5. PINTURAS ANTIGAS NO INTERIOR DO CONVENTO
No interior do Convento, existem ainda quadros antigos, [de autores anônimos] de épocas diversas. O claustro conserva quatro painéis de um só autor, provavelmente da segundametade do século XVIII [hoje se encontram no refeitório]. Representam as seguintes cenasreproduzidas em vários conventos franciscanos:
1º) o chamado milagre da mula, realizado por intercessão de Santo Antônio; 2º) S. Francisco de Assis ressuscitando o recém-falecido D. Pedro Dias, bispo da cidade de Rodrigo; 3º) 0 martírio dos primeiros missionários franciscanos, SS. Bernardo, Pedro, Acúrsio, Adjuto e Odon, degolados em 1220 pelos maometanos em Marrocos; 4º) o martírio do bem-aventurado João do Prado, em 1631, morto a fogo, flexa e espada.
À entrada do refeitório, vêm-se dois quadros menores, de Nossa Senhora e S. José, que antigamente encimavam a cômoda da sacristia. Datam de meados do século passado [século XIX], e foram provavelmentecolocados por Frei Antônio da Rainha dos Anjos, quando da restauração da sacritia, entre 1850 e 1852 [quando a sacristia era por trás da Capela-Mor].
No refeitório figura em tamanho grande a Última Ceia, trabalho bem conservado, que remonta ao século XVIII.” [1]
7. O PRIMEIRO INCÊNDIO DA IGREJA DO CONVENTO –
Em 31 de dezembro de 1834, o Bispo de Pernambuco Dom João Marques Perdigão esteve em Visita Pastoral à Freguesia de Ipojuca. Foi hospedado no Convento. Em seus diário – Itinerário das visitas do Bispo de Pernambuco, ele registrou também a visita ao convento:
“Dia 31 [de dezembro de 1944] - Saí de Nazaré pelas cinco horas da manhã e me dirigi à Freguesia de Ipojuca, onde cheguei pelas oito horas da mesma manhã [viajando a cavalo]. Fui recebido com aplausos e, debaixo do pálio, conduzido à [primitiva] Matriz., onde, cantado o Te Deum, ouvi missa e fui hospedado no Convento dos Franciscanos.”
“Dia 1º de janeiro [de 1835] – Celebrei pontificalmente na Festa do Santo Cristo pelas onze horas e de tarde conduzi o Santíssimo Sacramrento em solene procissão, durante a qual pegou fogo na capela do mesmo Santo Cristo, por cujo motivo, as mulheres choraram e, repentinamente, correu todo o povo à igreja e, depois de apagado o fogo, [o povo] bradou em altas vozes, dando vivas às imagens, e assistindo ao sermão, Te Deum e fogo artificial que acabou pelas 11 horas [da noite].”
“Dia 2 [de janeiro de 1935] – Pelas 10 hora abri a Visita, praticadas as cerimônias de costume, sendo os responsórios cantados pelos Religiosos Franciscanos. O Sacrário e mais utensílios estão decentes. Fui segunda vez recebido debaixo do pálio, e fiz prática do costume, e depois crismei mais de 200 pessoas, e finalizei o ato fazendo oração ao St.º Cristo, tido em grande veneração pelos povos desta e outras Freguesias...”
“Dia 4 [de janeiro de 1835[ - Ouvi missa, por estar doente dos olhos, e, depois, crismei quase 400 pessoas e, no fim desta ação, visitei o Santo Cristo.” [2]
“Desde as primitivas peregrinações à Terra Santa até as do Ano Santo e as romarias regionais, a Santa Sé concede abundantes indulgências aos peregrinos, e privilégios especiais aos sacerdotes. O santuário ipojucano mereceu esta distinção em 1936.” [3]
8. O SEGUNDO INCÊNDIO – Um século depois daquele primeiro incêndio, outro de grande proporções destruiu a Capela do Bom Jesus, a Igreja e pequena parte do Convento. Por sorte, ou melhor dizendo, por disposição da Divina Providência, o Convento escapou da destruição.
Para se entender mais exatamente o acontecido, temos que retornar ao tempo.
“Ipojuca não tinha luz elétrica continuada.A eletricidade era através de um gerador que era desligado a meia-noite. Em quase todas as casas tinha-se candeeiro a querosene. Não havia água encanada. A água era coletada na cacimba do Vigário, cuja construção foi feita pelo Pe. Firmino [...era tio-bisavô do Autor]; na cacimba de Seu Isaias [...feita pelo bisavô de Ivo e cunhado do Pe. Firmino] e na cacimba em Montevidéu.. As estradas eram de barro e não havia calçamento.
A igreja de Santo Cristo não tinha a forma que hoje possui. Onde hoje está a imagem de Santo Cristo [altar-mor], existia o altar-mor, todo trabalhado a canivete, de madeira cedro em estilo lembrando o gótico, tendo ao centro a imagem do Coração de Jesus, ladeado por dois anjos, e, ao lado dos anjos, as imagens de São Francisco e de Santo Antônio. Todas as imagens em madeira.
Os altares laterais também em madeira trabalhada, sobressaiam da parede cujo nicho que abrigava as imagens estava dentro das grossas paredes continham as imagens de Nossa senhora [da Conceição] no degrau superior e, no inferior, Santa Inês; à esquerda, no mesmo estilo, no degrau superior, São José, e, no inferior, São Luiz [Gonzaga].
Atrás do altar-mor eram guardadas as garrafas de azeite de mamona para a lamparina do e flores artificiais em papel crepon que, ao serem feitas, tinham sido mergulhas em cera derretida, material altamente inflamável. Não existiam flores de plástico naquela época.
A Capela do Senhor Santo Cristo ficava onde hoje está a capela do Coração de Jesus, portanto, junto à sala dos votos, onde está o Senhor Morto.” [4]
“Às 10 e meia da noite do dia 1 de março de 1935, devastador incêndio invadiu o Convento e o Sanuário. Correram todos os ipojucanos. As labaredas, bem altas, lambiam as paredes do templo. A fumaça sufocava. O calor era intensíssimo. Era, entretanto, preciso salvar a imagem do milagroso santo Cristo.
Alguns heróis anônimos derramaram água sobre as vestes e investiram, resolutos, para o interior do templo.Do tamanho natural de um homem, a imagem aguardava, apenas, os seus salvadores. O altar-mor era uma coluna de fogo. E toda a igreja era uma fornalha ardente. Mas a imagem do Senhor Santo Cristo nada sofreu em conseqüência do incêndio.” [5]
O historiador ipojucano Ivo d´Almeida relata em seu livro inédito Ipojuca – de uma Lenda à Verdade:
“Muito embora tenha se afirmado que fora o senhor Francisco Barreto, esposo de Dora Dulce, Professora paroquial [...] que deram o alarme sobre o incêndio, foi Dorino o primeiro a gritar alertando sobre o que estava acontecendo. [...] Um grito na rua não é nada, comparado com o alarme vindo logo da casa de D. Dulce [...], pessoa de destaque na cidade; por isso esqueceram de dorino, apenas um barbeiro, o primeiro que alertou sobre o incêndio.
As primeiras pessoas que chegaram ao convento foram: Dorino, que lá já estava; Seu Ferreira [...Isaias], Chico Samuel, Zé de Franco e Mário Feijó. Tocaram a campainha na portaria ainda hoje existente, incessantemente.
Frei Clementino veio do claustro, olhou-os pela janela do primeiro andar [a primeira por sobre a atual secretaria paroquial], junto ao cruzeiro, sem ainda perceber o desastre que estava por vir, e recusou-se a abrir a porta, talvez pensando se tratar de uma brincadeira de mau gosto ; afinal era a sexta-feira que antecedia o sábado de Zé Pereira, ou seja, o Carnaval”.[6]
“Após chamar incessantemente na portaria sem ser atendido, Zé de Franco trouxe um machado e quebrou o cadeado do portão que fica no lado direito, ao lado da casa dos romeiros [hoje portão da garagem], e o vitral [da nave da igreja] adentrando no interior do Convento. O fogo já consumia o altar-mor e parte do forro. Nesse momento, Chico Samuel, sozinho, tirou a imagem [do Senhor Santo Cristo] com a cruz que era encaixada na parede [da Capela do Bom Jesus] e correu para fora já ajudado pelos companheiros. [...Seu Ferreira ou Elias] correu à frente e abriu a retranca de ferro da porta principal. Ao abrir a porta, e antes que toda a cruz passasse, o altar-mor, ardendo em chamas, desabou. Na ânsia de retirar a imagem de Santo Cristo que já estava toda pipocada, pelo calor, foi quebrada uma das imagens que estavam no altar. Essas imagens eram feitas de gesso e tecido. Eram elas: ao pé da cruz: Nossa Senhora das Dores, ladeada por Maria Madalena e São João Evangelista.
Quando a imagem do Senhor Santo Cristo saiu, já havia uma multidão à porta do Convento. Imediatamente a multidão carregou-a até a calçada da Matriz (antiga igreja do Livramento] , onde Virgínia [apelidada Pinta], uma senhora que era Filha de Maria, forrou uma toalha branca e lá ficou depositado”.[7]
“A terrível e tenebrosa noite terminara às cinco horas da manhã do sábado, véspera do Carnaval de 1935, a capela-mor, a parte interna do convento [próxima à igreja, bem entendido], estavam reduzidas a cinzas e escombros por todos os lados. Neste ano não houve Carnaval em Ipojuca, só luto, esperança e resolução de reconstruir no menor espaço de tempo o maior orgulho dos verdadeiramente cristãos ipojucanos: o Santuário do Senhor Santo Cristo”.[8]
“Toda a cidade acordada. Das casas, crianças, jovens e adultos levavam água. O sino badalava sem parar. Da usina Salgado vinha caminhão com tonéis de água, o mesmo acontecendo com a usina ipojuca, na época usina Bandeira. Os homens posicionavam como uma esteira rolante por onde , em cujas mãos passavam as latas de água. Das paredes estouros ouviam-se provenientes da pedras de calcáreo de que elas eram feitas.
Os frades na época eram: Frei Venâncio, vigário; Frei Clementino; Frei Alfredo e os Irmãos religiosos Frei Manoel e Frei Ângelo.
Os impossibilitados em combater o incêndio choravam e rezavam. Grupos religiosos, homens, mulheres e crianças se revezavam entre o combate ao fogo e as orações junto à imagem [do Senhor santo Cristo] toda pipocada pelo calor na calçada da Matriz. Frei Clementino ajoelhado no meio da rua, de braços abertos cantava:
Senhor deus, misericórdia!
Senhor deus,
Pela vossa paixão e morte,
Misericórdia!
Senhor Deus,
Pelas dores de vossa Mãe Maria santíssima,
Misericórdia!
(...) [9]
“O fogo ameaçava destruir todo o Convento. Precisava combate-lo. Os cinco acima citados Zé de Franco, Isaias, Roque, Maurício] e mais Dorino se revezavam em isolar o fogo e isso se fez cortando a cumeeira que era de parabu, uma madeira da Mata-Atlântica não mais reencontrada. Frei Venâncio ao escrever sobre esta tragédia, deveria ter visto ou ser alertado que um homem estava serrando a cumeeira, e esse primeiro homem foi seu Roque, que era um dos carpinteiros da cidade e fora rendido posteriormente pelos cinco já citados.
Subia-se pelo sino, corria-se pelo telhado com água para molhar esses heróis anônimos para que o fogo também não os consumisse. Durante este trabalho, Antônio Maurício despencou do telhado, junto à porta da sacristia, passa por um buraco já feito pelo fogo e cai no chão. Nada sofre. Um arranhão sequer. O susto não teve tempo de se instalar, rasga apenas a calça que é substituída de imediato por uma de Francisco Barreto. Milagre? Não sei. No entanto maior foi ter a coberta da sala dos milagres, que era de zinco, se derreter e não ter nenhuma deformação nas peças de cera que a sala possuía e ainda hoje possue.”[10]
“O povo reconstruiu o Convento liderados por Frei Venâncio Vileke, toda areia, pedra e madeira foram carregadas pelo povo. A areia tirada do rio Ipojuca, as pedras da antiga igreja de São Roque [o que não é verdade, pois nunca houve igreja de S. Roque; as pedra foram as das ruínas da antiga matriz.] e cal, eram transformadas em alicerce para o novo Santuário, e madeira que foi doada pelo engenho Maranhão. O engenheiro responsável foi o Dr. Carlos Fest. O encarregado da construção foi o Dr. Renato Souza Leão, dono do Engenho Maranhão. O mestre de carpina foi Philippe dos Santos; o mestre pedreiro foi Domingos Gonçalves; o mestre marmorista foi Antônio Pedro de Alcântara e o mestre pintor foi Armando Ferreira dos Santos. Estes por serem mestres ou doutores foram lembrados e quem pegou no pesado, suor derramado por amor e devoção a Santo Cristo, foram esquecidos. Agora não mais!” [11]
Quem eram esses heróis anônimos? Ivo d’Almeida aponta-os resumidamente, depois de dizer o papel que cada um desempenhou durante o incêndio: Dorino, Chico Samuel, Zé de Franco, Estácio, Seu Roque, Maurício, Mário Feijó, Isaias (chamado também Seu Ferreira, pai de ivo, na época com 21 anos). “Excetuando Isaias, todos já falecidos.” [12]
Outros que tiveram participação ativa: Dona Belinha ( avó de Ivo,na época com 49 anos), Leonor (ou Nonô, tia de Ivo, na época com 17 anos)
Isaias (ou Seu Ferreira) e Leonor (ou Nonô), “ambos vivos e em perfeita lucidez”. [13]
“A reconstrução do telhado foi feita pelo mestre Pituta, Eugênio, Antônio Gomes, Manuel Florentino e e Joça, tudo feito a machado e enxó. Os pedreiros foram José Mariano, Pedrinho, nosso primo, filho de Pedro Alexandrino de Sousa ; Estácio e Zé de Lima”.[14]
[1] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 69 a 70..
[2] Id. ibd. nota 11 ao Cap. XII, p. 89. Conf. também Itinerário das Visitas do Bispo de Pernambuco, Revista do Instituto Histórico Geográfico do Brasil, LV, Parte I, pp. 27 e 28.
[3] Id. ibd. nota 1 ao Cap XII, p. 88.
[4] Conf. D’ ALMEIDA, Ivo -, Ipojuca -de uma Lenda à Verdade, pp 37 e ss. .
[5] PIO, Fernando Pio, O Convento de Santo Antônio do Recife e as Fundações franciscanas em Pernambuco, Recife, 1939, p. 68 – 70.
[6] D’ ALMEIDA, Ivo -, Ipojuca -de uma Lenda à Verdade, p. 38.
[7] D’ ALMEIDA, Ivo -, Ipojuca -de uma Lenda à Verdade, p. 40 – 41.
[8] D´ALMEIDA, Ivo -, p. 42
[9] D’ ALMEIDA, Ivo -, Ipojuca -de uma Lenda à Verdade, p. 41.
[10] D’ ALMEIDA, Ivo -, op. cit. p. 41.
[11] D’ ALMEIDA, Ivo -, Ipojuca -de uma Lenda à Verdade, pp. 44 – 45.
[12] D’ ALMEIDA, Ivo -, p. 45.
[13] D’ ALMEIDA, Ivo -, p. 37.
[14] D’ ALMEIDA, Ivo -, p. 45.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
CONVENTO DE IPOJUCA - HISTÓRIA E ESTÓRIA
2. A HISTÓRIA E A ESTÓRIA DO SENHOR SANTO CRISTO
- Origem do Culto ao Senhor Santo Cristo
Ipojuca tornou-se a terra de Santo Cristo em 1663, ano em que a imagem milagrosa deve ter vindo de Portugal.
“ [...] A devoção nascida no Calvário e reavivada por S. Francisco no Monte Alverne, encontrou um ninho caloroso na modesta igreja conventual de Ipojuca.Teatro de cenas bélicas durante a Guerra Holandesa, devia o Convento receber a recompensa pela atitude dos franciscanos” e também dos ipojucanos “na luta contra a heresia calvinista dos invasores.Enquanto os vencedores levantaram templos a N. S.ª dos Prazeres e a outros Santos, em Ipojuca o Sr. Santo Cristo escolheu o santuário onde seria adorado e invocado.
[...] Sobre a origem desta devoção e a vinda da imagem milagrosa, faltam-nos dados históricos. A crônica franciscana de Ipojuca limita-se a dois termos que descrevem as cerimônias de aposição da primeira pedra e de inauguração do santuário [ou capela lateral da igreja do convento].
[...] Contentemo-nos, pois, com os dados críticos e indubitáveis que Jaboatão transcreveu do cartório [arquivo] franciscano de Ipojuca”:
Trata-se, primeiro, do lançamento da primeira pedra no alicerce da capela do Bom Jesus. Foi no domingo 4 de novembro de 1663, em missa cantada pelos Religiosos Franciscanos. A pedra foi benzida pelo Guardião Frei Manuel da Presentação. Os que botaram a pedra embaixo foram o mesmo guardião e o Capitão Francisco Dias Delgado, doador da imagem, doador e patrono da Capela. A pedra foi assentada pelo pedreiro Pantaleão da Silva. Participaram da celebração os Padres seculares Antônio Pereira da Cunha e Francisco Martins Pereira.[1]
Com a palavra Frei Jaboatão:
- Em segundo lugar: “Decorridos 22 meses após o lançamento da primeira pedra, celebrou-se com toda a pompa a entronização da imagem milagrosa..” Era o dia 14 de setembro uma segunda-feira, de 1664), festa da Exaltação da Santa Cruz. “veiu em procissão da Matriz para este Convento, carregando o andor oito religiosos sacerdotes. Cantou a missa em a mesma Capela o Irmão Pregador Frei Bernardo da Encarnação, sendo Comissário provincial o Irmão Frei Aleixo da Madre de Deus, e pregou o Irmão Frei Daniel de São Francisco, Mestre de Teologia e padre da Província.”[2]
O Guardião do Convento não era mais Fr. Mateus da Apresentação, como escreve Frei Jaboatão, mas Frei Melchior dos Anjos (19-04-1664 a 08-08-1665). Aquele foi Guadião até 19 de abril de 1664 e retornou a 08 de agosto de 1665, quando Frei Melchior lhe passou o cargo que dele recebera.[3]
- AS LENDAS – A tradição oral e o folclore envolveram os fatos históricos de ricos detalhes. Difícil, porém, é a comprovação científica dos mesmos. Frei Jaboatão, criterioso como era, achou por bem relatar o que se contava de pais para filhos entre as famílias dos Albuquerques Maranhões, e, por que não dizer, do povo de Ipojuca. Deve haver na versão popular um fundo histórico, sem dúvida. Frei Venâncio afirma, com base em documentos, serem históricas as personagens relacionados com o que conta a lenda sobre a origem do culto e do Santuário (Capela) do Senhor Santo Cristo.[4]
O jovem frade leigo, Frei Antônio de Santa Maria, filho de Matias de Albuquerque Maranhão, professara neste convento de Ipojuca aos 29 de agosto de 1660. Era sobrinho do Capitão Francisco Dias Delgado, dono do Engenho Trapichre, vizinho do Convento. Fora encarregado de zelar pelo côro do Convento,onde havia, como era costume, um crucificado de frente para as estalas e de costas para o corpo da igreja (como se vê, ainda hoje, no Convento de santo Antônio do Recife e no de Salvador).
Vamos, agora, à tradição oral.
Ao espanar aquela imagem, estava ela tão estragada, que não resistiu ao espanador, desprendendo-se da cruz e espatifando-se no chão.
Receoso do castigo, Frei Antônio fugiu para a casa do tio, pedindo-lhe ajuda. Ora, Francisco Dias Delgado era e grande benfeitor dos frades. Prometeu ao Superior mandar vir do Reino uma imagem que substituísse a que ficara irrecuperável. Encarregou disto o seu procurador. Mas este, estando em Portugal, esqueceu a recomendação do Senhor do Engenho Trapiche e não cuidou de mandar fazer a imagem que lhe tinha sido pedida. Mas eis que, à véspera da viagem de volta, foi procurado por um desconhecido que lhe perguntou se não queria uma imagem do Senhor Santo Cristo. Era muito comum encomendas de imagens para a colônia brasileira. O procurador caiu em si e aceitou logo aquele Santo Cristo, embora reconhecendo ser grande demais para nicho em que ia se colocado.Ficou logo com a imagem, prometendo-lhe o vendedor comparecer ao navio no outro dia, em tempo de receber o pagamento ajustado. Só que não foi mais visto, por mais que aquele procurador fizesse para localizá-lo.
A lenda vai além do referido por Jaboatão. Conta-se que os ventos desviaram o navio da rota do Recife, para onde deveria ir, , aportando ao Porto das Galinhas, terras do Capitão Dias Delgado. Este examinou a imagem. Como era desproporcional ao nicho que a aguardava, resolveu fazer doação dela a outra igreja da região (a de Santo Antônio do Cabo? A de Nossa Senhora do Ó? – perguntamos nós). Preparou-se um carro–de-bois “a exemplo da arca- da-aliança” especial para transportar a imagem à igreja onde deveria ser entronizada. [5]
Mas os animais não obedeciam ao comando do carreiro. Só queriam tomar o caminho de Ipojuca. Avisado do ocorrido, Dias Delgado determinou que deixassem os bois livres para tomarem o rumo que desejassem. Os irracionais seguiram o caminho contrário, atravessando os canaviais, sem parar, até chegarem ao Convento dos frades. Dias Delgado resolve recolhê-la, provisoriamente, na matriz de São Miguel [ que ruiu no século XIX], prometendo aos frades providenciar outra imagem para o coro do convento. E toma a determinação de construir na igreja do Convento uma Capela lateral onde, de acordo com os frades, seria entronizada a imagem do Santo Cristo cuja fama de milagrosa se espalhara por toda parte. E às suas espensas logo se começa a construir o santuário que se denominou do Senhor Bom Jesus.
Escreve Fr. Venâncio: “Já que a fama dos milagres acompanha a imagem desde Portugal, interpreta-se também como maravilha o encontro da cruz” : teria sido uma dádiva da natureza: com pouco trabalho, se pôde fazer dela a cruz inteira, servindo o tronco de haste vertical e os dois galhos, de trave, de tal maneira tão ajustada, que, segundo Pereira da Costa, isso não se teria conseguido melhor se os braços da imagem fossem postiços, permitindo remanejamento. O que, de fato aconteceu, conforme a tradição, foi que a árvore se adaptou perfeitamente à imagem, sem que preciso fosse alterar em nada o original, que, pela sua grandeza é de uma bem disposta e perfeita imagem de homem.[6]
“Dias Delgado, o fundador da capela, não ficou como seu padroeiro, e nem constituiu para ela patrimônio algum, porque já o era do altar da Conceição da igreja do mesmo Convento, e assim permaneceu até o ano de 1700, quando em congregação dos padres foi a capela do Bom Jesus concedida a João de Novalhas, para sepultura sua e dos seus herdeiros com o ônus de cem mil réis anuais para o seu ornato, para o que encabeçou ele quatro mil cruzados no seu engenho e terras de Sibiró de Riba.” [7]
Voltando ao núcleo histórico, demos a palavra a Jaboatão: “É a cruz inteiriça, como fica dito e por novo exame ou revista que de presente se fez, por instância nossa, se acha ser assim.” [8]
De onde vem, perguntamos nós, que se tenha divulgado o mito de que a imagem do Senhor Santo Cristo de Ipojuca tenha características jansenistas ( o que consideramos pura fantasia) ? É de estranhar que nunca tenha sido feito este reparo pelas autoridades religiosas desde o século XVII até hoje, Se o fosse, certamente teria havido alguma advertência daqueles a quem cumpria o dever de preservar a ortodoxia do culto católico, e isto nunca aconteceu. Dom João Marques Perdigão, Bispo de Pernambuco, na Visita Pastoral à freguesia de Ipojuca (de 31 de dezembro de 1834 a 04 de janeiro de 1835) , destaca em seu diário o esplendor do seu culto e e a piedade dos romeiros que demandavam a ipojuca “desta e de outras freguesias”. Ele mesmo fez sua visita ao Senhor Santo Cristo e elogia a decência da igreja do Convento que o hospedou, como veremos adiante.
Consta que os jansenistas não aprovavam imagens de Cristo com os braços abertos, pois, para eles, isto significaria uma abertura muito grande para a salvação de todos. Os braços levantados de Cristo apontavam para o céu, destino apenas dos escolhidos. Não sabemos a quem atribuir este particular da doutrina jansenista. Sabemos que o padre holandês Cornélius Jansen, a partir da França no século XVII, embora se dizendo católico, investia contra o Papa e a Igreja romana, sendo combatido pelos jesuítas que o consideravam calvinistas camuflado. Condenado como herético pelo papa Urbano VI, Jansen espalhu sua doutrina pelo mundo católico criando em várias partes igrejas independentes. Sua doutrina se caracterizava pelo rigorismo extremo em questões de moral. Este moralismo, sim, passou sorrateiramente para pastores e fiéis, está presente na literatua ascética e moral de autores portugueses que o passaram para suas colônias. Deus era visto muito mais como Juiz implacável do que como Pai misericordioso e bom.
“A célebre imagem milagrosa do Sr. Santo Cristo apresenta o Crucificado no tamanho natural de um homem. A cabeça e o olhar erguidos para a esquerda, juntamente com a posição quase vertical dos braços, exprimem fielmente a súplica de Cristo agonizante [não do Cristo morto, acrescentamos nós].
Quanto à origem, não há fundamento histórico. Apenas inferimos que deve datar de época anterior a 1633, pois nesse ano houve proibição das imagens de tal feitio, em face da interpretação herético-jansenista de não haver Nosso Senhor morrido por todos os homens, o que seria significado pelos braços quase fechados do Crucificado”, escreve Frei Venâncio. [9]
Uma vez que sempre volta a pergunta dos visitantes do nosso Santuário sobre a feitura jansenista da imagem do Senhor Santo Cristo, vale a pena nos prolongarmos um pouco mais neste assunto.
O próprio Frei Venâncio deduz a possibilidade de ter sido a imagem talhada antes de 1633, ano em que foram proibidas as imagens de cunho jansenista.
Mas não diz que tenha sido influenciada pela heresia de Jansen. Poderiam ser assim interpretadas.
Vê-se que Frei Venâncio, pessoalmente, se inclina pela origem não jansenista da imagem, quando cita o que escreve sobre o Senhor Santo Cristo de Ipojuca o Ministro Orozimbo Nonato da Silva.[10]
Emitindo suas impressões sobre a nossa imagem, lembra o autor os célebres Crucificados no mesmo feitio como o da catedral de Soissons, a do palácio episcopal de Gand e outros mais. E conclui: “Não parece existir relação direta entre os Cristos de marfim de braços verticais e a doutrina jansenista.”
E a conclusão do próprio Frei Venâncio:
“Segundo expõe Cecile Jéglot, os escultores, querendo preparar imagens de uma só peça, se viam forçados a dar aos braços a posição vertical, sem que, entretanto, se deixassem influenciar pela heresia.” [11]
Enos Omena tem outra opinião: a tradição da ensamblagem ou ensambladura de Portugal (na França: ensemblagen) é milenar: vem dos Fenícios. É a técnica de esculpir uma imagem de madeira em várias parte que eram unidas por juntagem (ensamblagem). Foi o que aconteceu com a imagem do Senhor Santo Cristo de Ipojuca, igual (se bem que anterior) à do Santo Cristo do Convento Franciscano de Santa Maria Madalena em Marechal Deodoro (AL)
Isto poderia ser mais um argumento a favor da hipótese jansenista, pois o escultor não se via forçada a posicionar os braços ao modo jansenista, mas optara por ele, argumentou Fr. José Milton. Ao que Enos acrescentou: Mas havia já uma tradição, anterior as Jansen, de posicionar os braços de acordo com o formato do madeiro em T, em Y, em U ou V, e até em X (a Cruz de S. Tiago).
Sendo assim, a posição dos braços independem da heresia jansenista.
Quanto à exposição de Cecile Jéglot citado por Frei Venâncio, ela só poderia ser aplicada ás pequenas esculturas, pois dificilmente passaria pela cabeça de um esculto talhar uma tronco gigantesco. O artista do nosso Santo Cristo precisaria de um tronco de cedro de cerca de dois metros de altura por 1 m de diâmetro, para que os braços ficassem como estão, se a peça fosse inteiriça!
Já vimos que em maio de 1763, escrevia Fr. Jaboatão, ter sido a Cruz do Senhor Santo Cristo examinada por sua iniciativa e o exame revelou que ela se conservava como era originalmente de uma peça só.
Frei Venâncio diz que a Cruz não é mais a original:
“Ao ser feita a nova encarnação da imagem, em 1937, partiu-se a trave transversal da Cruz, deixando patente a emenda artificial.” [12]
“A Cruz primitiva que, segundo Jaboatão, era inteiriça, há muito deixou de existir.
O resplendor que realça a cabeça da imagem traz a inscrição: “ 1782 MANDOU FAZER O PADRE MARCOS GOUVEIA, S.G.” [13]
Para concluir esta parte, uma transcrição do historiador Padre Manuel Barbosa [14] sobre as numerosas invocações do Crucificado entre nós:
“Como enternece a alma católica procurar um bálsamo para mitigar as dores físicas e morais, invocando o Senhor Bom Jesus da Agonia, da Esperança, da Consolação, da Boa Sentença, do Bonfim, dos Navegantes, do Bom Caminho, dos Milagres, dos Pobres, dos Necessitados, dos Agonizante...dos Perdões, dos Remédios, da Cana Verde...”
E Frei Venâncio prossegue:
“Os mais célebres santuários brasileiros dedicados a N. Senhor Jesus Cristo são: Sr. do Bonfim e Sr. Bom Jesus da Lapa, Bahia; Sr. Santo Cristo de Ipojuca, Pernambuco; Sr. Bom Jesus de Matosinhos e Sr. Bom Jesus de Congonhas, Minas; Sr. Bom Jesus de Pirapora e Sr. Bom Jesus dos Perdões, São Paulo; Sr. Bom Jesus de Iguape em Santa Catarina. O santuário de Ipojuca é dos mais antigos.” [15]
Poderíamos acrescentar muitos outros, entre eles a imagem milagrosa Cristo das Necessidades, venerado numa capela laterai da igreja do convento franciscano de Sirinhaém : “intronizada em seu altar em 1775, 100 anos depois da do Senhor Santo Cristo de Ipojuca.[16]
Os jansenistas não conseguiram tirar da alma de nosso povo a ternura e a compaixão pelo Cristo Crucificado, “escândalo para os judeus e loucura para os pagãos” (1Cor 1. 23).
3. O TETO DA IGREJA ANTES DO INCÊNDIO:
Escreve Frei Venâncio Willeke: “No corpo da igreja, figurava, até o incêndio de 1935, um painel enorme que, tomando todo o forro, representava São Francisco de Assis e S. Domingos de Gusmão, em prece diante do divino juiz, para demovê-lo do projeto de destruir o globo terrestre como castigo à corrupção geral, vendo os dois santos seus rogos apoiados pelas preces de Nossa Senhora.” [17]
Tudo isso foi totalmente destruído pelo incêndio de 1935.
4. O TETO DA IGREJA DEPOIS DO INCÊNDIO
Pinturas recentes a óleo: “Após o incêndio de 1935, impunha-se a difícil tarefa de adornar o Santuário de novas pinturas. Nada mais natural do que levar à tela as cenas histório-lendárias do próprio Santuário. Da tarefa se incumbiu, em 1942, o pintor franciscano Frei Tarcísio Jungwirth. Em seis quadros, recebe Jaboatão a ilustração dos fatos por ele contados, há 200 anos”. [18]
“As pinturas foram executadas a óleo e sobre lona. O espaçoso fôrro da igreja guarda os seguintes trabalhos: por cima do côro dos religiosos, aparecem em dois medalhões, o Irmão Franciscano Frei Antônio da Santa Maria, surpreso ante a queda do Crucificado; o mesmo Frei Antônio que fugira do Convento para valer-se do tio Francisco Dias Delgado, regressa com este, pedindo e obtendo o perdão do Padre Guardião.
Na outra extremidade do fôrro, é ilustrada a invenção [encontro] da cruz inteiriça, que se deu no engenho Trapiche, propriedade do capitão Francisco Dias Delgado.
No centro do fôrro, aparecem dois grandes quadros: o primeiro mostra na glória do céu a Santíssima Trindade, Nossa Senhora e S. Francisco; o segundo, separado do primeiro pelas nuvens do céu, recebe os raios que se desprendem do grupo superior, caindo sobre o Santuário de Ipojuca e sobre a procissão que se locomove para este, acompanhando o andor do Senhor Santo Cristo, no dia de sua solene intronização, a 14 de setembro de 1665.
Sobre o arco do antigo Santuário, aparece, em vistoso painel, o embarque da imagem milagrosa do Senhor Santo Cristo, no Pôrto de Lisboa.” [19]
[1] Conf. Id. Ibd. pp. 34 a 35. Conf. também op. cit. nota 1 ao Cap. X, p. 87.
[2] Conf. Id. Ibd. p. 35
[3] Conf. Id. ibd. nota 2 ao Cap. X, p.87. Conf. também a lista dos Superiores do Convento de Ipojuca, op. cit.. p. 78, N.º 27.
[4] Id. Ibd. p. 36.
[5] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 37. Na nota 10 da pg. 88, acrescenta Frei Venâncio: “I Reis 6,8: As lendas antigas incorporam a miude fatos da Sagrada Escritura, gozando de predileção o carro-de-bois com as particularidades acima descritas”.
[6] COSTA, Francisco Augusto Pereira da -, Anais Pernambucanos, Tomo 3 (1635 – 1665), 2.ª Edição, Recife, 1983, p. 511.
[7] COSTA, Francisco Augusto Pereira da -, Anais Pernambucanos, Tomo 3 (1635 – 1665), 2.ª Edição, Recife, 1983, p. 512..
[8] Apud WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pg. 38. Conf. também COSTA, Francisco Augusto Pereira da -, Anais Pernambucanos, Tomo 3 (1635 – 1665), 2.ª Edição, Recife, 1983, p. 511 a 112.
[9] Apud WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pp. 67 – 68.
[10] SILVA, Orozimbo Nonato da, Impressões do Santuário do Senhor Santo Cristo de Ipojuca. Conf. WILLEKE, Frei Venâncio , OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 94, nota 5 ao Cap. XXII.
[11] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 68.
[12] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pg. 38. Conf. também COSTA, Francisco Augusto Pereira da -, Anais Pernambucanos, Tomo 3 (1635 – 1665), 2.ª Edição, Recife, 1983, p. 94, nota 6.
[13] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pg. 38. Corrigimos o ano da doação para 1782, pois nesta data de hoje (05-06-09). Conf. também COSTA, Francisco Augusto Pereira da -, Anais Pernambucanos, Tomo 3 (1635 – 1665), 2.ª Edição, Recife, 1983, p. 69.
[14] BARBOSA, Padre Manuel -, A Igreja no Brasil, p. 263.
[15] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pg.88, nota 7 ao CapítuloXI.
[16] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pg. 40..E em nota 7 ao Cap.XII, à pg. 89, Fr. Venâncio indica a fonte sobre o Cristo de Sirinhaém: Jab., III, 511, 512.
[17] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 69.
[18] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 70. E na pg. 88, EM NOTA 8, localiza os fatos narrados no “Novo Orbe Seráfico” de Frei Antõnio de santa Maria Jaboatão: Jab. III, 494.
[19] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pp. 70 a 71.
- Origem do Culto ao Senhor Santo Cristo
Ipojuca tornou-se a terra de Santo Cristo em 1663, ano em que a imagem milagrosa deve ter vindo de Portugal.
“ [...] A devoção nascida no Calvário e reavivada por S. Francisco no Monte Alverne, encontrou um ninho caloroso na modesta igreja conventual de Ipojuca.Teatro de cenas bélicas durante a Guerra Holandesa, devia o Convento receber a recompensa pela atitude dos franciscanos” e também dos ipojucanos “na luta contra a heresia calvinista dos invasores.Enquanto os vencedores levantaram templos a N. S.ª dos Prazeres e a outros Santos, em Ipojuca o Sr. Santo Cristo escolheu o santuário onde seria adorado e invocado.
[...] Sobre a origem desta devoção e a vinda da imagem milagrosa, faltam-nos dados históricos. A crônica franciscana de Ipojuca limita-se a dois termos que descrevem as cerimônias de aposição da primeira pedra e de inauguração do santuário [ou capela lateral da igreja do convento].
[...] Contentemo-nos, pois, com os dados críticos e indubitáveis que Jaboatão transcreveu do cartório [arquivo] franciscano de Ipojuca”:
Trata-se, primeiro, do lançamento da primeira pedra no alicerce da capela do Bom Jesus. Foi no domingo 4 de novembro de 1663, em missa cantada pelos Religiosos Franciscanos. A pedra foi benzida pelo Guardião Frei Manuel da Presentação. Os que botaram a pedra embaixo foram o mesmo guardião e o Capitão Francisco Dias Delgado, doador da imagem, doador e patrono da Capela. A pedra foi assentada pelo pedreiro Pantaleão da Silva. Participaram da celebração os Padres seculares Antônio Pereira da Cunha e Francisco Martins Pereira.[1]
Com a palavra Frei Jaboatão:
- Em segundo lugar: “Decorridos 22 meses após o lançamento da primeira pedra, celebrou-se com toda a pompa a entronização da imagem milagrosa..” Era o dia 14 de setembro uma segunda-feira, de 1664), festa da Exaltação da Santa Cruz. “veiu em procissão da Matriz para este Convento, carregando o andor oito religiosos sacerdotes. Cantou a missa em a mesma Capela o Irmão Pregador Frei Bernardo da Encarnação, sendo Comissário provincial o Irmão Frei Aleixo da Madre de Deus, e pregou o Irmão Frei Daniel de São Francisco, Mestre de Teologia e padre da Província.”[2]
O Guardião do Convento não era mais Fr. Mateus da Apresentação, como escreve Frei Jaboatão, mas Frei Melchior dos Anjos (19-04-1664 a 08-08-1665). Aquele foi Guadião até 19 de abril de 1664 e retornou a 08 de agosto de 1665, quando Frei Melchior lhe passou o cargo que dele recebera.[3]
- AS LENDAS – A tradição oral e o folclore envolveram os fatos históricos de ricos detalhes. Difícil, porém, é a comprovação científica dos mesmos. Frei Jaboatão, criterioso como era, achou por bem relatar o que se contava de pais para filhos entre as famílias dos Albuquerques Maranhões, e, por que não dizer, do povo de Ipojuca. Deve haver na versão popular um fundo histórico, sem dúvida. Frei Venâncio afirma, com base em documentos, serem históricas as personagens relacionados com o que conta a lenda sobre a origem do culto e do Santuário (Capela) do Senhor Santo Cristo.[4]
O jovem frade leigo, Frei Antônio de Santa Maria, filho de Matias de Albuquerque Maranhão, professara neste convento de Ipojuca aos 29 de agosto de 1660. Era sobrinho do Capitão Francisco Dias Delgado, dono do Engenho Trapichre, vizinho do Convento. Fora encarregado de zelar pelo côro do Convento,onde havia, como era costume, um crucificado de frente para as estalas e de costas para o corpo da igreja (como se vê, ainda hoje, no Convento de santo Antônio do Recife e no de Salvador).
Vamos, agora, à tradição oral.
Ao espanar aquela imagem, estava ela tão estragada, que não resistiu ao espanador, desprendendo-se da cruz e espatifando-se no chão.
Receoso do castigo, Frei Antônio fugiu para a casa do tio, pedindo-lhe ajuda. Ora, Francisco Dias Delgado era e grande benfeitor dos frades. Prometeu ao Superior mandar vir do Reino uma imagem que substituísse a que ficara irrecuperável. Encarregou disto o seu procurador. Mas este, estando em Portugal, esqueceu a recomendação do Senhor do Engenho Trapiche e não cuidou de mandar fazer a imagem que lhe tinha sido pedida. Mas eis que, à véspera da viagem de volta, foi procurado por um desconhecido que lhe perguntou se não queria uma imagem do Senhor Santo Cristo. Era muito comum encomendas de imagens para a colônia brasileira. O procurador caiu em si e aceitou logo aquele Santo Cristo, embora reconhecendo ser grande demais para nicho em que ia se colocado.Ficou logo com a imagem, prometendo-lhe o vendedor comparecer ao navio no outro dia, em tempo de receber o pagamento ajustado. Só que não foi mais visto, por mais que aquele procurador fizesse para localizá-lo.
A lenda vai além do referido por Jaboatão. Conta-se que os ventos desviaram o navio da rota do Recife, para onde deveria ir, , aportando ao Porto das Galinhas, terras do Capitão Dias Delgado. Este examinou a imagem. Como era desproporcional ao nicho que a aguardava, resolveu fazer doação dela a outra igreja da região (a de Santo Antônio do Cabo? A de Nossa Senhora do Ó? – perguntamos nós). Preparou-se um carro–de-bois “a exemplo da arca- da-aliança” especial para transportar a imagem à igreja onde deveria ser entronizada. [5]
Mas os animais não obedeciam ao comando do carreiro. Só queriam tomar o caminho de Ipojuca. Avisado do ocorrido, Dias Delgado determinou que deixassem os bois livres para tomarem o rumo que desejassem. Os irracionais seguiram o caminho contrário, atravessando os canaviais, sem parar, até chegarem ao Convento dos frades. Dias Delgado resolve recolhê-la, provisoriamente, na matriz de São Miguel [ que ruiu no século XIX], prometendo aos frades providenciar outra imagem para o coro do convento. E toma a determinação de construir na igreja do Convento uma Capela lateral onde, de acordo com os frades, seria entronizada a imagem do Santo Cristo cuja fama de milagrosa se espalhara por toda parte. E às suas espensas logo se começa a construir o santuário que se denominou do Senhor Bom Jesus.
Escreve Fr. Venâncio: “Já que a fama dos milagres acompanha a imagem desde Portugal, interpreta-se também como maravilha o encontro da cruz” : teria sido uma dádiva da natureza: com pouco trabalho, se pôde fazer dela a cruz inteira, servindo o tronco de haste vertical e os dois galhos, de trave, de tal maneira tão ajustada, que, segundo Pereira da Costa, isso não se teria conseguido melhor se os braços da imagem fossem postiços, permitindo remanejamento. O que, de fato aconteceu, conforme a tradição, foi que a árvore se adaptou perfeitamente à imagem, sem que preciso fosse alterar em nada o original, que, pela sua grandeza é de uma bem disposta e perfeita imagem de homem.[6]
“Dias Delgado, o fundador da capela, não ficou como seu padroeiro, e nem constituiu para ela patrimônio algum, porque já o era do altar da Conceição da igreja do mesmo Convento, e assim permaneceu até o ano de 1700, quando em congregação dos padres foi a capela do Bom Jesus concedida a João de Novalhas, para sepultura sua e dos seus herdeiros com o ônus de cem mil réis anuais para o seu ornato, para o que encabeçou ele quatro mil cruzados no seu engenho e terras de Sibiró de Riba.” [7]
Voltando ao núcleo histórico, demos a palavra a Jaboatão: “É a cruz inteiriça, como fica dito e por novo exame ou revista que de presente se fez, por instância nossa, se acha ser assim.” [8]
De onde vem, perguntamos nós, que se tenha divulgado o mito de que a imagem do Senhor Santo Cristo de Ipojuca tenha características jansenistas ( o que consideramos pura fantasia) ? É de estranhar que nunca tenha sido feito este reparo pelas autoridades religiosas desde o século XVII até hoje, Se o fosse, certamente teria havido alguma advertência daqueles a quem cumpria o dever de preservar a ortodoxia do culto católico, e isto nunca aconteceu. Dom João Marques Perdigão, Bispo de Pernambuco, na Visita Pastoral à freguesia de Ipojuca (de 31 de dezembro de 1834 a 04 de janeiro de 1835) , destaca em seu diário o esplendor do seu culto e e a piedade dos romeiros que demandavam a ipojuca “desta e de outras freguesias”. Ele mesmo fez sua visita ao Senhor Santo Cristo e elogia a decência da igreja do Convento que o hospedou, como veremos adiante.
Consta que os jansenistas não aprovavam imagens de Cristo com os braços abertos, pois, para eles, isto significaria uma abertura muito grande para a salvação de todos. Os braços levantados de Cristo apontavam para o céu, destino apenas dos escolhidos. Não sabemos a quem atribuir este particular da doutrina jansenista. Sabemos que o padre holandês Cornélius Jansen, a partir da França no século XVII, embora se dizendo católico, investia contra o Papa e a Igreja romana, sendo combatido pelos jesuítas que o consideravam calvinistas camuflado. Condenado como herético pelo papa Urbano VI, Jansen espalhu sua doutrina pelo mundo católico criando em várias partes igrejas independentes. Sua doutrina se caracterizava pelo rigorismo extremo em questões de moral. Este moralismo, sim, passou sorrateiramente para pastores e fiéis, está presente na literatua ascética e moral de autores portugueses que o passaram para suas colônias. Deus era visto muito mais como Juiz implacável do que como Pai misericordioso e bom.
“A célebre imagem milagrosa do Sr. Santo Cristo apresenta o Crucificado no tamanho natural de um homem. A cabeça e o olhar erguidos para a esquerda, juntamente com a posição quase vertical dos braços, exprimem fielmente a súplica de Cristo agonizante [não do Cristo morto, acrescentamos nós].
Quanto à origem, não há fundamento histórico. Apenas inferimos que deve datar de época anterior a 1633, pois nesse ano houve proibição das imagens de tal feitio, em face da interpretação herético-jansenista de não haver Nosso Senhor morrido por todos os homens, o que seria significado pelos braços quase fechados do Crucificado”, escreve Frei Venâncio. [9]
Uma vez que sempre volta a pergunta dos visitantes do nosso Santuário sobre a feitura jansenista da imagem do Senhor Santo Cristo, vale a pena nos prolongarmos um pouco mais neste assunto.
O próprio Frei Venâncio deduz a possibilidade de ter sido a imagem talhada antes de 1633, ano em que foram proibidas as imagens de cunho jansenista.
Mas não diz que tenha sido influenciada pela heresia de Jansen. Poderiam ser assim interpretadas.
Vê-se que Frei Venâncio, pessoalmente, se inclina pela origem não jansenista da imagem, quando cita o que escreve sobre o Senhor Santo Cristo de Ipojuca o Ministro Orozimbo Nonato da Silva.[10]
Emitindo suas impressões sobre a nossa imagem, lembra o autor os célebres Crucificados no mesmo feitio como o da catedral de Soissons, a do palácio episcopal de Gand e outros mais. E conclui: “Não parece existir relação direta entre os Cristos de marfim de braços verticais e a doutrina jansenista.”
E a conclusão do próprio Frei Venâncio:
“Segundo expõe Cecile Jéglot, os escultores, querendo preparar imagens de uma só peça, se viam forçados a dar aos braços a posição vertical, sem que, entretanto, se deixassem influenciar pela heresia.” [11]
Enos Omena tem outra opinião: a tradição da ensamblagem ou ensambladura de Portugal (na França: ensemblagen) é milenar: vem dos Fenícios. É a técnica de esculpir uma imagem de madeira em várias parte que eram unidas por juntagem (ensamblagem). Foi o que aconteceu com a imagem do Senhor Santo Cristo de Ipojuca, igual (se bem que anterior) à do Santo Cristo do Convento Franciscano de Santa Maria Madalena em Marechal Deodoro (AL)
Isto poderia ser mais um argumento a favor da hipótese jansenista, pois o escultor não se via forçada a posicionar os braços ao modo jansenista, mas optara por ele, argumentou Fr. José Milton. Ao que Enos acrescentou: Mas havia já uma tradição, anterior as Jansen, de posicionar os braços de acordo com o formato do madeiro em T, em Y, em U ou V, e até em X (a Cruz de S. Tiago).
Sendo assim, a posição dos braços independem da heresia jansenista.
Quanto à exposição de Cecile Jéglot citado por Frei Venâncio, ela só poderia ser aplicada ás pequenas esculturas, pois dificilmente passaria pela cabeça de um esculto talhar uma tronco gigantesco. O artista do nosso Santo Cristo precisaria de um tronco de cedro de cerca de dois metros de altura por 1 m de diâmetro, para que os braços ficassem como estão, se a peça fosse inteiriça!
Já vimos que em maio de 1763, escrevia Fr. Jaboatão, ter sido a Cruz do Senhor Santo Cristo examinada por sua iniciativa e o exame revelou que ela se conservava como era originalmente de uma peça só.
Frei Venâncio diz que a Cruz não é mais a original:
“Ao ser feita a nova encarnação da imagem, em 1937, partiu-se a trave transversal da Cruz, deixando patente a emenda artificial.” [12]
“A Cruz primitiva que, segundo Jaboatão, era inteiriça, há muito deixou de existir.
O resplendor que realça a cabeça da imagem traz a inscrição: “ 1782 MANDOU FAZER O PADRE MARCOS GOUVEIA, S.G.” [13]
Para concluir esta parte, uma transcrição do historiador Padre Manuel Barbosa [14] sobre as numerosas invocações do Crucificado entre nós:
“Como enternece a alma católica procurar um bálsamo para mitigar as dores físicas e morais, invocando o Senhor Bom Jesus da Agonia, da Esperança, da Consolação, da Boa Sentença, do Bonfim, dos Navegantes, do Bom Caminho, dos Milagres, dos Pobres, dos Necessitados, dos Agonizante...dos Perdões, dos Remédios, da Cana Verde...”
E Frei Venâncio prossegue:
“Os mais célebres santuários brasileiros dedicados a N. Senhor Jesus Cristo são: Sr. do Bonfim e Sr. Bom Jesus da Lapa, Bahia; Sr. Santo Cristo de Ipojuca, Pernambuco; Sr. Bom Jesus de Matosinhos e Sr. Bom Jesus de Congonhas, Minas; Sr. Bom Jesus de Pirapora e Sr. Bom Jesus dos Perdões, São Paulo; Sr. Bom Jesus de Iguape em Santa Catarina. O santuário de Ipojuca é dos mais antigos.” [15]
Poderíamos acrescentar muitos outros, entre eles a imagem milagrosa Cristo das Necessidades, venerado numa capela laterai da igreja do convento franciscano de Sirinhaém : “intronizada em seu altar em 1775, 100 anos depois da do Senhor Santo Cristo de Ipojuca.[16]
Os jansenistas não conseguiram tirar da alma de nosso povo a ternura e a compaixão pelo Cristo Crucificado, “escândalo para os judeus e loucura para os pagãos” (1Cor 1. 23).
3. O TETO DA IGREJA ANTES DO INCÊNDIO:
Escreve Frei Venâncio Willeke: “No corpo da igreja, figurava, até o incêndio de 1935, um painel enorme que, tomando todo o forro, representava São Francisco de Assis e S. Domingos de Gusmão, em prece diante do divino juiz, para demovê-lo do projeto de destruir o globo terrestre como castigo à corrupção geral, vendo os dois santos seus rogos apoiados pelas preces de Nossa Senhora.” [17]
Tudo isso foi totalmente destruído pelo incêndio de 1935.
4. O TETO DA IGREJA DEPOIS DO INCÊNDIO
Pinturas recentes a óleo: “Após o incêndio de 1935, impunha-se a difícil tarefa de adornar o Santuário de novas pinturas. Nada mais natural do que levar à tela as cenas histório-lendárias do próprio Santuário. Da tarefa se incumbiu, em 1942, o pintor franciscano Frei Tarcísio Jungwirth. Em seis quadros, recebe Jaboatão a ilustração dos fatos por ele contados, há 200 anos”. [18]
“As pinturas foram executadas a óleo e sobre lona. O espaçoso fôrro da igreja guarda os seguintes trabalhos: por cima do côro dos religiosos, aparecem em dois medalhões, o Irmão Franciscano Frei Antônio da Santa Maria, surpreso ante a queda do Crucificado; o mesmo Frei Antônio que fugira do Convento para valer-se do tio Francisco Dias Delgado, regressa com este, pedindo e obtendo o perdão do Padre Guardião.
Na outra extremidade do fôrro, é ilustrada a invenção [encontro] da cruz inteiriça, que se deu no engenho Trapiche, propriedade do capitão Francisco Dias Delgado.
No centro do fôrro, aparecem dois grandes quadros: o primeiro mostra na glória do céu a Santíssima Trindade, Nossa Senhora e S. Francisco; o segundo, separado do primeiro pelas nuvens do céu, recebe os raios que se desprendem do grupo superior, caindo sobre o Santuário de Ipojuca e sobre a procissão que se locomove para este, acompanhando o andor do Senhor Santo Cristo, no dia de sua solene intronização, a 14 de setembro de 1665.
Sobre o arco do antigo Santuário, aparece, em vistoso painel, o embarque da imagem milagrosa do Senhor Santo Cristo, no Pôrto de Lisboa.” [19]
[1] Conf. Id. Ibd. pp. 34 a 35. Conf. também op. cit. nota 1 ao Cap. X, p. 87.
[2] Conf. Id. Ibd. p. 35
[3] Conf. Id. ibd. nota 2 ao Cap. X, p.87. Conf. também a lista dos Superiores do Convento de Ipojuca, op. cit.. p. 78, N.º 27.
[4] Id. Ibd. p. 36.
[5] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 37. Na nota 10 da pg. 88, acrescenta Frei Venâncio: “I Reis 6,8: As lendas antigas incorporam a miude fatos da Sagrada Escritura, gozando de predileção o carro-de-bois com as particularidades acima descritas”.
[6] COSTA, Francisco Augusto Pereira da -, Anais Pernambucanos, Tomo 3 (1635 – 1665), 2.ª Edição, Recife, 1983, p. 511.
[7] COSTA, Francisco Augusto Pereira da -, Anais Pernambucanos, Tomo 3 (1635 – 1665), 2.ª Edição, Recife, 1983, p. 512..
[8] Apud WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pg. 38. Conf. também COSTA, Francisco Augusto Pereira da -, Anais Pernambucanos, Tomo 3 (1635 – 1665), 2.ª Edição, Recife, 1983, p. 511 a 112.
[9] Apud WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pp. 67 – 68.
[10] SILVA, Orozimbo Nonato da, Impressões do Santuário do Senhor Santo Cristo de Ipojuca. Conf. WILLEKE, Frei Venâncio , OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 94, nota 5 ao Cap. XXII.
[11] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 68.
[12] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pg. 38. Conf. também COSTA, Francisco Augusto Pereira da -, Anais Pernambucanos, Tomo 3 (1635 – 1665), 2.ª Edição, Recife, 1983, p. 94, nota 6.
[13] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pg. 38. Corrigimos o ano da doação para 1782, pois nesta data de hoje (05-06-09). Conf. também COSTA, Francisco Augusto Pereira da -, Anais Pernambucanos, Tomo 3 (1635 – 1665), 2.ª Edição, Recife, 1983, p. 69.
[14] BARBOSA, Padre Manuel -, A Igreja no Brasil, p. 263.
[15] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pg.88, nota 7 ao CapítuloXI.
[16] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pg. 40..E em nota 7 ao Cap.XII, à pg. 89, Fr. Venâncio indica a fonte sobre o Cristo de Sirinhaém: Jab., III, 511, 512.
[17] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 69.
[18] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 70. E na pg. 88, EM NOTA 8, localiza os fatos narrados no “Novo Orbe Seráfico” de Frei Antõnio de santa Maria Jaboatão: Jab. III, 494.
[19] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, pp. 70 a 71.
CONVENTO DE IPOJUCA - RESTAURAÇÕES
II) - RESTAURAÇÃO DAS IMAGENS MAIS PRECIOSAS DO CONVENTO DE SANTO ANTÔNIO DE IPOJUCA E OUTROS DADOS HISTÓRICOS SOBRE AS OBRAS DE ARTE DO MESMO CONVENTO
1. AS RESTAURAÇÕES
A Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, representada pelas pessoas de Frei Valter Schraiber (Guardião do Convento de Ipojuca) e Frei Carlos Alberto Breis (Vigário da Paróquia de São Miguel), é a primeira resposável pela restauração das imagens do Senhor Morto e do Senhor Santo Cristo de Ipojuca. Não podemos esquecer o empenho de Frei Roberto, responsável pelo Patrimônio Franciscano no Nordeste. Frei Francisco Robério, Guardião da Casa de Ipojuca, está dando continuidade ao processo de restauração.
A restauração foi confiada aos trabalhos técnicos, altamente especializados do Restaurador Enos Omena Ribeiro. Enos Omena é especialista em Iconografia e Iconologia e está se dedicando, no momento, à área franciscana.
Seu Atelier de Eestauração se localiza na Praça Fleming, na Jaqueira, Recife. Enos trabalha com uma equipe formada de 8 pessoas: 2 Restauradores (um Arquiteto e outro Historiador); 2 Marceneiros; 1 Entalhador; e dois motoristas – Gilmar MarIa do Rego e Zuza; e Enos Omena, Coordenador e Executor.
A fiscalização dos trabalhos é com o IPHAN (Instituto do Patriomômio Artístico Nacional), a quem cabe, por direito, acompanhar a restauração da imagens, dos painéis e de tudo que pertença ao monumento tombado pela Unidade Federativa.
Em Ofício De 19 de janeiro de 1938, o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional comunicava ao Guardião Frei Venâncio Willeke o tombamento do Convento Franciscano de ipojuca como monumento nacional.
A imagem do Senhor Morto é do século XVIII, como se conclui pela junção das articulações, típica daquele século. Era usado em dois ritos: no da descida da Cruz e na Procissão da Sema Santa.
Provavelmente foi obra de artistas locais.
Sobre ela pouco se sabe historicamente falando. Frei Venâncio diz apenas que era conservada na Capela dos Milagres.
Conforme Jaboatão, os ex-votos se conservavam na Capela do Bom Jesus, onde se encontrava o Senhor Santo Cristo, e eram testemunho da devoção de todo Pernambuco e até de outras capitanias ao Senhor Santo Cristo de ipojuca.
Talvez no Livro de Crônica do Convento conste o ano em que foram transferidos para a Sala dos Milagres onde se encontra o esquife do Senhor Morto.
Conforme testemunhas do incêndio de 1935, na época já se encontravam na Sala dos Milagres e, inexplicavelmente, os ex-votos escaparam ao incêndio até mesmo os de cera, que não chegaram a se derreter apesar de todo o calor. Teria sido mais um milagre na Sala dos Milagres!
A imagem do Senhor Morto foi levada para a rerstauração a 02 de dezembro de 2008, voltando restaurada a 17 de março de 2009.
Sua policronia revela que foi danificada pelo incêndio de 1935.
Foram removidas dela 5 camada de tinta, sendo restaurada a penúltima.
Vai continuar na Sala dos Milagres, emoldurada por uma urna de vidro que será brevemente confeccionada.
A sala dos Milagres passará por uma reforma, quando serão removidas as telhas de amianto que tornam o ambiente inadequado para a conservação da imagem ( o calor é intenso no Verão).
A imagem do Senhor Santo Cristo foi levada juntamente com o a Cruz para a restauração a 17 de março de 2009, voltando, ambas restauradas, a 02 de junho deste mesmo ano. .
O Senhor Santo Cristo e a Cruz foram danificados pelo incêndio de 1935. À semelhança da do Senhor Morto, ambas resgatadas milagrosamente pelos ipojucanos na noite do incêndio. Ainda vive um dos heróis que, com risco de vida, removeram o Senhor Santo Cristo, da Capela do Bom Jesus, chamuscado pelo calor das chamas que se alastravam rapidamente, destruindo toda a igreja, menos as estalas do coro dos religiosos.
Foram removidas da Cruz 5 camadas de tinta, sendo que a última não foi possível restaurar; daí ficarem com a penúltima.
O Santo Lenho é um tronco esteticamente desgalhado em madeira de lei portuguesa, pinho de riga (em italiano "riga" é linha), aplicada laca sobre folha de prata. Mede 3 metro de altura. Vê-se que a intenção do artista foi reproduzir da melhor maneira o próprio Lenho da Cruz. O pinho de riga, prestou-se muito bem para isso. A restauração deixou a Cruz como era originalmente até onde se pôde chegar: laca vede sobre folha de prata. Ficaram uma manchas laterais que são originais.
A idéia do tronco desgalhado é a idéia do Santo Lenho. É o que está no fundo da tradição da Cruz inteiriça talhada na mata do Engenho Trapiche.
Já vimos que em maio de 1763, escrevia Fr. Jaboatão, ter sido a cruz do Senhor Santo Cristo examinada a seu pedido e o estudo ter revelado ser ela, realmente, inteiriça.
Frei Venâncio diz que a cruz não é mais a original:
“Ao ser feita a nova encarnação da imagem, em 1937, partiu-se a trave transversal da cruz, deixando patente a emenda artificial.”
Que os estudiosos opinem sobre o caso.
A Cruz e o Senhor Santo Cristo voltaram à originalidade das peças pós incêndio.
A imagem do Senhor Santo Cristo é em cedro e mede 1,90m de altura.. Vê-se que ela passou por duas carnações após o incêndio: a anterior ao incêndio foi totalmente danificada no incêndio de 1935. A primeira depois do incêndio aconteceu, segundo Frei Venâncio, em1937, quando então foi aplicada uma nova base sobre a imagem e feita a carnação. Depois veio mais uma carnação (não sabemos em que década). Foi esta segunda carnação pós-incêndio que agora foi removida. Na primeira carnação pós incêndio havia também áreas de repintura nos braços, no tórax e nas pernas. Foram agora removidas .
A primeira carnação pós- incêndio é a que foi agora recuperada.
A representação da pele na imagem é perfeita, conservando um ligeiro brilho natural. As manchas de sangue são discretas. A coroa de espinho alcançou a beleza original. Os cravos voltaram à cor primitiva: mental branco. Agora não foi aplicado verniz à imagem.
Quanto ao custo financeiro das restaurações (orçadas em R$14.295,00), temos que ver o que foi objeto de recuperação e o preço de cada peça restaurada.
Peças restauradas:
- A imagem do Senhor Morto importou em R$ 7.235,00.
- 0 esquife do Senhor Morto importou em R$ 485,00.
- A imagem do Senhor Santo Cristo importou em R$ 5.630,00
- A Cruz do Senhor Santo Cristo importou em R$ 945,00
Total: R$ 14.295,00
Trabalhos que, no mercado, não sairiam por menos de R$20.000,00.
Tudo financiado pela Paróquia de São Miguel de Ipoojuca.
O preço estipulado acima, foi uma concessão aos franciscanos. Deveria ser pago em 2 prestações. Na realidade, porém, foram 5 as prestações. Foi um trabalho realmente realizado por amor.
1. AS RESTAURAÇÕES
A Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil, representada pelas pessoas de Frei Valter Schraiber (Guardião do Convento de Ipojuca) e Frei Carlos Alberto Breis (Vigário da Paróquia de São Miguel), é a primeira resposável pela restauração das imagens do Senhor Morto e do Senhor Santo Cristo de Ipojuca. Não podemos esquecer o empenho de Frei Roberto, responsável pelo Patrimônio Franciscano no Nordeste. Frei Francisco Robério, Guardião da Casa de Ipojuca, está dando continuidade ao processo de restauração.
A restauração foi confiada aos trabalhos técnicos, altamente especializados do Restaurador Enos Omena Ribeiro. Enos Omena é especialista em Iconografia e Iconologia e está se dedicando, no momento, à área franciscana.
Seu Atelier de Eestauração se localiza na Praça Fleming, na Jaqueira, Recife. Enos trabalha com uma equipe formada de 8 pessoas: 2 Restauradores (um Arquiteto e outro Historiador); 2 Marceneiros; 1 Entalhador; e dois motoristas – Gilmar MarIa do Rego e Zuza; e Enos Omena, Coordenador e Executor.
A fiscalização dos trabalhos é com o IPHAN (Instituto do Patriomômio Artístico Nacional), a quem cabe, por direito, acompanhar a restauração da imagens, dos painéis e de tudo que pertença ao monumento tombado pela Unidade Federativa.
Em Ofício De 19 de janeiro de 1938, o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional comunicava ao Guardião Frei Venâncio Willeke o tombamento do Convento Franciscano de ipojuca como monumento nacional.
A imagem do Senhor Morto é do século XVIII, como se conclui pela junção das articulações, típica daquele século. Era usado em dois ritos: no da descida da Cruz e na Procissão da Sema Santa.
Provavelmente foi obra de artistas locais.
Sobre ela pouco se sabe historicamente falando. Frei Venâncio diz apenas que era conservada na Capela dos Milagres.
Conforme Jaboatão, os ex-votos se conservavam na Capela do Bom Jesus, onde se encontrava o Senhor Santo Cristo, e eram testemunho da devoção de todo Pernambuco e até de outras capitanias ao Senhor Santo Cristo de ipojuca.
Talvez no Livro de Crônica do Convento conste o ano em que foram transferidos para a Sala dos Milagres onde se encontra o esquife do Senhor Morto.
Conforme testemunhas do incêndio de 1935, na época já se encontravam na Sala dos Milagres e, inexplicavelmente, os ex-votos escaparam ao incêndio até mesmo os de cera, que não chegaram a se derreter apesar de todo o calor. Teria sido mais um milagre na Sala dos Milagres!
A imagem do Senhor Morto foi levada para a rerstauração a 02 de dezembro de 2008, voltando restaurada a 17 de março de 2009.
Sua policronia revela que foi danificada pelo incêndio de 1935.
Foram removidas dela 5 camada de tinta, sendo restaurada a penúltima.
Vai continuar na Sala dos Milagres, emoldurada por uma urna de vidro que será brevemente confeccionada.
A sala dos Milagres passará por uma reforma, quando serão removidas as telhas de amianto que tornam o ambiente inadequado para a conservação da imagem ( o calor é intenso no Verão).
A imagem do Senhor Santo Cristo foi levada juntamente com o a Cruz para a restauração a 17 de março de 2009, voltando, ambas restauradas, a 02 de junho deste mesmo ano. .
O Senhor Santo Cristo e a Cruz foram danificados pelo incêndio de 1935. À semelhança da do Senhor Morto, ambas resgatadas milagrosamente pelos ipojucanos na noite do incêndio. Ainda vive um dos heróis que, com risco de vida, removeram o Senhor Santo Cristo, da Capela do Bom Jesus, chamuscado pelo calor das chamas que se alastravam rapidamente, destruindo toda a igreja, menos as estalas do coro dos religiosos.
Foram removidas da Cruz 5 camadas de tinta, sendo que a última não foi possível restaurar; daí ficarem com a penúltima.
O Santo Lenho é um tronco esteticamente desgalhado em madeira de lei portuguesa, pinho de riga (em italiano "riga" é linha), aplicada laca sobre folha de prata. Mede 3 metro de altura. Vê-se que a intenção do artista foi reproduzir da melhor maneira o próprio Lenho da Cruz. O pinho de riga, prestou-se muito bem para isso. A restauração deixou a Cruz como era originalmente até onde se pôde chegar: laca vede sobre folha de prata. Ficaram uma manchas laterais que são originais.
A idéia do tronco desgalhado é a idéia do Santo Lenho. É o que está no fundo da tradição da Cruz inteiriça talhada na mata do Engenho Trapiche.
Já vimos que em maio de 1763, escrevia Fr. Jaboatão, ter sido a cruz do Senhor Santo Cristo examinada a seu pedido e o estudo ter revelado ser ela, realmente, inteiriça.
Frei Venâncio diz que a cruz não é mais a original:
“Ao ser feita a nova encarnação da imagem, em 1937, partiu-se a trave transversal da cruz, deixando patente a emenda artificial.”
Que os estudiosos opinem sobre o caso.
A Cruz e o Senhor Santo Cristo voltaram à originalidade das peças pós incêndio.
A imagem do Senhor Santo Cristo é em cedro e mede 1,90m de altura.. Vê-se que ela passou por duas carnações após o incêndio: a anterior ao incêndio foi totalmente danificada no incêndio de 1935. A primeira depois do incêndio aconteceu, segundo Frei Venâncio, em1937, quando então foi aplicada uma nova base sobre a imagem e feita a carnação. Depois veio mais uma carnação (não sabemos em que década). Foi esta segunda carnação pós-incêndio que agora foi removida. Na primeira carnação pós incêndio havia também áreas de repintura nos braços, no tórax e nas pernas. Foram agora removidas .
A primeira carnação pós- incêndio é a que foi agora recuperada.
A representação da pele na imagem é perfeita, conservando um ligeiro brilho natural. As manchas de sangue são discretas. A coroa de espinho alcançou a beleza original. Os cravos voltaram à cor primitiva: mental branco. Agora não foi aplicado verniz à imagem.
Quanto ao custo financeiro das restaurações (orçadas em R$14.295,00), temos que ver o que foi objeto de recuperação e o preço de cada peça restaurada.
Peças restauradas:
- A imagem do Senhor Morto importou em R$ 7.235,00.
- 0 esquife do Senhor Morto importou em R$ 485,00.
- A imagem do Senhor Santo Cristo importou em R$ 5.630,00
- A Cruz do Senhor Santo Cristo importou em R$ 945,00
Total: R$ 14.295,00
Trabalhos que, no mercado, não sairiam por menos de R$20.000,00.
Tudo financiado pela Paróquia de São Miguel de Ipoojuca.
O preço estipulado acima, foi uma concessão aos franciscanos. Deveria ser pago em 2 prestações. Na realidade, porém, foram 5 as prestações. Foi um trabalho realmente realizado por amor.
CONVENTO DE IPOJUCA - IMAGENS E OBRAS DE ARTE
- UM POUCO DA HISTÓRIA DO CONVENTO DE SANTO ANTÔNIO DE IPOJUCA.
- AS IMAGENS E PINTURAS DO CONVENTO DE IPOJUCA .
- RESTAURAÇÕES
I ) - AS IMAGENS DO CONVENTO
Escreve Frei Venâncio: “As primitivas imagens do Convento de Santo Antônio eram de cerâmica; provavelmente tiveram como autor o franciscano português Frei Francisco dos Santos, a cuja perícia muitos Conventos antigos tiveram a planta e as imagens. A única relíquia das imagens de barro é a cabeça de um santo franciscano, não identificado, que se encontrou em 1935, ao ensejo das escavações feitas para o alicerce do altar-mor.
Sobre a procedência e época das imagens de madeira, faltam dados minuciosos, traindo o estilo barroco, a que obedecem os séculos XVII ou XVIII.”
Imagem de S. José - “Diz a crônica do Convento que na gestão do Guardião Frei Rafael da Conceição, entre 1761 e 1764, chegou a imagem de S. José. A representação do santo com botas valeu-lhe o título de S. José dos Caminhantes. [...]
No Inventário de 1852, constam um resplendor de S. José e outro do Menino.
Havia no Convento a Confraria de São José.
A imagem do Senhor Morto tem os braços movediços; a partir de 1937, ano em que foi doadaao convento, servia na cerimônia do descimento da Sexta-Feira Santa, enquanto hoje é unicamente levada em procissão nesse mesmo dia.
São novas e de massa as imagens do Coração de Jesus e de Santa Inês, como também a Via-Sacra executada em alto-relevo e canonicamente ereta na festa da Exaltação da Santa Cruz, a 14 de setembro de 1940.
Quando em 1906 diversa imagens antigas foram substituídas por novas , seguindo S. José e S. Francisco para a capela de Arimbi, ninguém supunha que seria essa a maneira de fazê-las escapar de completa destruição, pois o incêndio de 1935 reduziu a cinzas as imagens novas do altar-mor, o que motivou a volta das antigas a seus lugares de honra.” [1]
Comparando-se os bens móveis dos inventários de 1648 e 1852, “nota-se enorme perda de imagens, devido, provavelmente, ao abandono do convento em fins do século XIX.” [2]
Segundo Frei Venâncio, as imagens do convento de ipojuca “estão assim localizadas:
No altar-mor: Sr. Santo Cristo de Ipojuca, ao centro; Santo Antônio de Lisboa, à esquerda; S. Francisco de Assis, à direita.
Nos altares laterais: N. S.a da Imaculada Conceição, à esquerda; S. José e S. Miguel Arcanjo, à direita.
Na capela dos milagres: : Sr. Morto e S. Benedito, o preto. Achava-se, segundo Frei Venâncio, no salão dos Guardiães. Tinha a sua Irmandade no Convento. “O único documento que havia no arquivo franciscano de Ipojuca sobre a extinta irmandade de S. Benedito, perdeu-se no incêndio de 1935, o Inventário das alfaias pertencentes à mesma Irmandade.” [3]
Havia, pois, Ipojuca a Irmandade de S. Benedito, com assistência espiritual dos franciscanos.
No Inventário de 1852 consta 1 resplendor e 2 pares de cortina com sanefa de S. Benedito.
Na capela lateral (antigo Santuário): S. Roque.
São Roque era o Patrono da Ordem Terceira de Ipojuca. Tinha a sua festa a 02 de janeiro. A imagem de S. Roque se encontrava na capela lateral do Bom Jesus, a capela do Sr. Santo Cristo, chamada também de antigo Santuário. Hoje se acha no nicho lateral, frente ao altar da Conceição. O Inventário de 1852 lhe atribuía 2 pares de cortinas com sanefas.
N. S.a das Dores e N. S.a da Piedade, em frente ao púlpito (que, lamentavelmente não existe mais, derrubado na década de 80!).
Consta no Inventário de 1852 que havia “1 par de brincos de ouro, 7 espadas com copos de ouro” de Nossa Senhora das Dores e “ 3 anéis de ouro da mesma senhora”. [4]
Santa Luzia, à entrada da igreja.
No mesmo Inventário de 1852 consta 1 resplendor de Santa Luzia.
Santo Antônio de Lisboa, na portaria; N. S.a do Capítulo, no oratório da comunidade (atualmente na sala de Recreio).
No salão dos Guardiães: S. Benedito e Santo Franciscano (fragmentos).” [5]
As imagens de São Vicente, de S. Cosme, de Nossa Senhora da Soledade, de Sant`Ana , de S. Joaquim e de Nossa Senhora do Rosário “já não existem. A atual imagem de Nossa Senhora da Soledade foi doada ao Santuário em 1940, sendo, como as demais antigas, de madeira.” [6]
No Inventario de 1852, consta um diadema de Nossa Senhora da Soledade.
Não sabemos de onde vieram as imagens de madeira, de S. Joaquim e de Sant`Ana com a Menina, que hoje vemos de um lado e outro da entrada da Secretaria da Paróquia (no Convento). No mesmo Inventário consta o resplendor e cajado de S. Joaquim, os resplendores de Sant`Ana e de Nossa Senhora (Menina).
Temos uma bela imagem de S. Vicente, parecendo também muito antiga, que hoje se encontra no corredor da biblioteca.
O Convento conserva também uma imagem de S. Cosme e outra de S. Damião, em estilo barroco, bastante danificadas pelo tempo. Apresentam traços de gêmeos, vestem-se do mesmo jeito, mas um se apresenta com pequena barba, ao passo que o outro tem a face raspada.
Santo Antônio: imagem barroca, provavelmente do século XVII, com o Menino Deus no braço esquerdo e a cruz de prata na mão direita. É, desde a fundação, o padroeiro do Convento e da igreja. No entanto, assevera Frei Venâncio que o Patrono principal da igreja do Convento é o Senhor Santo Cristo, sendo Santo Antônio padroeiro secundário. A partir de quando começou esta precedência do Senhor Santo Cristo? Possivelmente a partir da festa de sua reentronização a 29 de agosto de 1937,[7] quando foi aposto com sua Cruz na Capela-Mor onde hoje se encontra. Não sabemos em que Frei Venâncio se baseia para tal assertiva. Para o povo de Ipojuca, até o Convento é do Senhor Santo Cristo.
Escreve Frei Venâncio, como já vimos, que as imagens primitivas do Convento não existem mais. Diz também que os restauradores alemães substituíram, em 1906, as imagens antigas por imagens nova e que as imagens de São Francisco e de S. José foram mandadas para o Engenho Arimbi, escapando, assim do incêndio de 1935, mas não diz onde se encontrava a imagem atual de Santo Antônio antes daquela desastre.
Os jovens frades restauradores, vindos da Alemanha, não sabiam apreciar a arte barroca, substituíam imagens de madeira por estátuas de gesso importadas (muito belas, por sinal). Acontecia, por vezes, lamentável traquinagem. Como a de transformar um santo em outro, conforme a necessidade do momento. Foi assim que um Arcanjo S. Miguel do Convento Franciscano de Olinda, perdeu azas, escudo, espada e balança, para servir de Santo Rei Gaspar junto ao Menino Jesus.
Menino Jesus da Sacristia.São Boaventura - No mesmo Inventário consta um resplendor de São Boaventura.
No Inventário de 1852 resplendor do Menino Jesus da sacristia.
A imagem de São Boaventura foi levada para o Convento Franciscano de Olinda.
Imagem de Nossa Senhora do Sagrado Coração encontrava-se antigamente na igreja do Convento. Hoje se acha no Refeitório da Comunidade Franciscana.
É igual à que existe na Capela de Sant´Ana do Rio Doce (Olinda) e que foi mandada restaurar em Ponte dos Carvalhos por Frei José Milton. Foi adquirida pelos frades restauradores no final do século XIX ou início do século XX e deve ter vindo da Alemanha.
A imagem mais preciosa do Convento de Ipojuca é a imagem do Senhor Santo Cristo.
A imagem do Senhor Morto que foi recentemente restaurada é nova: foi ofertada ao convento em 1937. Quando a 29 de de agosto de 1937 foi reintronizada a imgem do Senhor Santo Cristo, foi, ao mesmo tempo, inaugurada e benta a imagem nova do Senhor Morto que até hoje se conserva na Capela dos Milagres.
-
II) - RESTAURAÇÃO DAS IMAGENS MAIS PRECIOSAS DO CONVENTO DE SANTO ANTÔNIO DE IPOJUCA E OUTROS DADOS HISTÓRICOS SOBRE AS OBRAS DE ARTE DO MESMO CONVENTO
[1] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 67.
[2] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 94, nota 9.
[3] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 90. nota 10 ao Cap. XIV.
[4] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 75.
[5] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 69.
[6] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 94, nota 3 ao cap. XXIII.
[7] Maria de Ipójuca (OdetE) em WILLEKE, Frei Venâncio, OFM, Santuario do Senhor Santo Christo de ipojuca, Ipojuca,, 1938, p. 44.
- AS IMAGENS E PINTURAS DO CONVENTO DE IPOJUCA .
- RESTAURAÇÕES
I ) - AS IMAGENS DO CONVENTO
Escreve Frei Venâncio: “As primitivas imagens do Convento de Santo Antônio eram de cerâmica; provavelmente tiveram como autor o franciscano português Frei Francisco dos Santos, a cuja perícia muitos Conventos antigos tiveram a planta e as imagens. A única relíquia das imagens de barro é a cabeça de um santo franciscano, não identificado, que se encontrou em 1935, ao ensejo das escavações feitas para o alicerce do altar-mor.
Sobre a procedência e época das imagens de madeira, faltam dados minuciosos, traindo o estilo barroco, a que obedecem os séculos XVII ou XVIII.”
Imagem de S. José - “Diz a crônica do Convento que na gestão do Guardião Frei Rafael da Conceição, entre 1761 e 1764, chegou a imagem de S. José. A representação do santo com botas valeu-lhe o título de S. José dos Caminhantes. [...]
No Inventário de 1852, constam um resplendor de S. José e outro do Menino.
Havia no Convento a Confraria de São José.
A imagem do Senhor Morto tem os braços movediços; a partir de 1937, ano em que foi doadaao convento, servia na cerimônia do descimento da Sexta-Feira Santa, enquanto hoje é unicamente levada em procissão nesse mesmo dia.
São novas e de massa as imagens do Coração de Jesus e de Santa Inês, como também a Via-Sacra executada em alto-relevo e canonicamente ereta na festa da Exaltação da Santa Cruz, a 14 de setembro de 1940.
Quando em 1906 diversa imagens antigas foram substituídas por novas , seguindo S. José e S. Francisco para a capela de Arimbi, ninguém supunha que seria essa a maneira de fazê-las escapar de completa destruição, pois o incêndio de 1935 reduziu a cinzas as imagens novas do altar-mor, o que motivou a volta das antigas a seus lugares de honra.” [1]
Comparando-se os bens móveis dos inventários de 1648 e 1852, “nota-se enorme perda de imagens, devido, provavelmente, ao abandono do convento em fins do século XIX.” [2]
Segundo Frei Venâncio, as imagens do convento de ipojuca “estão assim localizadas:
No altar-mor: Sr. Santo Cristo de Ipojuca, ao centro; Santo Antônio de Lisboa, à esquerda; S. Francisco de Assis, à direita.
Nos altares laterais: N. S.a da Imaculada Conceição, à esquerda; S. José e S. Miguel Arcanjo, à direita.
Na capela dos milagres: : Sr. Morto e S. Benedito, o preto. Achava-se, segundo Frei Venâncio, no salão dos Guardiães. Tinha a sua Irmandade no Convento. “O único documento que havia no arquivo franciscano de Ipojuca sobre a extinta irmandade de S. Benedito, perdeu-se no incêndio de 1935, o Inventário das alfaias pertencentes à mesma Irmandade.” [3]
Havia, pois, Ipojuca a Irmandade de S. Benedito, com assistência espiritual dos franciscanos.
No Inventário de 1852 consta 1 resplendor e 2 pares de cortina com sanefa de S. Benedito.
Na capela lateral (antigo Santuário): S. Roque.
São Roque era o Patrono da Ordem Terceira de Ipojuca. Tinha a sua festa a 02 de janeiro. A imagem de S. Roque se encontrava na capela lateral do Bom Jesus, a capela do Sr. Santo Cristo, chamada também de antigo Santuário. Hoje se acha no nicho lateral, frente ao altar da Conceição. O Inventário de 1852 lhe atribuía 2 pares de cortinas com sanefas.
N. S.a das Dores e N. S.a da Piedade, em frente ao púlpito (que, lamentavelmente não existe mais, derrubado na década de 80!).
Consta no Inventário de 1852 que havia “1 par de brincos de ouro, 7 espadas com copos de ouro” de Nossa Senhora das Dores e “ 3 anéis de ouro da mesma senhora”. [4]
Santa Luzia, à entrada da igreja.
No mesmo Inventário de 1852 consta 1 resplendor de Santa Luzia.
Santo Antônio de Lisboa, na portaria; N. S.a do Capítulo, no oratório da comunidade (atualmente na sala de Recreio).
No salão dos Guardiães: S. Benedito e Santo Franciscano (fragmentos).” [5]
As imagens de São Vicente, de S. Cosme, de Nossa Senhora da Soledade, de Sant`Ana , de S. Joaquim e de Nossa Senhora do Rosário “já não existem. A atual imagem de Nossa Senhora da Soledade foi doada ao Santuário em 1940, sendo, como as demais antigas, de madeira.” [6]
No Inventario de 1852, consta um diadema de Nossa Senhora da Soledade.
Não sabemos de onde vieram as imagens de madeira, de S. Joaquim e de Sant`Ana com a Menina, que hoje vemos de um lado e outro da entrada da Secretaria da Paróquia (no Convento). No mesmo Inventário consta o resplendor e cajado de S. Joaquim, os resplendores de Sant`Ana e de Nossa Senhora (Menina).
Temos uma bela imagem de S. Vicente, parecendo também muito antiga, que hoje se encontra no corredor da biblioteca.
O Convento conserva também uma imagem de S. Cosme e outra de S. Damião, em estilo barroco, bastante danificadas pelo tempo. Apresentam traços de gêmeos, vestem-se do mesmo jeito, mas um se apresenta com pequena barba, ao passo que o outro tem a face raspada.
Santo Antônio: imagem barroca, provavelmente do século XVII, com o Menino Deus no braço esquerdo e a cruz de prata na mão direita. É, desde a fundação, o padroeiro do Convento e da igreja. No entanto, assevera Frei Venâncio que o Patrono principal da igreja do Convento é o Senhor Santo Cristo, sendo Santo Antônio padroeiro secundário. A partir de quando começou esta precedência do Senhor Santo Cristo? Possivelmente a partir da festa de sua reentronização a 29 de agosto de 1937,[7] quando foi aposto com sua Cruz na Capela-Mor onde hoje se encontra. Não sabemos em que Frei Venâncio se baseia para tal assertiva. Para o povo de Ipojuca, até o Convento é do Senhor Santo Cristo.
Escreve Frei Venâncio, como já vimos, que as imagens primitivas do Convento não existem mais. Diz também que os restauradores alemães substituíram, em 1906, as imagens antigas por imagens nova e que as imagens de São Francisco e de S. José foram mandadas para o Engenho Arimbi, escapando, assim do incêndio de 1935, mas não diz onde se encontrava a imagem atual de Santo Antônio antes daquela desastre.
Os jovens frades restauradores, vindos da Alemanha, não sabiam apreciar a arte barroca, substituíam imagens de madeira por estátuas de gesso importadas (muito belas, por sinal). Acontecia, por vezes, lamentável traquinagem. Como a de transformar um santo em outro, conforme a necessidade do momento. Foi assim que um Arcanjo S. Miguel do Convento Franciscano de Olinda, perdeu azas, escudo, espada e balança, para servir de Santo Rei Gaspar junto ao Menino Jesus.
Menino Jesus da Sacristia.São Boaventura - No mesmo Inventário consta um resplendor de São Boaventura.
No Inventário de 1852 resplendor do Menino Jesus da sacristia.
A imagem de São Boaventura foi levada para o Convento Franciscano de Olinda.
Imagem de Nossa Senhora do Sagrado Coração encontrava-se antigamente na igreja do Convento. Hoje se acha no Refeitório da Comunidade Franciscana.
É igual à que existe na Capela de Sant´Ana do Rio Doce (Olinda) e que foi mandada restaurar em Ponte dos Carvalhos por Frei José Milton. Foi adquirida pelos frades restauradores no final do século XIX ou início do século XX e deve ter vindo da Alemanha.
A imagem mais preciosa do Convento de Ipojuca é a imagem do Senhor Santo Cristo.
A imagem do Senhor Morto que foi recentemente restaurada é nova: foi ofertada ao convento em 1937. Quando a 29 de de agosto de 1937 foi reintronizada a imgem do Senhor Santo Cristo, foi, ao mesmo tempo, inaugurada e benta a imagem nova do Senhor Morto que até hoje se conserva na Capela dos Milagres.
-
II) - RESTAURAÇÃO DAS IMAGENS MAIS PRECIOSAS DO CONVENTO DE SANTO ANTÔNIO DE IPOJUCA E OUTROS DADOS HISTÓRICOS SOBRE AS OBRAS DE ARTE DO MESMO CONVENTO
[1] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 67.
[2] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 94, nota 9.
[3] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 90. nota 10 ao Cap. XIV.
[4] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 75.
[5] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 69.
[6] WILLEKE, Frei Venâncio -, OFM, Convento de Stº Cristo de Ipojuca, Separata da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Vol. 13 – Rio de Janeiro, 1956, p. 94, nota 3 ao cap. XXIII.
[7] Maria de Ipójuca (OdetE) em WILLEKE, Frei Venâncio, OFM, Santuario do Senhor Santo Christo de ipojuca, Ipojuca,, 1938, p. 44.
domingo, 31 de maio de 2009
segunda-feira, 4 de maio de 2009
OS ENGENHOS E A INSURREIÇÃO IPOJUCANA
Os Senhores de Engenho muitas vezes pareciam coniventes com o inimigo. Francisco Dias Delgado acolhia em sua casa chefes holandeses que por lá passavam de visita à região. É nos engenhos que se encontram os mentores da insurreição: Dias Delgado, Amador Araújo e muitos outros. Em 1645 o Convento é retomado aos holandeses e entregue de volta aos franciscanos.
O Engenho Tabatinga, que havia sido palco de morte (o capelão fora trucidado ao tocar chamada para a missa) se torna centro de reação ao inimigo. Ainda hoje podemos ver as ruínas da primitiva Capela de Santa Luzia, do tempo dos flamengos.. A Inssureição Ipojucana merece um Capítulo à parte.
O Engenho Tabatinga, que havia sido palco de morte (o capelão fora trucidado ao tocar chamada para a missa) se torna centro de reação ao inimigo. Ainda hoje podemos ver as ruínas da primitiva Capela de Santa Luzia, do tempo dos flamengos.. A Inssureição Ipojucana merece um Capítulo à parte.
ENGENHO CAMELA CAPELA
Engenhos de Ipojuca
Escreve Pereira da Costa: “Neste ano [1654], segundo um escrito holandês, o distrito da Vila de Marim de Olinda constava da povoações e paróquias de Santo Antônio do Cabo, Ipojuca, Jaboatão e S. Lourenço, em cujo termo se contavam 67 engenhos de açúcar, sendo 20 de fogo morto e 17 moentes e correntes, notando-se entre os confiscados pelo invasor 5 que ainda não tinham sido vendidos.” [1]
A sorte dos engenhos pertencentes à Companhia das Índias Ocidentais após a Guerra Holandesa: “Neste ano [1721], confiscou o Governo Holandês os abandonados engenhos por seus donos, expatriados, errantes, cujo número atingiu quarenta e seis, e, alienando-os imediatamente, variaram os preços das vendas de tais propriedades de 13.500 a 70.000 florins, pagáveis em prestações a determinados prazos.
Os engenhos confiscados e vendidos ficavam: na Várzea, os de Dr. Carlos Francisco, Luís Ramires e Ambrósio Machado; em Muribeca, os engenhos Novo, Santo André, e Guararapes; no Cabo, o Engenho Velho, Guerra, Jurissaca e Garapu; em Goiana, o engenho Novo e um pertencente a Manuel Pacheco; em Beberibe, o Engenho Velho, que tomou o nome holandês de Eenkalchoven; em Jaboatão, os engenhos Jaboatão e Gurjaú; em Ipojuca, os de São Paulo, Tabatinga e Salgado; e mais os seguintes sem menção das suas situações, mas conhecidíssimos, e alguns dos quais ainda existentes: Maciape, Três Paus,Tracunhãem de Cima, Espírito Santo, Santo Antônio, Bom Jesus, N. S. da Conceição, do Meio, Santos Cosme e Damião, Santa Cruz, Novo, Maranhão, Bertioga, Pirapama, Rio Formoso, Itaperussu, Marabara, , S. José, S. João, N. S. da Paz, Martapagipe, Sapupema, S.Jerônimo [Camela?], Ilhetas, N. S. da Palma, Santa Ana e N. S. da França .” [2]
ENGENHO DE CATARINA CAMELA
Escreve Sebastião Galvão:
Escreve Sebastião Galvão:
“Camêlla – Povoação – Situada a 27 kilms distante da Villa de Ipojuca, nada tem de notável. Possue uma capella dedicada a N.. S. da Conceição.”
“Camêlla – Eng. do mun. de Ipojuca, em cujas terras fica o povoadinho anteriormente mencionado. Foi fundado antes da invasão hollandesa, por Jeronymo Atayde, casado com D. Catharina Camêlla, que ficando viúva o [i]engenho passou a ser conhecido pelo seu sobrenome. “
( GALVÃO , Sebastião de Vasconcellos, Dicionário Corográfico, Histótico e Estatístico de Pernambuco, Volume I, 2ª Edição, Governo de Pernambuco – CEPE, Recife, 2006, pg. 145.)
Comentário: Jeronymo Atayde, fundador do Engenho Camela, não é o homônimo D. Jerônimo de Ataíde, conde de Athonguia, do Conselho de Sua Majestade Imperial, Governador e Capitão General do Estado do Brasil, ou seja, o Governador Geral (de 1654-1657), com sede na Bahia ( Confira Pereira da Costa, Anais Pernambucanos, Vol. I, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, Recife, 1983, p. 214). Por ocasião da Guerra Holandesa o fundador do Engenho Camela já era falecido e sua viúva administratava o Engenho que passou a ter o seu nome, ao passo que o Governador Geral exerce o seu mandado a partir de 1654, ano do término da Guerra holandesa.
Em suas “Notas do que se passou na minha visagem, desde 15 de Dezembro de 1641 até 24 de Janeiro do ano seguinte de 1642”, registra o Sr. Adriaen van Bullestrate, ecarregado por um Alto e Secreto Conselho de visitar “as regiões do sul desta conquista”, escreve a 29 de dezembro de 1641:
( GALVÃO , Sebastião de Vasconcellos, Dicionário Corográfico, Histótico e Estatístico de Pernambuco, Volume I, 2ª Edição, Governo de Pernambuco – CEPE, Recife, 2006, pg. 145.)
Comentário: Jeronymo Atayde, fundador do Engenho Camela, não é o homônimo D. Jerônimo de Ataíde, conde de Athonguia, do Conselho de Sua Majestade Imperial, Governador e Capitão General do Estado do Brasil, ou seja, o Governador Geral (de 1654-1657), com sede na Bahia ( Confira Pereira da Costa, Anais Pernambucanos, Vol. I, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, Recife, 1983, p. 214). Por ocasião da Guerra Holandesa o fundador do Engenho Camela já era falecido e sua viúva administratava o Engenho que passou a ter o seu nome, ao passo que o Governador Geral exerce o seu mandado a partir de 1654, ano do término da Guerra holandesa.
Em suas “Notas do que se passou na minha visagem, desde 15 de Dezembro de 1641 até 24 de Janeiro do ano seguinte de 1642”, registra o Sr. Adriaen van Bullestrate, ecarregado por um Alto e Secreto Conselho de visitar “as regiões do sul desta conquista”, escreve a 29 de dezembro de 1641:
“Em Serinhaém está vago o engenho de ... [não indica] que pertenceu à viúva de Jerônimo de Ataíde, que se retirou; ali ainda está vago o engenho Araquara, do qual era proprietário Vicente Campelo, que se retirou. Deste e do outro, deve-se dispor oportunamente para venda”. [3]
Pode ser o Engenho Camela, pois era situado nos limites de IIpojuca com Sirinháem.
Escreve José Antônio Gonçalves de Lello: “Jerônimo de Ataíde de Albuquerque (já falecido em 1635 era casado com Catarina Camelo: A. J. V. Borges da Fonseca, Nobiliarquia Pernambucana cit. I p.32 e II p. 422. Era ela proprietártia do Engenho Jaguaré, confiscado por ela se ter retirado.” [4]
Pode ser o Engenho Camela, pois era situado nos limites de IIpojuca com Sirinháem.
Escreve José Antônio Gonçalves de Lello: “Jerônimo de Ataíde de Albuquerque (já falecido em 1635 era casado com Catarina Camelo: A. J. V. Borges da Fonseca, Nobiliarquia Pernambucana cit. I p.32 e II p. 422. Era ela proprietártia do Engenho Jaguaré, confiscado por ela se ter retirado.” [4]
No “inventário, na medida do possível, de todos os engenhos situados ao Sul do rio da Jangada até o rio Uma, feito pelo Conselheiro Schott”, nos deparamos, entre os engenhos da Freguesia de Sirinhém, com “o engenho São Jertônimo, situado em Taserusu, cerca de duas milhas distantes da cidade, ao sul do rio. Pertence a Dona Catarina Camela, que fugiu com Albuquerque; tem cerca de uma milha de terra com poucas várzeas e muitos montes. Mói com água e pode anualmente produzir 3.000 a 4.000 arrobas de açúcar e paga de recognição 2 arrobas por mil. A casa de purgar e a casa das caldeiras são de taipa mas estão muito arruinadas e nelas nada foi encontrado para a companhia.” [5]
Também aqui parece tratar-se do mesmo engenho que deu origem ao povoado de Camela.
A CAPELA DE CAMELA
Sebastião Galvão escreveu por volta de 1908 que o povoado de Camela possuía uma capela dedicada a N. Senhora da Conceição. Não encontramos outra fonte histórica que confirme esta afirmação. Ainda hoje é a igreja de Santo Antônio o único templo católico de Camela Há duas datas na fachada do mesmo: 1907 -1968. A primeira data deve ser de uma restauração; a segunda, conforme os paroquianos,foi a de uma ampliação promovida pelo Prefeito de Ipojuca que aumentou bastante as dimensões do templo. Em 2008, o Vigário Frei Carlos Alberto, realizou melhoramentos que muito agradaram o povo de Camela, deixando a Capela mais alegre e espaçosa (foram gastos na reforma cerca de R$7.000,00 (sete mil reais).
Sebastião Galvão escreveu por volta de 1908 que o povoado de Camela possuía uma capela dedicada a N. Senhora da Conceição. Não encontramos outra fonte histórica que confirme esta afirmação. Ainda hoje é a igreja de Santo Antônio o único templo católico de Camela Há duas datas na fachada do mesmo: 1907 -1968. A primeira data deve ser de uma restauração; a segunda, conforme os paroquianos,foi a de uma ampliação promovida pelo Prefeito de Ipojuca que aumentou bastante as dimensões do templo. Em 2008, o Vigário Frei Carlos Alberto, realizou melhoramentos que muito agradaram o povo de Camela, deixando a Capela mais alegre e espaçosa (foram gastos na reforma cerca de R$7.000,00 (sete mil reais).
[1] COSTA, Francisco Augusto Pereira da, Anais Pernambucanos, Vol 3, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, Recife. 1983, p. 81.
[2] COSTA, Francisco Augusto Pereira da, Anais Pernambucanos, Vol 3, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, Recife. 1983, pp.79-80..
[3] MELLO, José Antônio Gonçalves de, Administraçãp da Conquista ,II, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, CEPE, Recife, 2004, pg. 157).
[4] Cfr. MELLO, José Antônio Gonçalves de, Administraçãp da Conquista ,II, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, CEPE, Recife, 2004, p. 193, nota 35.
[5] MELLO, José Antônio Gonçalves de, A Economia Açucareira, I, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, CEPE, Recife, 2004, p. 69
O QUE NOS CONTA A TRADIÇÃO
Transcrevemos o que a equipe encarregada dos festejos de Santo Antônio em 2005 elaborou sobre a história da capela de Santo Antônio de Camela:
“Dona Quitéria Albuquerque Cavalcanti dos Santos, nascida em Camela no dia 20 de agosto de 1918, hoje com 86 anos, é uma figura histórica do nosso Distrito.
[2] COSTA, Francisco Augusto Pereira da, Anais Pernambucanos, Vol 3, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, Recife. 1983, pp.79-80..
[3] MELLO, José Antônio Gonçalves de, Administraçãp da Conquista ,II, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, CEPE, Recife, 2004, pg. 157).
[4] Cfr. MELLO, José Antônio Gonçalves de, Administraçãp da Conquista ,II, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, CEPE, Recife, 2004, p. 193, nota 35.
[5] MELLO, José Antônio Gonçalves de, A Economia Açucareira, I, 2ª Edição, Governo de Pernambuco, CEPE, Recife, 2004, p. 69
O QUE NOS CONTA A TRADIÇÃO
Transcrevemos o que a equipe encarregada dos festejos de Santo Antônio em 2005 elaborou sobre a história da capela de Santo Antônio de Camela:
“Dona Quitéria Albuquerque Cavalcanti dos Santos, nascida em Camela no dia 20 de agosto de 1918, hoje com 86 anos, é uma figura histórica do nosso Distrito.
Quando adolescente, rezava fascinada aos pés de Santo Antônio, sendo uma devota inconteste. De família religiosa, Dona Quitéria nos conta, com sabedoria, como se deu a chegada da imagem de Santo Antônio em Camela.
Reza a lenda que moradores do lugar encontraram uma imagem de Santo Antônio na cachoeira do Engenho São Pedro. A imagem mede aproximadamente, 40 cm, evidenciando o Menino Jesus no braço de Santo Antônio, que é atualmente guardada como relíquia.
Dona Catarina Camella, dona do Engenho Camelinha [ainda hoje existente], mandou construir um nicho para guardar sua imagem. Sempre ao amanhecer, Dona Catarina, piedosíssima, fazia suas orações para o Santo e, por diversas vezes, a imagem não mais estava lá no nicho. Santo Antônio voltava para a cachoeira onde foi encontrado por diversos moradores.
Um dia, Dona Catarina fez uma promessa ao Santo: se ele ficasse no nicho, ela iria chamar a população para construir uma igreja para ele nun lugar de destaque em Camela. E assim ele atendeu seu pedido. Quando ela chegou ao nicho na manhã seguinte, lá estava a imagem de Santo Antônio.
Exercendo influência moral e espiritual perante a comunidade, sendo extremamente fervorosa e muito ligada à Igreja, chamou as pessoas para construírem a capela de santo Antônio de Camela com as pedras da própria cachoeira. Os povoadores do lugar começaram a carregar as pedras na cabeça para edificar a Capela e assim cumprir a promessa feita pela devota Catarina de Camella: poporcionar aos devotos um local ideal para devoção dos fiéis.
As manifestações recebidas pelo povo católico da época foram além da sua expectativa e logo se edificou a igreja de santo Antônio de Camela”.
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