões ao clero secular. Atesta Frei Vicente do Salvador, como ex-missionário. que os franciscanos, entre 1585 a 1619, batizaram 52 mil índios.
Em 1624, vários missionários de Olinda acompanharam a Frei Cristóvão Severim de Lisboa para o Maranhão, ajudando na catequese durante alguns anos, e introduzindo os dez missionários recém‑‑chegados‑
Até 1647, a Custódia de Olinda ficou dependendo da Província mãe, cabendo a esta, até 1614, a eleição dos superiores e a solução dos assuntos de maior importância, enquanto o custódio do Brasil reunia periodicamente a chamada junta. A 14 de outubro de 1614, o custódio Frei Vicente do Salvador presidiu ao primeiro Capítulo, no Convento de Olinda, cabendo aos Capitulares as eleições para todos os cargos, exceto o do Custódio, que era eleito em Lisboa.
O Papa Inocêncio X, a 18 de abril de a 1647, conferiu autonomia à Custódia de Santo Antonio, separando‑a da Província Portuguesa, e Alexandre VII, a 24 de agosto de 1657, a elevou a categoria de Província.
Neste intervalo de tempo, a maior parte dos conventos foram fundados entre a Bahia e São Paulo, emconsequência da invasão holandesa em Pernambuco (1630 ‑1654). Além do curso filosófico ‑ teológico criado em Olinda (1596), havia outros em Salvador e no Rio de Janeiro.
O primeiro Capítulo Provincial, em 5 de novembro de 1659, reuniu os nove conventos findados entre São Paulo e o Espírito Santo, formando a nova custódia da Imaculada Conceição, a qual recebeu foros de província autônoma em 1675.
Continuaram a pertencer à Província de Santo Antonio os Conventos de Olinda (1585), Salvador (1587), Igaraçu (1588), Paraiba (1589), Ipojuca e Recife (1606), São Francisco do Conde (Sergipe do Conde 1629), Siri~ (1639), Paraguaçu (1669) Cairu (1650), São Cristóvão (Sergipe Del‑Rei 1657), Penedo e Alagoas (1660), e o hospício da Boa Viagem (Salvador 1710). O governo Colonial não consentiu na fundação de outros conventos, apesar de vários pedidos como por exemplo da parte de Natal, Aquirás, Oeiras, etc. Até na região das missões, não podia haver conventos se não hospícios para dois ou três religiosos.
Após longa interrupção, a Província reintroduziu a catequese entre os silvícolas, em 1679, fundada, no correr dos tempos, nas seguintes missões: Itapicuru de Cima, Massacará, Saí, Jacobina, Juazeiro, Rodelas, Camamu, Massarandupio, Jermnoaba, Pambu, Curral dos Bois, Aracapá, Piaqui, Cata e Salitre na Bahia; Alagoas e Palmar, em Alagoas; Una, Caripós, Zorobaté, Unhunhu, Pontal, Aricobe e Pajeú, em Pernambuco. Cariris, na Paraíba. Como última foi extinta a missão de Saí, em 1864. Faltam notícias a respeito do resultado surtido na catequese fi‑anciscana.
Os Frades Menores salientaram‑se também como missionários volantes; exerciam o sagrado ministério, durante os longos peditórios sertão a dentro, percorrendo até o Ceará e o Piaui, desobrigando os fiéis e alistando muitos à Ordem Terceira. A todos os conventos achavam‑se agregadas fraternidades terciárias, com vida religiosa acentuada.
Dutante o século XVIII, vários conventos mantiveram grátis as chamadas aulas de gramática para meninos pobres, até que o governo, em 1785, substituiu os mestres franciscanos por professores leigos. As casas de estudos filosóficos e teológicos eram as de Olinda , Recife, Salvador e, temporariamente, Paraiba. Os noviciados funcionavam em Igaraçu e Paraguagu para as vocações brasileiras e portuguesas.
Os franciscanos da custódia se haviam regido pelos estatutos e regulamentos missionários aprovados pela Província mãe. O 1° Capítulo Provincial de 1659 estabeleceu a elaboração de estatutos Provinciais próprios, os quais, ao que parece, nunca se puseram em prática devido a discórdias internas; até que, em 1705, entraram em vigor os estatutos compilados par Frei Cosme do Espírito Santo. Naquela ocasião, a Província alcançara de Inocêncio XI o privilégio de receber os visitadores escolhidos de entre os seus próprios filhos, extinguindo destarte as pertubações até então experimentadas (1688). O mesmo Papa transferiu o provincialado de Olinda para Salvador, entrando o respectivo breve em vigor em 1691, por ocasião do capítulo celebrado na Bahia Em 1941, a Cúría Geral de Roma aprovou a transferência de Salvador para Recife.
No tempo da constituição da Custódia em Província, um decreto régio estabeleceu que não houvesse mais de 200 frades na Província. Não obstante, os superiores ultrapassaram este número, de maneira que no ano de 1739 havia já 420 frades (361 sacerdotes e clérigos e mais 99 irmãos).
Dai, outro decreto régio de 25 de maiode 1740 proibiu recerber noviços até que, por morte, o número ficasse reduzido a 400. No entanto, por uma notável arte de interpretação, foi possível que, no ano 1764 se contasse quase 470 professos na Província.
Mas em 30 de janeiro de 1764, sob a responsabilidade de Pombal, foi publicado o decreto régio, segundo o qual ficou estritamente proibida a admissão de noviços durante 14 anos. Se bem que, com autoridade régia, fossem recebidos, algumas vezes, noviços em maior número. Havia a 6 de maio de 1801 apenas 158 religiosos; em virtude de novas concessões, o número, pôde ser aumentado até 1845 a 227 religiosos.
No mesmo ano de 1845, um decreto de Pedro II proibiu a admissão de noviços à Ordem sem licença especial do Governo, decreto esse interpretado a 19 de maio de 1855 no sentido de que ficava absolutamente proibido admitir noviços "até que uma concordata tivesse sido celebrada entre o Império do Brasil e a Santa Sé". Como esta condição nunca se realizasse o número de religiosos diminuia depressa.
Por decreto da Congregação dos Bispos e Religiosos de 27 de março de 1886, abolido o privilégio de isenção, os sobreviventes das Ordens foram sujeitos à autoridade dos Bispos.
Já desde 1886 o último o Ministro Provincial, Frei Antônio de São Camilo de Lelis Carvalho, havia insistido junto ao Ministro Geral em que a Província fase restaurada por confrades da Europa. Assim aconteceu que aos 12 de dezembro de 1889, fosse confiada à Província Saxônica da Santa Cruz a assim chamada Missão da Bahia.
Aos 27 de dezembro de 1892, os novos confrades da Europa chegaram ao Convento São Francisco de Salvador (Bahia), tendo sido realizada a 2 de março de 1893 a Congregação Capitular dos antigos e novos frades, quando ficou decretada e iniciada a reforma e renovação da Província de Santo Antônio.
Finalmente aos 14 de setembro de 1901, o Vigário Geral da Ordem, Padre Davi Fleming, publicou o decreto pelo qual a antiga Província ressurgiu "dos mortos": Das suas casas, 14 foram restauradas pouco a pouco e 5 entregues (Paraíba, Igaraçu, Alagoas, Paraguaçu e Boa Viagem).
Outras casas foram fundadas, a saber: Pesqueira (1902), Igreja Nova (1905), João Pessoa (São Pedro, 1911), outra na mesma cidade (Rosário 1920), Canindé (1922), Fortaleza (1929),Aracaju (1934) Itajuipe (1935), Campo Formoso (1938), Mossoró (1941), Campina Grande (1944), Maceió (1964) e João Pessoa (Cruz das Armas ‑ 1967).
Acrescentaram‑se, além das casas acima mencionadas, o Colégio de Bardel (Alemanha) em 1921, o Colégio Seráfico de Ipuarana em 1940 e as escolas apostólicas de Tianguá (1940) e de Triunfo (1944, inaugurada em 1947)).
No ano de 1951 fundou‑se a Residência de Santo Antônio, em Brotas (Salvador), ao lado da casa de Retiro de São Francisco, construída e dirigida pelos nossos confrades.
No ano de 1960, obtida a aprovação da Cúria Romana e com o consentimento da Província da Saxônia, foi fundada emMettingen (Alemanha) mais uma residência nossa com a finalidade de abrir uma Escola Vocacional para adultos.
No ano de 1951, precedida a convenção entre a nossa Província e a província da Saxônia, um decreto da Cúria Geral desmembrou do território da Província os Estados do Piauí e do Maranhão, confiando-os à Província da Saxônia.
De 1907 até 1956 a Província administrou a Prelazia de Santarém (Estado do Pará). Neste tempo ela fundou 6 casas, a saber: Santarém, (1907), Monte Alegre (1910), Alenquer (1930), o Ginásio Dom Amando (Santarém ‑ 1944), entregue à outra administração em 1951 e Oriximiná (1948).
Num Congresso do Definitório Geral em 1956, o Comissariado de Santarém foi dividido em dois Comissariados, o de Santarém, entregue à Província do Sagrado Coração de Jesus da América do Noite e o de Óbidos, com as casas de Óbidos, Alenquer e Otíximiná, entregue à nossa Província a qual ainda abriu uma casa em Belém do Pará (1965).
Também cessa Missão entre os índios Mimdumcu no rio Cururu, fundada em 1911, foi entregue ao Comissário de Santarém em 1961, continuando ali dois Missionários nossos: Frei Plácido e Frei Edmundo, na catequese daquela tribo, tendo a Província iniciada outra Missão entrre os Tiryó em 1960, na Prelazia de Óbidos, elevada a residiência a 28 de dezembmro de 1964.
Por vários motivos se fecharam as casas de João Pessoa ‑ Cruz das Armas (1973), Tianguá (1973) , Igreja Nova (1975) e João Pessoa ‑ São Pedro (1976).
Desde as Capítulo de 1979, São Francisco do Conde, com as Paróquias de Madre de Deus e Candeias, peru= ao Convento Regional de Salvador. Em 1980, o convento e a paróquia de Oriximiná foram entregues aos PP da S.V. D.; em 1982 entregaram‑se ao Bispo Diocesano de Ilhéus o convento e a paróquia de Itajuipe.
Com a criação da Vice-Província de São Benedito da Amazônia, em 1990, as casas de Óbidos e Alenquer passaram a pertencer à Vice‑Província, permanecendo porém sob nossos cuidados a Missão dos Tíryó e a Casa de apoio em Belém.
Em 1988 foi aberta a nova Casa de Noviciado em Sitio Cruz, na Diocese de Garanhums ‑ PE.
Em agosto de 2000 o Congresso Definitorial aprova a volta da Casa de Noviciado para Ipojuca.
Em 30 de abril de 2005 a Paróquia de Nossa senhora das Dores, em Triunfo, passou a ser administrada pelo clero diocesano. Os frades continuam residindo no Convento de São Boaventura, dando assistência pastoral e espiritual à Paróquia. Já no dia 31 de maio do mesmo ano a Paróquia de Nossa Senhora da Vitória, em São Cristóvão, foi entregue à Arquidiocese de Aracaju e os frades também se retiraram daquela comunidade. Nos dois casos a comunidade reagiu pedindo a permanência dos frades."

(Do Catálogo da Província de Santo Antônio)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

IPOJUCA - OS HOLANDESES E A POLUIÇÃO AMBIENTAL

POLUIÇÂO AMBIENTAL
POBLEMA SECULAR

O Município de Ipojuca conta hoje com uma Secretaria de Ciência-tecnologia-e meio ambiente (SECTMA).
O problema não vem só do aquecimento global..
Quando o Brasil estava sob o domínio espanhol o Rei já tomava providências para que não se poluíssem os rios da Zona da Mata de Pernambuco.
Vejamos o que nos dizem alguns relatórios holandeses:
No Documento 4 (pgs. 147 – 190), estampado por Dr. José Antônio Gonçalves de Mello em sua obra Administração da Conquista [1] “notas do que se passou na minha viagem, desde 15 [sic] de Dezembro de 1641 até 24 de janeiro do ano seguinte de 1642”, se registra:

“A 18 do mesmo mês [dezembro] ao amanhecer, cavalguei para Ipojuca [...] (pg. 151)


“Ali também recebi queixas de que alguns engenhos lançavam o bagaço aos rios, com o que conspurcavam as águas. Soube que ao tempo do Rei de Espanha foram dadas ordens a este respeito e mesmo que alguns moradores ainda têm cópia dos editais. Determinei ao Escolteto Hol procurasse os ditos editais e no-los enviasse para ser resolvido o que conviesse ao caso [...] (pg. 152).
Dr. José Antônio nos remete à Nota 12 de fim de texto (Documento 4):
“Interessante referência ao início da poluição dos rios da zona da mata pernambucana pela indústria açucareira, que viria a agravar-se no século XIX com os engenhos centrais e as usinas. Em 4 de março de 1644 foi publicado edital proibindo lançar-se nos leitos e embocaduras dos rios quaisquer imundícies: ARA, OWIC 70, dag.notule da data acima.”
Já que o assunto é poluição mesmo Documento 4 (pgs. 147 – 190), na visita a Santo Antônio do Cabo [Cabo de Santo Agostinho], se registra a 17 de dezembro de 1641:
“A 17 viajei para Santo Antônio do Cabo... (pg. 148) [...] Entendi-me com Martinus de Coutre sobre prestações vencidas da compra de seu engenho (p. 149). [...] Também alguns senhores de engenho e moradores de Santo Antônio [do Cabo] se quixaram de que a água ou rio ali era conspurcado por outros senhores de engenho, que nele jogavam o bagaço [de cana], o que era causa de muitas doenças. Ordenei a [não indica] que redigisse um edital proibindo o abuso, para ser apresentado para exame a S. Ex.a e ao Alto Conselho” [2] (p. 150).


[1] Apud, Mello, José Antônio Gonçalves de, Administração da Conquista, II, Companhia Editora de Pernambuco – CEPE – Recife, 2004, pp. 148 - 152).
[2] Apud, Mello, José Antônio Gonçalves de, Administração da Conquista, II, Companhia Editora de Pernambuco – CEPE – Recife, 2004,
E a Nota 17 a este trecho nos remete à mesma Nota 12.

IPOJUCA ENGENHOS DA REGIÃO

Santo Antônio dos Montes (Engenho Velho) – Com a palavra agora o historiador Fernando Pio, em seu escrito “A Caminho da Histórica Ipojuca”, no livro Resumo Historico do Convento de Santo Antonio e do Santuario do Senhor Santo Christo de Ipojuca, edição comemorativa do Jubileu do Santuário *1663 – 1938), organizado por Frei Venâncio Willeke, Ipojuca, 1938, pp.16-17:
“ Interessante a lenda que nos refere Jaboatão no seu Novo Orbe Seráfico a respeito desta igrejinha: conta-nos o cronista franciscano que a milagrosa imagem de Santo Antônio, ali venerada, fora encontrada em plena mata. Não existindo, ainda, naquela época, capela ou igreja no engenho, levaram a imagem para a capelinha de São José, nas imediações da cidade do Cabo. Qual não foi a surpresa, entretanto, no dia seguinte, ao constatarem, que a imagem já não se encontrava no altar em que fora colocada. E onde estava a imagem? Em plena mata, no mesmo local em que vivia anteriormente.... Pela segunda vez repuzeram-na em seu altar na igrejinha de São José. Novamente a imagem desapareceu. E voltou ao seu pouso primitivo. Uma terceira tentativa ainda foi experimentada. Novo insucesso. Compreenderam, assim, os moradores do engenho que o santo havia escolhido por habitação de sua imagem aquele local e, deste modo, apressaram-se a levantar, sem demora, a sua capelinha. E esta é a igrejinha que avistamos com o sugestivo título de Santo Antônio dos Montes do Engenho Velho. ”
Mas vamos um pouco adiante na narrativa de Fernando Pio. Santo Antônio dos Montes do Engenho Velho é um engenho muito ligado a história do célebre Frei Cosme de São Damião, e. portanto, ao Convento de ipojuca:
“Foi neste engenho que antes de abraçar a vida franciscana viveu durante sete anos o piedoso Frei Cosme de São Damião.
Filho de colonos portugueses, dedicou-se, na mocidade, à vida agrícola e, conforme nos refere Jaboatão, do campo à casa de purgar Cosme Manuel, o mancebo, pelo seu bom gênio officioso e devoto já demonstrava a piedosa vocação religiosa que o faria amanhã o estimado frade franciscano.
Até há poucos anos, existia neste referido engenho um retrato a óleo de Fr. Cosme de São Damião.”
Falando sobre este engenho a uma paroquiana de Ipojuca, ela me contou que o tal engenho fica em Ponte dos Carvalhos, e que, quando criança, foi com seus pais visitar a Capela do Engenho, levados pela devoção a Santo tão milagroso, que escolhera aquele lugar para morar.
Segundo Josias, fica no Cabo de Santo Agostinho, após a Destilaria do Cabo, sentido Recife (lado esquerdo).


Jurissaca –Este engenho ficava no Município do Cabo. Vem do início do século XVII, conforme Fernando Pio. Num alto, mais à frente encontram-se as ruínas de uma capelinha dedicada a São Gonçalo, célebre pelo fato de alguns restauradores pernanbucanos terem promovido aí as primeiros reuniões com o fito de expulsar os invasores holandeses. Na época em que Fernando Pio redigiu este escrito, a capelinha não podia ser vista da estrada, pois se erguia no meio da mata. Será que ainda existe em nossos dias? De acordo com Sebastião Galvão, o dito engenho pertencia a João Paes Barreto, tinha uma capela sob a invocação de São João Batista instituída primitivamente em1626. João Paes Barreto foi o fidalgo português que se destacou entre os colonizadores das terras do Cabo de Santo Agostinho e da Vila de Santo Antônio do Cabo. Veio para Pernambuco ainda bem jovem e solteiro em 1557. Casou-se com Dona Inês Guardez de Andrade, filha do rico colono Francisco Carvalho de Andrade. “De posse das doações de grandes lotes de terra, fundou ele um engenho a que deu o nome de Madre de Deus, situado em uma légua de terra, - à margem do rio Arassuagipe nos brejos do Cabo de Santo Agostinho – e sucessivamente os de Jurissaca, Algodoais, Trapiche, Guerra, Ilha e Santo Estêvão. Em 28 de outubro de 1580, instituiu João Paes Barreto um morgado [...] conhecido depois por Morgado dos Paes ou do Cabo. O engenho Madre de Deus veio a chamar-se também Engenho Velho.
Algodoais – Engenho sem expressa histórica, segundo Fernando Pio merendo ser lembrado por guardar em sua capela um altar “lembrando o gótico”, (!) que pertenceu ao Santuário do Santo Cristo de Ipojuca e que, depois do incêndio deste templo, foi para ali transferido, como doação do Rev. Frei Venâncio, Guardião do Convento de ipojuca”. Deve ter sido um dos altares de madeira construído pelos frades alemães restauradores, como os que vemos na fotos da igreja incendiada. Segundo Sebastião Galvão, era um engenho “no Município do Cabo, fundado por Miguel Paes antes da invasão holandesa, fica ao Sul as sede e tem uma capela dedicada a S. Francisco”.[1] À época da referida doação aquele engenho pertececeria à Freguesia de São Miguel de Ipojuca? Outra pergunta: e como explicar o altar tipo “gótico” que ainda hoje se vê na capela restaurada do Engenho Penderama? Certamente foi para lá após o incêndio da igreja do Convento. Das duas uma: ou Fernando Pio se enganou ao dar como destino daquele altar a capela de Algodoais e não a de Penderama, ou esta última teria merecido também um dos altares da igreja do Senhor Santo Cristo. Fica, porém, um problema a ser resolvido, pois consta que todos os altares da igreja do Convento foram destruídos pelo incêndio. Defendo a hipótese que seriam os antigos altares (não mais os primitivos) que os alemães encontraram e dele se desfizeram para dar lugar aos novos, góticos, que vemos nas fotos de antes do incêndio. Mas é, de qualquer forma, estranho que fossem altares “góticos” e não barrocos como deveriam ser, e como, por sinal, o é o altar-mor da Matriz de Miguel, que fora do Convento para lá, como reza outra tradição.
[1] GALVÃO, Sebastião de Vasconcellos, Dicionário Corográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco, Edição fac-similar, Governo de Pernambuco, Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), Recife, 2006, Volume I, 2.a Edição, p. 20.

ENGENHOS DE IPOJUCA E OS HOLANDESES

POLUIÇÂO AMBIENTAL
POBLEMA SECULAR

O Município de Ipojuca conta hoje com uma Secretaria de Ciência-tecnologia-e meio ambiente (SECTMA).
O problema não vem só do aquecimento global..
Quando o Brasil estava sob o domínio espanhol o Rei já tomava providências para que não se poluíssem os rios da Zona da Mata de Pernambuco.
Vejamos o que nos dizem alguns relatórios holandeses:
No Documento 4 (pgs. 147 – 190), estampado por Dr. José Antônio Gonçalves de Mello em sua obra Administração da Conquista [1] “notas do que se passou na minha viagem, desde 15 [sic] de Dezembro de 1641 até 24 de janeiro do ano seguinte de 1642”, se registra:

“A 18 do mesmo mês [dezembro] ao amanhecer, cavalguei para Ipojuca [...] (pg. 151)


“Ali também recebi queixas de que alguns engenhos lançavam o bagaço aos rios, com o que conspurcavam as águas. Soube que ao tempo do Rei de Espanha foram dadas ordens a este respeito e mesmo que alguns moradores ainda têm cópia dos editais. Determinei ao Escolteto Hol procurasse os ditos editais e no-los enviasse para ser resolvido o que conviesse ao caso [...] (pg. 152).
Dr. José Antônio nos remete à Nota 12 de fim de texto (Documento 4):
“Interessante referência ao início da poluição dos rios da zona da mata pernambucana pela indústria açucareira, que viria a agravar-se no século XIX com os engenhos centrais e as usinas. Em 4 de março de 1644 foi publicado edital proibindo lançar-se nos leitos e embocaduras dos rios quaisquer imundícies: ARA, OWIC 70, dag.notule da data acima.”
Já que o assunto é poluição mesmo Documento 4 (pgs. 147 – 190), na visita a Santo Antônio do Cabo [Cabo de Santo Agostinho], se registra a 17 de dezembro de 1641:
“A 17 viajei para Santo Antônio do Cabo... (pg. 148) [...] Entendi-me com Martinus de Coutre sobre prestações vencidas da compra de seu engenho (p. 149). [...] Também alguns senhores de engenho e moradores de Santo Antônio [do Cabo] se quixaram de que a água ou rio ali era conspurcado por outros senhores de engenho, que nele jogavam o bagaço [de cana], o que era causa de muitas doenças. Ordenei a [não indica] que redigisse um edital proibindo o abuso, para ser apresentado para exame a S. Ex.a e ao Alto Conselho” [2] (p. 150).

[1] Apud, Mello, José Antônio Gonçalves de, Administração da Conquista, II, Companhia Editora de Pernambuco – CEPE – Recife, 2004, pp. 148 - 152).
[2] Apud, Mello, José Antônio Gonçalves de, Administração da Conquista, II, Companhia Editora de Pernambuco – CEPE – Recife, 2004,
E a Nota 17 a este trecho nos remete à mesma Nota 12.

ENGENHOS DE IPÓJUCA E OS HOLANDESES

EGENHOS DA FREGUESIA DE IPOJUCA
CONFORME RELATÓRIO HOLANDÊS
DOS ANOS DE 1637 A 1639. Documento 5,[1]

Citemos alguns:

- Engenho Sibiró de Baixo, com invocação de São Paulo.
Pertencente a Francisco Soares Canha (sic). Engenho d´água. Em funcionamento (“moente”).
- Engenho Sibiró de Cima. De Manoel de Navalhas, ausente. Foi confiscado e vendido a João Carneiro de Mariz. Engenho movido a água. Funcionando.







ENGENHO MARANHÃO


-Engenho Maranhão. Confiscado. O seu dono, João Tenório, se passou para os holandeses, mas teve que compra-lo (!). É d´água e moente.

Foto do Engenho Maranhão, hojem em completo abandono:





- Engenho Coroaçu. Pertencente a Manoel Vaz Viseu que se passou para os holandeses. Era movido a água, em funcionamento.
- Engenho Bertioga. Foi confiscado e vendido a seu proprietário, João Tenório, que ficou do lado dos holandeses.
Estava em funcionamento, movido a água.
- Engenho Nossa Senhora do Rosário. Confiscado e vendido a João Carneiro de Mariz. É movido a água e está em funcionamento.
- Engenho Bom Jesus, chamado também Trapiche, a água e mo ente. Confiscado e vendido a Duarte Saraiva.
- Engenho Guerra, movido por bois, em funcionamento. Algumas partes deste engenho foram confiscadas e vendidas ao Sr. Hendrick Schilt.
- Engenho São João Salgado. Pertenceu a Cosme Dias, que reside entre os inimigos dos holandeses. Confiscado e vendido a Mateus da Costa. É de bois e estava parado.
- Engenho Pindoba. Pertenceu a Gaspar da Fonseca Carneiro e estava nas mãos de seu filho. É d´água e em funcionamento.
- Engenho Santa Luzia, confiscado e vendido a Amador Araújo. É d´água e moente.

EGENHOS DA FREGUESIA DE IPOJUCA
CONFORME RELATÓRIO HOLANDÊS
DE 4 DE ABRIL DE 1640. DOCUMENTO 6. [2]

- Engenho Cocaú. Pertenceu a Antônio Gonçalves da Paz. Foi confiscado. Acha-se destruído e ainda não foi vendido.
- Engenho da Guerra, pertencente a Jacobus Corderus e Baltasar Wijntgens. Engenho de bois. Em funcionamento.
- Engenho São João Salgado, agora pertencente a Duarte Saraiva.
- Engenho Aratangil, de Miguel Fernando de Sá. De água, moendo.
- Engenho Pantorra. , de Nicolas D´ Haen, L´Empereur & Cia. Inteiramente arruinado. Está sendo restaurado e replantado para moer no ano vindouro.
- Engenho Santa Luzia ou Tabatinga, ut supra.
[1] Apud MELL O, José Antônio Gonçalves de, A Economia Açucareira, I, 2.ª edição, Recife, 2004, pp. 83 ss.
[2] Apud MELL O, José Antônio Gonçalves de, A Economia Açucareira, I, 2.ª edição, Recife, 2004, pp.142 a 143,

PARÓQUIA DE S. MIGUEL DE IPOJUCA OS ENGENHOS DURANTE A OCUPAÇÃO HOLANDES

DO DOCUMENTO 4 DOS RELATÓRIOS HOLANDESES:
INVENTÁRIO DE TODOS OS ENGENHOS SITUADOS ENTRE O RIO DAS JANGADAS E O RIO UMA, EM PERNAMBUCO, FEITO PELO CONSELHEIRO WILLEN SCHOTT EM 1636. [1]
- Sobre o Engenho Tabatinga: “Engenho de Tabatinga, de Santa Luzia, pertencente a Cosme Dias da Fonseca, que fugiu, situado calculadamente duas milhas distante do Cabo. Mói com água e tem um belo açude. A casa de purgar e a casa das caldeiras são de alvenaria, mas muito velhas e começam a decair. Tem também cerca de uma milha e meia de terra com uma boa várzea, bem plantada com canavial, que anualmente pode produzir cerca de 5.000 a 6.000 arrobas de açúcar; as caldeiras e os tachos foram todos retirados.” [2]
- Sobre o Engenho dos Salgados: “... do mesmo Cosme Dias, situado uma milha e meia distante do antes citado engenho, tem cerca de uma milha de terra, na maioria várzeas, das quais se obtêm boas canas.. Mói com bois e tem duas moendas e, pela comodidade do rio Ipojuca, que corre bem perto, pode moer o ano inteiro. Tem fornecido 5.000 arrobas e paga de recognição 30 arrobas de açúcar branco e encaixado; a casa de purgar tem paredes de taipa, mas está totalmente destruída, como também as moendas; as caldeiras foram retiradas e escondidas.” [3]
- Sobre o Engenho São Paulo: “... situado um quarto de uma milha ao noroeste do acima mencionado dos Salgados. Pertence a várias pessoas, entre as quais Pedro da Grand, que como maior participante é o feitor-mor; os outros donos fugiram e alguns moram em Portugal. Em nome deles o citado da Grand obrigou-se a dar boa conta do engenho. Este mói com bois e tem 600 vaden de terra em quadra, parte da qual é plantada com cana, enquanto a outra parte consiste de pastos, mas não tem matas e por isso tem que comprar toda a amadeira, o que é muito oneroso. Pode anualmente fornecer 2.000 a 3.000 arrobas de açúcar, e paga 2 por cento de recognição.” [4]
- Sobre o Engenho Bom Jesus: “... pertencente a Dona Isabela de Moura. Está situado perto do supra citado engenho e a um quarto de milha distante de São Miguel de Ipojuca. Tem uma moenda de água e uma de bois; a casa de purgar e a casa da proprietária estão totalmente desmoronadas, mas a casa na qual estão as moendas ainda é nova. Este engenho tem duas milhas de terra, com muitos vales e lindos canaviais, como também madeira pastos para os animais. Pode anualmente fazer 9.000 a 10.000 arrobas de açúcar e paga de recognição 30 arrobas de açúcar branco e encaixado. Na casa de purgar foram encontrados 172 formas, das quais alguma quebradas, as quais renderam 155 arrobas de açúcar mascavado, que foram encaixados em 14 caixas. Numa barraca cerca de uma milha e meia distante foram ainda encontradas 9 caixas de um particular que tinha fugido.” [5]
- Engenho Bertioga: “... situado a um quarto de milha distante do citado engenho Nossa Senhora da Conceição; pertence a Luís Lopes Tenório, que fugiu com Albuquerque; (...) pode anualmente fazer 3.000 a 4.000 arrobas de açúcar e paga 3 por cento de d recognição...” [6]
-Engenho Maranhão: “... situado meia milha distante do referido engenho Três Reis, pertencente a um certo castelhano João Tenório, que fugiu com Albuquerque (...). Mói co água e pode anualmente produzir 2.000 a 3.000 arrobas de açúcar e paga 3 por cento de recognição...” [7]
- Engenho Pindoba: “... situado duas milhas distante de Ipojuca, pertencente aos órfãos de Gaspar da Fonseca, dos quais o filho mais velho se encontra aqui e as filhas estão num convento em Portugal. Tem uma moenda de água e outra de bois, um belo açude e cerca de meia milha de terra, na qual está uma várzea tão bem plantada que anualmente o engenho pode fornecer 3.000 a 4.000 arrobas de açúcar; paga a recognição de 50 arrobas de açúcar branco e 30 arrobas de açúcar mascavado encaixados. De uma barraca, situada em torno desse engenho, foram conduzidas para a Companhia 17 caixas de açúcar branco e mascavado,” [8]
[1] Apud MELL O, José Antônio Gonçalves de, A Economia Açucareira, I, 2.ª edição, Recife, 2004, pp. 47 ss.; sobre Ipojuca: pp. 61 ss.
[2] Id. Ibd. p. 61.
[3] Id. Ibd. p.61.
[4] Id. Ibd. p. 61. Vadem: “medida de comprimento: um vadem de Amsterdã = 1, 698 m; idem renano = 1.88 m.” Id. Ibd. pg. 61, nota (*).
[5] Id. Ibd. pp. 61 a 62.
[6] Id. Ibd.62.
[7] Id. Ibd. 63
[8] Id. Ibd. p. 64.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

IPOJUCA E O SANTUÁRIO DO SENHOR SANTO CRISTO

9. REENTRONIZAÇÃO DO SENHOR SANTO CRISTO


“Em 15 de agosto de 1935 a Capela-mor estava coberta, foi lançada a Primeira Pedra do Altar-mor e a 29 de agosto de 1937 foi concluído o Altar-mor onde repousa até hoje e por todos os tempo a imagem de Santo Cristo”.

“Na Primeira Pedra do altar-mor da reconstrução do convento consta a seguinte inscrição:
Louvado seja o Santíssimo nome de Jesus
No ano da Redenção de 1935, sendo sua Santidade Pio XI Sumo Pontífice da Igreja”.


“Dois anos de luta na reconstrução do templo. Até que no dia 29 de agosto de 1937 o Senhor Santo Cristo era reentronizado no seu altar bendito.
Para conhecermos a quantidade infinita de graças alcançadas pelos católicos através de súplicas feitas ao Senhor santo Cristo, bastará uma ligeira visita à sala dos milagres junto ao santuário. Ela nos patenteará a proteção dispensada pelo Senhor Santo Cristo de Ipojuca a todos aqueles que, com fé, lhe confiam os seus pedidos. Para melhores informações sobre o Convento franciscano e o santuário do Sr. Santo Cristo de Ipojuca procurar a obra de Fr. Venâncio Willeke “O Santuário do Senhor Santo Cristo de Ipojuca” [1]

“Desde a Festa do Senhor Santo Cristo em 01-01-1936, a imagem milagrosa ocupa o altar-mor, ficando na capela lateral [antiga Capela do Senhor Bom Jesus] a imagem do Sagrado Coração de Jesus.” [2]
Teria sido a partir de então que a igreja do Convento, como este, dedicada a Santo Antônio, passou a ser “Santuário do Senhor Santo Cristo”?
Escreve Maria de Ipojuca (Odete):
“Foram três anos de lutas renhidas, de combates acerbos. Mas, graças à colaboração de generosos benfeitores, já estão vencidos os obstáculos principais. [...] De todo o Brasil, associando-se a tão nobre obra, chegam as esmolas preciosas. Compreenderam ser o Santuário de Ipojuca, um Santuário Nacional!” [3]
Com certeza Frei Venâncio se valeu da ocasião para dar ao templo, o título que competia à Capela do Bom Jesus, no jubileu da mesma: 1663.
O título que ele deu ao livro já diz tudo: Convento de Santo Antônio e Santuário do Senhor Santo Cristo de Ipojuca.
Quais os trâmites legais que ele teria usado para isto não conhecemos. Não é simples mudar o orago de um templo quase (na época) quatro vezes centenário. Hoje, até o Convento de Santo Antônio é conhecido como Convento do Senhor Santo Cristo. Até a festa de Santo Antônio passou a segundo plano face à festa do Senhor Santo Cristo. O trezenário pasou a simples Tríduo e até a Missa festiva não é mais festiva que uma missa dominical!
Videant cônsules!

Resta dizer que, da antiga igreja, só foram poupados pelas chamas se 1935 as estalas do coro dos religiosos; “embora ficasse tostada a camada superior, pôde ser novamente aproveitada depois de limpa e envernizada”. [4]
“No recinto da igreja, a arte primitiva desapareceu por completo, devido aos estragos do fechamento temporário [o Convento ficou sem moradores no final do século XIX até à chegada dos frades restauradores da Saxônia] e do incêndio de 1935. As campas sepulcrais cederam lugar ao mosaico que Frei Eugênio colocou durante a sua segunda gestão de 1904 a 1907.” [5]

A FESTA DO SENHOR SANTO CRISTO

Escreve Frei Venâncio:
“A festa principal do Senhor Sant0o Cristo deve remontar aos primeiros anos da devoção ipojucana. [...] Sobre a solenidade máxima do santuário ipojucano, lemos a lacônica notícia: Celebra-se a festa do Sr. Sto. Cristo ao primeiro do ano, dia do nome de Jesus e deve ter tido lugar sem interrupção porque a crônica franciscana, tão parca em referir algo do santuário, não pôde deixar de noticiar o acontecimento verificado durante a gestão do guardião Frei José de Santa Maria: ´A 1º de janeiro de 1848, não pôde ser celebrada a festa tradicional, porque neste tempo tornou-se o convento quartel de tropas, houve tiroteio no mesmo convento e o Senhor Francisco do Rego Barros converteu-o também em prisão.´” [6]
Francisco do Rego Barros (Conde da Boa Vista) por duas vezes ocupou a presidência da Província de Pernambuco, segundo Pereira da Costa: “A primeira, de 2 de dezembro de 1838 a 3 de abril de 1841 [...]; a segunda, de 7 de dezembro de 1841 a 13 de abril de 1844 [...]. [7]
Sua intervenção em Ipojuca só pode ter acontecido durante a Revolução Praieira, quando ele exercia o cargo de Comandante Superior da Guarda Nacional no Recife.[8]

É sempre celebrada 1º de janeiro, com novenário aberto com o hasteamento da bandeira a 22 de dezembro.
Durante o Novenário toda a Comunidade Paroquial se mobiliza em ação missionária: visita aos doentes, às escolas, às periferias. Todas as noites há caminhada de um ponto da cidade para o Convento. Após a novena, há apresentação de danças folclóricas, pastoris de crianças e adultos, apresentações de corais, barracas...
No dia da festa:
O5h00: Alvorada festiva.
10h00: Missa Solene
16h00: Procissão e Missa de encerramento.

Serviços dos andores e altares:

Altares: Família responsável.
Andor de Santo Cristo: Devotos e devotas.
Andor de Nossa Senhora: Família responsável.
Andor de São Benedito: Devotos e devotas.

Quanto aos andores, vale lembrar a tradição sobre o de São Benedito. Escreve Fr. Venâncio:

“Fiel à tradição secular, Ipojuca festeja o santo preto a 31 de dezembro, véspera da solenidade do Sr. Santo Cristo, realizando-se dias antes a famosa festa de S. Benedito no vizinho engenho de Massangana, onde Joaquim Nabuco se apaixonou pelo ideal abolicionista.
Até o presente [1956], é a imagem de S. Benedito que abre o préstito nas grandes procissões de Ipojuca, preito de gratidão para com o humilde Irmão franciscano, cuja popularidade contribuiu de modo particular para irmanar as duas raças principais que hoje povoam o Brasil.” [9]


[1] PIO, Fernando Pio, O Convento de Santo Antônio do Recife e as Fundações franciscanas em Pernambuco, Recife, 1939, p. 69 -70.
[2] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, nota 14 ao Cap. XI, p. 88.
[3] Apud WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Resumo Histórico do Convento de Santo Antônio e do Santuario do Senhor Santo Christo de Ipojuca, edição commemorativa do Jubileu do Santuário : 1663 – 1938”, Ipojuca, Editores: Religiosos Franciscanos, Ipójuca, Pernambuco, 1938, p. 43.
[4] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, nota 14 ao Cap. XI, p. 66.
[5] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, nota 14 ao Cap. XI, p. 66.
[6] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, nota 14 ao Cap. XI, p. 40.
Conf. as notas 8 e 9 ao Cap. XII, à pg. 89 nos remetem a Jaboatão: Jab. , III, 511, 512.
[7] COSTA, F. A.. PEREIRA da, Dicionário Biográfico dePpernambucanos Célebres, p. 388.
[8] COSTA, F. A.. PEREIRA da, Dicionário Biográfico dePpernambucanos Célebres, p. 389.
[9] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 47.